sábado, 26 de janeiro de 2013

Prato de suspensão art déco com pássaro azul – Lunéville - França




Prato de suspensão circular, de faiança moldada, em forma de lente. De cor branca com decoração estampilhada e aerografada, policroma, com motivo estilizado de pássaro sobre ramo com bagas na parte central, simulando covo, cingido por uma falsa aba delimitada por duas faixas concêntricas, constituídas por segmentos curvos e tracejados a azul. A ave, certamente um pombo, apresenta contornos, bico, olho e apontamentos de penas, bem delineados a preto, que delimitam o azul do preenchimento, deixando partes em reserva. Patas a ocre, da mesma cor das bagas que pendem de ramos a preto emoldurando a ave. No fundo da base, carimbo verde «K et G» «Lunéville» «France». Inscrito na pasta HO(?).
Data: c. 1925
Dimensões: Ø 25,5 cm


Mais uma decoração criada por Géo Condé (1891-1980) para a fábrica de Lunéville - Keller et Guérin.

O grafismo limpo da composição segue as premissas já referidas em relação aos trabalhos, segundo a técnica da estampilha e do aerógrafo, deste autor, de que já mostrámos exemplos e que esperamos continuar a ilustrar. 


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Grupo escultórico «Família de Veados» - Aleluia-Aveiro




Peça de faiança moldada representando um grupo escultórico de três veados – macho, fêmea e cria – de pé sobre uma base plana de recorte polifacetado irregular. As figuras apresentam uma estilização que arriscamos dizer de raiz neo-cubista. De cor creme, as partes côncavas dos corpos e orelhas, assim como olhos, focinhos e hastes, são realçadas a castanho esponjado (?). No fundo da base, carimbo azul quadrangular, seccionado em quatro partes com representação de jarra, sobrepujando «Aleluia Aveiro» e, pintado à mão, «1004» «A».
Data: c. 1955-65
Dimensões: Comp. 21,2 cm x larg. 10,8 cm X alt. 21 cm


Esta peça surge um pouco fora do contexto das nossas colecções. Adquirimo-la por ostentar um carimbo distinto de todos os demais que possuíamos. Naturalmente, também não fomos indiferentes à curiosidade da mesma.

A utilização de cervídeos para criar peças decorativas escultóricas ou pictóricas tem uma longa tradição. No período Art Déco usou-se e abusou-se do tema, incluindo aplicado à bidimendionalidade de objectos cerâmicos de vária ordem. 


O apreço por estes simpáticos animais manteve-se no tempo, reforçado que foi no imaginário popular graças a uma célebre figura do cinema de animação, estreado em 1942, dos estúdios Disney, a desprotegida figura de Bambi que, em versão tridimensional de ferro - feito pelo serralheiro José Maria Tavares (1917-2010), encimou o alpendre da fachada da sapataria com o mesmo nome na Praça Duque de Saldanha, 31, em Lisboa. Outros cervídeos também constam entre os temas que configuram os célebres «entalados», apostos sobre entradas de edifícios de c. 1940 a 60, (veja-se o exemplar da Rua Jacinto Marto, nº 2, no gaveto com a Rua Passos Manuel).

Embora pudesse ainda estar presente a imagem do filme referido, o conjunto aqui representado, foge, do ponto de vista estilístico, às formas arredondadas das figuras do mesmo, apresentando estas uma estilização angulosa, como que talhadas em facetas. Gosto que o próprio cinema de animação da Disney vai reflectir nos finais da década de 50 (veja-se A Bela Adormecida, de 1959).

Quanto a uma cronologia mais precisa da presente estatueta decorativa da Aleluia-Aveiro, CMP, certamente, afinará melhor a sua datação, podendo mesmo, eventualmente, conhecer algo sobre a sua autoria.


