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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Base bolos Colditz AG – Alemanha

Voltamos hoje às bases de bolos com decorações a aerógrafo alemãs, pois a nossa colecção é abundante neste tipo de objectos e poucos temos aqui partilhado.


Placa circular de faiança moldada de rebordo ligeiramente levantado. Sobre a cor branca de base recebeu decoração policroma abstracta de motivos geométricos estampilhados e aerografados em esfumado. A composição é tripartida por segmentos de recta, formando ângulos, a amarelo, que enquadram um conjunto de círculos e cruzes de diferentes tamanhos, a rosa-avermelhado e azul. Rebordo a amarelo igualmente a esfumado. Assenta sobre anel. No fundo da base, carimbo preto 4748 (Decor).
Data: c. 1933
Dimensões: Ø 30 cm


O nome «Colditz» aparece associado a três fábricas da Saxónia. Uma, fundada em 1828, começou por se denominar Keramik Werke Strehla, G.m.b.H., passando a designar-se, em 1927, Steingutfabrik Colditz AG, Abteilung Strehla, na cidade de Strehla an der Elbe, junto ao rio do mesmo nome. As outras duas localizam-se na cidade de Colditz: a Thomsberger & Hermann Steingutfabrik AG, fundada em 1804, e a Steingutfabrik Colditz AG.

De todas mostraremos futuramente peças, mas iniciamos hoje com uma base para bolos da última. A Fábrica de Faiança Colditz AG foi fundada em 1907, e dirigida até 1935 por Otto Zehe. A fábrica foi expropriada em 1948 e foi-lhe dado novo destino. A ela haveremos de voltar com maior notícia.

sábado, 19 de abril de 2014

Base para bolos art déco Max Roesler - Alemanha


Placa circular de faiança moldada (base para bolos), de bordo ligeiramente sobrelevado, com decoração geométrica estampilhada e aerografada. Bordo aerografado a azul em esfumado. No fundo da base, carimbo verde «brasão com rosa», da manufactura Max Roesler, sobrepujando «25» (carimbo usado de 1933 a 1941). Inscrito na pasta, no rebordo lateral, 6525/31.
Data: 1935-37
Dimensões: Ø c. 32,5 cm

Forma nº 6525, cuja composição dentro do abstracionismo geométrico, remete para as influências de Kandinsky e do Suprematismo russo, com o desenho estampilhado a aerógrafo ora bem delimitado pelo recorte da estampilha, nas formas circulares e nos três segmentos de recta amarelos, ora esfumando-se num dos lados nos demais elementos, caso do segmento de recta azul que a secciona a eixo e da forma em S contraponto dos semicírculos apostos.

A marca que ostenta, o "brasão com rosa" sobrepujado por número, sob vidrado em verde-azeitona, é utilizada de 1933 a 1941. A numeração que acompanha este carimbo começa com 11, e atinge, em 1935, o número 20. Em 1937 chega ao 33, sendo o número mais alto registrado o 48. Esta numeração permite, assim, a classificação temporal das peças, e daí a datarmos entre 1935-37. 


Ora esta decoração abstracta levanta-nos algumas questões devido à sua datação tardia, visto ser demasiado vanguardista para o novo gosto oficial dominante, que a partir de 1933 vai reprimir a estética que caracterizou a República de Weimar, e daí, por antítese, ser a nossa escolha para iniciar a amostragem de outras criações que possuímos da empresa. É que se deve a Wolfgang Kreidl (Dresden, 1906 - Wilhelmsburg 1972) a introdução da decoração a aerógrafo na unidade fabril da Max Roesler em Rodach. A decoração aerografada, então em moda em muitas fábricas de cerâmica alemãs, especialmente Waechtersbach, Grünstadt e as fábricas do Grupo Carsten, levou Kreidl a ajustar-se às novas tendências.
Embora a decoração da peça de hoje não seja, em princípio, da sua autoria - outras suas hão-de ser aqui postadas – é herdeira do seu magistério.

