quarta-feira, 21 de maio de 2014
«À conversa com …» no Museu de Cerâmica de Sacavém
No próximo dia 24 de Maio de
2014, às 15 horas, realiza-se mais uma sessão de «À conversa com …» no Museu de
Cerâmica de Sacavém. Tem como orador convidado António Miranda que vai
apresentar uma pequena palestra intitulada «Modelos e referências estrangeiras
na produção da loiça de Sacavém na 1ª metade do século XX». Apareçam.
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Saladeira art déco com flores – Sacavém
Saladeira de faiança moldada e relevada, formato circular com aba alta debruada por perolado e duplo nervurado. Decoração central estampilhada aplicada a pincel e policroma sobre fundo branco, formada por ramalhete de flores, bagas e folhas, nas cores laranja, rosa-velho carregado e verde, estilizado ao gosto art déco. Bordo com barra aerografada no mesmo tom de rosa-velho que se esfuma na direcção do centro. No fundo da base, carimbos verde Gilman & Ctª – Sacavém e 3 ou C (?). Inscrito na pasta, 4CG (?) Sacavém.
Data: c.
1930
Dimensões: Ø 29,5 cm x alt. 6,5 cm
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sábado, 19 de abril de 2014
Base para bolos art déco Max Roesler - Alemanha
Placa circular de faiança moldada (base para bolos), de bordo ligeiramente sobrelevado, com decoração geométrica estampilhada e aerografada. Bordo aerografado a azul em esfumado. No fundo da base, carimbo verde «brasão com rosa», da manufactura Max Roesler, sobrepujando «25» (carimbo usado de 1933 a 1941). Inscrito na pasta, no rebordo lateral, 6525/31.
Data: 1935-37
Dimensões: Ø
c. 32,5 cm
Forma nº 6525, cuja composição
dentro do abstracionismo geométrico, remete para as influências de Kandinsky e
do Suprematismo russo, com o desenho
estampilhado a aerógrafo ora bem delimitado pelo recorte da estampilha, nas
formas circulares e nos três segmentos de recta amarelos, ora esfumando-se num
dos lados nos demais elementos, caso do segmento de recta azul que a secciona a
eixo e da forma em S contraponto dos semicírculos apostos.
A marca que ostenta, o "brasão com rosa" sobrepujado por número, sob
vidrado em verde-azeitona, é
utilizada de 1933 a 1941. A numeração que acompanha este carimbo começa com 11, e atinge, em 1935, o
número 20. Em 1937 chega ao 33,
sendo o número mais alto registrado o 48.
Esta numeração permite, assim, a classificação temporal das peças, e daí a datarmos entre 1935-37.
Ora esta decoração abstracta
levanta-nos algumas questões devido à sua datação tardia, visto ser demasiado
vanguardista para o novo gosto oficial dominante, que a partir de 1933 vai reprimir a estética
que caracterizou a República de Weimar, e daí, por antítese, ser a nossa
escolha para iniciar a amostragem de outras criações que possuímos da empresa.
É que se deve a Wolfgang Kreidl (Dresden, 1906 - Wilhelmsburg 1972) a introdução da decoração a aerógrafo na unidade
fabril da Max Roesler em Rodach. A decoração aerografada, então em moda em
muitas fábricas de cerâmica alemãs, especialmente Waechtersbach, Grünstadt e as
fábricas do Grupo Carsten, levou Kreidl a ajustar-se às novas tendências.
Embora
a decoração da peça de hoje não seja, em princípio, da sua autoria - outras suas
hão-de ser aqui postadas – é herdeira do seu magistério.
Tendo
assumido em 1929 a gestão técnica do departamento de Darmstadt (que tinha um
caráter mais experimental), após o encerramento deste, passa, em 1931, ao
departamento de modelagem da unidade de Rodach, sendo também da sua responsabilidade
a elaboração das decorações estampilhadas. Em
1933, casa com Hilde Stade, que viria a morrer no campo de concentração de
Theresienstadt. Em Abril de 1934, abandona Rodach e foge para Viena. Em
1938 retorna à Alemanha com documentos falsos e assume a gestão técnica da
fábrica de cerâmica "Bergschmied" em Bad Schmiedeberg. Sobreviveu ao
regime nazi e retorna em 1947 à Áustria aí morrendo em 1972.
