quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Tabuleiro art déco para aperitivos - Lunéville – França


Tabuleiro art déco para aperitivos (?) de faiança moldada, tri-compartimentado, com decoração estampilhada e aerografada, policroma. Motivo central de marinheiro ladeado por duas peixeiras. No fundo da base, carimbo estampado verde K & G – Lunéville - France.
Data: c. 1925
Dimensões: Comp. 29,5 cm x 16,5 cm


Mais uma peça de Géo Condé para a Fábrica Keller & Guérin, em Lunéville, na sua inconfundível linguagem estilizada que, de certa maneira, nos recorda alguns trabalhos de Almada Negreiros.
 
Exemplar idêntico integrou a exposição «Art Déco: la céramique de Lorraine, 1919-1939» realizada no Museu de la Faïence de Sarreguemines, de 21 Outubro 2011 a 29 Janeiro 2012.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Escultura art déco jovem mulher nua cavalgando antílope –Hutschenreuther - Alemanha

 
Grupo escultórico art déco de porcelana moldada de cor branca com realces a ouro, representando uma jovem mulher nua cavalgando antílope. Inscrito no plinto a assinatura do autor M. Herm. Fritz [Max Hermann Fritz]. No fundo da base, estampado a verde:«Hutschenreuther», «Selb Bavaria»; «Abteilung für Kunst», e a ouro, pintado à mão, o nº 55.
Data: 1927 (marca 1920-1938)
Dimensões: Alt. 25 cm x comp. c. 30 cm


Interrompendo um longo período em que não postámos peças decorativas escultóricas, apresentamos hoje mais um exemplar da nossa pequena colecção da fábrica de porcelanas Hutschenreuther. Trata-se de dois motivos recorrentes do Art Déco: o antílope em movimento, e a mulher nua enquanto símbolo de modernidade e de libertação do corpo feminino. Neste caso, a jovem mulher, de cabelo curto à moda de então, controla com segurança a força bruta do animal captado em pleno salto.


Embora naturalistas, há uma subtil simplificação das formas que contrasta com a abstração dos elementos vegetalistas que suportam o conjunto criado, em 1927, por Max Hermann Fritz. As arestas da vegetação, realçadas a ouro, acentuam os elementos abstractizantes, maioritariamente de linhas quebradas, enfatizando o movimento da corrida, numa indirecta filiação futurista.

Produzido até 1946, o modelo aparece referenciado com o nº 0609/1 na página 9 do catálogo da fábrica do primeiro ano da sua criação.


Max Hermann Daniel Fritz (1873-1948) foi aluno de Lorenz Hutschenreuther e escultor de raiz autodidacta com algum mérito. Concebeu também peças escultóricas para as manufacturas de porcelana de Fraureuth, Hutschenreuther e Rosenthal. Foi seu tema de eleição a animalística, em especial os ursos, por vezes complementada por figuras femininas, como é o caso, ou por putti que também surgem isolados.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Prato de cozinha art déco com rosas - Sacavém

 
Prato de cozinha de faiança moldada, formato circular com aba larga e lisa. Decoração central estampilhada e aerografada, policroma, sobre fundo branco vidrado, onde se destacam duas rosas cor-de-rosa quase abertas com as respectivas folhas verdes e três rosas em botão, tendencialmente naturalistas, sobre folhagem miúda, a cinzento-azulado, estilizada. Bordo com barra aerografada a cor-de-rosa que se esfuma em direcção ao centro. No fundo da base, carimbos verde Gilman & Ctª – Sacavém – Portugal, 3 (?) e –5 (?). Inscrito na pasta algo ilegível (Sacavém?).
Data: c. 1930-35
Dimensões: Ø 37 cm x alt 6,3 cm
 

A técnica da estampilha com pintura a aerógrafo, em esfumado, dá corpo e volume às flores e folhas, que sobressaem sobre o emaranhado da folhagem cinzenta, mais uniforme no tratamento cromático e que funciona como repoussoir.

Tratar-se-á de uma variante da decoração nº 1161 «para malgas e pratos de cosinha», que aqui se ilustra, e que apresenta flores mais abertas e sem botões (imagem gentilmente cedida pelo Museu de Cerâmica de Sacavém - Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso).
 