Tendo assumido em 1929 a gestão técnica do departamento de Darmstadt (que tinha um caráter mais experimental), após o encerramento deste, passa, em 1931, ao departamento de modelagem da unidade de Rodach, sendo também da sua responsabilidade a elaboração das decorações estampilhadas. Em 1933, casa com Hilde Stade, que viria a morrer no campo de concentração de Theresienstadt. Em Abril de 1934, abandona Rodach e foge para Viena. Em 1938 retorna à Alemanha com documentos falsos e assume a gestão técnica da fábrica de cerâmica "Bergschmied" em Bad Schmiedeberg. Sobreviveu ao regime nazi e retorna em 1947 à Áustria aí morrendo em 1972.

Quanto à fábrica propriamente dita, a sua designação provém de Max Roesler (ou Rösler) (1840-1922), fundador da Porzellan und Feinsteingutfabrik Max Roesler A.G., filho dos actores Otto e Tina Roesler. A fábrica localizava-se em Rodach, na região de Coburgo que hoje está integrada na Baviera.

O registo comercial da companhia data oficialmente de 1894 tendo como objectivo o fabrico, decoração e venda de porcelana e faiança fina. O símbolo escolhido para a marca foi a rosa, remetendo para o nome da família. No ano de 1900 a firma já produzia cerca de 1000 criações próprias que tinha registado.

Após as mortes inesperadas dos seus dois filhos – Max, em 1897, e Heinz, em 1909, – e não tendo sucessores, Roesler decidiu, em 1910, criar uma corporação em que apenas os seus amigos pessoais e os funcionários se pudessem tornar accionistas. Cada acção tinha um valor nominal de 1000 marcos e, no caso dos trabalhadores que não tivessem dinheiro suficiente, podiam associar-se dois a dois para comprar uma acção em conjunto. Estatutariamente 25% dos lucros líquidos seriam divididos pelos funcionários.

Com o eclodir da Grande Guerra, em 1914, a produção foi interrompida, voltando, no entanto, a recomeçar parcialmente no ano seguinte. Metade dos trabalhadores tinham sido chamados ao serviço militar. As dificuldades subsequentes ao fim do conflito levaram Max Roesler em 1919 a vender as suas acções a uma entidade bancária e a retirar-se. No ano seguinte Roesler recebeu um doutoramento honoris causa em Munique, vindo a morrer em 1922.

Pouco tempo depois já a fábrica tinha voltado à sua capacidade máxima de produção. Em 1923 os novos proprietários compraram outra fábrica de cerâmica em Darmstadt e, após uma profunda reconversão reabriram a empresa com a designação de Porzellan und Feinsteingutfabrik Max Roesler AG, Werk Darmstadt. Em 1931, como consequência do colapso do mercado em 1929, a unidade de Darmstadt foi encerrada.

Nunca tendo recuperado totalmente, a fábrica de Rodach, foi colocada à venda em 1938 e, após um pesado projecto de “arianização”, foi adquirida pela Siemens que a vai utilizar como subsidiária na produção de isoladores. Em 1943 fundiu-se com a Siemens.

No pós Segunda Guerra Mundial, a Max Roesler ainda produziu faiança para satisfazer as necessidades locais, tendo parado definitivamente em 1956. No ano seguinte foi comprada por uma empresa francesa, passando a produzir sistemas de ar condicionado para automóveis.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Base para bolos art déco Theodor Paetsch - Alemanha


Base circular de faiança branca de bordo saliente e com duas pegas laterais trilobadas, assente sobre anel alto parcialmente canelado. Decoração estampilhada e aerografada a duas cores, a castanho e a azul-claro em esfumados, formando composição abstracta de motivos geométricos de círculos e ângulos, que tanto surgem isolados, como sobrepostos e desacertados. Bordo e pegas, aerografados no tom castanho. No fundo da base, carimbo castanho de círculo com igreja de duas torres e, inscrito na pasta, 30. Colado, resto de selo de época.
Data: c. 1930
Dimensões: Ø 35,5 cm (c/pegas) x alt. 4 cm

 
A composição, dinâmica, transmite um sentido de profundidade em direcção ao vazio, acentuado pelas formas de cor azul-claro desmaiado. São evidentes as ligações às estéticas vanguardistas da época que tão bem caracterizam a produção da República de Weimar no campo das artes decorativas e que, por esta via, integram uma das vertentes do Art Déco mais modernista. Em nós (e, infelizmente, também em muitos outros colecionadores…) estas cerâmicas utilitárias, de uso corrente, quer pelas formas, quer pelas decorações, simples na técnica e grandes no efeito, exercem um fascínio que não podemos negar.

