terça-feira, 11 de junho de 2013

Caneca art déco para menina – S. P. Coimbra


Já que andamos em maré de «articulação bloguista», como diz CMP, hoje decidimos remeter para outro dos blogues portugueses que seguimos, o Arte, livros e velharias. Na sequência da «loiça para crianças» que aí nos é apresentada, desencantámos uma velha caneca de igual temática da S.P. Coimbra.


Trata-se de uma caneca art déco de porcelana moldada, branca, com decoração polícroma e apontamentos a ouro no pé, bordo e asa. A forma remete para o modelo «Angola» já por ambos os blogues apresentado. O modelo polifacetado, com dez faces côncavas, difere desse seu congénere na asa obviamente adaptada a um gosto infantil, representando um cão estilizado. Na face principal, uma menina camponesa com ar reguila olha-nos a partir de um campo com flor. Na face oposta, complementa-se a imagem campestre com uma árvore onde se empoleira um pássaro amarelo. No fundo da base carimbo verde «Coimbra S.P. Portugal» e, inscrito na pasta, «14».
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. 9,5 cm


Não será uma peça de excepção, e muito menos adequada a um chá, mas cheia de leite com Toddy terá feito as delícias da menina que a possuía. Havia outras com decorações mais adequadas a rapazes porque isto da clivagem de sexos era levada a peito na altura. Talvez este outro modelo que igualmente ilustramos, recolhido na net, fizesse parte desse imaginário que se pretendia mais masculino. O achocolatado em pó da marca Toddy começou a ser comercializado em 1930. E, a propósito, «já tomou seu Toddy hoje?» …


segunda-feira, 10 de junho de 2013

Jarra art déco canelada, Belo - Caldas da Rainha


Jarra art déco de pasta cerâmica vermelha (barro), bojuda, canelada na horizontal. A superfície creme recebeu manchas e escorridos a castanho-escuro e castanho-avermelhado sob o vidrado. No fundo da base, carimbo gravado na pasta «Belo – C. da Rainha» (marca de 1927 a 1962) sobrepujado por «440».
Data: c. 1930-40
Dimensões: Alt. 19 cm



O autor da presente jarra, José Avelino Soares Belo (1893-1962), filho do ceramista caldense Avelino António Soares Belo (1872-1927), aprendeu o ofício com o progenitor. Em 1920 fundou a sua própria fábrica. Todavia, após a morte do pai, sete anos depois, regressou à fábrica paterna, que modernizou, vindo a especializar-se em pintura a óleo, em vidrados e terracota.


Mantendo a produção de modelos concebidos pelo pai e criando outros, José Avelino empenhou-se, com sucesso, na produção industrial e comercialização. E se em alguns modelos a criação própria terá sido mais evidente, noutros, como nesta peça, é nítida a adaptação de modelos internacionais, caso da jarra art déco de vidro francesa, que apresentamos, embora com pé. Aliás, este tipo de vidros, com o pé mais escuro, frequentemente preto, muito característico do período art déco, vai ter grande vulgarização na produção vidreira da Marinha Grande constituindo um gosto duradouro no contexto português.

domingo, 9 de junho de 2013

Jarra anos 50 - modelo 741 – Aleluia-Aveiro


Jarra de faiança moldada, pintada à mão, cuja modelação de forma orgânica e assimétrica, deixando um vazio central, sugere uma asa. Três cores lisas contrastantes, preto, branco e laranja contribuem para dinamizar ainda mais a forma. O preto envolve exteriormente a peça enquanto o laranja vibrante preenche a parte central. De permeio branco. O bocal, de rebordo branco, apresenta interiormente lustre a madrepérola acinzentado. No fundo da base carimbos castanhos Aleluia-Aveiro, com «I» preto pintado à mão ao centro, e Fabricado Portugal, inscrito num rectângulo. Igualmente pintado à mão, também a preto, 741-A.
Data: c. 1955-65
Dimensões: Alt. c. 20 cm


Trata-se do modelo «741», e será o primeiro de toda uma série dada a decoração ser a «A», tendo como pintor «I».


A liberdade expressiva, embora contida, da forma escultórica desta jarra, acentuada pela alternância e forte contraste cromático atrai o olhar como um vórtice em direcção ao vazio. A organicidade sempre tão presente na Aleluia-Aveiro em parte da sua produção mais vanguardista nas décadas de 50 e 60 do século passado adquire nesta peça uma componente irónica ao criar um objecto que simultaneamente ganha uma leitura dúplice de jarra e jarro, situação que se aplica igualmente a outra peça apresentada em 16 de Setembro de 2012 que optámos por integrar no grupo dos jarros.


