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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Caixa art déco campaniforme de Fritz von Stockmayer - Arzberg


Caixa de porcelana moldada de taça campaniforme, com tampa em calote esférica, assente sobre pé saliente. Sobre o branco destaca-se a decoração vegetalista estilizada em tons de vermelho, salmão e ouro, que cinge a parte superior da taça e inferior da tampa, que é complementada por filetes vermelhos que circundam a parte inferior da taça e parte superior da tampa, em parte complementadas a salmão em dégradé. Pé saliente e interior do bocal a ouro, assim como a pega da tampa. No fundo da base, marca a verde «Porzellanefabrik Arzberg» «Arzberg/Baye.», e «23» a ouro.
Data: 1932 (forma e decoração)
Dimensões: alt. 12,2 cm x Ø máx. 15,5 cm


Trata-se do modelo nº 1411, decor nº 6370, criados por Fritz von Stockmayer de quem já sobejamente falámos, mas não resistimos a acrescentar mais umas palavras sobre a sua obra.

Nos antípodas das propostas mais vanguardistas germânicas de Entre-Guerras, a obra de Stockmayer retoma a tradição da pintura de flores sobre porcelana dos séculos XVIII e XIX, renovando-a de forma notável vindo a criar decorações particularmente originais, dentro de um gosto moderno art déco, que antecipa uma estética de pós-Guerra. É assim que encaramos a peça que vos trazemos hoje, e talvez daí a nossa paixão pela obra que realizou para a fábrica de porcelana de Arzberg. A modernidade que não renega a tradição, antes a reinventa e a projecta no futuro.
 



segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Serviço de café art déco “Angola” - S.P. Coimbra

Graças ao modelo «Angola» de Coimbra, tomámos contacto pela primeira vez com um dos blogues que seguimos com prazer. Trata-se do Arte, livros e velharias que completou 100 mil visitantes no dia 27 de Julho passado. A naturalidade, simpatia, elegância e sensibilidade da sua autora são motivos mais que suficientes para a popularidade alcançada. Assim, em jeito de celebração, convidamos hoje a autora a tomar um café connosco num serviço do mesmo modelo.



Serviço para café de porcelana moldada ao gosto art déco, composto por cafeteira, leiteira, açucareiro, chávenas e respectivos pires, cor beige com filetes a ouro pontuando bordos, asas e pegas. Modelo polifacetado, com dez faces côncavas nas superfícies laterais e igual número de faces convexas nas partes superiores e tampas As pegas, em botão, reproduzem em miniatura o desenho do corpo das peças. Asas apresentam-se recortadas em cinco curvas esquinadas. Na base de todas as peças, carimbo estampado a verde, «Coimbra SP Portugal», acrescido de 3 impresso e 8 (?) manual inscritos na pasta nas três peças principais: cafeteira, leiteira e açucareiro. Na cafeteira, a azul, pintado à mão, «Angola» e «FA5011».
Data: c. 1935-40
Dimensões: Várias


A forma deste modelo, que conjuga uma profusão de ângulos e linhas curvas, que tem por base uma planta decagonal, dá-lhe uma leitura dinâmica muito acentuada que se basta a si própria dispensando qualquer decoração. Quanto a nós, quando tal acontece, geralmente desvaloriza a forma, desvanecendo a limpidez do desenho. Mesmo quando a decoração é de grande qualidade plástica.





Mais uma vez encontramos uma filiação em modelos alemães. Veja-se o caso do pote polifacetado que reproduzimos, da fábrica de porcelana Arzberg, criada por Carl Schumann nos anos 20. As semelhanças são óbvias: lá estão as dez faces laterais côncavas e convexas na parte superior e tampa.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Caixa esférica Art Déco com riscas a cinza e ouro de Fritz von Stockmayer – Arzberg - Alemanha



Em 29 de Abril passado apresentámos duas versões decorativas deste modelo de caixa esférica criado por Fritz von Stockmayer. Toda a carga simbólica que emanava das anteriores decorações está ausente na versão de hoje. Nesta, a geometria da forma, modelo nº1390, é reforçada pela aposição da decoração linear. O branco da porcelana é aqui revestido por uma sóbria e quase glacial composição de linhas cinzentas, de diversas espessuras que, numa gradação do quase branco ao quase preto, envolvem o toque quente de fiadas de linhas a ouro e branco que cingem o bojo. É também o ouro que realça o pé e o gargalo. Na tampa a mesma gradação de linhas cinzentas, concêntricas, é aqui rematada por dois filetes a ouro que definem o círculo branco em cujo centro se elevam as duas “moedas”, de bordo com filete a ouro, que constituem a pega. Na base, carimbo a verde «Porzellanfabrik Arzberg» e «Arzberg/Bay.» Não apresenta número de decoração.
Data: 1932
Dimensões: alt. 15,5 x diâm. 14,5


domingo, 29 de abril de 2012

Caixa esférica Art Déco com efémeras de Fritz von Stockmayer – Arzberg - Alemanha