Dada a altura, este tipo de base de cozinha, para bolos e tartes, é designada em língua alemã por tortentrommel (tambor para bolos), distinguindo-a, assim, das menos espessas tortenplatte, embora para efeitos práticos essa diferenciação pouco adiante relativamente à função pelo que em termos de «etiqueta», enquanto palavra-chave, optámos pela segunda apenas.

Apesar de não ser a primeira vez que postamos peças da fábrica Theodor Paetsch, ainda não tínhamos escrito sobre ela. Chegou hoje a vez de o fazermos.

A Steingutfabrik (fábrica de cerâmica) WE Paetsch foi fundada em 1840 por Wilhelm Eduard Paetsch (1796 -1859) em Frankfurt an der Oder (Francoforte no Oder). Em 1863 passa apenas a Steingutfabrik Paetsch, em resultado de uma sociedade criada pelo filho do fundador, Georg Theodor Paetsch (1833-1890) com Gustav Leopold Selle.
Junto a excelentes vias de transporte – as instalações davam directamente para o rio Oder - a fábrica especializou-se na produção em massa de loiça utilitária para cozinha e mesa e loiça sanitária. Tendo conhecido uma rápida expansão, a partir dos finais do século XIX, vai produzir artigos de baixo custo decorados a estampilha e a aerógrafo de grande difusão nacional e internacional.
Em 1890, após a morte de Georg Theodor Paetsch, seu filho Theodor Friedrich Eduard Paetsch (1867-1939) terá assumido a administração da empresa, sucedendo-lhe no cargo, em 1930, seus filhos Theodor Wilhelm Georg Paetsch (1892-?) e Wilhelm Walter Max Paetsch (1893-1970). Tinha a fábrica já a denominação por que é mais conhecida.
De 1920 a 1942 expôs regularmente as suas colecções na Feira de Leipzig No entanto em 1933 abandonou as formas e decorações vanguardistas, onde predominavam motivos geométricos - quadrados, ângulos, pontos e bandas - que a caracterizaram e de que a base para bolos apresentada é exemplar. Nesse ano passou a uma produção conservadora, tanto ao nível das formas como das decorações, que passaram a apresentar motivos campestres e vegetalistas por imposição do novo poder nacional-socialista.
Entre 1945 e 1953, data da nacionalização pelas autoridades comunistas, terá como administradora Irmgard Paetsch (1898-1988) mulher de Wilhelm Walter. A fábrica encerrou em 1955.

domingo, 19 de maio de 2013

Tigelas art déco decor 510 - Sacavém



De volta à loiça utilitária nacional, hoje mostramos duas tigelas de faiança moldada embora com formas e dimensões distintas da Fábrica de Loiça de Sacavém (FLS). Em ambas, sobre o fundo branco, a decoração bicroma é feita segundo a técnica da estampilha aerografada, numa composição geométrica de quadrados, a castanho-alaranjado, e círculos a verde, intercalados mas desalinhados e ligeiramente e sobrepostos, ambos em dégradé do exterior para o centro, dando uma leitura de tridimensionalidade. Nas duas o bojo, junto ao bocal, é debruado com filete a castanho-alaranjado. 
Data: c. 1930 - 40


A mais pequena (alt c. 9,5 cm - c/tampa - x Ø c. 10,2 cm) apresenta forma de calote esférica assente em pequeno pé contracurvado, correspondente ao “formato francês”, e tampa com decoração idêntica à do bojo cintada por filete castanho-alaranjado que cinge igualmente a pega. No fundo da base, carimbo verde, Gilman & Ctª – Sacavém – Portugal e U.

A de maiores dimensões (alt. c. 8,4 x Ø c. 14 cm), sem tampa (é provável que originalmente tenha tido uma), apresenta um formato diferente, com bojo em calote tendencialmente esférica, mas alongada, que termina numa aresta viva sobre canelura de onde parte o pé curvo. No fundo da base carimbos verde «Made in Portugal» inscrito numa oval, «510» e F.
 
O verbete da FLS que se ilustra, gentilmente cedido pelo Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso (MCS-CDMJA) informa-nos que se trata da decoração «nº 510 para tijelas formato Francez, Lisas e c/ tampa».


