quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Prato art déco “Le Coq D’Or” - Lunéville K et G - França


Começa a ser tradição não termos possibilidade de postar no dia de aniversário do nosso blogue que ontem devíamos ter celebrado. Contingências da vida e do trabalho …

As soluções simples e decorativas concebidas por Géo Condé (1891-1980), a quem está atribuído este prato, integram-se na renovação da produção cerâmica do pós I Guerra Mundial. O estilo Géo Condé marcou a produção cerâmica das fábricas da região de Lunéville. Este foi o artista emblemático francês que privilegiámos na nossa colecção internacional dedicada à cerâmica aerografada, como contraponto à produção germânica que tende a investir em soluções mais vanguardistas como temos vindo a mostrar e escrever. São duas vertentes que nos ajudam a situar a produção portuguesa aerografada no contexto europeu da época. Por isso o elegemos para comemorar o segundo aniversário do blogue. É verdade que podíamos ter escolhido outra peça mais sofisticada deste criador polifacetado, mas um singelo prato de servir à mesa pareceu-nos adequado.


Decorada com base na pintura a aerógrafo aplicada sobre estampilha, esta produção rápida e barata, utilitária e funcional é, simultaneamente, bonita, moderna e, quantas vezes mesmo, refinada. Encontrou consumidores em todas as classes sociais e hoje é alvo de uma legião de admiradores, onde nos incluímos, que se fascinam pela simplicidade aparente da sua execução. Na verdade a técnica é muito simples, depois é só uma questão de mestria na aplicação da cor com o aerógrafo.


Trata-se de um prato art déco, de sopa, de um serviço de mesa, de faiança moldada, com decoração estampilhada e aerografada policroma. O covo é totalmente preenchido por composição estilizada com motivo de galo alaranjado, com apontamento de penas a vermelho-acastanhado, cor também da crista, bico e carúncula. O galináceo está empoleirado num ramo de videira com folhas, gaivinhas e cacho-de-uvas, a azul com apontamentos a castanho nas primeiras. A aba é decorada por duas faixas, com lista central ondeada alaranjada (só aparentemente contínua) envolvida por segmentos curvos a azul - uma junto ao início do covo, outra mais perto do bordo. No fundo da base, carimbo verde K & G - Lunéville France sobrepujado por cartela curva com «Le coq d'or». Inscrito na pasta 6 (?).
Data: c. 1925 - 30
Dimensões: Ø 24 cm


Prato idêntico figurou na exposição – Julho e Agosto de 2011 - dedicada a a Géo Condé, organizada por Bertrand Schuhmacher, em Magnières, com peças provenientes de coleccionadores, por ocasião do centésimo vigésimo aniversário do nascimento do artista.

domingo, 3 de novembro de 2013

Taça anos 50 - Aleluia - Aveiro


Peça de faiança moldada, em forma de calote abatida assente sobre pé muito curto recuado. A decoração, abstracta e orgânica, é policroma e estampilhada à mão sobre fundo branco. No interior ressalta uma estrela de cinco pontas, (seguramente uma estrela-do-mar estilizada) concebida pela sobreposição de duas estrelas, uma pequena, a preto, sobre outra maior, a branco, com as extremidades pontilhadas a amarelo-torrado, que marca o centro do covo. A estrela repousa sobre uma mancha informe verde (talvez uma alga) que sobressai do branco em reserva, por sua vez rodeado de preto que alastra até ao bordo. No exterior, sobre a cor branca, partindo do pé, uma mancha preta de recorte ondeante muito pronunciado, como algas flutuando em direcção ao bordo. No fundo da base, carimbo preto «Aleluia Aveiro» com «. .» pintados à mão, a preto, sobrepujando carimbo da mesma cor «Made in Portugal»«Hand Painted», e, à mão, a preto, 544 - A.
Data: c. 1955 - 65
Dimensões: Ø 17 cm x alt. 5,5 cm


Mais uma vez o mar, ou que nele habita, como fonte de inspiração para a decoração da cerâmica produzida pela Aleluia-Aveiro. Embora não estejamos perante uma peça que integre as chamadas freeforms, a plasticidade orgânica da pintura para elas remete. As contrastantes cores planas oferecem-nos uma composição que pende para o abstracionismo - mas onde se reconhecem animais (a estrela-do-mar) e plantas (as algas) - e alteram totalmente a leitura de uma forma convencional e estática.


