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sexta-feira, 3 de abril de 2015

Escultura art déco «Adagio» – Hutschenreuther - Alemanha


Escultura art déco de porcelana moldada, de cor branca com apontamentos a ouro na base. Representa um homem, sentado sobre um cepo de árvore, que toca violino e uma mulher igualmente sentada, a um nível inferior, no solo. O conjunto assenta sobre uma base oval escalonada em três níveis com realces a ouro. Atrás da figura masculina, inscrito na pasta, C. Werner. No fundo da base, carimbo verde com leão «Hutschenreuther, Selb Bavaria, Abteilung für Kunst»
Data: c. 1927 (carimbo 1920-1938)
Dimensões: Alt. 21 x comp. 23 x larg. 14,5 cm


Trata-se do modelo nº 0906/1 do catálogo de 1927, pág. 33, da fábrica alemã Hutschenreuther, da autoria de Carl Werner, intitulada «Adagio».

Versão art déco de uma cena galante setecentista, com ecos das porcelanas de Meissen de então, a peça escultórica é de uma fragilidade extrema. Elegantes e mundanas, as personagens parecem envergar trajes de cena. A teatralidade da representação é realçada pela depuração e pelo amaneiramento das formas, estilizadas e tendencialmente geometrizadas, a que as mãos, de enfática modelação, acrescem ainda maior intensidade ao movimento barroco de toda a composição. Diríamos estar perante uma peça que é um meio-termo entre duas expressões escultóricas e estéticas do Art Déco germânico dos anos 20: o neo-barroco extremado de Paul Scheurich (1883–1945), para Meissen e KPM, e a estilização moderna de Gerhard Schliepstein (1886-1963), para Rosenthal.

O ritmo lento da música, já que se trata de um adágio, acentua a delicadeza desta cena intimista, em que à concentração do músico correspondem os gestos graciosos da mulher que provavelmente canta.


Carl Werner (1895-?) nasceu em Rudolstadt, na Turíngia. Trabalhou sob a orientação de seu pai, entre 1910-1914, na fábrica de porcelana de Aeltesten Volkstedter. Depois da Primeira Guerra Mundial estudou na Kunst-Hochschule de Weimar. De 1922 a 1960 trabalhou como escultor e director técnico do departamento de arte da fábrica de porcelana Lorenz Hutschenreuther.

Especialista no movimento e na expressividade do corpo humano, o seu talento, enquanto escultor, muito contribuiu para o reconhecimento internacional da produção artística da fábrica.


Comprámo-la há alguns anos em Berlim, na Suarezstrasse, artéria onde se concentram antiquários de vários géneros. E não hesitámos entre uma versão monocroma branca, que encontrámos numa das lojas, e esta, com subtis apontamentos a ouro, que descobrimos noutro estabelecimento próximo.

Transportá-la para Portugal é que se revelou complicado dada a fragilidade da peça. Mas são estes pequenos episódios que tornam as férias ainda mais interessantes.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Escultura art déco jovem mulher nua cavalgando antílope –Hutschenreuther - Alemanha

 
Grupo escultórico art déco de porcelana moldada de cor branca com realces a ouro, representando uma jovem mulher nua cavalgando antílope. Inscrito no plinto a assinatura do autor M. Herm. Fritz [Max Hermann Fritz]. No fundo da base, estampado a verde:«Hutschenreuther», «Selb Bavaria»; «Abteilung für Kunst», e a ouro, pintado à mão, o nº 55.
Data: 1927 (marca 1920-1938)
Dimensões: Alt. 25 cm x comp. c. 30 cm


Interrompendo um longo período em que não postámos peças decorativas escultóricas, apresentamos hoje mais um exemplar da nossa pequena colecção da fábrica de porcelanas Hutschenreuther. Trata-se de dois motivos recorrentes do Art Déco: o antílope em movimento, e a mulher nua enquanto símbolo de modernidade e de libertação do corpo feminino. Neste caso, a jovem mulher, de cabelo curto à moda de então, controla com segurança a força bruta do animal captado em pleno salto.


Embora naturalistas, há uma subtil simplificação das formas que contrasta com a abstração dos elementos vegetalistas que suportam o conjunto criado, em 1927, por Max Hermann Fritz. As arestas da vegetação, realçadas a ouro, acentuam os elementos abstractizantes, maioritariamente de linhas quebradas, enfatizando o movimento da corrida, numa indirecta filiação futurista.

