terça-feira, 13 de março de 2012

Par de pombos art déco craquelé de Ventrillon – Saint-Clément - França




Ampara-livros de faiança moldada e craquelé, de cor marfim, em forma de pombo estilizado ao gosto art déco, de peito cheio e cauda em leque. Temos dúvidas quanto à sua função dado que terá sido concebido como escultura isolada. Inscrito na pasta, na lateral do soco, VENTRILLON, pouco visível dada a espessura do esmalte. Peça oca em cujo interior se pode ver carimbo verde St Clément – Made in France (um dos pombos apresenta o mesmo carimbo em duplicado)
Data: c. 1930
Dimensões: alt. c. 18,5 x comp. c. 15, 5 cm

Este pombo, apresentado no catálogo de 1930 da fábrica francesa Saint-Clément, da autoria de Charles Ventrillon-Horber (1899-1977?), é, a par do peixe de Lejan e dos veados de Lemanceau, já mostrados, um dos mais difundidos craquelés animalistas que se conhecem. Contudo, será a única escultura de animal, na sua produção de craquelés, concebida pelo autor que trabalhou assiduamente para a manufactura de Saint-Clément. Apesar de vulgar, este pombo é filho único. É já ser qualquer coisa!

C. Ventrillon, que foi aluno de Jean Paul Laurens (1838-1921), foi também pintor que expôs nos vários salons parisienses a partir de 1922. Recebeu menções honrosas, o prémio Thirion, em 1930, e uma medalha de prata, em 1931. Quando foi convidado a colaborar com aquela manufactura já não era de todo um desconhecido.

Ao par de pombos comprámo-lo caríssimo para os preços de hoje, em Paris, no Marché aux Puces de St Ouen, numa altura em que pouco ou nada sabíamos destas coisas. Demos graças a Santa Internet que muito contribui para a verdade do valor comercial das peças.


domingo, 11 de março de 2012

Escultura de corça art déco, modelo nº 129 A – Aleluia-Aveiro




Pequena escultura de faiança craquelé moldada em forma de corça, de cor marfim mate sobre soco a ouro onde desponta vegetação estilizada. Toda a figura remete para uma estética art déco. Na base, pintado à mão, a ouro, Aleluia – Aveiro, x 129 – A e «
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. 9,3 cm

 Na sequência do post de MAFLS, e porque apresentámos o mesmo motivo animal aplicado na jarra Aleluia-Aveiro anterior, achamos pertinente apresentar este outro modelo de corça, de datação anterior, mas com acabamentos semelhantes.
Esta graciosa escultura, que aparece referenciada no Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia. Aveiro, de inícios da década de 1940, pág. 28, sob o nº 129, foi adquirida num leilão virtual, embora a um vendedor a quem também adquirimos peças em feiras de velharias.
Percorrer estas feiras, lojas e leilões reais e virtuais é sempre um prazer renovado. E tanto se pode ficar feliz porque se adquiriu o objecto desejado, como se pode ficar frustrado porque as finanças não estavam à altura.


sábado, 10 de março de 2012

Jarra art déco com corças nº 86 A – Aleluia-Aveiro




Jarra de faiança moldada em forma de cabaça, com duas pequenas asas no estrangulamento do gargalo. De cor creme com apontamentos aguados de castanho, apresenta decoração estampilhada e estilizada de corças e flores numa gramática art déco. O bojo é cintado por um friso seccionado em quatro quadros, de fundos aguados de castanho e demarcados por molduração de listas pretas, onde intercalam, duas a duas, uma corça pastando e uma flor. Na parte superior do gargalo, num friso contínuo de fundo igualmente aguado a castanho, recortam-se silhuetas de corças que intercalam com duplos montículos de vegetação geometrizada em triângulos. Ambos os frisos são enquadrados por fiadas de filetes pretos que aparecem também no pé ligeiramente saliente. Na base, pintado à mão a preto, Aleluia Aveiro e A. Inscrito na pasta o nº 86
Data: c. 1935 - 45
Dimensões: alt. 19 cm

Gráfica na sua expressão decorativa, como, aliás, muita da cerâmica da Aleluia-Aveiro neste período, esta será uma peça entre dois universos estéticos, por um lado a decoração animalista e floral art déco e a forma ainda a remeter um pouco para a Arte Nova. Na pág. 12 do Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia, já citado, a jarra aparece referenciada com o Nº 86 – A


Conjunto de base para bolos e jarra art déco/modernista com motivo de trevos - Villeroy und Boch–Dresden




Embora não tenham carimbos estas peças são da Villeroy & Boch – Dresden, dado termos confirmado com outros exemplos devidamente carimbados.

