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domingo, 13 de dezembro de 2015

Boleira “Vieiras” – modelo x-501-A – Aleluia-Aveiro


Caixa (boleira) de faiança moldada e relevada em forma de cinco vieiras sobrepostas, à cor natural das conchas, com apontamentos a ouro. Tampa com pega em forma de berbigão a ouro. No fundo da base, carimbo circular sobre rectângulo, a ouro, «Aleluia» «Aveiro», e pintado à mão, a ouro, no centro, «%», sobrepujando «Fabricado em Portugal» inscrito num rectângulo. Pintado à mão, também a ouro, «x - 501 – A» (número do modelo e decoração)
Data: c. 1945-60
Dimensões: Alt. c. 17 cm x Ø c. 18 cm


Podemos reconhecer nesta peça um eco longínquo das criações do francês Bernard Palissy (c. 1510 – c. 1590), cujo revivalismo haveria de fazer furor na Europa, a Palissy ware, a partir de meados de Oitocentos e que em Portugal deu origem a uma das mais interessantes reinterpretações que se conhece do estilo, a loiça das Caldas da Rainha e, em particular, as criações de Rafael Bordalo Pinheiro.


A vieira é recorrente neste tipo de loiça, até porque a forma do bivalve propicia a utilização da própria concha como recipiente. Fábricas em Inglaterra, como, por exemplo, Wedgwood, ou em Portugal, caso de fábricas caldenses, conceberam serviços completos a partir deste motivo.

Claro que o Barroco também já havia utilizado, para os seus jogos ilusionistas, os motivos da natureza para conceber conjuntos de mesa.

Os animais e plantas que então serviram de inspiração, presentes no ambiente costeiro e/ou lacustre de Aveiro, permitiram continuar de alguma maneira viva esta tradição que podemos observar em certas peças relevadas da Fábrica Aleluia-Aveiro. 

Para além disso, a vieira, enquanto símbolo associado ao apóstolo Tiago, é uma constante na arte ocidental desde a Idade Média.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Caixa de Martha Katzer - Karlsruhe


Caixa, provavelmente uma boleira, de faiança moldada de cor marfim com decoração geométrica aerografada. A taça, em forma de calote abatida, é decorada por faixas intercaladas a amarelo e verde, aerografadas em esfumado, e assenta sobre pequeno pé em anel aerografado a verde. Tampa circular quadripartida lateralmente pelas referidas cores ficando em reserva um quadrado central em cujo eixo sobressai a pega, em forma de anel, repousando numa pequena base rectangular saliente, aerografada a verde. No fundo da base, carimbo inscrito na pasta com o símbolo da Karlsruher Majolika Manufaktur, e carimbos a azul 2676/61 (modelo) e Germany. Visíveis os sinais da trempe.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt 8 cm x Ø 17,5 cm


Esta caixa é da autoria de Martha Katzer (1897 - 1946) que trabalhou para a fábrica de Karlsruhe de 1922 até os anos quarenta. Podem ver esta forma, em outra versão cromática na colecção Cooper-Hewitt, no NationalDesign Museum, em Nova Iorque. É outro dos nossos designers cerâmicos favoritos a laborar nesta fábrica.


Sobre a formação de Martha Katzer pouco se conhece. Todavia, a sua obra artística, quer na concepção de formas quer na decoração, é extremamente inovadora e prolífera, tendo criado uma estética funcionalista bauhausiana, uma das vanguardas que foram pondo em causa o Art Déco internacional.

Sabe-se que começou como pintora no estúdio de Ludwig König (1891 - 1974). Este reputado ceramista e designer industrial, membro da Deutscher Werkbund, foi aluno e discípulo do artista Richard Riemerschmid que o recomendou para dirigir o estúdio da escultura cerâmica de Karlsruhe, cargo que desempenhou de 1922 a 1929.


Em 1926 Katzer aparece pela primeira vez com peças criadas por si - jarras decoradas por um padrão linear que lhe é característico, de grandes faixas e linhas finas aplicadas sob vidrado. A partir deste momento a sua actividade e criação vão determinar uma grande parte da produção em série da fábrica que nos finais da década se caracteriza por objectos com decoração estampilhada e aerografada, aliando qualidade plástica, artística e industrial em produtos de baixo preço para atender às necessidades de consumo das massas. 


Paralelamente a esta produção, vai desenvolver, no início da década seguinte, outros objectos mais refinados e elitistas em colaboração com Gerda Conitz. Haveremos de voltar a este tema.