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Placa art déco: Héracles e o Leão de Némea - Sacavém



Mais uma das placas que compõem a série “Os 12 Trabalhos de Héracles”, no caso “Héracles e o Leão de Némea”. Placa quadrada, de cerâmica moldada, simulando bronze, de verdete manchado, tendo os contornos angulosos das figuras a bronze dourado como se houvesse desgaste no metal. Representa um nu masculino lutando com um leão apostos sobre três quadrados concêntricos em degraus, dentro de uma gramática art déco. Junto à pata inferior do leão, inscrito na pasta, G. No tardoz, inscrito na pasta, à mão, APAR e Nº 3.
Data: c. 1935-45
Dimensões: Alt. 28,5 cm x larg. 28,5 cm x espessura 0,9 cm


Ao contrário da placa anteriormente apresentada, não só o trabalho dos esmaltes é nesta peça muito superior, sendo perfeita a ilusão que se trata de uma placa de bronze, como a forma representa um quadrado regular, ligeiramente menos espesso. Estamos em crer que será de uma fornada mais antiga que a primeira, dada a qualidade geral da mesma: nitidez de composição, tipo de esmaltes, para além de se encontrar marcada no tardoz e, à frente, portar a inicial do seu autor, o G indiciando Donald Gilbert como seu presumível escultor. A opção pela simples inicial do nome, por oposição ao «Gilbert Sc» com que costumava assinar as suas criações, foi certamente deliberada face a uma excessiva presença numa superfície quase plana.


Filho do mortal Anfitrião e de Alcmena, Héracles é, na verdade, filho de Zeus, e daí a ira da mulher deste, Hera, contra o herói, pelo que terá engendrado os Doze trabalhos. Mais uma vez sem entrar em grandes detalhes sobre o mito, que também tem diversas variantes, o leão de Némea é um monstro irmão de outra conhecida monstruosidade, a célebre Esfinge de Tebas. Filho de Ortro e Equidna, terá sido uma criação de Hera que o colocou na região de Némea onde devorava habitantes e gado. Héracles ficou hospedado em casa de um humilde agricultor, Molorco, a quem o leão tinha devorado o filho. Em jeito de homenagem ao ilustre hóspede, Molorco quis matar o único carneiro que lhe restava. Contudo, Héracles pediu-lhe que o mantivesse durante 30 dias, findos os quais, se não regressasse da caçada ao leão, o deveria sacrificar em sua memória.
O leão era invulnerável e vivia numa caverna com duas aberturas. Fracassada que foi a tentativa de matar o leão com arco e flechas, pois nem o ferro nem o fogo afectavam a sua pele, Héracles com o auxílio de uma clava obrigou-o a entrar na gruta. Encerrou uma das aberturas e com os braços estrangulou-o. Só com o auxílio das próprias garras do leão, conseguiu esfolá-lo devidamente passando o herói a utilizar a pele como manto.
Como no trigésimo dia Héracles não regressasse, Molorco tomou-o como morto e preparava-se para honrar o seu compromisso quando lhe surge o herói vestido com a pele da besta. O carneiro foi, então, sacrificado a Zeus Salvador, e no local do sacrifício Héracles decretou a criação dos Jogos Nemeus em honra de seu pai. Depois levou os despojos do leão até Micenas e seu primo Euristeu, espantado e assustado com tal proeza, proibiu-o de entrar na cidade, ordenando-lhe que, a partir daí, deixasse os seus futuros despojos às portas da cidade. Zeus incluiu o leão entre as constelações a fim de perpetuar o feito do filho.

As Maçãs de Ouro das Hespérides; Os Bois de Gérion; O cinto da Rainha Hipólita; O Touro de Creta.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Tigela art déco com tampa - Sacavém





Peça de faiança moldada em forma de calote tendencialmente esférica assente em pequeno pé recuado. De cor branca com decoração estampilhada e aerografada com motivos vegetalistas, de flores e folhas, estilizados ao gosto art déco, em dois tons de castanho, que surgem do filete também castanho que cinge o bocal. A tampa de encaixe, com concavidade circular em cujo centro se eleva uma pega em forma de botão, tem decoração similar à da tigela. No fundo da base carimbos verde «Gilman e Ctª Sacavém Portugal» e carimbo oval «Made in Portugal». Uma “flor” igualmente carimbada a verde e um X pintado à mão da mesma cor.
Data: c. 1930 - 40
Dimensões: alt c. 24 cm (c/tampa) x diâm. máx, c. 23,2 cm 


Trata-se da decoração «nº 1011 para tijelas ou tijelões, com ou sem tampa», de acordo com o verbete da Fábrica de Loiça de Sacavém que se ilustra, gentilmente cedido pelo Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso (MCS-CDMJA).