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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Ainda a propósito da jarra solitário Vista Alegre



Quando em 29 de Fevereiro passado apresentámos a jarra-solitário art déco da Vista Alegre que hoje retomamos, escrevemos que a sua decoração, por afinidade, poderia ser atribuída ao mestre Duarte Magalhães (1861-1944). Adiantávamos, porém, que, assim sendo, se tratava de uma peça de nítida influência francesa, de Sèvres ou Limoges. Vem isto a propósito de termos encontrado a reprodução de um catálogo de Sèvres, que, apesar de não estar datado, foi editado em 1928 de acordo com a catalogação da Bibliothéque Nationale de France, cuja folha de rosto aqui reproduzimos, conjuntamente com a prancha onde aparece o modelo que serviu de base à referida jarra. 


Assim, como aliás já suspeitávamos, não se trata de uma criação nacional, mas, mais uma vez, reprodução de um modelo importado de França, apesar de subtis diferenças, em particular no pé. E já agora, quanto à peça em que nos baseámos, publicada em obras de referência (VISTA ALEGRE: Porcelanas. Lisboa: Inapa, 1989; FRASCO, Alberto Faria – Mestres pintores da Vista Alegre. Porto: Figueirinhas, 2005), também nos inclinamos para que seja de autoria francesa e não de Duarte Magalhães. Aproveitamos para mostrar, a bem do conhecimento geral, o quão perigoso são para quem as utiliza de uma forma acrítica. Ilustramos com outros exemplos que aparecem representados no catálogo de Sèvres. Veja-se as peças atribuídas a Duarte Magalhães e a Ângelo Chuva. 


Na verdade, quando estas obras de referência nacionais confundem os pintores com os autores das decorações, estão a induzir os leitores em erro, pois aqueles não passam, muitas vezes, de meros executantes de modelos decorativos, pintados certamente também sobre formas igualmente importadas. Confunde-se o pintor enquanto executante, porque, por vezes, assina a peça, com o autor da decoração. Ou seja, confunde-se o artista criador com o artesão que lhe multiplica o modelo. Isto para não falarmos da confusão entre Arte Nova e Art Déco devido ao pouco conhecimento de quem escreve.


Infelizmente as imagens do catálogo francês não têm grande qualidade, pelo que não pudemos identificar de forma segura os autores respectivos.
As fotografias e respectivas legendas reproduzidas são da obra VISTA ALEGRE: Porcelanas, pp. 157 e173.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Jarra solitário art déco - Vista Alegre



Jarra de porcelana moldada bulbiforme de gargalo longo e estreito, aerografada e pintada à mão. No bojo, que assenta sobre anel a ouro, decoração vegetalista, grisaille com realces a preto e a ouro em fundo, sobre o qual se destacam seis medalhões amarelados e cinza, alternados em grupos de três a dois níveis, com inflorescências cor-de-tijolo ao centro, cercadas por um fino e sinuoso filamento relevado, cor de marfim, recortado por pequenos apontamentos a preto, tudo numa estilização dentro da gramática art déco. Na transição para o gargalo, o colo, amarelo claro, ostenta um perolado preto e uma sequência de três anéis cor-de-tijolo. Pendendo do bocal com filete a ouro, sobre o gargalo branco, escorrências cor-de-tijolo que remetem para o período anterior. Na base, carimbo verde V.A. Portugal (marca 31) e, inscrito na pasta, à mão, 3-5.
Data: c. 1930
Dimensões: alt. 21,5 cm



Pelas semelhanças decorativas com outras peças, nomeadamente a jarra nº 1223 do Inventário do Museu da Vista Alegre, que aqui reproduzimos, erradamente identificada como Arte Nova, sendo de facto Art Déco, no livro Mestres Pintores da Vista Alegre (2005), caso a atribuição feita pelo autor esteja correcta, poder-se-á também atribuir a decoração do nosso exemplar ao pintor e inspector de pintura da Vista Alegre, mestre Duarte Magalhães (1861-1944).

Trata-se de uma peça de nítida influência francesa, Sèvres ou Limoges, que adquirimos em 1999, perdida entre um bricabraque de velharias e outros artigos de colecção, num antiquário que prima por despertar a atenção, não só pelos objectos que vende, mas também pelo espaço de antiga loja de bairro que soube preservar o espírito do lugar. Apetecível, portanto. Os preços também primam pelo espírito fashion que invadiu aquele pedaço de Lisboa …