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quarta-feira, 20 de março de 2013

Mais um tête-à-tête art déco Sacavém - Formato Coimbra





Hoje propomos mais serviço tête-à-tête da Fábrica de Loiça de Sacavém, do já descrito modelo Coimbra. Formado por 7 peças de faiança moldada (bule, leiteira, açucareiro, duas chávenas e respectivos pires), com composição vegetalista policroma (folhagem castanha e flores a laranja e verde-alface) pintada à mão sobre fundo marfim, complementada por filetes castanhos. No fundo das bases, carimbos a verde Gilman & Cta – Sacavém, Made in Portugal e 915 carimbado a preto. Nas chávenas aparece apenas o carimbo 915. A leiteira apresenta ainda 26 (?) inscrito na pasta, à mão. Ambos os pires são também marcados na pasta: um com 52B, 7-41 Sacavém (?), outro com 3-42 Sacavém.
Data: c. 1935
Dimensões: Diversas

 

E se o modelo Coimbra tem por base o modelo Zenith da fábrica inglesa Burgess and Leigh, criado, em 1931, como já referimos em post anterior, a decoração terá, sem dúvida, a mesma origem.



quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Ainda a propósito do formato Coimbra - Sacavém



Quando aqui tratámos, nas entradas de 19 e 20 de Novembro passado, dedicadas ao modelo Coimbra produzido pela Fábrica de Loiça de Sacavém, faltou-nos dizer que a versão portuguesa tem por base o modelo Zenith da fábrica inglesa Burgess and Leigh, criado, em 1931, por Ernest Bailey (1911-1987).

A pega da tampa do modelo original, uma folha estilizada trapezóidal fica reduzida à geometria do desenho na edição nacional, e no remate inferior da asa, a folha do modelo inglês desaparece por completo.

domingo, 20 de novembro de 2011

Bule, leiteira e açucareiro art déco Sacavém - Formato Coimbra



Na sequência do tête à tête de ontem, um bule do mesmo modelo - formato Coimbra – mas com motivo decorativo nº 672.

Bule de faiança moldada ao gosto art déco da década de 30. Corpo troncocónico, assente sobre pé circular saliente, com tampa. Bico ligeiramente contracurvado. Asa e pega relevada de perfil trapezoidal. Decoração policroma, a laranja carregado e ouro, por técnica de estampilha com pormenores à mão sobre fundo marfim, constituída por 5 linhas concêntricas no corpo e 2 na tampa a laranja. No topo, meio filete encarnado e filete concêntrico dourado. Lista dourada na asa e no bico e lista encarnada e dourada na pega. Bordo da tampa e base contornados a dourado. Carimbo a verde Gilman & Cta, Sacavém, Portugal. Carimbos HJ a preto e 5 a verde.
Data: c. 1935
Dimensões: 14,4 alt x 19,3 larg x 11,8 (diâmetro do bojo)


Leiteira e açucareiro do mesmo formato Coimbra, mas com decoração e cor diversas: um. filete concêntrico dourado enquadrado por 2 filetes desencontrados a azul e ouro de cada lado. Pé contornado a azul, assim como o bordo da asa. Na base, carimbo verde Gilman & Cta, Sacavém. Made in Portugal e, no açucareiro, carimbo azul 759 (?) da decoração.
Dimensões:
Leiteira: alt. c. 7 cm x comp. 9 cm, x larg. 6,4 cm
Açucareiro: alt. 5 cm x c. 8 cm larg. Max.