Produzido até 1946, o modelo aparece referenciado com o nº 0609/1 na página 9 do catálogo da fábrica do primeiro ano da sua criação.


Max Hermann Daniel Fritz (1873-1948) foi aluno de Lorenz Hutschenreuther e escultor de raiz autodidacta com algum mérito. Concebeu também peças escultóricas para as manufacturas de porcelana de Fraureuth, Hutschenreuther e Rosenthal. Foi seu tema de eleição a animalística, em especial os ursos, por vezes complementada por figuras femininas, como é o caso, ou por putti que também surgem isolados.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Escultura art déco «Falcão» - Hutschenreuther - Alemanha




Peça escultórica de porcelana moldada e relevada, de cor branca, representando um falcão descansando em pilarete cilíndrico sobre pé dodecagonal pouco espesso e muito pronunciado. Olhos, bico e a única pata visível a ouro, assim como o filete que circunda a base do pilarete e a faixa que remata a parte superior do pé. No fundo da base, carimbos verdes ovais, com Leão e L. H. S., e Lorenz Hutschenreuther, A. G. Selb § Abteilung für Kunst, e, inscrito na pasta, «18».
Data: c 1927 (carimbo 1919-c.1928)
Dimensões: alt. c. 28,5 cm


Trata-se do modelo nº 184 da autoria do Prof. Wilhelm Krieger. O naturalismo da escultura é mitigado pela simplificação e depuração das formas que remetem para uma estética moderna acentuada pela desornamentação do pilarete e do pé, de gosto art déco. Este distanciamento ao naturalismo é sublinhado pela ausência de cor e pelos contidos apontamentos a ouro. De qualquer modo, na atitude solitária e altiva do predador, em consonância com o despojamento do suporte, ecoam ecos de um simbolismo ainda não de todo esquecido. 

 
Wilhelm Siegmund Anton Louis Krieger (1877 - 1945) foi um escultor alemão. Em 1912 casou-se com a professora de arte e ceramista Emilie Butters (1879-1962).
Tendo frequentado a escola de arte de Munique, onde estudava pintura de paisagem, que abandonou, desde o início do século XX começou a praticar escultura enquanto autodidacta.
Começou, então, a dedicar-se à escultura animalista, no início muito inspirada pela gramática Art Nouveau, ganhando depois contornos mais estilizados, que produziu em bronze, pedra e cerâmica.
Enquanto membro das Vereinigten Werkstätten für Kunst im Handwerk, da Münchner Werkstätt, que integrou a fundação do Deutsche Werkbund de que já falámos, Krieger vai, em parceria com a escultora Jena Martha Bergemann Konitzer (1874-1955), conceber porcelana de mesa que será produzida pela fábrica Rosenthal, que a levou à Primeira Exposição Internacional de Arte Decorativa Moderna, realizada em Turim, em 1902. No mesmo ano participa na Exposição Nacional de Arte Alemã, em Dusseldorf.
Participou depois em diversas outras exposições, como na Secessão de Munique, em 1907, e antes da Primeira Guerra Mundial, em 1914, na Grande Exposição de Arte de Berlim.
Concebeu trabalhos para os departamentos de arte de várias fábricas de porcelana, como por exemplo Heubach ou Hutschenreuther, tendo colaborado nesta última com o Prof. Fritz Klee de quem já também apresentámos peças.
Em 1927, recebe o título de professor honorário dado pelo Ministério da Cultura da Baviera. Continuou a expor, sobretudo na Haus der Kunst, de Munique, até ao ano que antecedeu a sua morte. 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Escultura art déco de cria de corvo – Hutschenreuther - Alemanha


Já que estamos em maré de crias de aves, hoje trazemos um delicioso corvo bébé, cuja expressão o olhar atento do escultor tão bem soube captar.



