sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Par de jarrinhas-solitário art déco – Aleluia-Aveiro


Na sequência da peça de ontem, porque idênticas na forma, apresentamos um par de jarrinhas-solitário, com decoração estampilhada vegetalista estilizada ao gosto art déco. Do gargalo, cintado por uma sequência de faixas e filetes, pendem, sobre o bojo, flores circulares e folhas a preto e castanho pálido, assim como gavinhas espiraladas a castanho-mel. Estas últimas fazem lembrar os bordados de Viana do Castelo. Apesar de idênticas, existem subtis diferenças entre ambas, tanto ao nível do tamanho como das tonalidades cromáticas. No gargalo da maior, a única lista colorida é cinzenta e na mais pequena é castanho pálido. No fundo da base da maior, pintado à mão a preto Aleluia Aveiro e, inscrito na pasta, 54 e A pintado à mão também a preto. No fundo da base da mais pequena, pintado à mão a preto, F. A. seguindo de 54 inscrito na pasta e A pintado à mão a preto.
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. 7,5cm e 8 cm



A estilização das flores desta peça aproxima-se das de uma outra jarra aqui ilustrada em 1 de Outubro de 2012.


Surge ilustrada no catálogo de louças decorativas das Fábricas Aleluia- Aveiro, de inícios dos anos 40 sob o´ Nº 54 – A, onde aparece mencionada com a altura de 7 cm…

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Jarrinha-solitário neo-grega – Aleluia-Aveiro


Jarrinha de faiança moldada, piriforme, de cor creme, com decoração neo-grega estampilhada manualmente, a preto e castanhos, numa sucessão de três frisos, sendo o principal, ao centro, na parte mais larga do bojo, formado por ornatos em meandro quadrado. Junto à gola e à base faixas pretas. No fundo da base, carimbo preto, Fábrica Aleluia - Aveiro inscrito num rectângulo, e, pintado à mão, a letra B. Inscrito na pasta «54»
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. 7,5 cm


Mais uma vez a presença da Antiguidade Clássica, no caso a herança da Grécia Antiga, nos ornatos que cingem a pequena peça. Este gosto revivalista caracterizou uma certa tendência art déco muito particular que a fábrica Aleluia-Aveiro imprimiu a alguma da sua produção dos anos 30, como já tivemos oportunidade de referir.

Trata-se do modelo Nº 54 – B, ilustrado no catálogo de louças decorativas das Fábricas Aleluia- Aveiro, de inícios dos anos 40, com a paleta de cores muito característica a que esta fábrica nos habituou para o período em questão.


quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Caixa de Martha Katzer - Karlsruhe


Caixa, provavelmente uma boleira, de faiança moldada de cor marfim com decoração geométrica aerografada. A taça, em forma de calote abatida, é decorada por faixas intercaladas a amarelo e verde, aerografadas em esfumado, e assenta sobre pequeno pé em anel aerografado a verde. Tampa circular quadripartida lateralmente pelas referidas cores ficando em reserva um quadrado central em cujo eixo sobressai a pega, em forma de anel, repousando numa pequena base rectangular saliente, aerografada a verde. No fundo da base, carimbo inscrito na pasta com o símbolo da Karlsruher Majolika Manufaktur, e carimbos a azul 2676/61 (modelo) e Germany. Visíveis os sinais da trempe.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt 8 cm x Ø 17,5 cm


Esta caixa é da autoria de Martha Katzer (1897 - 1946) que trabalhou para a fábrica de Karlsruhe de 1922 até os anos quarenta. Podem ver esta forma, em outra versão cromática na colecção Cooper-Hewitt, no NationalDesign Museum, em Nova Iorque. É outro dos nossos designers cerâmicos favoritos a laborar nesta fábrica.


Sobre a formação de Martha Katzer pouco se conhece. Todavia, a sua obra artística, quer na concepção de formas quer na decoração, é extremamente inovadora e prolífera, tendo criado uma estética funcionalista bauhausiana, uma das vanguardas que foram pondo em causa o Art Déco internacional.

Sabe-se que começou como pintora no estúdio de Ludwig König (1891 - 1974). Este reputado ceramista e designer industrial, membro da Deutscher Werkbund, foi aluno e discípulo do artista Richard Riemerschmid que o recomendou para dirigir o estúdio da escultura cerâmica de Karlsruhe, cargo que desempenhou de 1922 a 1929.