Placa circular de cerâmica moldada e relevada, lisa com rebordo levantado, de cor branca com decoração geométrica e de folhas estilizadas, estampilhadas e aerografadas, e com duas pegas salientes laterais. Assenta sobre anel recortado, ligeiramente reentrante, que lhe dá espessura lateral. Do bordo, aerografado num tom pastel acastanhado, emergem três conjuntos de triângulos sobrepostos em tons de castanho. Do de maiores dimensões, com 3 triângulos, parte uma folha trilobada e dividida em duas metades, uma castanha, sobre a qual se sobrepõem pequenas cruzes, e outra avermelhada. De um dos dois conjuntos de dois triângulos, nasce uma folha mais pequena e mais simples, ovalada, com a mesma paleta de cores. Na base carimbo preto com nº 7781 (decor).

Jarra de faiança moldada e relevada, em forma de balaústre, de base branca com decoração estampilhada e aerografada igual à da base de bolos. Na base, carimbo castanho com nº 7781 (decor) e, inscrito na pasta, nº 2104 (modelo).
Data: c. 1930
Dimensões da base de bolos: Diâm. c/pegas c. 33 cm
Dimensões da jarra: Alt. c. 14,5 cm



Conjunto de base para bolos e jarra art déco/modernista com motivo de folhas - Villeroy und Boch–Dresden




Placa circular para bolos, de cerâmica moldada de cor branca com decoração estampilhada e aerografada, de três círculos concêntricos, dois a castanho – que englobam as pegas, e envolvem um a amarelo, na periferia e motivo de duas folhas ao centro, em castanhos e vermelho. Na base, carimbo castanho Villeroy & Boch – Dresden – Saxony, e nº 7785 (decor). Inscrito na pasta: 3273 e algo mais não legível

Jarra globular, de faiança moldada de cor branca com decoração estampilhada e aerografada, com o mesmo motivo da base de bolos. Bocal arerografado a castanho esfumando-se a amarelo. No fundo um ténue sfumato amarelo. Na base, carimbo castanho Villeroy & Boch – Dresden – Saxony e nº 7785 (decor).
Data: c. 1930
Dimensões da base: 29,5 cm (31,5 cm com pegas)
Dimensões da jarra: Alt. c. 11 cm x larg. c. 10 cm



 Na sequência do que já dissemos sobre a importância da cerâmica utilitária na expansão do gosto art déco e modernista a partir da década de 20 do século passado, retomamos agora um tema que nos é muito querido e que aflorámos nas bases alemãs para bolos com decoração aerografada.

Tal revolução dá-se na Alemanha com a vulgarização dos ideais da Bauhaus aplicados durante a República de Weimar com intenção de democratizar as vanguardas artísticas que assim, paulatinamente, entravam na vida quotidiana das classes mais desfavorecidas da sociedade alemã. Não nos podemos esquecer que no começo da II Guerra Mundial 42% dos alemães ainda eram camponeses.

A cerâmica barata desempenhou um papel importante na expansão do modernismo na sua vertente art déco graças aos motivos abstractos geométricos que se aplicavam aos objectos de formas simples do quotidiano. A partir de 1925 uma versão mais decorativa e mais comercial da corrente modernista adquire uma certa popularidade na Alemanha, que, no entanto, rapidamente extravasou fronteiras com a exportação de peças para todo o mundo, tendo muitas fábricas noutros países começado a reproduzir e criar a partir destes modelos. Inclusive Portugal, sobretudo na Fábrica de Loiça de Sacavém.
Esta euforia criativa e industrial foi brutalmente estancada com a tomada do poder pelos nazis em 1933. Hitler manda então destruir toda a “arte degenerada”, produzida por “judeus e comunistas”, conceito que também englobou a produção cerâmica que viria a ser destruída nas fábricas. Os modelos que se seguiram passaram a respeitar a tradição nacional germânica de contornos profundamente conservadores. Uma das vertentes das nossas colecções tenta reflectir o espírito do modernismo e da art déco ao tempo da República de Weimar. Curiosamente, no Estado Novo português durante as décadas de 30 e 40 é esta “arte degenerada” que vai ser difundida, como temos vindo a mostrar.