Pequena estatueta de porcelana moldada e relevada branca com apontamentos a ouro de uma cria de corvo que já se aguenta de pé e a penugem dando origem às primeiras pequenas penas nas asas e cauda, voltando a cabeça para trás na qual também despontam, com alguma ironia, uns prenúncios de penas. A ave assenta sobre uma base saliente sendo reforçada por um volume geométrico entre pernas. Inscrito na base, na parte de trás WvHEIDER. No fundo da base, carimbo verde oval com leão e L. H. S. envolvida por Hutschenreuther, Selb Bavaria, Abteilung für Kunst, e, pintado à mão, a ouro, 50.
Data: c. 1927 (carimbo 1920-1938)
Dimensões: alt. c. 7 cm

 
Trata-se do modelo nº 0635/1 do catálogo de 1927, pág. 1, da fábrica Hutschenreuther, da autoria do artista Wilhelm von Heider (1870-1950) de quem nada mais conseguimos apurar. Apesar do pendor naturalista da figura, há uma subtil estilização e exagero das formas, que a opção a branco com apenas os olhos imensos e as pequenas unhas a ouro torna, a nosso ver, muito atractiva, inserindo-se numa certa vertente da art déco alemã de influência expressionista. Toda a curiosidade e truculência, tão características dos corvídeos, estão bem presentes neste exemplar. O mesmo artista concebeu um outro corvinho que debica com curiosidade uma aliança de ouro que encontrara no chão. Temos pena de não o possuirmos também dado constituírem um par.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Escultura art déco com putto montando carneiro – Hutschenreuther - Alemanha



Escultura art déco de porcelana moldada e relevada, branca com apontamentos a ouro, representando um carneiro empinado montado por um putto. As figuras assentam numa base onde ervas encurvadas, estilizadas e agressivas como garras, despontam ameaçadoras. No fundo da base, carimbo verde oval com leão e L. H. S. envolvida por Hutschenreuther, Selb Bavaria, Abteilung für Kunst, e, pintado à mão, um «S»?, a ouro. Inscrito na pasta, Karl Tutter.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. c. 19 cm x comp. c.15 cm x larg. c. 9 cm


Trata-se do modelo nº 1174, criado por Karl Tutter, artista de quem já apresentámos algumas peças para a fábrica de porcelana alemã Hutschenreuther. Mais uma vez o neo-barroco e o neo-rococó como fonte de inspiração e reinterpretados dentro de uma estética art déco, recorrente na obra de Tutter.
 

O interesse maior desta estatueta, que apesar de pequena assume uma inesperada monumentalidade, é o seu carácter pouco apaziguador. Não se trata apenas de domar um animal bravio, tarefa que a figura de putto, qual cowboy num rodeo, parece executar com perícia, antes uma força maléfica, quase diabólica, a que as garras da erva dão maior ênfase, que a criança tenta dominar.

Diríamos estar perante uma variante da velha ideia clássica do Homem como ordenador do Caos – a Razão que submete a Natureza, os instintos selvagens. A agressividade dominada pela inocência ou a eterna luta entre o Bem e o Mal.

Uma outra peça de Tutter anteriormente apresentada, com a mesma temática de putto dominando carneiro, não anda longe desta ideia, embora não tenha o dramatismo e a agressividade da escultura de hoje.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Pote art déco com pássaros de Fritz Klee – Hutschenreuther - Alemanha



Pote de porcelana moldada branca, com decoração a ouro, concebida pelo Prof. Fritz Klee numa gramática já Art Déco. No bojo, faixa com composição gráfica de folhagem a ouro sobre a qual se destacam quatro pássaros de espécies distintas. Tampa com pega em forma de pássaro. Carimbo estampado na base, a verde, Entwurf Professor Fritz Klee Direktor der Fachschule Selb, seguido de outro carimbo a verde com “LHS”, sob leão, seguido de novo carimbo a verde comLorenz Hutschenreuther A.G. Selb Abteilung für Kunst” (marca de 1919-1928). Modelo nº 46.
Data: c. 1927
Dimensões: alt. 29 cm x diam. base 8,5 cm

A estatuária animalista e o desenho quase científico das peças figurativas concebidas por este mestre fizeram escola. No caso da presente peça, referenciado na página 16 do catálogo da fábrica, de 1927, como modelo nº 046/1, apesar da simplificação de formas, os passeriformes, de perfil e delineados de forma rigorosa, são facilmente identificáveis enquanto espécies diferentes.


Nascido em Würzburg, Alemanha, o professor Fritz Klee, (1876-1976) é considerado como um dos pioneiros da produção moderna de porcelana. Estudou arquitectura na Universidade Técnica de Munique, em cuja câmara haveria de trabalhar entre 1904 e 1908.

Antes, na viragem do século, havia feito cartazes e ilustrações para livros, e nos tempos livres ia desenhando objectos decorativos para grés, porcelana e prata, assim como vitrais e mosaicos.

