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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Jarro listrado para cacau da Carstens Gräfenroda - Alemanha


Jarro art déco para cacau de faiança moldada, de bojo esférico, assente sobre pé circular, e colo alto cilíndrico. O bico, embutido no colo, parte do bojo em direcção ao bocal que é coberto por tampa de metal cromado. Toda a superfície recebeu pintura aerografada em dois tons de castanho, formando uma sobreposição de faixas horizontais, de diferentes espessuras, parcialmente em esfumado, que intercalam com a cor beije da reserva. Asa e bico são uniformemente castanho-chocolate. No fundo da base, carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos, igualmente a preto, «Dec 667», «Foreign» «24» e «34»
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 20 cm (s/tampa) x diâm. c. 14 cm


Trata-se da forma «Leine» com a decoração nº 667, e tem uma capacidade para cerca de litro e meio.

O despojamento e a funcionalidade da Bauhaus, presente na forma e na decoração minimalista, incluem este tipo de peças funcionais numa art déco vanguardista, muito característica dos objectos de uso quotidiano na República de Weimar.

Podem ver uma chocolateira idêntica no V&A (Victoria and Albert Museum) cuja ficha de inventário informa que, provavelmente, terá sido desenhado por Rausch, um aluno de Artur Hennig, e fabricado pela Christian Carstens, Kommandit-Gesellschaft Feinsteingutfabrik, Gräfenroda, em c. de 1930. Esta forma, com esta decoração em particular, parece ter feito sucesso no Reino Unido. A nossa peça foi comprada em Edimburgo, na Escócia, por exemplo, e o carimbo «Foreign» indica que se tratou de uma produção para exportação.


Porém, o mais interessante foi o que tivemos possibilidade de constatar nesta passada terça-feira, de manhã, 7 de Julho, na Feira da Ladra. Há muito tempo que não fazíamos em dia de semana esta voltinha simpática no meio do caos à procura das tão nossas apreciadas velharias.

Não foi um dia particularmente encorajador dado pouco termos visto que nos entusiasmasse verdadeiramente. Mais, constatámos que os preços continuam especulativos em excesso face aos tempos de crise em que vivemos.

Todavia, uma surpresa aguardava-nos. Não que nos interessasse adquiri-la, mas antes pelas questões que levantava. No meio do “lixo” surgiu-nos um jarro igual a este à venda e, por curiosidade, quisemos confirmar a germanidade da marca. A curiosidade instalou-se, pois a peça tinha apenas um único carimbo que informava «Made in England». Ora este modelo e decoração são indubitavelmente alemães, por isso das duas uma, ou a Carstens produzia uma parte da sua produção, sem marca, para ser vendida «in England» ou alguma fábrica inglesa a copiava. Mas não será certamente esta última versão porque pasta, cores, decoração e vidrados são inequivocamente iguais às de origem.

Não é a primeira vez que apresentamos exemplos ingleses que são cópias de formas alemãs. Veja-se post de 7 de Junho de 2014. De uma maneira geral, os ingleses copiam intensamente modelos e decorações continentais, sobretudo alemães, checos e franceses, antes de evoluírem, tardiamente nos anos 30, por caminhos que lhes são mais próprios.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Boleira art déco com motivos vegetalistas monocromos - Lusitânia - Coimbra


Esta forma pela terceira vez marca presença aqui no blogue: a primeira, em 28 de Fevereiro de 2013, tinha outra decoração, e a segunda, em 27 Dezembro do ano seguinte, tinha a mesma decoração da que agora se mostra em versão monocromática a azul. O grafismo dos motivos vegetalistas estilizados apresenta, em nossa opinião, ressonâncias simplificadas do neo-rococó de Dagobert Peche, como então escrevemos.