Em 1926 Katzer aparece pela primeira vez com peças criadas por si - jarras decoradas por um padrão linear que lhe é característico, de grandes faixas e linhas finas aplicadas sob vidrado. A partir deste momento a sua actividade e criação vão determinar uma grande parte da produção em série da fábrica que nos finais da década se caracteriza por objectos com decoração estampilhada e aerografada, aliando qualidade plástica, artística e industrial em produtos de baixo preço para atender às necessidades de consumo das massas. 


Paralelamente a esta produção, vai desenvolver, no início da década seguinte, outros objectos mais refinados e elitistas em colaboração com Gerda Conitz. Haveremos de voltar a este tema.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Jarra art déco P. Bastard - Paris


Jarra art déco de porcelana moldada, em forma de balaústre, com decoração vegetalista. A cor azul de fundo terá sido aplicada a aerógrafo sobre estampilha, que deixou em reserva o branco das flores. A restante pintura, a preto, foi aplicada à mão, eventualmente com recurso também a estampilha, sobre o vidrado. A decoração restringe-se a uma única face, com o bojo a apresentar uma ondeante sobreposição de estilizadas flores brancas e azuis, parcialmente contornadas a preto, que se prolongam, subindo em falsa perspectiva, até ao bocal cintado a preto. Folhas pretas, esparsas, ladeiam as flores. A decoração reduzida a uma única face remete ainda para uma permanência de uma estética japonizante. Lateralmente apresenta a assinatura da autoria da decoração, E. Margerie. No fundo da base, à mão, a preto, silhueta de um cisne e P. Bastard Paris.
Data: c. 1925 - 30
Dimensões: alt. 21 cm


P. Bastard corresponde ao editor de objectos decorativos Georges Bastard (1881-1939), que participou nas exposições de 1925 e 1937e também um importante criador de objectos decorativos Art Nouveau e Art Déco em França. Em 1935 torna-se director da Escola Nacional de Artes Decorativas de Limoges e curador do Museu Adrien-Dubouché. Em 1938 é nomeado Diector da Manufactura Nacional de Sèvres. E. Margerie foi responsável pela decoração da maioria das peças editadas por Bastard.


Foi o acaso que nos fez encontrar recentemente, neste mês de Agosto, a peça, em Lisboa, na Feira da Ladra. Um elo perdido importante para melhor compreendermos a rede de influências na produção nacional quando a bibliografia é escassa ou inexistente.
São por demais evidentes as afinidades decorativas desta jarra com uma outra produzida pela Vista Alegre que mostrámos no passado dia 28 de Março deste ano. Se à data nada sabíamos sobre a sua autoria ou datação, tendo então mesmo sido aventado um «vago paralelismo» com peças de Eva Zeisel para a fábrica alemã Schramberg, a peça de hoje esclarece-nos com toda a certeza que se trata de uma origem francesa, concebida ao nível da decoração, e possivelmente também da forma, por E. Margerie para Bastard-Paris. 
São as consequências de temos descurado nos últimos tempos esta nossa procura de objectos em solo nacional. Isto é, não temos tido disponibilidade para fazer os trabalhos de casa, como, aliás, também este blogue se tem ressentido.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ainda a propósito da escultura de corça art déco da Aleluia-Aveiro


A figurinha de jovem corça art déco que publicámos em 11 de Março de 2012, modelo nº 129 A da Aleluia-Aveiro, e que agora retomamos, revelou-se ser uma criação de 1925 do escultor alemão Fritz von Graevenitz (1892 – 1959) editada pela fábrica Rosenthal. É mais uma prova da importante influência que a produção cerâmica alemã teve em Portugal.


Graevenitz terá trabalhado para a Rosenthal de 1924 a 1934 para cujo departamento de arte, em Selb, concebeu dezassete esculturas de animais, entre as quais se conta o modelo nº 806, com cerca de 9,5 cm de altura, que hoje apresentamos, ligeiramente maior que o exemplar português. 


Em todas as variantes cromáticas aqui ilustradas, retiradas do eBay alemão e americano, o pedestal tem incisas as iniciais do artista: «F. G». A Rosenthal continuou a produzir o modelo muito depois da data da sua criação, coincidindo com a edição no nosso país onde terá sido fabricada até à década de 50 do século passado.