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sábado, 3 de março de 2012

Jarra triangular anos 50 - Zsolnay




Na sequência do post anterior aqui deixamos testemunho da peça referida que está na fotografia reproduzida do livro consultado e cujo autor é igualmente János Török, segundo nos informou CMP. 
Jarra de faiança moldada, bojuda, vidrado a eosina cor sangue de boi (a fotografia não faz jus à cor, mas não conseguimos fazer melhor), com colo triangular cuja forma lembra um ferro de engomar ou a proa de um barco. Na base carimbo dourado Zsolnay-Pecs e Made in Hungary. Inscrito na pasta IT.1571/P
Data: c.1955-60
Dimensões: comp. 12,5 cm x alt. 12cm


sexta-feira, 2 de março de 2012

Jarra craquelé anos 50 - Zsolnay




Jarra com vidrado a eosina vermelha com reflexos metálicos, em forma de gota, com um craquelé de grandes dimensões que dá à peça um aspecto de “casca de pinheiro”. Na base carimbo dourado Zsolnay-Pecs e Made in Hungary
Data: c.1955-60
Dimensões: alt. c. 22,5 cm

Na sequência das extravagantes formas zoomórficas apresentadas no excelente blogue CMP, mostramos uma peça da mesma série, mas de modelo mais convencional, que, pessoalmente, nos agrada mais. Aliás, acrescentamos segundo comentário recente de CMP, que o autor da peça é János Török (1932-1996).

Adquirimo-la numa das visitas a Budapeste, em 2003. A superfície muito texturada e a intensa cor vermelha metalizada atraiu-nos no meio da profusão da loja de velharias de uma senhora chic que nos atendeu num francês impecável da velha burguesia pré-comunista. É incrível como as tradições e hábitos burgueses da Europa de antes da II Guerra se conservaram intactos nos países da ocupação soviética, e são tão visíveis no quotidiano de hoje, enquanto que na sociedade burguesa ocidental se desvaneceram e americanizaram.
A jarra ultrapassava o período cronológico em que, de algum modo, nos especializámos. Mas agradou-nos. Para mais, já tínhamos uma outra peça da mesma fábrica e, sem o saber ainda, do mesmo período, embora com outro acabamento e forma, que um amigo nos havia trazido da capital húngara no ano anterior.
Exemplares idênticos à que hoje apresentamos e a que referimos fazem parte de um conjunto de peças da segunda metade dos anos 50 e inícios da década seguinte, ilustradas na obra Zsolnay Ceramics: Collecting a Culture (1998), pág. 170, que aqui se reproduz.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Mulher com Espelho - Herend




Escultura de grandes dimensões de porcelana moldada e relevada em forma de mulher desnuda, com panejamento entre os braços que, caindo, tapam parte das costas. A figura está sentada sobre a perna esquerda tendo a perna direita flectida onde apoia o braço direito com cuja mão ajeita o cabelo, que observa no espelho que segura na mão oposta. Desconhecemos a sua data de criação. Contudo, estamos em crer tratar-se de uma peça da segunda metade dos anos 20 ou inícios de 30, dado o corte de cabelo e a figura, uma reinterpretação de Vénus clássica, ser ao gosto art déco. No soco, inscrito na pasta, a assinatura do seu escultor, Catany (?) Nagy. Este exemplar tem na base carimbo azul Herend – Hungary e Handpainted, e corresponderá a 1952. Inscrito na pasta carimbo Herend e, à mão, 5723. A peça continua ainda hoje a ser editada pela fábrica, embora em exemplares de menores dimensões, tanto em versão branca como policroma.
Dimensões: alt. c. 39 cm

Comprar peças art déco húngaras revelou-se-nos um problema sério. Sobretudo no que diz respeito às peças produzidas pelas suas duas principais e mais conhecidas fábricas: a Manufactura de Porcelanas Herend, fundada em 1826, e a fábrica Szolnay, fundada em 1853. Muitas peças, criadas em anos anteriores à II Guerra Mundial, continuaram a ser produzidas até hoje.
Esta figura de mulher, comprada na nossa primeira estadia em Budapeste, foi-o fora do circuito turístico da cidade, em cujo centro se encontram dezenas de exemplares idênticos em tudo quanto é montra, embora de menores dimensões, à venda nas suas diferentes versões cromáticas. A senhora que nos vendeu a peça bem nos avisou que esta “era ainda das boas, antiga”. Já em Lisboa, soubemos que a marca correspondia a 1952.

Anos antes, na nossa segunda estadia em Viena, havíamos comprado uma escultura animalística, que futuramente mostraremos, com a qual ficámos, inicialmente, muito entusiasmados. A desilusão, ou talvez não, viria depois, quando, anos mais tarde, viajámos até Budapeste. Objectivamente, ainda estamos para saber o que pensar. Haveremos, então, de relatar o sucedido.