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domingo, 22 de outubro de 2017

Prato de serviço de mesa art déco de Marcel Goupy para a Casa Rouard


Já aqui postámos, em 17 de Setembro de 2012, dois outros pratos deste mesmo serviço art déco, de faiança moldada e relevada, criado por Marcel Goupy e editado pela Casa Rouard que recebeu a designação «Sologne». Difere dos anteriores na decoração do medalhão circular central. Neste caso, uma corça salta deixando para trás uma árvore. No fundo da base, carimbo a preto com a assinatura «M. Goupy» e, dentro de uma cartela representando em corte uma taça, «Rouard – France». Inscrito na pasta «B9».
Data: c. 1925
Dimensões: Ø 25,5 cm;



Este mesmo modelo com outra decoração esteve presente no pavilhão da Exposição de Paris 1925 que a Casa Rouard partilhou com Jean Puiforcat e a revista Art et Décoration, como então escrevemos e que agora apresentamos numa imagem do catálogo geral da exposição.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ainda a propósito da escultura de corça art déco da Aleluia-Aveiro


A figurinha de jovem corça art déco que publicámos em 11 de Março de 2012, modelo nº 129 A da Aleluia-Aveiro, e que agora retomamos, revelou-se ser uma criação de 1925 do escultor alemão Fritz von Graevenitz (1892 – 1959) editada pela fábrica Rosenthal. É mais uma prova da importante influência que a produção cerâmica alemã teve em Portugal.


Graevenitz terá trabalhado para a Rosenthal de 1924 a 1934 para cujo departamento de arte, em Selb, concebeu dezassete esculturas de animais, entre as quais se conta o modelo nº 806, com cerca de 9,5 cm de altura, que hoje apresentamos, ligeiramente maior que o exemplar português. 


Em todas as variantes cromáticas aqui ilustradas, retiradas do eBay alemão e americano, o pedestal tem incisas as iniciais do artista: «F. G». A Rosenthal continuou a produzir o modelo muito depois da data da sua criação, coincidindo com a edição no nosso país onde terá sido fabricada até à década de 50 do século passado.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Dois pratos de serviço de mesa art déco criado por Marcel Goupy para a Casa Rouard



Pratos de faiança moldada e relevada de um serviço de mesa art déco editado pela casa Rouard, desenhado por Marcel Goupy. De cor branca, as abas são subtilmente recortadas e relevadas nos bordos, destacando-se, a preto, seis motivos incisos tendencialmente triangulares, desenho que lhes confere uma forma floral. Um filete rosa-malva faz a transição para o covo em cujo centro se destaca um medalhão circular com decoração estampada e estilizada a preto e rosa-malva, de diferentes motivos de cervídeos entre vegetação. Os animais, praticamente reduzidos a silhuetas, recortam-se na cor de fundo e entre a vegetação rosa-malva. Enquanto no prato raso um único animal, uma corça, salta, no prato de sobremesa um veado e uma corça descansam. Ambas as peças, no fundo da base, têm carimbos a preto com a assinatura M. Goupy e, dentro de uma cartela representando em corte uma taça, Rouard – France. Inscrito na pasta, no prato raso, B5 e, no prato de sobremesa, B9.
Data: c. 1925
Dimensões: Prato raso Ø 25,5 cm; prato sobremesa Ø 23,5 cm


Marcel Goupy (1886-1954) estudou na Ecole Nationale des Arts Decoratifs de Paris, onde estudou arquitectura, escultura e decoração de interiors. Foi um talentoso pintor, joalheiro e ourives, mas acabou por se tornar célebre como ceramista antes de se converter também em artista do vidro de reconhecido mérito.
Iniciou a sua colaboração com a casa de George (Géo) Rouard em 1909, onde entra em 1919 para se encarregar da loja de decoração de Paris.
Após a morte de Rouard, em 1929, Goupy tornou-se director artístico da firma continuando a desenhar modelos e decorações para cerâmicas e vidros, até 1954, ano da sua morte.
Ao longo da extensa carreira de designer participou em numerosas exposições quer em França quer no estrangeiro.


As origens da Casa Rouard remontam à compra, em 1909, do estabelecimento «A la Paix», na Avenue de L’Ópera, 34 – Paris, que George (Géo) Rouard havia adquirido a Jules Mabut. Especializada na venda de artigos de mesa, com destaque para as cerâmicas e vidros, não só de Goupy, mas também de outros colaboradores, caso de René Buthaud, Émile Decoeur, François Decorchemont, Jacques Lenoble, Maurice Marinot, Henri Simmen, Lalique, Jean Luce, etc., Rouard torna-se, assim, uma personagem incontornável do movimento Art Déco ao promover os mais importantes artistas das artes decorativas da França de então.


Não por acaso, Rouard tinha criado, antes da Grande Guerra, em 1913, o grupo Les Artisans Français Contemporains.
A Casa Rouard participou na Exposição de 1925 com os seus artistas, partilhando um pavilhão com Jean Puiforcat e a revista Art et Décoration, concebido pelo arquitecto Henri Pacon.
Rouard tinha uma dupla vocação enquanto marchand e editor. Por um lado a peça única, por outro a edição semi-industrial, caso do serviço de mesa de Goupy, cujo modelo, de que hoje apresentamos dois pratos, esteve exposto mas com outra decoração na referida exposição (ver aqui).