Coleccionar cerâmica tem destas coisas, umas vezes conseguimos exemplares em excepcional estado de conservação, outras nem tanto assim, mas acabamos por adquiri-los sempre com a esperança de um dia vir a comprar um melhor. No caso dos serviços, por exemplo, nem sempre conseguimos a totalidade das peças, por isso acabamos por ter apenas uma ou outra, como é o caso dos exemplares hoje apresentados. Por vezes acrescentamos mais uma, outras ficamo-nos por um único testemunho. São as leis do acaso. Mas é sempre com prazer renovado que percorremos antiquários, ajuntadores, leilões, feiras de antiguidades e de velharias, cá dentro ou no estrangeiro, a Feira da Ladra, desta cidade e de tantas outras. Depois, há todo o mundo virtual que nos traz tudo isto para dentro de casa, facilitando outro tipo de descoberta e de aquisições. Fazem-se amigos em ambas as situações.
Sempre que viajamos, os souvenirs que trazemos connosco pouco têm de turísticos. Quase sempre são objectos cerâmicos, dos períodos e estilos que nos interessam, da produção desse país, ou de outro, caso a peça nos agrade, mas sempre mais um para as nossas colecções.
Como dizia Marc Guillaume, “conservar é lutar contra o tempo”. Sentimos que em todos os coleccionadores, os que coleccionam por paixão, até mesmo os que compram por questões de prestígio ou de negócio futuro, há um sentimento, chamem-lhe nostálgico, se quiserem, de que, de alguma maneira, dentro das suas possibilidades, estão a salvar os objectos que os fascinam para que as gerações futuras também deles possam usufruir. É um acto cultural, mas também de amor, de partilha.
A história do quotidiano de todas as épocas faz-se graças ao estudo dos objectos que se utilizaram, sumptuários uns, populares outros, todos igualmente importantes independentemente do seu material ou valor monetário intrínseco.
Num mundo que avança a tão grande velocidade em termos tecnológicos – que temos alguma dificuldade em acompanhar –, mas também em termos sociais e políticos, e, paradoxalmente, ou não, o sentimento de que todo um ciclo civilizacional em que vivemos está prestes a acabar, compele-nos a coleccionar para proteger. Conservar. Porque há um plano afectivo, uma referência da memória, um sentimento de posse colectivo em risco.

sábado, 19 de novembro de 2011

Tête-à-tête art déco Sacavém - Formato Coimbra





A propósito da extremamente útil divulgação que o blogue Memórias e Arquivos da Fábrica da Loiça de Sacavém (MAFSL) (http://mfls.blogs.sapo.pt/) tem vindo, desde 2009, a desenvolver, e que ontem nos presenteou com mais uma folha de desenhos do arquivo do Museu de Cerâmica de Sacavém com o motivo 910 aplicado sobre chávena e pires formato Avenida (que aqui duplicamos), aproveitamos para apresentar o exemplar que possuímos, em que o mesmo motivo nos aparece aplicado sobre outro formato. De facto, trata-se de um serviço tête-à-tête formado por 7 peças moldadas (bule, leiteira, açucareiro, duas chávenas e respectivos pires), modelo Coimbra, em que nos aparecem os mesmos motivos vegetalistas estilizados (folhagem verde e flores a laranja), que, estamos em crer, pintados à mão a partir da aplicação de uma estampilha (stencil) e com apontamentos livres, sobre fundo marfim. Na base, carimbo verde Gilman & Cta (Gilman & Comandita) – Sacavém, Made in Portugal. Excepto nas chávenas que não têm carimbo algum. Os pires, leiteira e açucareiro apresentam 910 (?) carimbado a castanho e os primeiros numeração e palavras inscritas mas ilegíveis.
Data: c. 1931 a 1946
Dimensões: Diversas
 Encontrámos decoração idêntica na produção da fábrica inglesa Swinnertons (Staffordshire) como se pode observar na imagem que anexamos.


Quanto ao formato Avenida, sabemos que também ele tem origem inglesa. Trata-se do modelo Eve criado, em 1930-31, por Eric Slater para a Shelley Potteries, Ltd. (Stoke-on-Trent, Stafford, Inglaterra) onde era director artístico.
Em relação ao formato ora apresentado – Coimbra – também nos parece ter a mesma origem, embora ainda não o possamos comprovar.
Não eram só os modelos e as decorações que vinham de Inglaterra, de lá também vinha grande parte das matérias-primas empregues na Fábrica de Loiça de Sacavém (FLS).