quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Jarra 699-A da Aleluia-Aveiro




Jarra de faiança moldada, piriforme com bocal cortado na oblíqua. Lateralmente foram-lhe aplicadas, na vertical e inclinadas em sentidos opostos, duas fitas salientes, a verde com rebordo preto, que, vindas da base sobem, abrindo ligeiramente, acima do bocal. O bojo, de cor branca, é seccionado por uma quadrícula distorcida delineada a preto, que, a um ritmo irregular e abstracto, é preenchida com cores lisas, caso do encarnado e do amarelo ou formando bola a verde. Os amarelos e alguns brancos receberam decoração gráfica, a preto, com motivos de espirais ou de linhas paralelas, na vertical ou na horizontal. Interior a preto. No fundo da base, carimbos a castanho Aleluia-Aveiro e Fabricado Portugal, inscrito num rectângulo, e, pintado à mão, a preto, 699-A.
 Data: c. 1955
Dimensões: alt. 27, 5 cm



Em princípio, e mais uma vez, estamos perante o primeiro exemplar de uma série – 699 número da forma e a letra A da decoração. Esta remete para um universo abstracto, paradoxalmente com ressonâncias de um neoplasticismo revisitado e organicizado, se assim se pode dizer. Recupera também grafismos que remontam às primeiras manifestações artísticas da humanidade, caso das espirais e traços paralelos. Para além da forma, também a combinação pictórica dá à jarra um dinamismo muito particular dentro das freeforms.



Tanto quanto conhecemos, na nossa opinião, trata-se de uma das melhores criações da fábrica Aleluia-Aveiro. Até agora não encontrámos paralelo em produções estrangeiras.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Jarras art déco bicolores - Electro Cerâmica-Candal




Jarras art déco de porcelana moldada, piriformes e com incisões na horizontal, a espaços regulares, que lhes dão um aspecto aparentemente canelado. Uma a cor grenat e branco, outra a verde e branco. Ambas com as incisões da parte branca realçadas por filetes a ouro. Bocais igualmente realçados por filete a ouro. No fundo das bases, carimbo verde «EC» inserido num quadrado na oblíqua sobrepujando o nome Candal. Inscrito nas pastas, à mão, «J. 20».
Data: c. 1940-45
Dimensões: alt. c. 12,5cm


A marcação inscrita na pasta - J. 20 - corresponderá ao modelo. Mais uma vez estamos convictos tratar-se de uma forma importada, certamente da Alemanha, como o jarro que postámos em 30 de Setembro de 2012, com o qual apresenta afinidades não só cromáticas como estilísticas.


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Taça art déco trilobada - Paul Milet-Sèvres


Taça art déco de faiança moldada trilobada. Cada lóbulo afunila formando um pequeno pé. O exterior azul-turquesa manchado com azul-ultramarino e amarelo, contrasta com o interior branco. No fundo da base, carimbo a preto, MP-Sèvres dentro de um círculo pontilhado.
Data: c. 1920-25
Dimensões: alt 7 cm x Ø c. 13 cm



A forma é muito curiosa. Todavia, embora se insira no contexto da produção art déco da Manufacture MILET (1866-1971), sobre a qual já tivemos oportunidade de escrever, o modelo viria do período anterior, agora adaptado aos novos tempos em termos de cromatismo. Em paralelo com a paleta de cores uniformes utilizada, sobretudo o azul-turquesa, o vermelho e o verde, este tipo de esmaltes manchados simulando minerais como a crisocola – caso da peça de hoje – a turquesa, o lápis-lazúli ou o jaspe vermelho são muito característicos das produções dessa empresa familiar da cidade de Sèvres, depois da Grande Guerra e até 1930. Neste período as peças aparecem identificadas com MP, as iniciais invertidas de Paul Milet (1870-1950). Outras produções de Sèvres copiam o seu estilo e paleta


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Pote art déco «Sião» - Vista Alegre




Pote art déco de porcelana moldada, com tampa. Decoração monocroma aerografada a vermelho coral e com aplicação de aros de prata envolvendo bocal e base, assim como tampa. Esta última perolada. No fundo da base, marcada com carimbo preto LI entrelaçados, e carimbo verde V.A. Portugal - Marca nº 29 (1922-1947). Prata com contraste Águia de Lisboa (1938 – 1985) e marca de ourives “Leitão & Irmão”
Data: c. 1940
Dimensões: alt: 25 cm.


Trata-se do modelo conhecido por «Sião» que, cruzando as datações da peça cerâmica (1922-1947) e do contraste da prata (1938-1985), foi realizada entre 1938 e 1947.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Serviço publicitário art déco “Chá Lipton” - Sacavém





Retomando as peças publicitárias que a Fábrica de Loiça de Sacavém produziu nos anos 30/40, hoje postamos parte de um serviço de chá para uma pessoa – égoiste – composto por 2 peças: bule e açucareiro (falta-nos a chávena e pires) com publicidade alusiva ao Chá Lipton. Trata-se de peças de faiança, em dois tons de castanho. Quer o bule, quer o açucareiro são de forma arredondada, com as partes superiores e inferiores esquinadas, decagonais, a castanho-escuro, com anel circular, castanho-claro, cintando o bojo, com inscrição estampilhada «Chá Lipton» a preto. Bocal com anel também a castanho-claro. Bule com asa curva e bico contracurvado e açucareiro com duas asas curvas de igual desenho. As tampas encaixam no interior do bocal apresentando pega de remate cónico. No fundo das bases de ambas as peças, carimbo preto (?) «Gilman & Cta – Sacavém – Portugal». No frete do bule, carimbo inscrito na pasta: «Sacavém 20 – 40». No frete do açucareiro, inscrito na pasta, à mão, 2 - 4ϒ (?).
Data: c. 1930-40
Dimensões: Várias



Será que alguém nos sabe dizer qual o nome deste formato? 


A marca de Chá Lipton foi criada pelo empresário e velejador, nascido em Glasgow, na Escócia, Sir Thomas Johnstone Lipton (1848 - 1931). Filho de merceeiros irlandeses, em cujo estabelecimento trabalhou, Thomas, em 1864, inicia carreira como camareiro num navio. Nasceu-lhe, então, o interesse pelos barcos e com o dinheiro que ganhou viajou pelos Estados Unidos. Regressado a Glasgow, em 1870, retomou o trabalho na mercearia dos pais, acabando, anos depois por abrir a sua própria, a Lipton's Market, cujo sucesso lhe permitiu expandir-se em mais de 300 lojas espalhadas pelo Reino Unido. 
Em 1888 abriu uma casa de degustação e venda de chá, vendido a preços baixos para as classes trabalhadoras o que lhe valeu ainda mais fama e dinheiro. Assim nasceu a marca de chá Lipton.