Este tipo de imagens aerografadas foi muito utilizado na Alemanha nas duas primeiras décadas do século XX, especialmente com motivos de frutos, que Sacavém também copia como teremos oportunidade de ilustrar. A França, com esta técnica, de uma maneira geral, mantinha-se fiel às composições figurativas estilizadas de gosto art déco, fossem elas vegetalistas, animalistas ou antropomórficas, habitualmente sem esfumados, que vinham, pelo menos, desde os inícios da década de 20. Todavia, cerca de 1930, por razões históricas e geográficas, algumas fábricas francesas, caso de Sarreguemines, cidade que havia sido a alemã Saargemünd, também apresenta alguma produção similar, embora menos consistente que as congéneres germânicas que haviam avançado por um experimentalismo de vanguarda revolucionando, a partir da segunda metade dos anos 20, as composições decorativas que tendem para a abstração e o geometrismo como temos várias vezes referido e ilustrado.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Caixa art déco aerografada – Carstens-Gräfenroda - Alemanha


 
Caixa (boleira) art déco de faiança moldada e relevada, quadrangular, de cor creme com decoração policroma estampilhada e aerografada simulando “costuras”. A taça, mais larga no bocal e estreitando na base, apresenta quatro faces rectangulares cortadas na diagonal que, na parte superior são lisas e areografadas a laranja, e na inferior são caneladas. O triângulo inferior, canelado e de linhas paralelas transversais à diagonal, recebeu parcialmente pintura a aerógrafo, num tom carmim, que extravasa para o triângulo superior num castanho-esverdeado, remetendo para uma ilusão óptica de grandes costuras. A tampa, quadrada e plana, é cortada nas diagonais por estampilha aerografada a laranja sobre as quais recebeu “costuras” idênticas às da taça. Ao centro, pega esférica a laranja. Assenta sobre pé saliente num tom carmim mais escuro. No fundo da base carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos igualmente a preto com «D. 1700», «22», «C» e «.U (?) 5»
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. c. 11 cm x larg. 13,3 cm
 

A grande diferença entre a presente caixa e a sua congénere portuguesa, que ontem postámos, é a forma da tampa que neste caso é plana e com pega esférica. Todavia, as diagonais da decoração da tampa deste exemplar germânico remetem para a forma piramidal da solução portuguesa.

Embora o efeito plástico final seja distinto em ambas as peças não deixa de ser interessante notar que, em nossa opinião, nas duas o efeito óptico obtido remete sempre para o têxtil. No caso da caixa alemã é como se a pintura a aerógrafo simulasse grandes costuras num tecido grosso como lona.
 

Dada a ausência de criativos na área do design nas indústrias cerâmicas em Portugal antes da década de 50 do século XX dificilmente seria a Alemanha a copiar um modelo português pelo que foi a forma desta caixa que levou à concepção da peça da Lusitânia-Coimbra que, por sua vez, também será mais tardia.

A cor laranja que tão frequentemente vemos em peças até à década de 1960, e que já referimos como sendo a cor art déco por excelência, provém de um esmalte cerâmico de urânico. Este minério e seus compostos “coloridos” foi muito utilizado em esmaltes cerâmicos para a mencionada cor laranja, mas também para certos tipos de amarelo e preto, por exemplo, e para obter vidros de cor verde-maçã.
 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Caixa quadrangular Lusitânia - Coimbra

Depois de uma longa ausência, estamos de volta ao blogue. Esperamos voltar de forma mais assídua a estas andanças cerâmicas e manter o contacto com os nossos seguidores. Retomamos com uma peça portuguesa que, a princípio, parecendo estranha no panorama nacional, acabou por se revelar mais um elo no entretecer das influências da Europa Central na nossa cerâmica.
 

Caixa (boleira) art déco de faiança moldada e relevada, quadrangular, com decoração estampilhada e aerografada, a castanho-mel, de motivos geométricos e florais. A taça, mais larga no bocal e estreitando na base, apresenta quatro faces rectangulares cortadas na diagonal que, na parte superior são lisas e na inferior são caneladas. O triângulo inferior, canelado e de linhas paralelas transversais à diagonal, recebeu pintura a aerógrafo que, em esfumado, realça o relevo. O triângulo superior, liso, foi decorado com motivo vegetalista, igualmente estampilhado e aerografado, num intrincado de hastes, pequenas flores e folhas estilizadas. A tampa, quadrada e suavemente piramidal, tem, nas quatro faces, decoração semelhante à da parte inferior da taça, embora o canelado esteja alinhado da esquerda para a direita formando um efeito óptico diferente. No seu centro uma pega cúbica, rematada por pirâmide baixa, reproduz, de forma simplificada, a decoração da caixa propriamente dita. Assenta sobre pé saliente a castanho-mel. No fundo da base carimbo verde Lusitânia - FLCL – Coimbra – Portugal.
Data: c.1930-35
Dimensões: Alt. 12,5 cm x larg.17cm

 
Mais um exemplo de como a partir de modelos estrangeiros, germânico como é o caso, a produção nacional concebeu uma peça utilitária e decorativa com alguma originalidade para consumo popular. A modernidade bauhausiana do padrão óptico linear, quase um tecido pregueado, é contrariada pela presença da padronagem floral miúda que remete para um tecido estampado, numa composição que lembra o patchwork. A peça alemã, da Carstens Gräfenroda, que serviu de modelo a esta versão nacional será apresentada no próximo post.
 
