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sábado, 6 de agosto de 2016

Jarra modelo 148-C - Aleluia - Aveiro


Jarra de faiança moldada, piriforme, com decoração pintada à mão. O bojo pronunciado é pintado no fundo a verde, cor sobre a qual “pende”, como uma cortina de recorte branco debruado a preto, decoração com arabescos neo-renascentistas a branco, realçados a acastanhado e amarelo, em fundo avinhado, que enquadram três medalhões polilobados, orlados a amarelo e acastanhado delineados a preto, que envolvem um cravo aberto cor-de-rosa sobre o qual evoluem enrolamentos de folhagem e outra flor da mesma espécie a abrir. Estrangula num anel relevado preto, de onde parte o gargalo lotiforme, rosa-avinhado em esfumado. O branco do interior morre no bocal curvo debruado a preto, cor também do pé. No fundo da base, carimbos a preto, um circular sobre rectângulo «Aleluia-Aveiro», com algo indecifrável no centro, sobrepujando «Pintura manual» e «Portugal». Pintado à mão, a preto, «148 – C».
Data: c. 1945 - 50
Dimensões: alt. 29 cm


Já aqui tínhamos postado, em 5 de Outubro de 2013, uma jarra modelo 148 mas complementado pela letra «X», correspondente a uma das últimas decorações aplicadas a esta forma.

Tal como então dissemos, no catálogo de loiças decorativas de inícios dos anos 40 a forma nº 148 aparece-nos ilustrada com as decorações «A» e «B», as duas primeiras de toda uma série. Pela lógica sequencial a que hoje se apresenta corresponderá à terceira aplicada a este modelo. Uma outra decoração com cravos já se fazia anunciar num modelo (79-B) mais pequeno no referido catálogo.

A sua decoração é muito eclética nas referências. Um ecletismo tardio e conservador. Encontramos nela laivos de grotescos neo-renascentistas nos arabescos que enquadram os medalhões com sugestões florais ainda de uma certa tradição Arte Nova que Aleluia-Aveiro cultivou até tarde. Depois, em termos técnicos, temos a pintura manual da quase totalidade da peça, excepção feita no gargalo que aparece finamente esfumado a aerógrafo. Digamos que se trata de uma decoração “reacionária” e, não fora tê-la encontrado na Bélgica, talvez nem a tivéssemos adquirido. Mas as colecções também são feitas de acasos, ou de afectos, e neste caso comprámo-la apenas pelo prazer de fazer regressar a casa mais uma peça portuguesa.

Se a memória não nos falha, já por aqui teremos escrito, citando Marc Guillaume, que “conservar é lutar contra o tempo”. Porque está subjacente ao acto de coleccionar o facto de se preservar, sentimos que contribuímos, à nossa pequena escala e parcos recursos, para mantermos acesa essa referência à memória e sentimento de posse colectivos. É que muitas colecções privadas contribuíram no passado, e continuam a contribuir ainda hoje, para dar origem ou engrossar acervos públicos ou de acesso público, ou para integrar exposições temporárias temáticas.


O futuro ditará o destino desta nossa colecção. Talvez nem assistamos ao desfecho, mas gostaríamos que pudesse um dia vir a integrar uma colecção pública. Estamos em crer que contribuiria para um melhor conhecimento da cerâmica decorativa e de uso quotidiano produzida no nosso país na primeira metade do século XX. Um olhar pessoal, certamente, mas será pela soma das partes e pelas diferentes leituras que cada um faz individualmente, que poderemos ter uma melhor interpretação do todo.

Como vivemos inseridos no contexto específico europeu, a transversalidade cultural reflectida nas demais produções deste continente no mesmo período cronológico é absolutamente fundamental para o entendimento geral e daí a nossa preocupação em ir pontuando o nosso acervo com exemplares de outras nacionalidades. É conhecendo os outros que também nos vamos conhecendo a nós próprios.

sábado, 5 de outubro de 2013

Jarra modelo nº 148 - Aleluia - Aveiro


Jarra de faiança moldada, periforme, com decoração pintada à mão. O bojo pronunciado é decorado com faixas torcidas, a cor-de-tijolo e preto intercaladas, com composições vegetalistas espiraladas à maneira dos grotescos renascentistas, separadas por listas brancas. Estrangula num anel relevado branco, de onde parte o gargalo lotiforme cor-de-tijolo. O branco do interior morre no bocal curvo. No fundo da base, carimbos pretos, um circular sobre rectângulo, com «Aleluia-Aveiro», outro, «Made in Portugal hand painted». Pintado à mão, a preto, x, dentro do carimbo circular, e 148 X. No frete, também à mão, outro X.
Data: c. 1940 - 50
Dimensões: alt. 29 cm
 

A forma, que remete para a de algumas peças chinesas, é a nº 148 e a decoração será a X. No Catálogo de loiças decorativas de inícios dos anos 40 aparece a forma nº 148 com outras decorações (A e B) e decoração idêntica surge associada a uma jarra de modelo completamente distinto sob o nº 15 – G (forma e decor). 



Dada a numeração alfanumérica elevada e o não figurar no referido catálogo, poderá indiciar uma forma e decoração da produção de 1935-45 mas já de feitura posterior, possivelmente da segunda metade dos anos 40. Todavia não o podemos afirmar.