Ora a Villeroy & Boch mostrou-se particularmente prolífica produzindo inúmeros artigos festivos, modernos e coloridos, sobretudo na sua unidade de Dresden, caso das peças que hoje apresentamos.
As origens da Villeroy & Boch remontam a 1748, onde na pequena aldeia francesa de Audun le Tiche, François Boch (1695–1794) instalou uma fábrica de faiança fina de sociedade com os seus três filhos. Mais tarde, em 1766, a sociedade mudou-se para o vizinho Luxemburgo onde abriu uma segunda fábrica em Septfontaines. Em 1809 já tinha também instalado uma outra fábrica no mosteiro de Mettlach, na Alemanha, próxima da fronteira com o Luxemburgo. Em 1836 associou-se a outro rival, Nicolas Villeroy (1759-1843), dando origem à firma Villeroy & Boch, ou V&B, ou simplesmente VB. Em 1851 a nova companhia comprou a fábrica de porcelana de Tournai que mantém até 1871. Outras fábricas foram sendo adquiridas em Schramberg (1883), Torgau (1926), Dresden (1923-1935). A companhia vai ser um caso de sucesso a partir do fim da II Guerra Mundial devido a uma política muito criativa de novos modelos e decorações. Abriu novas fábricas na Bélgica e em França, encerrando, no entanto, a de Septfontaines no Luxemburgo em 2010. O centro de controlo continua em Mettlach.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Caixa anos 50 - Aleluia-Aveiro




Caixa de faiança moldada, em forma de urna, com decoração aerografada de azul forte mate sobre o qual se aplicou um cinzento brilhante, também a aerógrafo, que provocou escorridos que se misturaram com a cor de fundo. No interior foi igualmente aplicado o mesmo azul. Na base, pintado à mão, Aleluia e 990 (segundo informação de CMP, a quem agradecemos, este será o número correcto já que na peça está esborratado e parecia 090).
Data: c. 1955-60
Dimensões: alt. c. 25 cm

É uma peça muito particular ao nível da decoração e a única do género que até agora conhecemos. Talvez seja um trabalho experimental que não terá tido seguimento. Aliás, esta mesma forma será mais comum encontrar-se com as cores e decorações estridentes habituais na produção da Aleluia-Aveiro da segunda metade dos anos 50, como se pode ver neste exemplar, fotografado numa feira de rua, há décadas, e daí a má reprodução fotográfica que se segue. Esperemos que algum dos nossos leitores nos esclareça sobre este tipo de produção. (Graças à amabilidade de um coleccionador acrescentámos, em 12 de Abril de 2012, fotografia com melhor definição).

Tratar-se-á de uma boleira. Todavia, dado pretendermos mostrar vários tipos de caixas, de diversas décadas e diferentes decorações e materiais cerâmicos, sejam elas boleiras, bomboneiras, biscoiteiras, drageoires, cigarreiras, guarda-jóias, etc., optámos pelo termo genérico «caixa».

terça-feira, 6 de março de 2012

Jarra globular oitavada art déco - Longwy




Peça de cerâmica moldada, oitavada, esmaltada craquelé, com decoração vegetalista e geométrica policroma, de forma globular, assente sobre pé, com bocal saliente muito pronunciado. Quatro panos, de fundo branco, com decoração geométrica de losangos a cor de mel, intercalam com igual número de panos de fundo azul forte, com decoração de flores de corolas azuis claras e centro branco com folhas azul-egípcio, estilizadas ao gosto art déco, segundo a técnica do “relevo contornado” ou corda seca. Pé a azul forte e bocal a azul-egípcio debruado a mel. Na base, carimbo com escudo e coroa Longwy, e "LONGWY "- France. Pintado à mão, a preto sobre o escudo, D5215 (decor).
Data: c. 1920-30
Dimensões: alt. c.11 cm

Os esmaltes craquelés da Fábrica de Faiança de Longwy, de gramática art déco, são uma das nossas paixões mais constantes, como se terá já percebido. Esta jarra, quer pela forma, quer pela decoração de reminiscências orientalizantes, apesar da pequena dimensão, ou quiçá por causa dela, é outra das peças que integra o conjunto mais restrito das nossas favoritas. A variedade das formas e decorações até agora apresentada indiciam claramente a riqueza e a pluralidade da criatividade desta fábrica no período déco. Infelizmente, após a II Grande Guerra, não soube manter o nível criativo tendo entrado num período de declínio que parece estar a ultrapassar. Situação, aliás, que parece ter sido comum a grande parte da produção europeia, e a que só os países escandinavos terão escapado.