A caixa (boleira) art déco de faiança moldada de hoje tem uma cor uniforme azul-pálido, mate, sobre a qual recebeu decoração estampilhagem aplicada a aerógrafo no mesmo tom de azul mais carregado, cor que realça igualmente, em esfumado, os pés e a pega. No fundo da base, carimbo azul Lusitânia – Coimbra.
Data: c. 1930-35
Dimensões: Comp. c. 22,2 cm x larg. c. 11,5 cm x alt. c. 16 cm


domingo, 29 de março de 2015

Jarra dupla em 8 – Aleluia-Aveiro


Jarra dupla, de faiança moldada, contracurvada em forma de 8, estreitando em direcção à base. Sobre os vidrados a azul e amarelo pálidos, com lustre, que acentuam a divisão da peça em duas partes, recebeu nas superfícies exteriores um grafismo (estampilhado manualmente?) a preto de caules filiformes, aparentemente paralelos, com folhas lanceoladas, estilizadas, cujos limbos são tracejados a castanho na cor amarela e a branco na cor azul. As superfícies dobram para o interior mantendo as mesmas cores sem decoração. Na parte central, sobrelevada, uma abertura oblonga, cujo interior foi destacado a cor-de-laranja. Rebordo do bocal duplo a branco. No fundo da base, carimbo castanho «Aleluia Aveiro» com um «Il» pintado à mão, a preto, sobrepujando carimbo da mesma cor «Fabricado Portugal» inscrito num rectângulo, e, à mão, a preto, 750-A.
Data: c. 1955
Dimensões: alt. 14 cm x larg. 14,5 cm x 5,5 cm


Mais uma vez a numeração, «750», indica-nos o modelo e o «A» corresponde à decoração, a primeira de toda uma série, correspondendo o «II» ao pintor.

A forma, que se aproxima da de um cesto duplo com a alça furada para poder ser pendurado, apresenta um movimento da torção muito expressivo. Porém, o dinamismo da forma parece ser contrariado pela rigidez um tanto formal dos elementos decorativos vegetalistas graficamente estilizados que, paradoxalmente, cumprem um ritmo óptico de escola. De facto, a depuração gráfica do desenho não podia ser mais anos 50 seguindo as tendências internacionais de então.



A paleta cromática suave, nos seus tons pastel nacarados, é dramaticamente contrariada pela abertura oblonga realçada a laranja forte, a cor mais característica, em nossa opinião, da produção moderna freeforms, da Fábrica Aleluia-Aveiro do período. 

domingo, 22 de março de 2015

Prato de cozinha art déco flores estilizadas – Lusitânia-Lisboa


Prato de cozinha de faiança moldada, com decoração art déco no covo, de flores estilizadas e motivos geométricos, policroma, estampilhada e areografada. Aba aerografada a lilás, em esfumado na direcção do seu centro, e com motivo livre ziguezagueante a castanho mais próximo do bordo. No fundo da base, carimbo estampado verde em forma de escudo com cruz de Cristo, encimado por coroa, Lusitânia CFCL - Portugal
Data: c. 1930 - 40
Dimensões: Ø 34 cm x alt. 5 cm


Da unidade de Lisboa da Companhia das Fábricas de Cerâmica Lusitânia (C F C L) chega-nos uma das decorações art déco mais interessantes, em nossa opinião, aplicadas à faiança popular do estilo feita em Portugal. Embora a linha ziguezagueante que circunda a aba remeta ainda para um gosto popular oitocentista o que sobressai é a contemporaneidade do grafismo central.

A assimetria da composição, a geometrização das flores e os motivos geométricos e, sobretudo, o despojamento dos elementos ornamentais no vazio, agrada-nos particularmente.

Até agora, pelo menos, não encontrámos referência de fábrica estrangeira que utilizasse esta ornamentação. Motivos de bordados regionais podem ter sido a fonte de inspiração, mas também encontramos afinidades com certas serralharias, madeiras entalhadas ou mesmo baixos-relevos ornamentais (cerâmicos ou pétreos), aplicados em arquitecturas, francesas mas também americanas (por via francesa), como se ilustra (imagens retiradas da net no Pinterest).



domingo, 8 de março de 2015

Jarra art déco da linha Flambé “Lamas” da Rörstrand – Suécia


Faz algum tempo que não apresentamos nenhuma peça da linha «Flambé» da fábrica sueca Rörstrand, sobre cuja génese e técnica já nos debruçámos. Mais uma forma criada por Gunnar Nylund (1904-1997), desta vez com a decoração nº 2001 de O. Dahl (datas desconhecidas).

