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terça-feira, 15 de agosto de 2017

Caixa forma 3202- Decor 3094 - Theodor Paetsch - Alemanha


Caixa para biscoitos de faiança moldada, paralelepipédica com cantos arredondados, de cor branca. As faces principais são decoradas por composição geométrica e abstracta estampilhada e aerografada, com dois conjuntos, um na horizontal outro na vertical, de motivos lineares a amarelo e de ziguezague a azul, ambos em esfumado. As faces laterais ostentam apenas os motivos lineares a amarelo na horizontal. O contentor assenta sobre pé reentrante e é coberto por tampa igualmente reentrante com pega em meia-cana, aerografada a azul e topos num subtil esfumado da mesma cor. No fundo da base carimbos a castanho «3094» (decor) e «F». Inscrito na pasta «3203» (forma)
Data: c. 1930-33
Dimensões: Comp. 19x larg. 12cm x alt. 12cm


Sabendo da nossa paixão pelo aerógrafo e pela cerâmica da República de Weimar, duas queridas amigas alemãs, mãe e filha (H e L), surpreenderam-nos, no Natal passado, presenteando-nos com esta deliciosa caixa.

Cada decoração dá uma identidade muito particular a um mesmo formato, podendo valorizá-lo ou anulá-lo. Neste caso, a harmonia abstracta da geometria do desenho e o contraste das cores, potenciam as qualidades formais do objecto. Haveremos de postar esta forma com outras variantes decorativas.



quarta-feira, 19 de março de 2014

Base para bolos art déco Theodor Paetsch - Alemanha


Base circular de faiança branca de bordo saliente e com duas pegas laterais trilobadas, assente sobre anel alto parcialmente canelado. Decoração estampilhada e aerografada a duas cores, a castanho e a azul-claro em esfumados, formando composição abstracta de motivos geométricos de círculos e ângulos, que tanto surgem isolados, como sobrepostos e desacertados. Bordo e pegas, aerografados no tom castanho. No fundo da base, carimbo castanho de círculo com igreja de duas torres e, inscrito na pasta, 30. Colado, resto de selo de época.
Data: c. 1930
Dimensões: Ø 35,5 cm (c/pegas) x alt. 4 cm

 
A composição, dinâmica, transmite um sentido de profundidade em direcção ao vazio, acentuado pelas formas de cor azul-claro desmaiado. São evidentes as ligações às estéticas vanguardistas da época que tão bem caracterizam a produção da República de Weimar no campo das artes decorativas e que, por esta via, integram uma das vertentes do Art Déco mais modernista. Em nós (e, infelizmente, também em muitos outros colecionadores…) estas cerâmicas utilitárias, de uso corrente, quer pelas formas, quer pelas decorações, simples na técnica e grandes no efeito, exercem um fascínio que não podemos negar.

Dada a altura, este tipo de base de cozinha, para bolos e tartes, é designada em língua alemã por tortentrommel (tambor para bolos), distinguindo-a, assim, das menos espessas tortenplatte, embora para efeitos práticos essa diferenciação pouco adiante relativamente à função pelo que em termos de «etiqueta», enquanto palavra-chave, optámos pela segunda apenas.

Apesar de não ser a primeira vez que postamos peças da fábrica Theodor Paetsch, ainda não tínhamos escrito sobre ela. Chegou hoje a vez de o fazermos.

A Steingutfabrik (fábrica de cerâmica) WE Paetsch foi fundada em 1840 por Wilhelm Eduard Paetsch (1796 -1859) em Frankfurt an der Oder (Francoforte no Oder). Em 1863 passa apenas a Steingutfabrik Paetsch, em resultado de uma sociedade criada pelo filho do fundador, Georg Theodor Paetsch (1833-1890) com Gustav Leopold Selle.
Junto a excelentes vias de transporte – as instalações davam directamente para o rio Oder - a fábrica especializou-se na produção em massa de loiça utilitária para cozinha e mesa e loiça sanitária. Tendo conhecido uma rápida expansão, a partir dos finais do século XIX, vai produzir artigos de baixo custo decorados a estampilha e a aerógrafo de grande difusão nacional e internacional.
Em 1890, após a morte de Georg Theodor Paetsch, seu filho Theodor Friedrich Eduard Paetsch (1867-1939) terá assumido a administração da empresa, sucedendo-lhe no cargo, em 1930, seus filhos Theodor Wilhelm Georg Paetsch (1892-?) e Wilhelm Walter Max Paetsch (1893-1970). Tinha a fábrica já a denominação por que é mais conhecida.
De 1920 a 1942 expôs regularmente as suas colecções na Feira de Leipzig No entanto em 1933 abandonou as formas e decorações vanguardistas, onde predominavam motivos geométricos - quadrados, ângulos, pontos e bandas - que a caracterizaram e de que a base para bolos apresentada é exemplar. Nesse ano passou a uma produção conservadora, tanto ao nível das formas como das decorações, que passaram a apresentar motivos campestres e vegetalistas por imposição do novo poder nacional-socialista.
Entre 1945 e 1953, data da nacionalização pelas autoridades comunistas, terá como administradora Irmgard Paetsch (1898-1988) mulher de Wilhelm Walter. A fábrica encerrou em 1955.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Base para bolos alemã -Theodor Paetsch