Todavia, como se percebe nestes dois exemplares, a decoração foi aplicada em peças que não corresponderão ao dito formato francês, claro apenas no exemplar mais pequeno. Ou será que a fábrica atribuía a mesma designação a modelos com ligeiras variantes? Alguém nos sabe esclarecer?

Esta tigelas com decoração aerografada tiveram um período de produção longa que chegou praticamente à data de encerramento da FLS na década de 80 do século XX, embora com outras marcas.

A decoração demonstra claramente a influência alemã em certa produção portuguesa. Veja-se as semelhanças evidentes com a decoração da base de bolos, sem marca (trata-se de uma peça da fábrica Colditz, decor nº 7568 e forma nº 23) dessa nacionalidade, encontrada na net e que aqui se ilustra.


domingo, 2 de dezembro de 2012

Base para bolos Carstens-Uffrecht 01 - Alemanha


Mais uma peça da fábrica alemã Carstens-Uffrecht, da vertente modernista do Art Déco de filiação Bauhaus. Desta vez uma base circular para tartes e bolos, também de faiança moldada e da mesma cor turquesa do bule, igualmente com decoração aerografada dentro do abstracionismo geométrico de influência kandinskyana que remete para uma ideia de paisagem com poste telefónico. Neste caso, o “solo” ondulado a castanho, o poste telefónico a preto (ou castanho muito escuro) e as pequenas manchas a azul - em duplicado e em espelho aparente e invertido simulando perspectiva - é idêntico ao da jarra de asas helicoidais já mostrada e referida no post anterior. Centro e rebordo da peça aerografados a castanho. A superfície circular assenta sobre anel espesso cuja curvatura estreita em direcção  ao pé e de onde saem as duas asas, de secção triangular, suavemente encurvadas, quase imperceptíveis vistas de cima.No fundo da base, carimbo triangular da Carstens-Uffrecht sobrepujando Dek. 257.
Data: 1931
Dimensões: Ø 31 cm (33 cm c/ asas) x alt. 5 cm



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Base para bolos alemã -Theodor Paetsch



Base para bolos/tartes de faiança moldada, circular com aba ligeiramente levantada e canelada e asas laterais. De base branca recebeu decoração estampilhada e aerografada, bicroma a amarelo e azul-acinzentado, em esfumado. O centro recebeu composição geométrica de faixas tendencialmente triangulares, a azul, que convergem para o meio onde são cortadas por uma faixa em zig-zag, a amarelo, lembrando um raio. Um anel a amarelo circunda a composição, sendo, por sua vez envolvido pelo anel azul da aba. Assenta sobre pé circular ligeiramente saliente. No fundo da base, carimbo encarnado com nºs 3047 e 8 e, inscritos na pasta, círculo com a igreja de duas torres da manufactura Theodor Paetsch e nº 3198.
Data: c. 1930
Dimensões: Ø 34,7 cm (c/pegas)


A propósito da influência do Futurismo na Art Déco, como nos sugeriu a peça postada anteriormente, apresentamos hoje um humilde objecto utilitário e funcionalista, onde, numa composição plasticamente conseguida, a mesma ideia de energia e velocidade, nos é transmitida pelo seu dinamismo gráfico. Nela diversos planos se interseccionam e são cortados pelo raio símbolo da electricidade como sinónimo da modernidade dos novos tempos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Conjunto de base para bolos e caixa boleira art déco modernista com motivo de folhas, Wächtersbach - Alemanha


Caixa (boleira) e base para bolos de faiança moldada e relevada, com decoração estampilhada e aerografada, dentro de uma gramática art déco alemã e do funcionalismo da Bauhaus.
Ambas as peças apresentam composição central de folhas estilizadas, círculos e segmentos de recta sobre dois traços paralelos esfumados, a amarelo e verde, decor nº 3621. Enquanto na superfície restante da base de bolos é toda num sfumato verde pastel, tendo as asas um toque de amarelo, na caixa, embora o tratamento seja idêntico, as faces laterais apresentam dois traços iguais ao da composição principal, e na tampa esses mesmos traços formam dois ângulos salpicados por círculos laranja.
Na base do prato para bolos, inscrito na pasta, o escudo listrado da manufactura de Wächtersbach e DRK8 seguido de 2, mais ténue, depois 9 (?) mais vincado e 3 novamente mais ténue. Carimbo azul com Dec.3621 e 23.
Na base da boleira, inscrito na pasta, o mesmo escudo e 8218 (forma) Carimbo azul com Dec.3621 e 20.
Data: c. 1932
Dimensões da base de bolos: diâm. c/pegas 41,5 cm
Dimensões da caixa: comp 25 cm x larg 11,5 cm x alt 12 cm