Jarra de grés moldado, de forma tendencialmente esférica achatada lateralmente, com pé e bocal salientes. Bojo com decoração aerografada em cremes e castanhos flamejados (flambé), com realces a ouro no contorno do desenho e circundando pé e bocal. Esta técnica dá à peça um aspecto metalizado como se fosse dinanderie. Tendo como pano de fundo montanhas, numa das faces, um par de camelídeos (lamas?) em pose estática (um pasta outro de pescoço erguido), na face oposta dois animais da mesma espécie em corrida. No fundo da base carimbo a ouro: FLAMBÉ RÖRSTAND, com ALP inscrito num quadrado e ladeado por MODELL NYLUND e sobrepujando LIDKÖPING SWEDEN DEKOR: O. DAHL; UNIK: 2001. Inscrio na pasta 3 estrelas, ALP e HANDDREJAD
Data: c. 1935-40
Dimensões: Alt. 15.5 cm x Ø 15 cm


Tema recorrente do Art Déco, o exotismo está mais uma vez presente nesta peça, quer na paisagem andina, quer nos motivos animalistas representados, uma espécie de camelídeo da América do Sul, muito provavelmente lamas (Lama glama), embora também possam ser outras espécies suas semelhantes caso das alpacas (Lama pacos), vicunhas (Vicugna vicugna) ou guanacos (Lama guanicoe).

A estilização de todos os elementos representados, reduzidos a uma expressão gráfica, que quase diríamos minimalista, dada a grande economia no traço, impossibilita uma identificação exacta da espécie.

Numa das faces, um par de animais pasta numa paisagem árida e montanhosa, apesar da expressão observante e alerta de um deles perante a eminência de um possível perigo que espreita. Na face oposta, talvez sequência da primeira, um par de animais em fuga, com um deles atento a uma ameaça não visível que os persegue. 


terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Prato de cozinha art déco com capuchinhas – Sacavém


Prato de cozinha de faiança moldada, formato circular com aba larga e lisa. Decoração central estampilhada e aerografada, policroma, sobre fundo branco vidrado, onde se destaca um bouquet naturalista de chagas em flor, a amarelo e rosa-velho, com respectiva folhagem verde, sobre um subtil esfumado cinza-azulado. Bordo com barra aerografada a cor-de-rosa que se esfuma em direcção ao centro. No fundo da base, carimbos verde Gilman & Ctª – Sacavém – Portugal, «V» e «947».
Data: c. 1930-35
Dimensões: Ø 34,4 cm x alt c. 5,5 cm


De acordo com a imagem que ilustramos do catálogo de desenhos da Fábrica de Loiça de Sacavém, existente no Centro de Documentação do respectivo Museu (MCS-CDMJA), a quem mais uma vez agradecemos, trata-se da decoração nº 947, para malgas e pratos de cozinha.

O sucesso alcançado por este tipo loiça utilitária com decoração a aerógrafo, levou a que fosse produzida num período longo de tempo. O caso mais flagrante terá sido o motivo de rosas abertas, já ilustrado, que perdurou durante cerca de 40 anos, em pratos e, sobretudo, em malgas (saladeiras). O motivo de capuchinhas foi retirado, como indica o «R» a azul escrito na folha do catálogo, mais cedo, embora em data desconhecida.


No caso de hoje, o motivo floral, representa uma planta originária da região andina da América do Sul, a capuchinha (Tropaeolum majus), também conhecida por chagas, flor-do-sangue, agrião-do-méxico, nastúrcio, nastúrio, nastruço do Perú. É uma planta muito decorativa, com flores que podem ser de cor amarela, laranja ou carmim (estas mais raras), e também comestível. Era muito utilizada como planta medicinal na região dos Andes. Na sua América natal é plurianual, e, curiosamente, na Europa, para onde veio trazida no século XVII pelos conquistadores espanhóis, aclimatou-se muito bem e tornou-se anual.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Jarra orientalista com decoração de bambu e faisão - Sacavém


Jarra de faiança moldada, orientalista, em forma de balaústre oitavado. Sobre a cor azul-sèvres uniforme recebeu decoração a ouro, estampilhada à mão (?), com motivo de faisão e bambu, que se repete em duas das faces, e que alterna com a mesma composição sem o faisão em outras duas. Pé, bordo e parte inferior do gargalo receberam filetagem a ouro. No fundo da base, carimbos a verde Gilman & Ctª – Sacavém – Portugal e «0». Inscrito na pasta, «5» (?) e algo mais ilegível.
Data: c. 1945 – 55 (?)
Dimensões: Alt. 28 cm


O formato octogonal tem quatro faces mais largas que intercalam com igual número de faces estreitas. Trata-se, claramente, de uma forma oriental, conforme se pode constatar na imagem de jarra oitocentista chinesa, embora hexagonal, que se ilustra, influência que a decoração reforça, tanto pela temática como pela composição.


