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domingo, 12 de junho de 2016

Jarra canelada marmoreada – Lusitânia-Coimbra


Jarra de faiança moldada, em forma de granada ou de barrica canelada na horizontal, assente em pé saliente, com decoração marmoreada, a verde que alastra como óleo sobre creme-amarelado, com lustrina, que lhe dá um efeito suavemente irisado. No fundo da base, carimbo estampado verde, pouco legível, «Lusitânia – ELCL (?) – Coimbra – Portugal»
Data: c. 1930 - 40
Dimensões: Alt. 15,5 cm


 A forma será resultado da importação de modelo estrangeiro, dentro da gramática art déco modernista.


Um tipo de decoração marmoreada semelhante, com outra cor e expressão, foi mostrado
(1 de Dezembro de 2011) neste blogue a propósito de uma peça de Sacavém, que, então, incorrectamente datámos entre c. 1910-18. Hoje inclui-la-íamos na mesma cronologia desta jarra Lusitânia, tal como a jarra da francesa Onnaing que se ilustra, retirada da net (leilões eBay-Fr). Poderá ser esta produção francesa a estar na génese do exemplar de Sacavém, embora este tipo de efeitos tenha sido explorado em diversas fábricas de cerâmica de distintos países. O resultado “mancha de óleo” obtido pelo acaso da dissolução dos pigmentos sobre a cor base da peça é muito semelhante aos obtidos no papel marmoreado, de que se dá também exemplo infra. 


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Jarra solitário Sacavém



Peça de cerâmica moldada da Fábrica de Loiça de Sacavém, piriforme, de influência oriental, provavelmente por via inglesa, num vidrado irisado, que aposta no efeito “mancha de óleo” obtido pelo acaso da expansão dos esmaltes violáceos aplicados sobre o esmalte branco base. Na base, carimbo violáceo Gilman & Cta – Sacavém.
Data c. 1910-1920
Dimensões: alt c. 16 cm

E já agora, um desabafo! Nos dois catálogos das exposições Porta aberta às memórias, organizadas no Museu de Cerâmica de Sacavém, uma em 2008 e outra em 2009, no final de cada volume, aparecem as principais marcas de produção e variantes. Contudo, se umas aparecem datadas, outras não. É o caso da marca da peça que hoje se apresenta, que aí figura, sem nenhuma indicação útil. Estranhamos que a mesma informação apareça repetida em ambos os catálogos sem que nada tenha sido acrescentado na exposição de 2009. Lamentamos que não fosse desenvolvido um esforço de sistematização das marcas e respectivas datações que tão importante seria para coleccionadores e estudiosos da produção cerâmica da fábrica. A par da conservação dos objectos em depósito, o trabalho de inventariação e sistematização, em sentido lato, é a primeira obrigação de qualquer equipa que trabalhe num museu. É a base fundamental sem a qual é impossível desenvolver um trabalho científico criterioso. Só a partir daí se pode exercer uma actividade honesta e frutuosa de investigação e sequente divulgação pública em exposições e catálogos. Tudo o resto é uma inútil perda de dinheiro sem qualquer valia efectiva para o conhecimento do património nacional existente.