Em 1908 participa na exposição artes e ofícios de Munique, ano em que foi nomeado fundador e director da Real Escola de Porcelana Industrial da Baviera, em Selb, cuja abertura oficial se deu em 1 de Abril do ano seguinte. Pelo seu excelente trabalho seria nomeado, em 1911, Real Professor pelo governo da Baviera.

Fritz Klee projectou o pavilhão alemão da Exposição Mundial de Bruxelas de 1910.

Em 1912 tornou-se membro da Werkbund alemã, ano em que também desenhou o pavilhão da Rosenthal para a Bayerischen Gewerbeschau, de Munique.

Em 1914, dadas as instalações da escola serem acanhadas, a Câmara Municipal decidiu aumentá-las, após discussões prévias com o Departamento de Estado. Contudo, a Grande Guerra impediu a concretização imediata das obras que só se iniciariam em 1919, segundo projecto de Fritz Klee inaugurado em 1921.

A escola formava profissionais criativos, com competências práticas e técnicas capazes de satisfazer a indústria local de porcelana, tanto utilitária como decorativa, com novas formas e desenhos desenvolvidos sob a estrita supervisão de Klee. Professor rigoroso e autoritário, de grande carisma, impôs novos pontos de vista profissionais e artísticos.

Várias fábricas de porcelana, caso da Hutschenreuther, Zeh Scherzer & Co., Paul Müller, Heinrich & Co. etc. produziram muitos objectos concebidos por este artista e seus alunos. Modelos considerados de bom gosto, com alma, de fabrico tecnicamente viável e vendáveis. Aliás, foi dele a ideia e concepção, em 1919, do leão da marca da Hutschenreuther.

As crescentes dificuldades com os nazis levam-no a abandonar a escola em 1939, ano em que se reforma e se instala em Estugarda onde morre em 1976, com 100 anos de idade.



sexta-feira, 6 de abril de 2012

Castiçal Art Déco com Putto - Hutschenreuther, Alemanha




Castiçal de porcelana moldada, branca com apontamento a ouro, composta por uma esfera dourada central, sobre base, de onde partem, simetricamente, duas folhas de agave estilizadas, ao gosto art déco, de cada lado, uma maior sobre uma mais pequena, as maiores suportam os lumes. Sobre a bola, uma estrela e, em equilíbrio instável, um putto. Na base, carimbo verde Hutschenreuther, Selb Bavaria, Abteilung für Künst, e, inscrito na pasta, K Tutter.
Data: c. 1930
Dimensões: larg. c. 23 cm





Mais uma peça neo-barroca de Karl Tutter. Trata-se do modelo nº 1075. Desta vez uma peça icónica da Art Déco alemã que mereceu destaque na obra de Catharina Berents - Art Déco in Deutschland: das modern Ornament. Frankfurt a. M.: Anabas, 1988, que lhe dedica a capa aqui reproduzida. Segundo a autora, esta peça é bem representativa do confronto, à época, na Alemanha, entre naturalismo e artificialidade, já que ao estaticismo estilizado do castiçal propriamente dito ficou associada uma figura naturalista, artificialmente congelada, cujo movimento demonstra um esforço excessivo para se equilibrar face à rigorosa simetria do suporte.


sábado, 24 de março de 2012

Caixa art déco de Karl Tutter - Alemanha




Caixa de porcelana moldada e relevada, talvez um guarda-jóias, cor-de-rosa pastel com filetes a ouro contornando as saliências horizontais da taça e tampa assim como os rebordos das mesmas. A caixa foi concebida numa reinterpretação neo-rococó de concheados geometrizados dentro de uma estética art déco. Pega vegetalista (?) estilizada a ouro e taça assente sobre quatro pés ondulados igualmente realçados a ouro. Na base, carimbo verde da fábrica com leão sobre L.H.S. inscritos numa oval, rodeados por Hutschenreuther' e 'Selb Bavaria'. Por baixo,‘Abteilung für Kunst’ e, por cima, inscrito na pasta K. TUTTER.
Data: c. 1927 (carimbo 1920-1938)
Dimensões: 12 cm x 9 cm

 Segunda peça de Karl Tutter, sobre quem já aqui falámos, a 15 de Novembro do ano passado, será das mais eloquentes relativamente à sua vertente neo-rococó.