De qualquer maneira a decoração aproxima-se também da de uma jarra da Vista Alegre, com marca de 1924 a 1947, que ilustramos, exposta no museu da fábrica e que um amigo nos fez chegar. Tal como já havíamos referido, a proximidade geográfica entre os dois centros de produção cerâmica levava à circulação de técnicos e operários e daí as semelhanças formais e decorativas que se encontram em muitas peças de ambas as proveniências. Continuaremos a mostrar exemplos desta contaminação.


A jarra de hoje tem uma história curiosa, pois chegou às nossas mãos de forma particularmente diferente. Em encontro casual, e dado tratar-se de um conhecido colecionador, conversámos sobre os interesses comuns. Trocámos contactos. Passado uns tempos telefonou-nos dizendo que estava interessado em desfazer-se de um pequeno conjunto de peças. De vez em quando há necessidade de fazer opções, mais que não seja por uma razão tão prosaica como a falta de espaço – também nós já o fizemos com objectos que em determinado momento das nossa vidas fizeram sentido mas que passados uns anos já não era possível manter. Outros há que mesmo já sem fazer qualquer sentido nas colecções os mantemos por razões mais afectivas que racionais.

Ora esta partilha, por troca ou por venda, entre coleccionadores é uma forma excelente de adquirir exemplares que não se possuem. No caso, acabámos por ficar com uma peça de grande qualidade técnica.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Jarra neo-renascentista 2 - Aleluia – Aveiro


Variante da decoração neo-renascentista que ontem apresentámos, esta versão, com a mesma técnica da anterior, apresenta igualmente uma composição de grifos afrontados enquadrando coluna com taça. Todavia, as figuras são mais espessas, mais encorpadas e, no entanto, de aspecto menos feroz. Bocal e base não ostentam qualquer ornamentação, para além de um filete preto no primeriro.
No fundo da base, carimbos a preto «Fábrica Aleluia - Aveiro» e «Fabricado em Portugal», inscritos em rectângulos e 17 inciso na pasta sobrepujando G pintado à mão.
Data: c. 1935 - 45
Dimensões: alt. 18 cm


Singularmente, a jarra apresenta o mesmo número de forma e letra de decoração da anterior, sendo esta, na verdade, bastante diferente. Não figura no Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia. Aveiro, de inícios dos anos 40, e o carimbo também não é igual, ainda para mais acrescido de «Fabricado em Portugal».

A qualidade da pintura e do próprio desenho são manifestamente superiores ao exemplar de ontem, revelando um maior equilíbrio compositivo e maior erudição. Claro que, quanto à qualidade técnica da peça anterior, pode ser apenas um problema do exemplar que possuímos. Talvez a de hoje seja de datação posterior e daí não figurar no referido catálogo. Talvez fosse destinada ao mercado externo. Enfim, questões que ficam em aberto à espera de respostas.


domingo, 25 de novembro de 2012

Jarra neo-renascentista 1 - Aleluia – Aveiro


Jarra de faiança moldada, de forma bulbosa, com decoração tripla de grifos afrontados enquadrando coluna, sobre a qual repousa uma taça com frutos e folhagem. Intercalam, na parte superior, com esta composição neo-renascentista, ao gosto dos grotescos, palmetas, folhas e frutos, que pendem do colo. A decoração é estampilhada a preto sobre o fundo creme, que fica em reserva e que recebeu apontamentos acastanhados e a preto à mão. Bocal e base são ornados com folhas de acanto muito estilizadas. No fundo da base, carimbo preto estampilhado (?) Aleluia Aveiro, e 17 inscrito na pasta sobrepujando G pintado à mão.
Data: c. 1935 - 45
Dimensões: alt. 18 cm



Mais um exemplo de peça de inspiração neo-renascentista, muito comum na produção dos anos 30 e 40, durante o período art déco, da fábrica Aleluia-Aveiro. Esta inspiração não está apenas patente em várias decorações, mas também nas formas, embora seja normal encontrar modelos modernistas assim decorados, como teremos oportunidade de ilustrar. Esta peça figura no Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia. Aveiro, com o nº 17 – G. A mesma decoração também aparece aplicada em versão base de candeeiro, com o nº 84-J do referido catálogo, como se ilustra (forma que já mostrámos com outra decoração: nº 84-G).
 

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ânfora neo-renascentista - Aleluia – Aveiro


Jarra de faiança moldada, em forma de ânfora bojuda, com duas asas e pé saliente circular. Sobre a cor creme de fundo sobressai o friso que cinta o bojo, a preto com decoração estampilhada de grifos afrontados, em cada um dos lados, a amarelo, mel e preto, enquadrado por moldura formada por meios círculos concêntricos e listas, com diferentes espessuras, nas mesmas três cores, motivo que se repete na base. Asas, gargalo e pé com realces a preto. No fundo da base, carimbo preto Aleluia-Aveiro e B pintado à mão também a preto. Inscrito na pasta, 153 (?).
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. c. 20 cm


Peça que se integra no conjunto da produção neo-renascentista realizada durante o período art déco pela fábrica Aleluia-Aveiro. Surpreendentemente esta decoração não aparece no Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia. Aveiro, com os modelos produzidos entre cerca de 1935-45, como temos vindo a ilustrar, embora surja o nº 153-A que aqui mostramos. Até à data é a primeira decoração que possuímos que não figura no referido catálogo.