Embora tenhamos encontrado referências a jarras chinesas ou vasos orientais nas tabelas de preços da Fábrica de Loiça de Sacavém nas décadas de 40 e 50, não conseguimos apurar nada sobre esta peça, ainda que nos inclinemos para a sua datação dentro da segunda.


Nota: As fotografias não fazem jus à cor azul profundo de Sèvres, mas os fotógrafos são amadores como sabem ...

domingo, 11 de janeiro de 2015

Jarra com cisnes – Aleluia-Aveiro


Jarra de faiança moldada de forma ovoide com decoração estilizada, tricolor, a creme, amarelo-torrado e preto, estampilhada com apontamentos à mão. Um conjunto, que se repete duas vezes num contínuo que envolve o bojo, de três cisnes brancos (cremes com apontamentos a castanho nas penas e bico), voa sobre mar estilizado às listas e nuvens pretas que se recortam num céu amarelo-torrado. No fundo da base, carimbo preto Aleluia-Aveiro, sobrepujando «Fabricado Portugal» inscrito num rectângulo e «E» (?) pintado à mão a preto. Carimbos a preto «Made in Portugal» e «Hand Painted». Pintado à mão, a preto, «17-I»
Data: c. 1935 - 45
Dimensões: Alt. 18 cm


Nesta composição, os cisnes voam num céu dourado de um entardecer ou de um alvorecer pejado de nuvens pesadas. Partem ou regressam ao local onde pernoitam em bando, por oposição à solidão do par de cisnes presente na jarra da Royal Copenhagen anteriormente postada, mas cuja filiação não deixa de ser evidente.


Não há qualquer simbolismo associado a esta composição graficamente estilizada, antes uma mera composição decorativa, de cores planas, apesar dos apontamentos das penas, que se integra numa estética Art Déco comum na produção da fábrica Aleluia-Aveiro. A jarra figura ilustrada na terceira página do Catálogo de loiças decorativas dos anos 40, que se reproduz, como sendo o modelo nº 17-I.


O cisne não faz parte da fauna lacustre associada à Ria de Aveiro. Em países do sul é utilizado como ave ornamental, dando exotismo e sofisticação a lagos de jardins em contexto urbano.

Outrora abundantes nos lagos de jardins lisboetas, os cisnes foram hoje infelizmente substituídos por patos-mudos de capoeira em quase todo o lado.

Ainda nos lembramos com saudade das diferentes espécies de cisnes brancos do hemisfério norte que, coabitando com cisnes negros australianos e cisnes de pescoço preto sul-americanos traziam refinamento aos jardins da Lisboa provinciana de então, da Avenida da Liberdade ao Campo Grande, da Estrela ao Campo Mártires da Pátria... Veículos de variedade e encantamento maravilhavam crianças e adultos. Pena que a agressividade da vida urbana seja argumento para o seu desaparecimento. É triste ver os abrigos preparados para essas aves ora ocupados pelos seus parentes menos nobres ora vazios. Como contar a estória do Patinho Feio e fazê-la compreender a uma criança que nunca viu um cisne a nadar majestosamente num lago?

sábado, 3 de janeiro de 2015

Taça-bilheteira anos 50 - Aleluia - Aveiro


Taça-bilheira trípode de faiança moldada, de forma irregular dentro das freeforms, tendencialmente triangular de cantos arredondados. Os pés são piramidais, de secção triangular, com uma das arestas boleadas. De cor preto-mate, recebeu decoração estampilhada na parte interior num tom de rosa-velho, ficando em reserva, a preto, uma sequência de linhas curvas, concêntricas, em cerca de metade da superfície. No lado oposto, as linhas curvas paralelas e transversais às primeiras foram pintadas à mão a laranja-forte. No fundo da base, carimbo branco Aleluia-Aveiro e Fabricado em Portugal inscrito num rectângulo. Pintado à mão, à ouro, «x-635–c».
Data: c. 1955
Dimensões: Comp. 24,5 cm x larg. 14 cm x alt. 6 cm



A sinuosidade da forma da taça, uma bilheteira, é reforçada pelo movimento do grafismo óptico das linhas fortemente contrastantes a preto e laranja. Trata-se do modelo 635 e da decoração c, ou seja, a terceira da série.