A voga neo-rococó na Art Déco alemã filia-se directamente nas gravuras de Jean-Baptiste Pillement (1728 - 1808), pintor e decorador francês, muito em popular na Europa do seu tempo, chegando mesmo a residir em Portugal onde deixou obra feita. Nela difundiu o gosto pela chinoiserie segundo a interpretação francesa rococó, termo que permanece nas línguas europeias. As suas ilustrações, desenhos e pinturas, fantasiosas combinações orientalistas de pássaros, flores e outros elementos da fauna e da flora onde evoluíam figuras humanas, amplamente divulgados em gravuras, inspiraram artistas, sobretudo nas artes decorativas. O período do primeiro Pós-Guerra vai recuperá-las, principalmente na Alemanha, agora revistas por uma sensibilidade moderna. Tal estética vai ter repercussões na arquitectura, decoração de interiores, cerâmica, tecidos, papéis de parede, etc..

Na caixa de Tutter, que aparece na página 30 do catálogo da fábrica, de 1927,  referenciada sob o número 0829/2, a porcelana foi trabalhada como talha, embora a geometrização das suas componentes tenha criado uma sucessão de dezasseis panos quebrados, regulares e simétricos, que convergem ora em direcção da pega, único elemento assimétrico do conjunto, ora em direcção à base suportada por quatro pés recortados. A tampa em si mesma, remete para um chapéu de chinês, revisto por Pillement, ao qual não falta sequer o penacho.
Apesar da sua pequena dimensão, é um objecto que, para além de refinado, alia a graça à monumentalidade, características, aliás, que são atributos do Rococó.

Mais uma vez focamos o aspecto, tão interessante nos objectos colecionáveis, que é a sua circulação. Esta caixinha criada na Alemanha e intacta na sua fragilidade foi parar a Tel Aviv. Por ironia? Por destino trágico? Neste momento mora em Lisboa. Definitivamente?


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Grupo escultórico da Hutschenreuther – Putto e Carneiro




Ao contrário do que é norma fazermos, enquanto coleccionadores preferenciais de cerâmica portuguesa, o exemplar de hoje é o modelo alemão, em porcelana, e não a sua interpretação nacional. Perceberão porquê …

Trata-se de um grupo escultórico de porcelana moldada da autoria de Karl Tutter (1883 – 1969), da manufactura de porcelanas Hutschenreuther, modelo nº 904 do catálogo de 1927 (pág. 34), de cor branca com realces a ouro, representando putto dominando carneiro. Em oposição a estas duas figuras, barroquizantes, contrapõe-se a vegetação estilizada ao gosto art déco. Assinado no plinto K. TUTTER. Carimbo a verde estampado na base:'Hutschenreuther', 'Selb Bavaria'; ‘Kunstabteilung’,  e a  ouro, pintado à mão,  o nº 18.
Data: 1927
Dimensões: alt 25 cm x larg. 27,5 cm,

Em 1922, o autor começa a trabalhar como escultor, ao lado de Carl Werner, na fábrica Lorenz Hutschenreuther, onde ficou quase 40 anos, e para a qual contribuiu com grande quantidade de modelos, tendo adquirido reconhecimento mundial.
A variedade das suas criações vai desde os modelos mais clássicos, com particular ênfase no neo-barroco e neo-rococó, sendo dele algumas das criações programáticas desta vertente alemã da art déco, até à mais rigorosa estilização dentro deste mesmo estilo. Teremos oportunidade de voltar a falar das suas criações dado possuirmos um pequeno conjunto de peças da sua autoria.

Ora este exemplar vai conhecer uma réplica nacional feita pela Estatuária Coimbra, em data incerta, mas seguramente tardia, no âmbito de uma importação e banalização de modelos decorativos estrangeiros, com destaque para a produção alemã. Agradecemos ao antiquário Arca d’Arte (Mercado Sta Clara – Feira da Ladra) o ter-nos permitido fotografar a peça que aqui apresentamos.




A Estatuária Coimbra (ou talvez com a designação Estatuária Artística de Coimbra) também reproduziu obras escultóricas, de originais de bronze, caso de uma Diana, de c. 1925, do célebre escultor norte-americano Paul Manship (1885-1966), de que conhecemos um exemplar mas do qual, infelizmente, não possuímos imagem, pelo que reproduzimos apenas uma imagem do original.