Mostrar mensagens com a etiqueta Neo-romantismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Neo-romantismo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Par Romântico 2 - La Maîtrise (Limoges?)




Na sequência do post de ontem, hoje apresentamos uma outra versão da mesma série, também um casal romântico, abraçado e de faces encostadas. As carnações das duas figuras são ligeiramente rosadas. A figura masculina, de barba e cabelo castanho, veste casaca cor de mel e gola preta, sobre calças amarelo-pálido, trazendo na cabeça chapéu alto rosa-velho, da cor do cabelo, barba e bigode. A mulher de vestido com ampla saia rodada, cor-de-rosa claro e barra branca, sobre o qual cai um xaile branco, com franjas pretas depois de uma linha azul forte, cujo centro é ricamente decorado por elementos estilizados vegetalistas profusamente coloridos e pintados à mão. Na cabeça, touca igualmente da cor das calças do homem atada ao pescoço com fita da mesma cor do chapéu masculino. Interior vazado. No fundo da base, no bordo, carimbo verde La Maitrise.
Data: c.1925
Dimensões: Alt. 27 cm x comp. 23 cm x larg. 16 cm



O mesmo recato da figura feminina e igual ar protector do dandy. Ambos numa atitude mais familiar, em que também ela o abraça, como se nos tivessem sido apresentadas duas fases de um relacionamento. Naquela o cortejar e nesta segunda já casados. 


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Par Romântico 1 - La Maîtrise (Limoges?)




Estatueta de porcelana branca moldada e policromada, em forma de par galante oitocentista (c.1840- c.1860), numa reinterpretação estilizada ao gosto art déco. As carnações das duas figuras são ligeiramente rosadas. A figura masculina, de barba e cabelo mel, da mesma cor das calças, veste casaca cinzenta e abraça, a figura feminina, que beija na face, trazendo chapéu alto na mão esquerda pendente. A mulher apresenta uma ampla saia rodada, com flores coloridas, rematada com dois grandes folhos brancos. Blusa verde-claro com punhos azul forte. Por cima do conjunto, um xaile de renda branco. Na cabeça, touca igualmente verde com flor de pétalas brancas contornadas a rosa, atada ao pescoço com fita azul forte que se desenvolve num laço. Interior vazado. No fundo da base, no bordo, carimbo verde La Maitrise.
Data: c.1925
Dimensões: alt. c. 25 cm x comp. c. 25 cm x larg. 19 cm


Trata-se de uma produção provavelmente de Limoges para La Maîtrise, o atelier de arte das Galerias Lafayette, em Paris, de que já tivemos oportunidade de dar notícia
Decidimo-nos a postar esta peça hoje, depois de termos visto o filme «Lincoln» recentemente estreado. Uma lição de história, bem contada, e melhor representada, certamente destinada aos alunos americanos. Enquanto cinema, enfim …



Relegada aos trabalhos domésticos e educação dos filhos, a função social da mulher de condição limitava-a ao papel de esposa e mãe. Em consonância, a moda feminina de meados de Oitocentos era bem o sinal de um tempo em que às mulheres era elidida a sexualidade e negados os direitos. Veja-se, nesta estatueta, como num tempo de libertação da mulher, nos loucos anos 20, se revisitava ironicamente o puritanismo de uma outra época que corresponderia à juventude das avós.
A figura submissa da mulher, protegida pelo galante dandy, traz uma ampla saia que pousa sobre uma armação de modo a acentuar o seu rodado, salientando, por contraste, a estreiteza do busto. A cabeça tapada por uma touca e um xaile sobre os ombros realçavam o recato que a mulher deveria ter. Todos os movimentos naturais do corpo ficavam condicionados quer pela rigidez da saia quer pelo espartilho que lhe impedia a respiração. Quantos desmaios não encontramos na literatura da época, transformados em condição de elegância feminina, quando não passavam de falta de oxigenação do sangue …


Em relação ao filme, à moda e aos desmaios, já agora, e por contraste, veja-se o incomparável «E tudo o vento levou». Está lá tudo, em palavras e imagens. E viva o Cinema e Scarlett O’Hara!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Escultura art déco craquelé de mulher oitocentista - CAF


Peça escultórica, de faiança moldada, craquelé, de cor rosada, representando uma senhora oitocentista com o seu vestido amplo, casaco, laço e mãos dentro de um regalo, estilizada ao gosto art déco. No interior, oco, o carimbo preto com a sobreposição das letras CAF. No frete, inscrito na pasta, nº 420
Data: c. 1930
Dimensões: alt. 19,5 cm x Ø base oval: 13,3 x 11,5 cm


O escultor, que infelizmente desconhecemos, simplificou a figura feminina e o seu vestuário pesado oitocentista a um volume, quase um cone, de formas estilizadas arredondadas, apenas vincadas na subtil transição e sobreposição das peças de vestuário de uma indumentária de Inverno. Ao que parece, não são fáceis de encontrar peças de cerâmica da CAF.
Prolongamento dos ateliers de arte de La Maîtrise, a CAF- Compagnie des Arts Français foi fundada, em 1919, por Louis Süe (1875-1968) e André Mare (1885-1932), que a dirigiram até aos finais de 1928 quando foi nomeado director da prestigiada Companhia o designer Jacques Adnet (1900 –1984) que a dirigiu até 1960. A Companhia produzia a gama completa de artigos de decoração, do mobiliário aos tecidos, cerâmicas, etc.

A equipa incluía, entre muitos outros, os decoradores François Jourdain, Charlotte Perriand ,os pintores Raoul Dufy, Fernand Léger, Marc Chagall e Georges Jouve, os ceramistas Jean Besnard, Guiedette Carbonnell e Paul Pouchol.

As realizações mais célebres da Companhia são a decoração do Collège de France, o escritório de trabalho do Presidente da República francesa em Rambouillet, a decoração do edifício da UNESCO, para além de grandes paquetes.

Descobrimos uma caixa «La Maitrise», fabricada pela Boch Fréres Keramis aqui, muito idêntica. Provavelmente do mesmo autor, mas a estilização da forma é neste exemplar profundamente alterada pela policromia de pendor naturalista.