Serviço de café art déco modelo Tânger – Porcelana de Coimbra





Serviço de café, de porcelana moldada, composto por cafeteira, leiteira, açucareiro e chávenas com respectivos pires. Trata-se do modelo Tânger, de cor branca com decoração de filetes cor de laranja e ouro que realçam as zonas superiores das peças, de formas caneladas dentro da gramática art déco. Asas, pegas e bicos, com realces a ouro. Na base da cafeteira, carimbo verde Coimbra, SP, Portugal e, pintado à mão, a vermelho, Tanger FB2010. Na base da leiteira carimbo verde igual ao anterior. Na base do açucareiro, chávenas e pires, carimbo verde Coimbra-Portugal enquadrando as figuras heráldicas do brasão da cidade.
Data: c. 1930-40
Dimensões: Várias

Este serviço, adquirido por volta de 1935-40, apresenta peças com duas designações da fábrica. Sem nos alongarmos mais sobre estas questões, está implícito que a Fábrica de Porcelana de Coimbra utilizou em determinado momento e em simultâneo estes dois carimbos pelo menos.

As pegas, tal como as caneluras, remetem para um serviço da fábrica de porcelana Gebrüder Benedikt, em Dvory, na Checoslováquia que aqui ilustramos.


Neste nosso blogue, como se tem vindo a ver, misturam-se objectos decorativos e utilitários sem grandes preocupações hierárquicas.
A qualidade (artística, plástica e/ou técnica) de um objecto não se mede pelo seu valor de mercado. Peças de uso quotidiano podem ser objectos muito superiores à produção dita artística, mesmo quando se trata de edições únicas ou limitadas, que nada têm a ver com a mais-valia efectiva de um artefacto. As questões são outras, e é por isso mesmo que a nós, enquanto coleccionadores, o que nos interessa verdadeiramente é a loiça utilitária, enquanto design, decoração e veículo de modernidade acessível às massas, apesar das nossas frequentíssimas divagações de diletantes por outros caminhos. Foi pela mesa que, na generalidade, a modernidade penetrou nos lares, mesclando-se nas decorações convencionais, quase sempre conservadoras, habituando o olhar e sensibilizando, embora geralmente de forma ténue, as pessoas para os novos tempos que iam chegando com mais ou menos atraso. Será esse um dos encantos que nos levou a enveredar pelo coleccionismo de peças de Entre Guerras, quando a modernidade era muitas vezes também vanguarda empenhada e por isso modernista, fosse ela mais ou menos radical, mas sempre social, politica e ideologicamente envolvida.
Em Portugal estas questões são menos lineares, porque o atraso cultural impedia-nos de perceber a essência do fenómeno da modernidade. É por isso que, por exemplo, na arquitectura art déco/modernista, as fachadas revelam uma consonância com os demais modelos europeus enquanto os interiores se mantêm ainda oitocentistas. Haverá excepções, como sempre.
Perdoem-nos as fraquezas e as contradições, mas é a partir delas que estruturamos a nossa dialéctica (quer dizer, as nossas colecções).

Para finalizar, e só a título de curiosidade, a Vista Alegre reeditou recentemente os modelos Tânger e Porto, da Fábrica de Porcelana de Coimbra, o último também já aqui apresentado, ambos em versões monocromas. Perguntamos: quantos consumidores os adquiriram conscientes da antiguidade dos modelos?


sábado, 3 de março de 2012

Jarra triangular anos 50 - Zsolnay




Na sequência do post anterior aqui deixamos testemunho da peça referida que está na fotografia reproduzida do livro consultado e cujo autor é igualmente János Török, segundo nos informou CMP. 
Jarra de faiança moldada, bojuda, vidrado a eosina cor sangue de boi (a fotografia não faz jus à cor, mas não conseguimos fazer melhor), com colo triangular cuja forma lembra um ferro de engomar ou a proa de um barco. Na base carimbo dourado Zsolnay-Pecs e Made in Hungary. Inscrito na pasta IT.1571/P
Data: c.1955-60
Dimensões: comp. 12,5 cm x alt. 12cm


sexta-feira, 2 de março de 2012

Jarra craquelé anos 50 - Zsolnay




Jarra com vidrado a eosina vermelha com reflexos metálicos, em forma de gota, com um craquelé de grandes dimensões que dá à peça um aspecto de “casca de pinheiro”. Na base carimbo dourado Zsolnay-Pecs e Made in Hungary
Data: c.1955-60
Dimensões: alt. c. 22,5 cm