Quanto a nós remete para uma interpretação estilizada de certos modelos de cadeiras pré-colombianas, como por exemplo as da cultura taina, tribos de povos que habitavam as Antilhas aquando da chegada dos europeus. Quanto à decoração, evoca ancestrais grafismos lineares de raiz pré-histórica.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Boleira art déco com motivos vegetalistas bicromos - Lusitânia - Coimbra


Em 28 de Fevereiro de 2013 postámos uma caixa (boleira) art déco da unidade fabril de Coimbra da Fábrica Lusitânia do mesmo modelo que hoje apresentamos com outra decoração.
Sobre a cor uniforme esverdeado-pálido, mate, esta versão recebeu nas duas faces principais uma composição vegetalista estilizada, estampilhada e aerografada, a castanho e verde. Nas faces laterais e tampa outra composição de menor escala, igualmente vegetalista e com as mesmas cores. O bordo inferior da tampa é realçado frontalmente por ondeado a castanho. Tanto a pega como os pés são aerografados a verde. No fundo da base, carimbo verde Lusitânia FLCL – Coimbra – Portugal
Data: c. 1930-35
Dimensões: Comp. c. 22,2 cm x larg. c. 11,5 cm x alt. c. 16 cm



O grafismo dos motivos vegetalistas estilizados remete-nos para o eixo Áustria-Alemanha, com ressonâncias simplificadas do neo-rococó de Dagobert Peche (1887 – 1923) artista que muito vai influenciar a art déco germânica


domingo, 14 de dezembro de 2014

Caixa art déco aerografada modelo «Drossel» - Carstens Gräfenroda - Alemanha


Caixa de faiança moldada, de cor branca com decoração aerografada a castanho. Taça em forma de pirâmide invertida, de três lados ligeiramente convexos, cujo vértice assenta sobre pé circular saliente. Tampa triangular com pega de igual forma. No fundo da base, carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos igualmente a preto «Dec 24», «0» «6» e «34»
Data: 1931
Dimensões: Alt. 9 cm x larg 9,5 cm


Trata-se de uma caixa decorativa (zierdose), que tanto poderia ter a função de bomboneira como de açucareiro. Forma moderna bauhasiana em que a decoração estampilhada aerografada, muito linear, dá ritmo e profundidade às superfícies lisas.


No catálogo da firma Carstens Gräfenroda de Junho de 1931 aparece identificada como sendo o modelo «Drossel» e a decoração nº 24. Haveremos de postar mais algumas peças aí apresentadas.


quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Base bolos Colditz AG – Alemanha

Voltamos hoje às bases de bolos com decorações a aerógrafo alemãs, pois a nossa colecção é abundante neste tipo de objectos e poucos temos aqui partilhado.


Placa circular de faiança moldada de rebordo ligeiramente levantado. Sobre a cor branca de base recebeu decoração policroma abstracta de motivos geométricos estampilhados e aerografados em esfumado. A composição é tripartida por segmentos de recta, formando ângulos, a amarelo, que enquadram um conjunto de círculos e cruzes de diferentes tamanhos, a rosa-avermelhado e azul. Rebordo a amarelo igualmente a esfumado. Assenta sobre anel. No fundo da base, carimbo preto 4748 (Decor).
Data: c. 1933
Dimensões: Ø 30 cm


O nome «Colditz» aparece associado a três fábricas da Saxónia. Uma, fundada em 1828, começou por se denominar Keramik Werke Strehla, G.m.b.H., passando a designar-se, em 1927, Steingutfabrik Colditz AG, Abteilung Strehla, na cidade de Strehla an der Elbe, junto ao rio do mesmo nome. As outras duas localizam-se na cidade de Colditz: a Thomsberger & Hermann Steingutfabrik AG, fundada em 1804, e a Steingutfabrik Colditz AG.

