sábado, 5 de janeiro de 2013

Jarra art déco com rosas – Sacavém




Jarra art déco de faiança moldada, em forma de balaústre, de cor branca com decoração estampilhada e estilizada de três grandes rosas abertas e em botão a encarnado-alaranjado e folhas a ouro aplicadas sobre o vidrado. Bocal realçado a ouro. No fundo da base carimbo verde Gilman & Ctª – Sacavém.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. c. 25,5 cm


A decoração desta jarra é um exemplo feliz da longa influência que as rosas de Mackintosh exerceram um pouco por toda a parte durante o período Art Déco. Neste exemplo, as flores adquirem uma fulgurante presença que domina a forma quase que a anulando. Sensação reforçada pelos reflexos metálicos do ouro. As flores flutuam no vazio.


Infelizmente esta técnica de aplicar a decoração sobre o vidrado, que a Fábrica de Loiça de Sacavém tanto utilizou, tem a particularidade de, com o tempo e o uso, levar ao desgaste do ouro e à queda dos esmaltes coloridos, como aqui é bem evidente e como também se pode observar no friso de azulejos Arte Nova, publicado em 17 de Maio de 2012, ou na jarra igualmente art déco de 14 de Dezembro de 2011.


Um mesmo modelo, com decoração art déco diferente e em melhor estado de conservação, que aqui mostramos, integra as colecções do Museu Nacional do Azulejo (MNAz).

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Jarra art déco oitavada azul com flores - Longwy





Jarra art déco de faiança moldada, craquelé, oitavada, de fundo  azul-turquesa sobre o qual, partindo da base e preenchendo todo o bojo, ascendem folhas e flores policromas seguidas de uma explosão de bolas brancas. Os esmaltes coloridos são aplicados segundo a técnica da corda seca ou “relevo contornado”. Bocal a azul forte, da mesma cor do rebordo e nervura central das folhas. No fundo da base, carimbo a preto com o brasão dos Houart, Longwy - France. Pintado à mão, a preto, 71 e D.5358, e a amarelo 18. Inscrito na pasta algo indecifrável.
Data: c. 1925-30
Dimensões: alt. 30 cm


Já aqui apresentámos este modelo, embora de menores dimensões e com uma decoração - D.5028 - art déco mais contida. Na presente jarra, com a decoração D.5358, está bem patente o eco de toda a exuberância da joie de vivre dos Anos Loucos da década de 1920 que antecederam a Grande Depressão. Uma exaltação de alegria e bom humor, como se dançássemos charleston permanentemente. Pretendia-se esquecer o passado, toda a violência associada à guerra. A morte, os estropiados, as destruições maciças de cidades inteiras. O hedonismo estava na ordem do dia, por isso, quando de novo o alerta chegou estava-se desatento e o impensável voltou a acontecer.

Eis a razão pela qual não nos podemos esquecer que embora a História nunca se repita por vezes assemelha-se perigosamente, daí a necessidade de estarmos atentos para não perdermos o que conquistámos, pois nada é garantido nem se mantém se não se fizer por isso. 


Porém, não precisamos de andar em permanente sobressalto, pois a alegria é demasiado preciosa para ser desperdiçada. E com tudo o que a mudança de ano tem de simbólico – e o mundo, afinal, não acabou – há que ter esperança num mundo melhor, económica e socialmente mais justo e solidário. Por isso, como um parêntesis, os momentos de ócio e de loucura são fundamentais para a boa sanidade mental de todos. A embriaguez não nos pode é toldar permanentemente os sentidos. Destes momentos há que sair devidamente alerta sempre conscientes de que uma gota de água pode não significar nada, mas muitas juntas formam um oceano.

Com a festiva explosão floral da peça de hoje, a lembrar a pirotecnia do fogo-de-artifício, encerramos o ano de 2012 e desejamos a todos os nossos leitores, malgré tout, um