Na sequência das extravagantes formas zoomórficas apresentadas no excelente blogue CMP, mostramos uma peça da mesma série, mas de modelo mais convencional, que, pessoalmente, nos agrada mais. Aliás, acrescentamos segundo comentário recente de CMP, que o autor da peça é János Török (1932-1996).

Adquirimo-la numa das visitas a Budapeste, em 2003. A superfície muito texturada e a intensa cor vermelha metalizada atraiu-nos no meio da profusão da loja de velharias de uma senhora chic que nos atendeu num francês impecável da velha burguesia pré-comunista. É incrível como as tradições e hábitos burgueses da Europa de antes da II Guerra se conservaram intactos nos países da ocupação soviética, e são tão visíveis no quotidiano de hoje, enquanto que na sociedade burguesa ocidental se desvaneceram e americanizaram.
A jarra ultrapassava o período cronológico em que, de algum modo, nos especializámos. Mas agradou-nos. Para mais, já tínhamos uma outra peça da mesma fábrica e, sem o saber ainda, do mesmo período, embora com outro acabamento e forma, que um amigo nos havia trazido da capital húngara no ano anterior.
Exemplares idênticos à que hoje apresentamos e a que referimos fazem parte de um conjunto de peças da segunda metade dos anos 50 e inícios da década seguinte, ilustradas na obra Zsolnay Ceramics: Collecting a Culture (1998), pág. 170, que aqui se reproduz.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Cache-pot nº 92–A – Aleluia-Aveiro




Cache-pot de faiança moldada, com decoração estampilhada, da mesma série decorativa da jarra nº 19 já aqui apresentada, redondo e abaulado com bocal saliente e mais aberto que o exemplar referido dada a sua função. Este não apresenta qualquer craquelé. Na base, escrito à mão, A e Made in Portugal Aleluia Aveiro. Sobre o A, inscrito na pasta: 92.
No Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia-Aveiro, de inícios dos anos 40, na pág. 11, esta peça aparece referenciada com o nº 92 – A.
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. 17,5 cm


Bule publicitário “Chá Gorreana” - Sacavém




Bule que, à semelhança do modelo «chá Licungo» anteriormente apresentado, deve ter feito parte de um serviço de chá para uma pessoa – égoiste. Falta açucareiro e a chávena com pires. Peça moldada, com publicidade, em tom de castanho-mel, de forma esférica, cingida por friso marfim recortado com pequenos semi-circulos envolvendo o bojo, com inscrição “Chá Gorreana” em castanho-mel, nas duas faces, e bolas marfim dispersas regularmente pela restante superfície. Tampa com pega trapezoidal. Asa trapezoidal arredondando em baixo. Bico em pescoço de cisne. Carimbo a verde Gilman & Cta, Sacavém, Portugal e a letra B.
Data: c. 1935
Dimensões: comp. c. 20 cm x alt. c. 11,5 cm
Mais um exemplo de peça com publicidade a uma marca de chá, desta vez o açoriano «Gorreana» da ilha de São Miguel. O primeiro chá produzido na ilha data de 1883.
A datação, como já dissemos, é aproximada, de acordo com forma e decoração, e esta será, em nossa opinião, art déco na sua vertente modernista, pelo que esperamos pistas mais concretas. Temos sempre de ter em consideração que apesar de ter existido uma tabela de preços para 1945-1951 onde aparecem muitos dos modelos aqui apresentados, isso não significa que eles não tenham sido criados e produzidos em data anterior. Certamente terão existido outras tabelas antes dessa onde terão aparecido muitas das formas referidas.
Das várias peças publicitárias da colecção, esta será a nossa preferida, apesar da tampa partida e restaurada - estava mesmo em muito mau estado quando a comprámos e o trabalho da nossa restauradora é quase um milagre (obrigado S.). É um objecto que nos dispõe bem, vá-se lá saber porquê!