Fundada em 1832 pelo príncipe de Isenburg-Wächtersbach, a Wächtersbacher Steingutfabrik G.m.b.H. - fábrica de cerâmica em Schlierbach perto de Wächtersbach, ainda hoje está em funcionamento, tendo sido adquirida pelo grupo Könitz, em 2006. Turpin Rosenthal é o novo dono e continuador do sucesso da empresa.
Foram várias as vicissitudes por que passou ao longo destes quase 200 anos de produção. No período que nos interessa e como consequência da I Guerra Mundial o departamento de arte da Wächtersbach encerrou até 1923.
Embora a utilização da decoração a aerógrafo já fosse utilizada na fábrica desde os inícios do século XX, só a partir de 1927, e sobretudo no ano seguinte, a fábrica começou a explorar comercialmente os efeitos decorativos do esfumado da pintura aerografada, na gradação de cores e novos efeitos estéticos, como elementos em degraus e/ou lineares, destacando-se as composições decorativas geometrizadas. A fábrica seguia, assim, as formas recentes e padrões da tendência geral do design Art Déco aliada à tendência do funcionalismo-construtivista ligado à Bauhaus.
Por um lado é surpreendente a abundância das composições decorativas a aerógrafo aplicadas em formas de uso quotidiano mais decorativo, como jarras, boleiras, pratos para bolos, etc.. Isto porque serviam sobretudo para estarem expostas na sala de estar, enquanto arte moderna. Pelo contrário, os projectos mais vanguardistas, de teor construtivista, aplicados nos serviços de mesa, por exemplo, terão tido menor sucesso comercial junto das massas consumidoras, pelo que, na fábrica, receberam decorações mais simplificadas e lineares.



No início da década seguinte, em 1931, a célebre designer alemã Ursula Fesca (1900-1975), renova e dirige a produção da fábrica, explorando novos caminhos. É desta fase que datam as peças que hoje apresentamos, mantendo as cores pastel e a linearidade anteriores na decoração base, mas com composições vegetalistas estilizadas bem definidas pelo recorte da estampilha, muito ao estilo das criações da nova directora. Estas tendências vão sendo abandonadas ou domesticadas depois de 1933, mas sobretudo a partir de 1935, com o aumento da produção da pintura de flores mais convencional e de padrões considerados mais “dignos” pelos nacionais-socialistas.
Tendo sofrido com a II Guerra Mundial, a fábrica encerra em 1944 para reabrir, dois anos depois, continuando em funcionamento até hoje como já referido.


sábado, 10 de março de 2012

Conjunto de base para bolos e jarra art déco/modernista com motivo de trevos - Villeroy und Boch–Dresden




Embora não tenham carimbos estas peças são da Villeroy & Boch – Dresden, dado termos confirmado com outros exemplos devidamente carimbados.

Placa circular de cerâmica moldada e relevada, lisa com rebordo levantado, de cor branca com decoração geométrica e de folhas estilizadas, estampilhadas e aerografadas, e com duas pegas salientes laterais. Assenta sobre anel recortado, ligeiramente reentrante, que lhe dá espessura lateral. Do bordo, aerografado num tom pastel acastanhado, emergem três conjuntos de triângulos sobrepostos em tons de castanho. Do de maiores dimensões, com 3 triângulos, parte uma folha trilobada e dividida em duas metades, uma castanha, sobre a qual se sobrepõem pequenas cruzes, e outra avermelhada. De um dos dois conjuntos de dois triângulos, nasce uma folha mais pequena e mais simples, ovalada, com a mesma paleta de cores. Na base carimbo preto com nº 7781 (decor).