 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Mais uma vez «À conversa com ...» no Museu de Cerâmica de Sacavém

No próximo dia 28 de Junho de 2014, às 15 horas, realiza-se mais uma sessão de «À conversa com …» no Museu de Cerâmica de Sacavém, subordinado ao tema «E do que falamos quando falamos de cerâmica?».

Desta vez tem como oradores os autores de três dos blogues que versam sobre cerâmica. Para além do nosso, e apesar das gralhas nos currículos dos autores (um deles aposentado, pelo que já não é director), estarão também presentes os autores dos blogues Cerâmica Modernista em Portugal e Memórias e Arquivos da Fábrica de Loiça de Sacavém.

Fica o convite.

 

sábado, 7 de junho de 2014

Taça (fruteira) modernista em forma de folha lanceolada – Carstens Uffrecht - Alemanha


Taça (fruteira) de cerâmica moldada, em forma de folha lanceolada simétrica e dobrada a eixo, vidrada a creme-mate com decoração de escorridos, aplicados a aerógrafo, cor-de-laranja forte, cujas duas metades apresentam recortes laterais triangulares delimitados externamente pelas pegas salientes, de secção redonda, a castanho. A taça repousa sobre base saliente, mais pequena, com a forma invertida da taça. No fundo da base carimbo preto triangular da Carstens Uffrecht, sobrepujando «dek. 6» e, por cima, «form 414».
Data: c. 1930
Dimensões: Comp. 26 cm x larg. 18,5 cm x alt. c. 8 cm
 


A aplicação controlada do esmalte a aerógrafo, formando escorridos aparentemente aleatórios, foi particularmente corrente na unidade fabril da Carstens Uffrecht na produção art déco de vertente modernista bauhausiana. As peças produzidas com este tipo de técnica decorativa acabam por se individualizar subtilmente entre si, embora quando vistas em conjunto assumam uma leitura de grande homogeneidade e se entenda a matriz da decoração. Daí este ser o decor nº 6 que foi aplicado a diferentes formas.
 

Não foi só Portugal que copiou modelos estrangeiros, com destaque para a influência alemã. O Reino Unido fez a mesma coisa, como se pode constatar na presente peça cujo modelo, a partir de finais do anos 30, vai ser produzido pela Crown Devon (o exemplar ilustrado apresenta a marca utilizada a partir de 1939). E não temos a menor dúvida que se trata de cópia de modelo alemão, não só pela datação tardia como a Alemanha foi, até à ascensão do nazismo, o grande centro produtor e, sobretudo, criador da Europa. Verdadeiro laboratório, onde a inventiva e o experimentalismo, tanto nas formas como nas decorações, levaram à efervescência criativa que nesse país se viveu durante a República de Weimar. Queimaram-se etapas como em mais nenhum outro parece ter acontecido, sempre em permanente pesquisa, numa incessante busca, quase esquizofrénica, na criação artística a todos os níveis, dos objectos utilitários às chamadas artes maiores.
 


A introdução do gosto art déco e do design modernista, apesar do espalhafato editorial inglês sobre a produção nacional no período, é tardia. Em Paris, em 1925, o Reino Unido apresentou um dos pavilhões mais conservadores, para não dizer reacionários, de toda a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas. De facto, só na década de 30 o novo gosto aí se implanta e adquire uma certa consistência.

sábado, 31 de maio de 2014

Cinzeiro art déco - Lusitânia - Lisboa


Conjunto monolítico, multifunções, de faiança moldada, art déco, para fumador composto por três partes interligadas (cinzeiro, cigarreira e fosforeira). Sobre a cor branca base, decoração estampilhada geométrica a ocre, encarnado e azul. No fundo da base carimbo verde em forma de escudo com cruz de Cristo, encimado por coroa, Lusitânia CFCL - Portugal
Data: c. 1935
Dimensões: Comp. 11,2cm x larg. 9,1 cm x alt. 6,6 cm


Quando em 2011 o comprámos na tradicional feira de velharias no jardim de Algés, era uma incongruência de modernidade perdida no meio da convencionalidade dos demais objectos que habitualmente vemos à venda nestes espaços. Uma surpresa agradável para quem procura algo diferente.


