Na sequência do tête à tête de ontem, um bule do mesmo modelo - formato Coimbra – mas com motivo decorativo nº 672.
Bule de faiança moldada ao gosto art déco da década de 30. Corpo troncocónico, assente sobre pé circular saliente, com tampa. Bico ligeiramente contracurvado. Asa e pega relevada de perfil trapezoidal. Decoração policroma, a laranja carregado e ouro, por técnica de estampilha com pormenores à mão sobre fundo marfim, constituída por 5 linhas concêntricas no corpo e 2 na tampa a laranja. No topo, meio filete encarnado e filete concêntrico dourado. Lista dourada na asa e no bico e lista encarnada e dourada na pega. Bordo da tampa e base contornados a dourado. Carimbo a verde Gilman & Cta, Sacavém, Portugal. Carimbos HJ a preto e 5 a verde.
Data: c. 1935 Dimensões: 14,4 alt x 19,3 larg x 11,8 (diâmetro do bojo)
Dimensões:
Leiteira: alt. c. 7 cm x comp. 9 cm, x larg. 6,4 cm
Açucareiro: alt. 5 cm x c. 8 cm larg. Max.
Sempre que viajamos, os souvenirs que trazemos connosco pouco têm de turísticos. Quase sempre são objectos cerâmicos, dos períodos e estilos que nos interessam, da produção desse país, ou de outro, caso a peça nos agrade, mas sempre mais um para as nossas colecções.
Como dizia Marc Guillaume, “conservar é lutar contra o tempo”. Sentimos que em todos os coleccionadores, os que coleccionam por paixão, até mesmo os que compram por questões de prestígio ou de negócio futuro, há um sentimento, chamem-lhe nostálgico, se quiserem, de que, de alguma maneira, dentro das suas possibilidades, estão a salvar os objectos que os fascinam para que as gerações futuras também deles possam usufruir. É um acto cultural, mas também de amor, de partilha.
A história do quotidiano de todas as épocas faz-se graças ao estudo dos objectos que se utilizaram, sumptuários uns, populares outros, todos igualmente importantes independentemente do seu material ou valor monetário intrínseco.
Num mundo que avança a tão grande velocidade em termos tecnológicos – que temos alguma dificuldade em acompanhar –, mas também em termos sociais e políticos, e, paradoxalmente, ou não, o sentimento de que todo um ciclo civilizacional em que vivemos está prestes a acabar, compele-nos a coleccionar para proteger. Conservar. Porque há um plano afectivo, uma referência da memória, um sentimento de posse colectivo em risco.


