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domingo, 22 de outubro de 2017

Prato de serviço de mesa art déco de Marcel Goupy para a Casa Rouard


Já aqui postámos, em 17 de Setembro de 2012, dois outros pratos deste mesmo serviço art déco, de faiança moldada e relevada, criado por Marcel Goupy e editado pela Casa Rouard que recebeu a designação «Sologne». Difere dos anteriores na decoração do medalhão circular central. Neste caso, uma corça salta deixando para trás uma árvore. No fundo da base, carimbo a preto com a assinatura «M. Goupy» e, dentro de uma cartela representando em corte uma taça, «Rouard – France». Inscrito na pasta «B9».
Data: c. 1925
Dimensões: Ø 25,5 cm;



Este mesmo modelo com outra decoração esteve presente no pavilhão da Exposição de Paris 1925 que a Casa Rouard partilhou com Jean Puiforcat e a revista Art et Décoration, como então escrevemos e que agora apresentamos numa imagem do catálogo geral da exposição.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Placa decorativa com veado Lusitânia – Coimbra


Placa decorativa de suspensão rectangular, art déco, de faiança moldada e relevada, vidrada a mate cor de marfim, craquelé, com representação de veado numa floresta. A cena é enquadrada por barras laterais lisas formando moldura. Dois furos laterais, com fio, permitem a sua suspensão. No fundo da base, carimbo estampado verde, pouco legível, Lusitânia - ELCL – Coimbra – Portugal]
Data: c. 1930 - 35
Dimensões: Comp. c. 32,5 cm x Larg. 25 cm
 

A peça remete para a ideia de um baixo-relevo pétreo com o bujardado do fundo a fazer ressaltar os elementos escultóricos. Mais um exemplo nacional de um tema particularmente grato ao Art Déco.
 
A imagem do cervídeo tende para uma representação naturalista, e vimos nela um desejo de figuração ancestral próximo do que encontramos em pinturas rupestres, embora o elemento vegetalista, estilizado e que tudo envolve, seja estranho a essas obras. A posição inclinada do corpo, metáfora de movimento, cortando na diagonal a cena, é idêntica às encontradas em Valltorta (Castellón) - Espanha, por exemplo, sobretudo quando observado de tardoz. As cenas de caça em que os animais são perseguidos reduzem-se nesta placa à visualização de um único elemento retirando-lhe um contexto preciso.


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Grupo escultórico «Família de Veados» - Aleluia-Aveiro




Peça de faiança moldada representando um grupo escultórico de três veados – macho, fêmea e cria – de pé sobre uma base plana de recorte polifacetado irregular. As figuras apresentam uma estilização que arriscamos dizer de raiz neo-cubista. De cor creme, as partes côncavas dos corpos e orelhas, assim como olhos, focinhos e hastes, são realçadas a castanho esponjado (?). No fundo da base, carimbo azul quadrangular, seccionado em quatro partes com representação de jarra, sobrepujando «Aleluia Aveiro» e, pintado à mão, «1004» «A».
Data: c. 1955-65
Dimensões: Comp. 21,2 cm x larg. 10,8 cm X alt. 21 cm


Esta peça surge um pouco fora do contexto das nossas colecções. Adquirimo-la por ostentar um carimbo distinto de todos os demais que possuíamos. Naturalmente, também não fomos indiferentes à curiosidade da mesma.

A utilização de cervídeos para criar peças decorativas escultóricas ou pictóricas tem uma longa tradição. No período Art Déco usou-se e abusou-se do tema, incluindo aplicado à bidimendionalidade de objectos cerâmicos de vária ordem. 


O apreço por estes simpáticos animais manteve-se no tempo, reforçado que foi no imaginário popular graças a uma célebre figura do cinema de animação, estreado em 1942, dos estúdios Disney, a desprotegida figura de Bambi que, em versão tridimensional de ferro - feito pelo serralheiro José Maria Tavares (1917-2010), encimou o alpendre da fachada da sapataria com o mesmo nome na Praça Duque de Saldanha, 31, em Lisboa. Outros cervídeos também constam entre os temas que configuram os célebres «entalados», apostos sobre entradas de edifícios de c. 1940 a 60, (veja-se o exemplar da Rua Jacinto Marto, nº 2, no gaveto com a Rua Passos Manuel).

Embora pudesse ainda estar presente a imagem do filme referido, o conjunto aqui representado, foge, do ponto de vista estilístico, às formas arredondadas das figuras do mesmo, apresentando estas uma estilização angulosa, como que talhadas em facetas. Gosto que o próprio cinema de animação da Disney vai reflectir nos finais da década de 50 (veja-se A Bela Adormecida, de 1959).