Demasiado moderno ainda para os gostos de hoje dirão alguns. Houve mesmo quem, apesar de o achar moderno, apontasse logo ser português (via-se logo), dada a presença do ondulante tradicional beiradozinho de telha de canudo nacional. Não partilhámos desta última opinião, pois era funcionalidade apenas o que víamos na sequência ondulada onde pousar o cigarro aceso.


Não podia ser desenho português, evidentemente, não havia por cá à época quem andasse pelos campos do experimentalismo formal, e conceptualidade era assunto então também fora do cardápio da produção industrial nacional.



Todavia, demorou até encontrarmos nas nossas pesquisas o modelo que deu origem a esta peça fabricada em Portugal. Trata-se da forma número 3072 produzida pela inglesa Royal Doulton, com marca usada entre 1927 e 1936, cujo exemplar que aqui mostramos apresenta a decoração «Tango». Não foi só a Fábrica de Loiça de Sacavém a conhecer o impacto da produção britânica nos anos 30.



quarta-feira, 21 de maio de 2014

«À conversa com …» no Museu de Cerâmica de Sacavém

No próximo dia 24 de Maio de 2014, às 15 horas, realiza-se mais uma sessão de «À conversa com …» no Museu de Cerâmica de Sacavém. Tem como orador convidado António Miranda que vai apresentar uma pequena palestra intitulada «Modelos e referências estrangeiras na produção da loiça de Sacavém na 1ª metade do século XX». Apareçam.

 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Saladeira art déco com flores – Sacavém


Saladeira de faiança moldada e relevada, formato circular com aba alta debruada por perolado e duplo nervurado. Decoração central estampilhada aplicada a pincel e policroma sobre fundo branco, formada por ramalhete de flores, bagas e folhas, nas cores laranja, rosa-velho carregado e verde, estilizado ao gosto art déco. Bordo com barra aerografada no mesmo tom de rosa-velho que se esfuma na direcção do centro. No fundo da base, carimbos verde Gilman & Ctª – Sacavém e 3 ou C (?). Inscrito na pasta, 4CG (?) Sacavém.
Data: c. 1930
Dimensões: Ø 29,5 cm x alt. 6,5 cm


Este motivo decorativo (nº 301 do catálogo de desenhos da Fábrica de Loiça de Sacavém) já aqui foi apresentado, em 14 de Agosto de 2012, aplicado a um prato de cozinha noutra variante cromática e terá deixado de ser produzido em 1933 como então escrevemos.

sábado, 19 de abril de 2014

Base para bolos art déco Max Roesler - Alemanha


Placa circular de faiança moldada (base para bolos), de bordo ligeiramente sobrelevado, com decoração geométrica estampilhada e aerografada. Bordo aerografado a azul em esfumado. No fundo da base, carimbo verde «brasão com rosa», da manufactura Max Roesler, sobrepujando «25» (carimbo usado de 1933 a 1941). Inscrito na pasta, no rebordo lateral, 6525/31.
Data: 1935-37
Dimensões: Ø c. 32,5 cm

Forma nº 6525, cuja composição dentro do abstracionismo geométrico, remete para as influências de Kandinsky e do Suprematismo russo, com o desenho estampilhado a aerógrafo ora bem delimitado pelo recorte da estampilha, nas formas circulares e nos três segmentos de recta amarelos, ora esfumando-se num dos lados nos demais elementos, caso do segmento de recta azul que a secciona a eixo e da forma em S contraponto dos semicírculos apostos.

A marca que ostenta, o "brasão com rosa" sobrepujado por número, sob vidrado em verde-azeitona, é utilizada de 1933 a 1941. A numeração que acompanha este carimbo começa com 11, e atinge, em 1935, o número 20. Em 1937 chega ao 33, sendo o número mais alto registrado o 48. Esta numeração permite, assim, a classificação temporal das peças, e daí a datarmos entre 1935-37. 


