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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Jarra Arte Nova Denbac nº 88- França




Jarra Arte Nova de grés moldado, em forma de balaústre com relevos orgânicos. Do bojo emergem lateralmente caules curvilíneos que se elevam formando duas asas subindo acima do bocal onde se dissolvem. Ramos secundários, mais finos, emergem também do bojo explodindo em bagas redondas que complementam as asas. A peça, esmaltada a mate num tom acastanhado de terra, recebeu esmaltes a meio-brilho, em tons de terra argilosa que escorreram livremente a partir do bocal. No fundo da base, inscrito na pasta 88 e Denbac.
Data: c. 1910
Dimensões: c. 28,3 cm alt


Trata-se da forma 88 da série de peças Arte Nova criadas pela Denbac, cujas sugestões vegetalistas lhe conferem grande plasticidade, na linha da peça anteriormente mostrada. 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Jarra Arte Nova Denbac nº 11- França


Jarra de grés moldado, piriforme, de gargalo alto e estreito em cujo topo emergem tenuemente relevos orgânicos que, acompanhando as escorrências dos próprios esmaltes, em diferentes tons de terras acastanhados, escorrem ganhando volume, destacando-se do corpo da peça formando, assim, quatro pequenas asas curvas, exteriormente angulosas, que no bojo se voltam a dissolver em sugestões curvilíneas vegetalistas que se entrelaçam, deixando entrever de permeio granulosas sementes ou frutos. No fundo da base, inscrito na pasta 11. Denbac
Data: c. 1910
Dimensões: Alt. c. 25, 5 cm


Na organicidade plástica da peça encontramos eco das criações de Hector Guimard. Uma sugestão de vegetação devoradora que tudo envolve e asfixia, selvagem e ameaçadora. Daí um dos seus fascínios. Esta foi a primeira que comprámos, em 2007, curiosamente na Alemanha. Hoje possuímos um pequeno núcleo de peças produzidas entre cerca de 1910 e 1935. As datações são mais ou menos aproximadas. O exemplar que mostramos será dos primeiros se tivermos em consideração a numeração presente que a identifica.


O ceramista René Denert (1872-1937) fundou em Vierzon, um atelier cerâmico, em 1908. No ano seguinte o atelier passou a firma com o seu nome. Em 1910, René Louis Balichon (1885-1945) torna-se sócio da empresa onde vai desenvolver a rede comercial, racionalizar a produção e elaborar catálogos com o inventário sistemático da quase totalidade das centenas de modelos criados por Denert e seus colaboradores. Estarão inventariados cerca de 670 dos 750 a 800 modelos produzidos
O novo nome da sociedade virá a reflectir os apelidos dos fundadores: Den, de Denert, bac, de Balichon.
Enquanto gestor, Balichon criou não só uma variada rede de lojas de retalho, como também forneceu os grandes armazéns de Paris, caso das Galerias Lafayette e Printemps, e exportou para o estrangeiro. Explorou também parcerias com empresas de perfumes e de bebidas, como a Cointreau ou Marie Brizard, para as quais foram criados múltiplos recipientes em grés e porcelana.
Reflectindo a época turbulenta em que laborou, a empresa encerrou por duas vezes durante as guerras mundiais.
Com a morte de Denert, em 1937, a companhia começou a conhecer dificuldades, agravadas com o encerramento devido à guerra. Balichon morreu em 1949, tendo os seus herdeiros continuado à frente da fábrica até ao fecho definitivo em 1952.
Caracterizadas sobretudo por um estilo Arte Nova já tardio e muito orgânico, as peças Denbac são facilmente reconhecíveis pelos seus esmaltes espessos, mates, aveludados, maioritariamente com subtis gradações de cor e muito agradáveis ao tacto, que fazem o seu encanto. No entanto, e de acordo com a época, produziu também interessantes peças Art Deco, de formas muito geometrizadas, mantendo a qualidade dos esmaltes, agora por vezes fortemente contrastados.


Durante anos ignoradas por museus e colecionadores, estas criações começaram a ser, há já alguns anos, objecto de paixão. Embora a grande maioria continue relativamente acessível, certos exemplares por vezes atingem preços considerados impensáveis há bem pouco tempo,
Em Lisboa não somos os únicos a gostar destes objectos, outros apreciadores avisados tiveram o péssimo gosto de terem constituído colecções com peças de fazer inveja a qualquer amante de cerâmica. Achamos tal atitude completamente execrável. Sobretudo depois de vermos algumas peças que, como é evidente! detestaríamos possuir…
Para conhecer a boa e variada produção desta fábrica ver aqui


terça-feira, 12 de junho de 2012

Jarra Arte Nova sem marca - França



Jarra de grés moldada, de gramática Arte Nova, não assinada, no gosto de Dalpayrat, com decoração vegetalista, relevada e parcialmente recortada, que se concentra numa das faces, mas que envolve o bocal num ondulado irregular. A composição vegetalista, com flores, ganha contornos abstractizantes graças ao tipo de esmaltes utilizados, muito espessos, que serão duas camadas, uma cinzento–esverdeada recoberta por cor sangue-de-boi aclarado que não ficou uniforme, deixando transparecer a cor base que, por vezes, a pontua com manchas esverdeadas. Os esmaltes, que escorreram irregularmente, deixaram em reserva parte da pasta junto à base. Não apresenta qualquer marca, mas será francesa.
Data: c. 1890-1900
Dimensões: alt.:29 cm



Japonizante, tanto na forma como na decoração, em que o recortado ajouré parcial dos elementos vegetais, ao permitir ver a cor do interior, lhe atribuiu uma atractividade suplementar, esta jarra é uma daquelas peças em que apetece tocar, sentir a forma e as texturas, dada a grande sensualidade que dela emana.

Não nos parece objecto de fabrico em série, tanto mais que no interior se concentra parte do material proveniente do recorte das flores que ficou envolvido pelo esmalte. Assim sendo, tratar-se-á de uma peça de autor feita num dos muitos ateliers artísticos que à altura produziam objects d’art.