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sábado, 28 de novembro de 2015

Jarra com borboletas - Royal Copenhagen - Dinamarca


Jarra ao gosto Arte Nova japonizante, de porcelana moldada em forma de balaústre, com decoração policroma, pintada à mão, em tons pastel, predominantemente de cinzas azulados. No dealbar de uma manhã sem nuvens, duas borboletas esvoaçam em primeiro plano, servindo de repoussoir a uma paisagem campestre, de colinas suaves, que cinta linearmente o bojo, e onde nos apercebemos de uma pequena casa rural que desponta por detrás da curva suave de uma colina. Apercebemo-nos também da copa de árvores que lhe estão próximas. Num plano intermédio a clara presença de três árvores recortadas contra o céu opalino. No fundo da base, carimbo verde com coroa circundada por «Royal Copenhagen» sobre três ondas pintadas à mão a azul. Também à mão, a verde, nºs 925 (decor) e 88B. (forma), e a azul «53» (nº do pintor E. Gad).
Data: c. 1900 (Marca entre 1897 e 1922)
Dimensões: Alt. 13,5 cm x Ø 8,5 cm


Trata-se de um modelo de Arnold Krog, de 1893, que recebeu uma decoração executada pelo pintor E. Gad, que trabalhou na fábrica Royal Copenhagen de 1893 a 1932.


O nascer do Sol, antevisto no toque opalino da alvorada, símbolo do renascer da vida, tem correspondência no acordar das borboletas que iniciam o seu voo na paisagem ainda adormecida. O Simbolismo da pintura complementa-se no japonismo evidente da composição.

Gostamos deste tipo de peças da Royal Copenhagen. Sendo umas mais meditativas e melancólicas que outras, de uma maneira geral são apaziguadoras. Transmitem uma saudade bucólica a quem nunca viveu numa paisagem assim, mas que sente falta dela na agitação da grande cidade. 

terça-feira, 12 de março de 2013

Prato de cozinha art déco com borboleta - Sacavém


Prato de cozinha de faiança moldada, formato circular com aba larga e lisa. De cor branca com decoração policroma estampilhada e areografada ao gosto art déco. Covo decorado por ramo de carvalho com respectivas bolotas e flor amarela sobre a qual poisa uma borboleta, em cores planas - verde, amarelo, castanhos e apontamentos a preto. Aba com barra aerografada a cor-de-rosa que se esfuma na direcção do centro. No fundo da base, carimbos verde Gilman & Ctª – Sacavém – Portugal, N e J, e o número 963.
Data: c. 1930
Dimensões: Ø c. 31,2 cm x alt. 5 cm




Trata-se da decoração nº 963 do catálogo de desenhos da Fábrica de Loiça de Sacavém (FLS), que aqui reproduzimos, existente no Centro de Documentação do respectivo Museu (MCS-CDMJA), cuja colaboração e cedência da imagem mais uma vez agradecemos. Foi utilizado para decorar malgas e pratos de cozinha durante a década de 30 e, provavelmente, ainda na década seguinte.



Neste tipo de técnica decorativa utilizada pela FLS, de que temos vindo a apresentar exemplares, com recurso à estampilha, os motivos ora pintados manualmente ora a aerógrafo, são representados claramente delineados nos seus contornos pelo recorte da estampilha, enquanto apenas a aba exibe o esfumado da pulverização possibilitada pela pintura a aerógrafo.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Jarra art déco com borboletas e flores – Aleluia-Aveiro



Jarra de faiança moldada dentro da gramática art déco com a paleta cromática que caracterizou toda uma série da produção Aleluia-Aveiro de cerca de 1935 a 1945. O modelo apresenta forma redonda abatida, com bojo chanfrado em quatro partes iguais, formando medalhões circulares. Sobre a cor creme de fundo recebeu decoração estampilhada a preto e castanhos, sendo todo o bojo envolvido por uma teia de motivos vegetalistas e florais estilizados que envolvem os medalhões, a preto, em cujo centro sobressai motivo de borboleta igualmente estilizada e um tanto ingénuo. O bojo assenta sobre pé baixo, a preto, e é rematado superiormente por gargalo circular, também a preto, ornado por uma fiada de flores geometrizadas em círculos justapostos. No fundo da base, a preto, pintado à mão, «F.CA ALELUIA» e «B» sob traço. Estampado na pasta «85».
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. 12 cm x larg. 12 cm




Este modelo aparece na página 07 do catálogo de louças decorativas das Fábricas Aleluia- Aveiro, de inícios dos anos 40, com o Nº 85 – B. Infelizmente numa extremidade da página do catálogo, pelo que a imagem aparece ligeiramente cortada.
 
 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Jarra art déco com mariposas da Aleluia-Aveiro


Jarra de faiança moldada com decoração policroma, estilizada e geometrizada ao gosto art déco, parcialmente estampilhada e com detalhes manuais, num motivo triplamente repetido de mariposa, de asas ligeiramente abertas, pousada sobre flor. De permeio, motivos vegetalistas, com destaque para uma jovem folha de feto cujo desenrolamento sobressai entre cada insecto. As cores frias do azul e verde, realçadas por contornos a preto e pelas reservas a branco remetem para a noite e definem o fundo vegetalista e as asas da borboleta nocturna. São quebradas pela presença solar de uma grande flor amarela, quase que um resplendor enquadrando a cabeça e antenas do insecto, e pelo seu abdómen acastanhado. Na base, pintado à mão a preto, F.ca Aleluia = Aveiro =. Inscrito na pasta 31.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 27 cm



Infelizmente, esta jarra tem o bocal partido e foi alvo de uma tentativa de adaptação a candeeiro. Não deixa, no entanto, de constituir uma das nossas peças predilectas, dada a originalidade da sua decoração. Arriscamos mesmo dizer que estamos na presença de uma das mais originais composições cerâmicas art déco realizadas em Portugal. Pelo menos, até agora, não encontrámos qualquer paralelismo em criações estrangeiras, apesar de reconhecermos elementos recorrentes noutras composições art déco, caso da folha de feto que desabrocha, dos círculos ou dos zig-zagues. Uma vez mais, estamos perante uma criação original concebida pela Aleluia-Aveiro. Esta sabiamente soube copiar, digerir e reformular um vocabulário que, vindo de fora, ganha aqui contornos nacionais, até na própria técnica pictórica que, de certa maneira, se aproxima da pintura de azulejos. Mas sobretudo, e isso será, quanto a nós, o mais surpreendente, a pintura pretende imitar os efeitos dos esfumados que a utilização do aerógrafo produzia. Técnica esta muito usada pela concorrente Sacavém e sua sucursal nortenha do Carvalhinho que, por sua vez, seguiam os modelos alemães. Tanto quanto conhecemos, a Aleluia-Aveiro não parece ter associado tal técnica à estampilha.