Veja-se ainda a propósito deste tipo de formas o texto e imagens publicados ontem por CMP que nos inspiraram a escolher a peça de hoje.



sábado, 8 de junho de 2013

Jarra “Portugália” art déco – Sacavém



Mais uma decoração, desta vez assumidamente art déco, aplicada a uma jarra formato Portugália, de faiança moldada, vidrada a branco com decoração a preto e ouro. Composições vegetalistas e geométricas, segundo a técnica da estampilha aplicada manualmente sobre o vidrado, a preto, receberam complementos a ouro. No centro do bojo destaca-se, nas duas metades, em simetria, uma haste curvilínea que, partindo de um conjunto de folhagem geometrizada em triângulos subindo da base, desabrocha em flores e folhas. Do gargalo pendem dois grupos de triângulos alongados que, lateralmente. enquadram a composição. O gargalo, pintado igualmente sobre o vidrado, é cintado a preto com reserva a meio que recebeu filete a ouro. No fundo da base carimbo verde Gilman – Sacavém. Inscrito na pasta, à mão, JL.
Data: c.1930 - 35
Dimensões: alt. c. 20 cm


domingo, 2 de junho de 2013

Caixa art déco da Zeh, Scherzer & Co., Rehau – Alemanha


Caixa art déco de porcelana moldada e relevada, de cor branca com decoração estampada vegetalista e geométrica estilizada a azul, vermelho e ouro. A taça apresenta forma cilíndrica cortada horizontalmente por duas pequenas caneluras realçadas por filetes a ouro que enquadram um friso central com a referida decoração floral distribuída regularmente em três partes, sendo duas iguais entre si e uma distinta. Afunila, em curva, na extremidade inferior onde repousa sobre pé reentrante. A tampa, em calote ligeira, é decorada por composição estampada vegetalista e geométrica repetida três vezes. No centro da tampa sobressai nova calote, base da pega troncocónica rematada em botão e relevada lateralmente de forma assimétrica, com realces a ouro. No fundo da base carimbo verde ZehScherzer – Bavaria sobrepujado por coroa. Pintado à mão, a ouro, 01871 e 45
Data: c. 1930
Dimensões: c. 13 cm x c. 15 cm



Trata-se da decoração nº 01871 aplicada a uma caixa decorativa do modelo «Irma», da fábrica de porcelana Zeh Scherzer & Co., em Rehau, como se pode constactar na folha de catálogo de cerca de 1930, que se reproduz. Note-se que todos os modelos nela exibidos têm nomes de mulher, situação comum aplicada a muita da cerâmica decorativa e utilitária produzida na Alemanha nos anos 20 e 30 do século XX. Sobre a Zeh Scherzer já escrevemos anteriormente.


sábado, 1 de junho de 2013

Gato art déco da Lusitânia - Coimbra


Peça de faiança moldada representando um gato sentado, de cor creme com apontamentos a preto. A expressão do focinho suspensa entre o surpreso assustado e triste, mas simultaneamente cómica. No fundo da base, carimbo azul Lusitania Coimbra e inscrito na pata nº 170 (?).
Data: c. 1930
Dimensões: alt. c. 10,2 cm x comp. 9 cm x larg. c. 4,5 cm


As vicissitudes do tempo não foram muito clementes para com esta pequena peça decorativa que chegou às nossas mãos colada no pescoço e na cauda. Cá está, por vezes compra-se (quando o preço o justifica, claro, e que neste caso foi irrisório) uma peça partida ou mais gasta, sempre na expectativa de um dia encontrar um exemplar em melhores condições, desde que ilustre a produção nacional do período e da sensibilidade estética que nos importa ilustrar.


Apesar do aspecto menos alegre, diríamos mesmo infeliz, deste gato produzido pela Lusitânia-Coimbra, encontramos nele algum eco do célebre Gato Felix (Felix the Cat), personagem do cinema de animação do tempo do cinema mudo e da BD norte-americana criada em 1919. Terá sido concebido pelo cartoonista norte-americano Otto Messmer (1892 - 1983) para o estúdio nova-iorquino de Pat Sullivan (1887 Austrália – 1933 EUA), embora este último, produtor cinematográfico e também cartoonista, desde logo tenha reivindicado a sua criação. O sucesso estrondoso do boneco no meio cinematográfico entrou em declínio com o sonoro, e a partir de 1930 acabou por praticamente desaparecer. Na década de 50 passou a ser redesenhado por Joseph "Joe" Oriolo (1913 – 1985), que lhe deu novo fôlego tanto na BD como na televisão. Este cartoonista foi o criador de outra personagem da BD de grande sucesso, Casper the Friendly Ghost (Gasparzinho).