Jarra de faiança moldada e relevada, em forma de balaústre, de base branca com decoração estampilhada e aerografada igual à da base de bolos. Na base, carimbo castanho com nº 7781 (decor) e, inscrito na pasta, nº 2104 (modelo).
Data: c. 1930
Dimensões da base de bolos: Diâm. c/pegas c. 33 cm
Dimensões da jarra: Alt. c. 14,5 cm



Conjunto de base para bolos e jarra art déco/modernista com motivo de folhas - Villeroy und Boch–Dresden




Placa circular para bolos, de cerâmica moldada de cor branca com decoração estampilhada e aerografada, de três círculos concêntricos, dois a castanho – que englobam as pegas, e envolvem um a amarelo, na periferia e motivo de duas folhas ao centro, em castanhos e vermelho. Na base, carimbo castanho Villeroy & Boch – Dresden – Saxony, e nº 7785 (decor). Inscrito na pasta: 3273 e algo mais não legível

Jarra globular, de faiança moldada de cor branca com decoração estampilhada e aerografada, com o mesmo motivo da base de bolos. Bocal arerografado a castanho esfumando-se a amarelo. No fundo um ténue sfumato amarelo. Na base, carimbo castanho Villeroy & Boch – Dresden – Saxony e nº 7785 (decor).
Data: c. 1930
Dimensões da base: 29,5 cm (31,5 cm com pegas)
Dimensões da jarra: Alt. c. 11 cm x larg. c. 10 cm



 Na sequência do que já dissemos sobre a importância da cerâmica utilitária na expansão do gosto art déco e modernista a partir da década de 20 do século passado, retomamos agora um tema que nos é muito querido e que aflorámos nas bases alemãs para bolos com decoração aerografada.

Tal revolução dá-se na Alemanha com a vulgarização dos ideais da Bauhaus aplicados durante a República de Weimar com intenção de democratizar as vanguardas artísticas que assim, paulatinamente, entravam na vida quotidiana das classes mais desfavorecidas da sociedade alemã. Não nos podemos esquecer que no começo da II Guerra Mundial 42% dos alemães ainda eram camponeses.

A cerâmica barata desempenhou um papel importante na expansão do modernismo na sua vertente art déco graças aos motivos abstractos geométricos que se aplicavam aos objectos de formas simples do quotidiano. A partir de 1925 uma versão mais decorativa e mais comercial da corrente modernista adquire uma certa popularidade na Alemanha, que, no entanto, rapidamente extravasou fronteiras com a exportação de peças para todo o mundo, tendo muitas fábricas noutros países começado a reproduzir e criar a partir destes modelos. Inclusive Portugal, sobretudo na Fábrica de Loiça de Sacavém.
Esta euforia criativa e industrial foi brutalmente estancada com a tomada do poder pelos nazis em 1933. Hitler manda então destruir toda a “arte degenerada”, produzida por “judeus e comunistas”, conceito que também englobou a produção cerâmica que viria a ser destruída nas fábricas. Os modelos que se seguiram passaram a respeitar a tradição nacional germânica de contornos profundamente conservadores. Uma das vertentes das nossas colecções tenta reflectir o espírito do modernismo e da art déco ao tempo da República de Weimar. Curiosamente, no Estado Novo português durante as décadas de 30 e 40 é esta “arte degenerada” que vai ser difundida, como temos vindo a mostrar.

Ora a Villeroy & Boch mostrou-se particularmente prolífica produzindo inúmeros artigos festivos, modernos e coloridos, sobretudo na sua unidade de Dresden, caso das peças que hoje apresentamos.
As origens da Villeroy & Boch remontam a 1748, onde na pequena aldeia francesa de Audun le Tiche, François Boch (1695–1794) instalou uma fábrica de faiança fina de sociedade com os seus três filhos. Mais tarde, em 1766, a sociedade mudou-se para o vizinho Luxemburgo onde abriu uma segunda fábrica em Septfontaines. Em 1809 já tinha também instalado uma outra fábrica no mosteiro de Mettlach, na Alemanha, próxima da fronteira com o Luxemburgo. Em 1836 associou-se a outro rival, Nicolas Villeroy (1759-1843), dando origem à firma Villeroy & Boch, ou V&B, ou simplesmente VB. Em 1851 a nova companhia comprou a fábrica de porcelana de Tournai que mantém até 1871. Outras fábricas foram sendo adquiridas em Schramberg (1883), Torgau (1926), Dresden (1923-1935). A companhia vai ser um caso de sucesso a partir do fim da II Guerra Mundial devido a uma política muito criativa de novos modelos e decorações. Abriu novas fábricas na Bélgica e em França, encerrando, no entanto, a de Septfontaines no Luxemburgo em 2010. O centro de controlo continua em Mettlach.