De todas mostraremos futuramente peças, mas iniciamos hoje com uma base para bolos da última. A Fábrica de Faiança Colditz AG foi fundada em 1907, e dirigida até 1935 por Otto Zehe. A fábrica foi expropriada em 1948 e foi-lhe dado novo destino. A ela haveremos de voltar com maior notícia.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Prato de suspensão art déco com chinês vendedor de peixe - K et G Lunéville - França



Prato de suspensão circular e lenticular de faiança moldada. Sobre a cor branca recebeu decoração policroma estampilhada e areografada estilizada ao gosto art déco. Um vendedor de peixe ou pescador oriental, de chapéu largo e vestes longas, em movimento para a direita, mas com a face, onde se destacam os bigodes descaídos, voltada no sentido oposto, transporta, em equilíbrio sobre os ombros, uma vara de onde pendem peixes. Braços ao longo do corpo segurando um grande peixe em cada mão. A vara, à qual estão atados os peixes, opõe-se à curva superior do prato, enquanto que os pés, calçados com tamancos encurvados, e parte inferior do vestuário, curvam para formar uma linha paralela ao bordo inferior. A composição é contida por moldura circular formada por filete e fita segmentados a preto e castanho-mel. Este prato é um exemplo raro em que a assinatura do artista Géo Condé (1891-1980), no caso o seu monograma «GC», se integra na decoração, como se um dos padrões geométricos tivesse fugido da decoração do traje. No fundo da base, carimbos a verde, «K e G / Lunéville / FRANCE» e algo ilegível. Inscrito na pasta, o que parece ser umas lunetas e «B».
Data: c. 1930
Diâm: 32,2 cm


A personagem resultará de uma interpretação livre de uma estampa do Extremo-Oriente. A composição gráfica da figura, minuciosamente elaborada, implicou a utilização de quatro estampilhas distintas. Apesar de limitada a quatro cores (azul, amarelo, castanho-mel e preto) parece ostentar uma policromia mais diversificada. Tal impressão visual resulta do recorte pormenorizado e também da justaposição repetida das cores.

Parte da presente descrição baseia-se no conteúdo que acompanhava a peça exposta na exposição que o Musée de L’École de Nancy dedicou a Geo Condé (1891-1980), de 18 de Novembro de 1992 a 28 de Fevereiro de 1993.

sábado, 30 de agosto de 2014

Caixa oitavada art déco com motivo de flores semicirculares - Aleluia - Aveiro


Caixa art déco de faiança moldada e relevada, de cor creme, estampilhada e pintada á mão com motivos geométricos e florais em tons de castanho. Oitavada, as faces menores, côncavas, são decoradas por meias flores estilizadas formadas por semicírculos concêntricos castanho-mel, complementadas por finas hastes curvilíneas e folhas. Nas faces mais largas, a castanho-escuro, sobressaem “contrafortes” embutidos que elevam a caixa e formam os quatro pés, decorados por duas fiadas de rectângulos a castanho-escuro, desalinhadas e unidas a eixo que se destacam sobre a cor creme. No topo da tampa, ao centro, eleva-se uma estrutura cruciforme escalonada em que assenta a pega tronco-piramidal. Espelhos a castanho-escuro e topos a castanho-mel. No fundo da base, dois carimbos a preto «Fábrica Aleluia – Aveiro» e «Fabricado em Portugal» inscrito em rectângulos. Pintado à mão « e, inscrito na pasta, «25».
Data: c. 1930 - 35
Dimensões: Alt. 9 cm x lado 10,6 cm


Trata-se do modelo nº 25 com a decoração E. Não aparece referida no Catálogo de loiças decorativas de inícios da década de 40, onde só encontramos a peça nº 25-A, a primeira da série, que teremos oportunidade de mostrar em breve.


A qualidade do seu design, com um elaborado jogo de volumes, quase que arquitectónico, remete-nos para uma possível filiação estrangeira que ainda não descobrimos. Porém, e como sempre, a Aleluia-Aveiro soube “nacionalizar” as influências externas e a partir delas criar algo de original. A solução dos pés, por exemplo, é particularmente comum em móveis coetâneos que então por cá se fizeram (a título de ilustração veja-se a peça de mobiliário abaixo que, embora redonda e vazada, cumpre o que atrás se referiu). Em ambos os casos, encontramos ecos de um gosto que a arquitectura modernista portuguesa veiculou. Aliás, esta contaminação entre as diferentes artes é uma constante, como temos referido.