Base para bolos/tartes de faiança moldada, circular com aba ligeiramente levantada e canelada e asas laterais. De base branca recebeu decoração estampilhada e aerografada, bicroma a amarelo e azul-acinzentado, em esfumado. O centro recebeu composição geométrica de faixas tendencialmente triangulares, a azul, que convergem para o meio onde são cortadas por uma faixa em zig-zag, a amarelo, lembrando um raio. Um anel a amarelo circunda a composição, sendo, por sua vez envolvido pelo anel azul da aba. Assenta sobre pé circular ligeiramente saliente. No fundo da base, carimbo encarnado com nºs 3047 e 8 e, inscritos na pasta, círculo com a igreja de duas torres da manufactura Theodor Paetsch e nº 3198.
Data: c. 1930
Dimensões: Ø 34,7 cm (c/pegas)


A propósito da influência do Futurismo na Art Déco, como nos sugeriu a peça postada anteriormente, apresentamos hoje um humilde objecto utilitário e funcionalista, onde, numa composição plasticamente conseguida, a mesma ideia de energia e velocidade, nos é transmitida pelo seu dinamismo gráfico. Nela diversos planos se interseccionam e são cortados pelo raio símbolo da electricidade como sinónimo da modernidade dos novos tempos.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Bases para bolos alemãs com decoração aerografada


Placa cerâmica circular de base branca, com decoração geométrica estampilhada e aerografada. Na base, carimbos a preto: circulo com a igreja de duas torres da manufactura Theodor Paetsch - Frankfurt (Oder) e  1186 (do decor) e Z. Marcado na pasta 8B-30.
Data: c. 1930
Dimensões: Diâm. 30 cm
 

Placa de cerâmica moldada e relevada, de base branca, com decoração estampilhada e aerografada, geométrica e frutos estilizados, em tons de castanho e amarelo. Rebordo canelado e aerografado. Assenta em anel circular com reentrâncias com função de pegas. Na base, sem marca (embora nos tenham informado que se trata de uma peça da fábrica Colditz), carimbo preto com os nºs 4948 (número decor) e 57. Inscrito na pasta: 27/1 (27 é o número da forma).
Data: c. 1930.
Dimensões: Diâm. 30,7 cm x 1,8 c


Há uns bons anos atrás, numa feira da ladra de Berlim, junto ao Tiergarten, tomámos consciência mais efectiva da fantástica revolução que a combinação da estampilha (stencil) e da pintura a aerógrafo (spritzdekor), que já vinham de Oitocentos, aliadas às propostas vanguardistas da Bauhaus, produziram na decoração da cerâmica industrial. As bases ou pratos para bolos (tortenplatte ou tortentrommel) revelavam-se perante os nossos olhos como uma espécie de mostruário. Davam-nos a conhecer, nas suas superfícies lisas, todas as potencialidades plásticas deste tipo de decoração e técnica, que foram empregues em toda a diversidade de objectos utilitários e decorativos, não só de cerâmica, mas também de vidro, de metal, de tecido, etc.. Soubemos depois que artistas tão célebres como Kandinsky, Paul Klee ou Moholy-Nagy, entre outros, contribuíram com modelos para este tipo de produção.
Estas foram as primeiras peças que, então, aí adquirimos, naquilo que hoje constitui uma já razoável colecção autónoma.
As implicações que este tipo de decoração teve em todo o mundo são notórias. Portugal não foi excepção, com várias fábricas nacionais, com destaque para a Fábrica de Loiça de Sacavém, a produzir massivamente objectos de uso quotidiano segundo esta prática.
Este tema será recorrente, esperamos, no nosso blogue.