Quanto a uma cronologia mais precisa da presente estatueta decorativa da Aleluia-Aveiro, CMP, certamente, afinará melhor a sua datação, podendo mesmo, eventualmente, conhecer algo sobre a sua autoria.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dois pratos de serviço de mesa art déco criado por Marcel Goupy para a Casa Rouard



Pratos de faiança moldada e relevada de um serviço de mesa art déco editado pela casa Rouard, desenhado por Marcel Goupy. De cor branca, as abas são subtilmente recortadas e relevadas nos bordos, destacando-se, a preto, seis motivos incisos tendencialmente triangulares, desenho que lhes confere uma forma floral. Um filete rosa-malva faz a transição para o covo em cujo centro se destaca um medalhão circular com decoração estampada e estilizada a preto e rosa-malva, de diferentes motivos de cervídeos entre vegetação. Os animais, praticamente reduzidos a silhuetas, recortam-se na cor de fundo e entre a vegetação rosa-malva. Enquanto no prato raso um único animal, uma corça, salta, no prato de sobremesa um veado e uma corça descansam. Ambas as peças, no fundo da base, têm carimbos a preto com a assinatura M. Goupy e, dentro de uma cartela representando em corte uma taça, Rouard – France. Inscrito na pasta, no prato raso, B5 e, no prato de sobremesa, B9.
Data: c. 1925
Dimensões: Prato raso Ø 25,5 cm; prato sobremesa Ø 23,5 cm


Marcel Goupy (1886-1954) estudou na Ecole Nationale des Arts Decoratifs de Paris, onde estudou arquitectura, escultura e decoração de interiors. Foi um talentoso pintor, joalheiro e ourives, mas acabou por se tornar célebre como ceramista antes de se converter também em artista do vidro de reconhecido mérito.
Iniciou a sua colaboração com a casa de George (Géo) Rouard em 1909, onde entra em 1919 para se encarregar da loja de decoração de Paris.
Após a morte de Rouard, em 1929, Goupy tornou-se director artístico da firma continuando a desenhar modelos e decorações para cerâmicas e vidros, até 1954, ano da sua morte.
Ao longo da extensa carreira de designer participou em numerosas exposições quer em França quer no estrangeiro.


As origens da Casa Rouard remontam à compra, em 1909, do estabelecimento «A la Paix», na Avenue de L’Ópera, 34 – Paris, que George (Géo) Rouard havia adquirido a Jules Mabut. Especializada na venda de artigos de mesa, com destaque para as cerâmicas e vidros, não só de Goupy, mas também de outros colaboradores, caso de René Buthaud, Émile Decoeur, François Decorchemont, Jacques Lenoble, Maurice Marinot, Henri Simmen, Lalique, Jean Luce, etc., Rouard torna-se, assim, uma personagem incontornável do movimento Art Déco ao promover os mais importantes artistas das artes decorativas da França de então.


Não por acaso, Rouard tinha criado, antes da Grande Guerra, em 1913, o grupo Les Artisans Français Contemporains.
A Casa Rouard participou na Exposição de 1925 com os seus artistas, partilhando um pavilhão com Jean Puiforcat e a revista Art et Décoration, concebido pelo arquitecto Henri Pacon.
Rouard tinha uma dupla vocação enquanto marchand e editor. Por um lado a peça única, por outro a edição semi-industrial, caso do serviço de mesa de Goupy, cujo modelo, de que hoje apresentamos dois pratos, esteve exposto mas com outra decoração na referida exposição (ver aqui).

Goupy não só participou com peças no pavilhão La Revue Art et Décoration et le groupe des Artisans Français Contemporains mas também apresentou outras em diversos pavilhões e foi membro do júri para os trabalhos em vidro.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Taça com veados art déco - Sacavém




Peça de faiança moldada e relevada, estilizada ao gosto art déco, com taça em forma de flor e asas figurando veados saltando, vidrada a prata com interior a branco. Carimbos verde Gilman & Ctª – Sacavém e Made in Portugal numa oval. Inscrito na pasta 52 IP.
Data: c. 1935
Dimensões: alt. 18,8 cm x comp. 42 cm x larg.21,7 cm