Goupy não só participou com peças no pavilhão La Revue Art et Décoration et le groupe des Artisans Français Contemporains mas também apresentou outras em diversos pavilhões e foi membro do júri para os trabalhos em vidro.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cache-pot art déco “corças” – Aleluia-Aveiro




Modelo de cache-pot cúbico, de faiança moldada, assente sobre quatro pés quase esféricos. Um mesmo motivo, de duas corças, em silhueta, pastando sob uma palmeira em fundo de nuvem, é repetido nas quatro faces. A decoração, numa estilização ao gosto art déco, a preto sobre o fundo creme, utiliza duas técnicas distintas, por um lado as corças são estampilhadas, assim como a nuvem, embora esta em negativo, todo o resto é pintado à mão, pelo que existem subtis diferenças no desenho nas faces. Cada um dos lados é enquadrado por filetes pretos que definem os ângulos da peça. Na base, a preto, dois carimbos: Fábrica Aleluia – Aveiro e, inscrito num rectângulo, Made in Portugal. Pintado à mão C sob traço. Inscrito na pasta 46.
Este modelo aparece na página 22 do catálogo de louças decorativas das Fábricas Aleluia- Aveiro, de inícios dos anos 40, com o nº 46 – C
Data: c. 1935-45
Dimensões: 9 cm x 9 cm (pés+2 cm)



domingo, 3 de junho de 2012

Pequena corça art déco - Sacavém


Figura de faiança moldada art déco, de pequena dimensão, esmaltada a cor marfim amarelado e craquelé muito fino, representando uma corça, de pé, pescoço levantado como que cheirando o ar, assente sobre um soco em forma de montículo irregular. Na base, carimbo azul, Gilman & Cta – Sacavém e Made in Portugal. Inscrito na pasta 270 que corresponderá ao número do modelo.
Data: c. 1935
Dimensões: alt. c. 19,5 cm x comp. c. 11 cm






domingo, 11 de março de 2012

Escultura de corça art déco, modelo nº 129 A – Aleluia-Aveiro




Pequena escultura de faiança craquelé moldada em forma de corça, de cor marfim mate sobre soco a ouro onde desponta vegetação estilizada. Toda a figura remete para uma estética art déco. Na base, pintado à mão, a ouro, Aleluia – Aveiro, x 129 – A e «
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. 9,3 cm

 Na sequência do post de MAFLS, e porque apresentámos o mesmo motivo animal aplicado na jarra Aleluia-Aveiro anterior, achamos pertinente apresentar este outro modelo de corça, de datação anterior, mas com acabamentos semelhantes.
Esta graciosa escultura, que aparece referenciada no Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia. Aveiro, de inícios da década de 1940, pág. 28, sob o nº 129, foi adquirida num leilão virtual, embora a um vendedor a quem também adquirimos peças em feiras de velharias.
Percorrer estas feiras, lojas e leilões reais e virtuais é sempre um prazer renovado. E tanto se pode ficar feliz porque se adquiriu o objecto desejado, como se pode ficar frustrado porque as finanças não estavam à altura.


sábado, 10 de março de 2012

Jarra art déco com corças nº 86 A – Aleluia-Aveiro




Jarra de faiança moldada em forma de cabaça, com duas pequenas asas no estrangulamento do gargalo. De cor creme com apontamentos aguados de castanho, apresenta decoração estampilhada e estilizada de corças e flores numa gramática art déco. O bojo é cintado por um friso seccionado em quatro quadros, de fundos aguados de castanho e demarcados por molduração de listas pretas, onde intercalam, duas a duas, uma corça pastando e uma flor. Na parte superior do gargalo, num friso contínuo de fundo igualmente aguado a castanho, recortam-se silhuetas de corças que intercalam com duplos montículos de vegetação geometrizada em triângulos. Ambos os frisos são enquadrados por fiadas de filetes pretos que aparecem também no pé ligeiramente saliente. Na base, pintado à mão a preto, Aleluia Aveiro e A. Inscrito na pasta o nº 86
Data: c. 1935 - 45
Dimensões: alt. 19 cm

Gráfica na sua expressão decorativa, como, aliás, muita da cerâmica da Aleluia-Aveiro neste período, esta será uma peça entre dois universos estéticos, por um lado a decoração animalista e floral art déco e a forma ainda a remeter um pouco para a Arte Nova. Na pág. 12 do Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia, já citado, a jarra aparece referenciada com o Nº 86 – A


quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Figura de Corça Saltando – Sacavém




Peça de faiança moldada e relevada, esmaltada a cor marfim amarelado e craquelé, representando, em estilo art déco, uma corça saltando sobre vegetação estilizada, assente sobre soco. Carimbo cinzento Gilman & Cta – Sacavém, Made in Portugal. Inscrito na pasta nº 298, que corresponderá ao modelo.
Data: c. 1935
Dimensões: comp. c. 39.5 cm x alt. c. 32,5 cm x larg. 14 cm

Este exemplar apresenta um defeito de fabrico na base, que estalou durante a cozedura. Contudo, recebeu acabamento final e carimbo. O seu possível autor, Cerboni, foi identificado em peça igual em desenho e dimensão, sem marca, apenas com este apelido italiano inciso na pasta, na lateral do soco. Trata-se de um modelo de terracota pintada a ouro, que vimos à venda em feira de velharias de rua (se a memória não nos falha, foi em Setúbal e também em Algés. Infelizmente, em ambas ocasiões não levávamos câmara fotográfica). Seria de outra fábrica que não Sacavém e, possivelmente, até de outra nacionalidade.
A produção desta peça manteve-se durante décadas, aparecendo ainda referenciada na tabela da Fábrica de Loiça de Sacavém de Maio de 1960.