Quanto à fábrica propriamente dita, a sua designação
provém de Max Roesler (ou
Rösler) (1840-1922), fundador da Porzellan und
Feinsteingutfabrik Max Roesler A.G.,
filho dos actores Otto e Tina Roesler. A fábrica localizava-se em Rodach, na
região de Coburgo que hoje está integrada na Baviera.
O
registo comercial da companhia data oficialmente de 1894 tendo como objectivo o
fabrico, decoração e venda de porcelana e faiança fina. O símbolo escolhido
para a marca foi a rosa, remetendo para o nome da família. No ano de 1900 a
firma já produzia cerca de 1000 criações próprias que tinha registado.
Após
as mortes inesperadas dos seus dois filhos – Max, em 1897, e Heinz, em 1909, – e
não tendo sucessores, Roesler decidiu, em 1910, criar uma corporação em que
apenas os seus amigos pessoais e os funcionários se pudessem tornar
accionistas. Cada acção tinha um valor nominal de 1000 marcos e, no caso dos
trabalhadores que não tivessem dinheiro suficiente, podiam associar-se dois a
dois para comprar uma acção em conjunto. Estatutariamente 25% dos lucros
líquidos seriam divididos pelos funcionários.
Com o eclodir da Grande Guerra, em
1914, a produção foi interrompida, voltando, no entanto, a recomeçar
parcialmente no ano seguinte. Metade dos trabalhadores tinham sido chamados ao
serviço militar. As dificuldades subsequentes ao fim do conflito levaram Max
Roesler em 1919 a vender as suas acções a uma entidade bancária e a retirar-se.
No ano seguinte Roesler recebeu um doutoramento honoris causa em Munique, vindo a morrer em 1922.
Pouco tempo depois já a fábrica tinha
voltado à sua capacidade máxima de produção. Em 1923 os novos proprietários
compraram outra fábrica de cerâmica em Darmstadt e, após uma profunda
reconversão reabriram a empresa com a designação de Porzellan und Feinsteingutfabrik Max
Roesler AG, Werk Darmstadt. Em 1931, como consequência do
colapso do mercado em 1929, a unidade de Darmstadt foi encerrada.
Nunca tendo recuperado totalmente, a
fábrica de Rodach, foi colocada à venda em 1938 e, após um pesado projecto de “arianização”,
foi adquirida pela Siemens que a vai utilizar como subsidiária na produção de
isoladores. Em 1943 fundiu-se com a Siemens.
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domingo, 13 de abril de 2014
Jarra «coração» pequena – Aleluia-Aveiro
Versão miniatura da jarra postada anteriormente. As cores são idênticas apesar do tom de rosa ser mais intenso e mate e o traço a ouro ganhar maior proeminência nos relevos verticais. O interior recebeu um inesperado azul-turquesa mate. No fundo da base, carimbos castanhos «Aleluia Aveiro», com «x» pintado à mão, a ouro, no interior (marca do pintor), sobrepujando «Fabricado Portugal» inscrito num rectângulo. Pintado à mão, a ouro, 540 – F (modelo e decor).
Data: c.
1955
Dimensões: Alt. c. 11 cm
sábado, 12 de abril de 2014
Jarra «coração» grande – Aleluia-Aveiro
Jarra de faiança moldada e relevada, de forma assimétrica orgânica, semelhante a um coração, desenho que assume plenamente de forma estilizada na base. O vidrado rosa-pálido da cor de fundo, recebeu sobre ele pintura de fortes contrastes cromáticos. A superfície é verticalmente definida por uma sequência regular de nervuras rosa-pálido cujo centro, com traço inciso, é realçado a ouro. De permeio, uma composição, quase cinética, onde laranja-forte e preto enquadram o rosa-pálido em reserva. Bocal de recorte ondulado irregular e igualmente assimétrico. O interior recebeu um vidrado nacarado. No fundo da base, carimbos castanhos «Aleluia Aveiro», com «x» pintado à mão no interior (marca do pintor), a preto, sobrepujando «Fabricado Portugal» inscrito num rectângulo. Pintado à mão, a preto, 688.-G (modelo e decor)
Data: c.