Neste mesmo modelo nº 1390 de Fritz von Stockmayer a decoração, que será a nº 30, é particularmente curiosa para nós dado que o grafismo da peça que apresentámos anteriormente, de folhas ou flores, é aqui retomado, transmutando-se em insectos, singelas efémeras azuis e pretas, de asas inferiores a cheio e superiores de uma transparente suavidade dada por linhas das mesmas cores. Esvoaçando, recortam-se tenuemente sobre um céu ondeante de nuvens brancas e cinzentas. Esta composição, forma um friso que cinta o bojo esférico e é enquadrada por faixas e listas a preto e prata-chumbo. Na tampa, sobre a decoração de nuvens e efémeras, eleva-se a pega com as duas moedas a prata-chumbo. Na base, carimbo a verde «Porzellanfabrik Arzberg» e «Arzberg/Bay.» e carimbo prata-chumbo com30. Inscrito na pasta 1390 estampado.
Data: 1932
Dimensões: alt. 15,5 x diâm. 14,5

O simbolismo da efemeridade da vida é aqui focado de uma forma tão etérea como o ar carregado de núvens e as asas dos insectos que lhe deram o mote, onde a influência do Oriente, neste caso do japonismo, é claramente marcante.



Caixa esférica Art Déco com motivos vegetalistas de Fritz von Stockmayer – Arzberg - Alemanha


Caixa de porcelana moldada, modelo nº 1390 e decoração nº 96 (?) criados em 1932 por Fritz von Stockmayer. De corpo esférico, assenta sobre pé e é rematada por gargalo preto, que, com a tampa, ficam com as mesmas dimensões. Recebeu uma decoração estampada de fundo cinzento claro envolvido por ténues faixas de gaze aprisionadas sob uma quadrícula esparsa de linhas a preto onde evoluem folhagem - ou flores - estilizada em três cores e texturas diferentes, umas lisas a preto e branco e outras avermelhadas com a textura da gaze. Na tampa, na vertical, duas moedas a ouro, de dimensões distintas, apostas e desencontradas, formam a pega. Na base, marca carimbada a verde «Porzellanfabrik Arzberg» e «Arzberg/Bay.[Bayern]», com nº 96 a preto. Selo da casa Carl Weiffert onde foi vendida (parcialmente rasgado).
Data: 1932
Dimensões: alt. 15,5 x diâm. 14,5


Para além das caixas serem um dos leit motiv das nossas colecções, na produção cerâmica, no caso de porcelana, temos também designers de eleição: Fritz (Friedrich Karl) von Stockmayer (1877 – 1940) é um deles.

Criador de formas e decorações, Stockmayer nasceu em 18 de Dezembro de 1877 em Estugarda, descendente de famílias de militares e universitárias. Depois dos seus estudos académicos parte para Paris e Palermo onde trabalhou num banco, regressando, aos 23 anos, a Estugarda. Seguidamente trabalha para uma sociedade de exportação que o leva à Abissínia.
Quando eclodiu a I Guerra Mundial, Stockmayer partiu para o Cairo e dali por barco regressou à Alemanha via Trieste, onde vai cumprir o serviço militar. Poucos dias depois é ferido em combate, sendo atingido no estômago por uma bala dum-dum, que o leva a ser internado e a estar um ano de cama. Na longa convalescença no hospital, nunca deixou o lápis e a caixa de aguarelas, prosseguindo a veia artística que desde a juventude tinha como passatempo.

Questionamos se não terá sido este sofrimento a estar na origem da decoração da peça que apresentamos, «enfaixada» em gaze, onde possivelmente, as linhas pretas e a folhagem/flores remetem, simbolicamente, para uma estilização de arame farpado a que o apontamento avermelhado, cor de sangue seco, dá maior consistência.

No fim da guerra passou a trabalhar numa empresa na Suábia e teve tempo para continuar as suas experiências pictóricas. Numa passagem por Itália aprendeu a pintar sobre porcelana. Foi este o princípio da actividade que o tornou conhecido, já que soube estabelecer pontes entre o passado e a sua contemporaneidade na pintura sobre porcelana, dando origem a importantes inovações técnicas. Fábricas como Arzberg, Schoenwald, Kahla, Fürstenberg, ou Thomas reconheceram o seu mérito criativo, culminando como director artístico, a partir de 1935, da fábrica de porcelana Rosenthal em Selb, na Baviera, onde ingressara em 1932.
Todavia, a sua produção mais importante e valorizada é constituída pelo conjunto de peças que criou para a Arzberg de c. de 1930 até 1932.
As suas criações mostram uma profunda influência asiática e remetem-nos, por vezes, para um grafismo que se adianta no tempo, parecendo algumas das suas peças de inícios de 1930 serem do pós Segunda Guerra Mundial. Morre em 11 Julho de1940 com 62 anos.