Ora esta decoração abstracta levanta-nos algumas questões devido à sua datação tardia, visto ser demasiado vanguardista para o novo gosto oficial dominante, que a partir de 1933 vai reprimir a estética que caracterizou a República de Weimar, e daí, por antítese, ser a nossa escolha para iniciar a amostragem de outras criações que possuímos da empresa. É que se deve a Wolfgang Kreidl (Dresden, 1906 - Wilhelmsburg 1972) a introdução da decoração a aerógrafo na unidade fabril da Max Roesler em Rodach. A decoração aerografada, então em moda em muitas fábricas de cerâmica alemãs, especialmente Waechtersbach, Grünstadt e as fábricas do Grupo Carsten, levou Kreidl a ajustar-se às novas tendências.
Embora a decoração da peça de hoje não seja, em princípio, da sua autoria - outras suas hão-de ser aqui postadas – é herdeira do seu magistério.

Tendo assumido em 1929 a gestão técnica do departamento de Darmstadt (que tinha um caráter mais experimental), após o encerramento deste, passa, em 1931, ao departamento de modelagem da unidade de Rodach, sendo também da sua responsabilidade a elaboração das decorações estampilhadas. Em 1933, casa com Hilde Stade, que viria a morrer no campo de concentração de Theresienstadt. Em Abril de 1934, abandona Rodach e foge para Viena. Em 1938 retorna à Alemanha com documentos falsos e assume a gestão técnica da fábrica de cerâmica "Bergschmied" em Bad Schmiedeberg. Sobreviveu ao regime nazi e retorna em 1947 à Áustria aí morrendo em 1972.

Quanto à fábrica propriamente dita, a sua designação provém de Max Roesler (ou Rösler) (1840-1922), fundador da Porzellan und Feinsteingutfabrik Max Roesler A.G., filho dos actores Otto e Tina Roesler. A fábrica localizava-se em Rodach, na região de Coburgo que hoje está integrada na Baviera.

O registo comercial da companhia data oficialmente de 1894 tendo como objectivo o fabrico, decoração e venda de porcelana e faiança fina. O símbolo escolhido para a marca foi a rosa, remetendo para o nome da família. No ano de 1900 a firma já produzia cerca de 1000 criações próprias que tinha registado.

Após as mortes inesperadas dos seus dois filhos – Max, em 1897, e Heinz, em 1909, – e não tendo sucessores, Roesler decidiu, em 1910, criar uma corporação em que apenas os seus amigos pessoais e os funcionários se pudessem tornar accionistas. Cada acção tinha um valor nominal de 1000 marcos e, no caso dos trabalhadores que não tivessem dinheiro suficiente, podiam associar-se dois a dois para comprar uma acção em conjunto. Estatutariamente 25% dos lucros líquidos seriam divididos pelos funcionários.

Com o eclodir da Grande Guerra, em 1914, a produção foi interrompida, voltando, no entanto, a recomeçar parcialmente no ano seguinte. Metade dos trabalhadores tinham sido chamados ao serviço militar. As dificuldades subsequentes ao fim do conflito levaram Max Roesler em 1919 a vender as suas acções a uma entidade bancária e a retirar-se. No ano seguinte Roesler recebeu um doutoramento honoris causa em Munique, vindo a morrer em 1922.

Pouco tempo depois já a fábrica tinha voltado à sua capacidade máxima de produção. Em 1923 os novos proprietários compraram outra fábrica de cerâmica em Darmstadt e, após uma profunda reconversão reabriram a empresa com a designação de Porzellan und Feinsteingutfabrik Max Roesler AG, Werk Darmstadt. Em 1931, como consequência do colapso do mercado em 1929, a unidade de Darmstadt foi encerrada.

Nunca tendo recuperado totalmente, a fábrica de Rodach, foi colocada à venda em 1938 e, após um pesado projecto de “arianização”, foi adquirida pela Siemens que a vai utilizar como subsidiária na produção de isoladores. Em 1943 fundiu-se com a Siemens.

No pós Segunda Guerra Mundial, a Max Roesler ainda produziu faiança para satisfazer as necessidades locais, tendo parado definitivamente em 1956. No ano seguinte foi comprada por uma empresa francesa, passando a produzir sistemas de ar condicionado para automóveis.

domingo, 13 de abril de 2014

Jarra «coração» pequena – Aleluia-Aveiro


Versão miniatura da jarra postada anteriormente. As cores são idênticas apesar do tom de rosa ser mais intenso e mate e o traço a ouro ganhar maior proeminência nos relevos verticais. O interior recebeu um inesperado azul-turquesa mate. No fundo da base, carimbos castanhos «Aleluia Aveiro», com «x» pintado à mão, a ouro, no interior (marca do pintor), sobrepujando «Fabricado Portugal» inscrito num rectângulo. Pintado à mão, a ouro, 540 – F (modelo e decor).
Data: c. 1955
Dimensões: Alt. c. 11 cm