CMP publicou, em 10 de Novembro de 2011, duas formas (526-A e 531-A), que ilustramos. Embora mais livres e orgânicas, pela paleta cromática e sequência alfa-numérica essas peças poderão integrar a mesma série da presente taça. Até porque a forma 526-A é baseada num búzio.


sábado, 2 de novembro de 2013

Tigelas art déco decor 1009 - Sacavém


Duas tigelas de faiança moldada da Fábrica de Loiça de Sacavém (FLS) com formas e dimensões distintas mas de decoração idêntica. Em ambas, sobre o fundo branco, o motivo decorativo é estampilhado e pintado a aerógrafo, com composição vegetalista estilizada, ao gosto art déco, representando uma sequência, em friso, de amoras maduras, a azul muito escuro, com folhas verdes. O desenho é claramente delineado pelo recorte da estampilha, com cores planas bem evidenciadas, em contraste com o bordo aerografado a azul-claro que, em esfumado, se sobrepõe parcialmente ao friso decorativo.
Data: c. 1930 - 40


A mais pequena (alt. 5,6 cm x Ø 9 cm) apresenta forma de calote esférica assente em pequeno pé contracurvado, correspondente ao “formato francês. No fundo da base carimbos a verde «Gilman e Ctª Sacavém Portugal», «1009» e «I»(?).

A de maiores dimensões (alt. 9,7 cm x Ø 20 cm), apresenta bojo em calote tendencialmente esférica, abatida, assente em pé contracurvado. No fundo da base carimbo verde «Gilman e Ctª Sacavém Portugal». «1009» e «E». Inscrito na pasta «4’» (?) e mais caracteres ilegíveis.


Segundo o verbete da FLS que se ilustra, cedido amavelmente pelo Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso (MCS-CDMJA), trata-se da decoração «nº 1009 para tijelas e tijelões com ou sem tampa».

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Caixa de chá de Paul Speck (2) - Karlsruhe


Em 13 de Junho de 2012 publicámos modelo idêntico de caixa de chá, com outra decoração, criado pelo designer suíço Paul Speck para a Karlsruher Majolika-Manufaktur, na Alemanha.


Sem querer repetir o que então escrevemos, reforçamos a ideia da rectilinearidade das linhas e do funcionalismo de inspiração Bauhaus patente numa peça cujo despojamento resulta num objecto requintado de uso quotidiano muito alegre e moderno. A sua funcionalidade parte mais da concepção ao nível do desenho do que da prática utilitária da sua forma dado que a pega, elegante mas diminuta, é uma armadilha escorregadia mesmo para os mais delicados dedos femininos.


Para além da decoração, que tem qualquer coisa de orientalizante, fazendo lembrar vagamente os trabalhos de Isnik, também ao nível da pasta cerâmica assim como das dimensões, a peça de hoje é diferente. A faiança utilizada é o barro vermelho, e a forma paralelepipédica é pintada à mão, vidrada e craquelé. Embora mantendo as linhas horizontais, que já se encontravam presentes no exemplar anteriormente mostrado, estas diluem-se com a pintura abstracta a dois tons de azul e manganês, formando uma padronagem livre, de pendor vegetalista, como se se tratasse de fiadas de grandes folhas azuis e flores pontilhadas numa estratigrafia de quatro camadas. A tampa rectangular é decorada ao centro, envolvendo a pequena pega, com as mesmas cores e desenho do contentor. Retirada a tampa, uma divisória interna, onde encaixa a tampa doseadora que permite retirar o chá, é igualmente pintada à mão, com as mesmas cores, embora com outro desenho. Tanto esta tampa doseadora como o encaixe da tampa principal, como, aliás, todo o restante interior, são de barro vermelho apenas vidrado. Na altura em que postámos o primeiro exemplar de caixa de chá de Speck mostrámos uma fotografia de catálogo de época que permitia ver o interior da peça em corte. No fundo da base, pintados à mão a manganês, o símbolo da Karlsruher Majolika-Manufaktur e uma espécie de pássaro pousado, de longa cauda, assim como, colada, a etiqueta original de papel com a marca da fábrica e, escrito à mão, o número de série 1607.
Data: 1924
Dimensões: Alt c. 10,5 cm x comp. 12,5 x larg. 7 cm