1955
Dimensões: Alt. c. 21 cm
O
cosmopolitismo das freeforms bem
patente nesta produção da sempre surpreendente Aleluia-Aveiro. A paleta
cromática do exemplar de hoje, sobretudo o preto e o laranja, é recorrente na
produção deste sopro de liberdade criativa que inusitadamente varreu o país
cinzento da década de chumbo salazarista.
quarta-feira, 19 de março de 2014
Base para bolos art déco Theodor Paetsch - Alemanha
Base circular de faiança branca de bordo saliente e com duas pegas laterais trilobadas, assente sobre anel alto parcialmente canelado. Decoração estampilhada e aerografada a duas cores, a castanho e a azul-claro em esfumados, formando composição abstracta de motivos geométricos de círculos e ângulos, que tanto surgem isolados, como sobrepostos e desacertados. Bordo e pegas, aerografados no tom castanho. No fundo da base, carimbo castanho de círculo com igreja de duas torres e, inscrito na pasta, 30. Colado, resto de selo de época.
Data: c. 1930
Dimensões: Ø 35,5 cm (c/pegas) x
alt. 4 cm
A composição,
dinâmica, transmite um sentido de profundidade em direcção ao vazio, acentuado
pelas formas de cor azul-claro desmaiado. São evidentes as ligações às
estéticas vanguardistas da época que tão bem caracterizam a produção da
República de Weimar no campo das artes decorativas e que, por esta via, integram
uma das vertentes do Art Déco mais modernista.
Em nós (e, infelizmente, também em muitos outros colecionadores…) estas
cerâmicas utilitárias, de uso corrente, quer pelas formas, quer pelas
decorações, simples na técnica e grandes no efeito, exercem um fascínio que não
podemos negar.
Dada a altura, este tipo de base de cozinha, para
bolos e tartes, é designada em língua alemã por tortentrommel (tambor para bolos), distinguindo-a, assim, das menos
espessas tortenplatte, embora para
efeitos práticos essa diferenciação pouco adiante relativamente à função pelo
que em termos de «etiqueta», enquanto palavra-chave, optámos pela segunda
apenas.
Apesar de não ser a primeira vez que postamos
peças da fábrica Theodor Paetsch,
ainda não tínhamos escrito sobre ela. Chegou hoje a vez de o fazermos.
A Steingutfabrik
(fábrica de cerâmica) WE Paetsch foi fundada
em 1840 por Wilhelm Eduard Paetsch (1796 -1859) em Frankfurt
an der Oder (Francoforte no Oder). Em 1863 passa apenas a Steingutfabrik
Paetsch, em resultado de uma
sociedade criada pelo filho do fundador, Georg Theodor Paetsch (1833-1890) com Gustav Leopold Selle.
Junto a excelentes vias de
transporte – as instalações davam directamente para o rio Oder - a fábrica especializou-se
na produção em massa de loiça utilitária para cozinha e mesa e loiça sanitária.
Tendo conhecido uma rápida expansão, a partir dos finais do século XIX, vai
produzir artigos de baixo custo decorados a estampilha e a aerógrafo de grande difusão
nacional e internacional.
Em 1890, após a morte de Georg Theodor Paetsch, seu filho Theodor Friedrich Eduard Paetsch
(1867-1939) terá assumido a administração da empresa, sucedendo-lhe no cargo,
em 1930, seus filhos Theodor Wilhelm Georg Paetsch (1892-?) e Wilhelm Walter
Max Paetsch (1893-1970). Tinha a fábrica já a denominação por que é mais conhecida.
De 1920 a 1942 expôs
regularmente as suas colecções na Feira de Leipzig No entanto em 1933 abandonou
as formas e decorações vanguardistas, onde predominavam motivos geométricos - quadrados,
ângulos, pontos e bandas - que a caracterizaram e de que a base para bolos
apresentada é exemplar. Nesse ano passou a uma produção conservadora, tanto ao nível
das formas como das decorações, que passaram a apresentar motivos campestres e
vegetalistas por imposição do novo poder nacional-socialista.
Entre 1945
e 1953, data da nacionalização pelas autoridades comunistas, terá como
administradora Irmgard Paetsch (1898-1988) mulher de Wilhelm Walter. A fábrica
encerrou em 1955.
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