Esta peça, em nossa opinião, será um dos melhores exemplos de cerâmica art déco produzidos em Portugal e será um dos muitos modelos que foram exportados, como indicam os carimbos. Não sabemos quando nem quem a criou e, em termos meramente estilísticos poderíamos pensar estar em presença de mais uma peça de Donald Gilbert, associação que imediatamente fizemos quando a comprámos num leilão em Lisboa, em Março de 1999. Talvez porque parte importante da produção animalista da Fábrica de Loiça de Sacavém fosse da sua autoria, sobretudo as que conhecíamos esmaltadas a ouro ou prata. À medida que fomos tomando maior contacto com a produção do género e verificámos que muitas das peças escultóricas art déco dessa fábrica não eram do referido escultor, começaram as dúvidas. Ainda para mais, face a uma peça desta erudição e qualidade plástica e técnica, que não tem inscrito na pasta o tradicional Gilbert Sc [do latim sculpcit, i. é, esculpiu] como é usual nas peças da sua autoria. Não quer dizer que não haja excepções e que peças suas não portem assinatura. Por isso não poderemos afirmar sem provas mais concretas de quem é, afinal, a referida autoria. Quanto à datação, arriscamos com menos dúvidas balizar a sua cronologia para depois de 1925 e anterior a 1940.

A taça propriamente dita remete para uma influência neo-egípcia, pelo que estamos inclinados a vê-la como uma flor de lótus estilizada, sendo os animais inspirados também no repertório pré-clássico do Crescente Fértil.
A ideia de movimento associada à geometrização e mecanização das formas da natureza, que já aqui dissemos ser tão característica de um certo tipo de estilo art déco, está neste modelo perfeitamente exemplificada, para mais, acentuada pela cor prateada de objecto que poderia ser de metal. Na sua simetria perfeita, os dois veados saltando em sentidos opostos dão-lhe um dinamismo que só é mitigado pela estaticidade da taça.


Segundo informação contida no comentário de CP, a peça encontra-se referenciada nos catálogos de preços de 1945-1951 da Fábrica, como sendo um centro de mesa, formato veado, com o número de série 259. A imagem que a seguir reproduzimos foi-nos gentilmente cedida pelo CDMJA/MCS, a quem agradecemos. 



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Ampara-livros art déco “Veados” – Lusitânia-Lisboa





Par de ampara-livros de cerâmica moldada, dentro da gramática art déco, em forma de veados a saltar, castanho-escuro, cujos corpos são sustentados por herbáceas estilizadas, a branco, que despontam sobre o perfil de terreno ondulado, a vermelho, que forma o soco. Na base, carimbo estampado, verde, da unidade de Lisboa: escudo coroado Lusitânia, com Cruz de Cristo enquadrada pelas iniciais C F C L [Companhia das Fábricas de Cerâmica Lusitânia] sobrepujando Portugal.
Data: c. 1930 - 40
Dimensões: alt. 12,5 cm x comp. 9,7 cm x larg. 4 cm

Já aqui apresentámos uma corça saltando da Fábrica de Loiça de Sacavém, agora é a vez de mostrar mais um exemplo de escultura animal em movimento, no caso dois veados saltando, que na sua função de ampara-livros, se desenham simetricamente afrontados, da unidade fabril de Lisboa da Lusitânia. A utilização da temática animalística e/ou vegetalista estilizada, por vezes fortemente geometrizada e mesmo mecanizada, revelou-se uma tendência recorrente da apropriação da natureza no estilo art déco.
São pouco frequentes exemplos de escultura animalista, particularmente em movimento, na Art Déco em Portugal. No entanto, como se tem vindo a mostrar (e continuaremos a fazê-lo) eles existem.

sábado, 3 de dezembro de 2011

Escultura “Veados”, Saint-Clément - França




Escultura, de grande dimensão, representando um veado e uma corça, estilizados ao gosto art déco, de faiança branca, craquelé. Trata-se de uma obra de Charles Lemanceau (1905-1980), criado para a fábrica francesa Saint-Clément. Marcado em relevo lateralmente na base “Lemanceau”. Carimbo a pretoSt Clément made in France” no interior.
Data: 1929
Dimensões: Alt 30 x comp 44,8 x larg 12 cm

Este grupo escultórico foi vendido pelos grandes armazéns parisienses Bon Marché a partir de 1929. Trata-se da peça nº 1 do catálogo editado pela Saint-Clément em 1930.
Lemanceau foi o mais prolífico dos escultores animalistas, tendo produzido cerca de cem modelos, um sexto da totalidade dos animais em craquelé conhecidos. A estilização que faz dos animais não lhes retira a naturalidade da pose.