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sábado, 4 de agosto de 2012

Escultura art déco de mulher – Estatuária Artística de Coimbra


Peça escultórica art déco de faiança moldada e relevada, craquelé, de cor marfim, representando uma mulher nua, de pé, perna esquerda flectida sobre soco escalonado em dois planos, com manto drapeado sobre os ombros, envolvento a perna direita. Na base, pintado à mão, a preto, «Estatuaria Artistica de Coimbra» e «Portugal».
Data: c. 1943-45
Dimensões: Alt. 43 cm (base: comp. 17,2cm x larg. 9 cm)




Segundo MAFLS, a Estatuária Artística de Coimbra foi fundada em 1943. Perante esta baliza cronológica, estamos em crer que o modelo que apresentamos será da sua produção inicial, não só porque a marca nos aparece manuscrita mas também dadas as características vincadamente art déco da figura, sua cor e craquelé, (estas duas últimas muito semelhantes a certas produções da Fábrica de Loiça de Sacavém dos anos 30 e 40 como aqui já mostrámos e haveremos de continuar a ilustrar). A modulação um tanto rígida, diríamos mesmo quase masculinizada, desta figura de mulher, a posição e o próprio penteado remetem para as personagens guerreiras da arte assíria, e daí a termos baptizado como «guerreira». Como a parte posterior é praticamente plana, dá a sensação que o modelo que lhe serviu de inspiração foi uma escultura destinada a ser encostada a uma superfície mural ou mesmo um alto-relevo. Como já aqui tivemos oportunidade de referir, no post de 15 de Novembro de 2011, esta fábrica copiava modelos internacionais, alguns de escultores famosos.

domingo, 8 de julho de 2012

Máscara de parede art déco da Royal Dux - Checoslováquia


Máscara de parede de faiança esmaltada a branco-rosado representando uma face feminina, dentro da gramática art déco, a três quartos, vendo-se do lado direito o cabelo ondulado caindo em caracol abaixo do nível da orelha (tapada), risco ao lado e franja penteada para a esquerda, à maneira de Greta Garbo, e com os olhos semi-cerrados e boca aberta como se gritasse. No tardoz, carimbo azul da Royal Dux (1918 – 1947) com a bolota dentro do triângulo inscrito num círculo com Made in Czeschoslovakia. Inciso na pasta 14835. III
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. c. 29 cm x larg. c. 22,5 cm x 9 cm



Interessou-nos esta cabeça de jovem mulher pela distância que há entre ela e as suas congéneres cujos modelos, às centenas, adornavam as casas à época. Pensemos nas produzidas pela Goldscheider, e em tantas outras coloridamente fabricadas um pouco por toda a Europa. Veículos de mundanidade superficial que condiziam plenamente com os ambientes de evasão tão típicos nos anos 20 e da década seguinte. Na verdade poucas máscaras monocromas conhecemos como esta da Royal Dux.


Um exemplo de máscara tendencialmente monocroma é a que Canto da Maia criou, mas o seu espírito traduz serenidade e um refinamento elegantes, precisamente o contrário da carga de angústia que a peça que hoje apresentamos contém.


A primeira aproximação que estabelecemos, para além da evidente distância de qualidade artística, foi com a cabeça da «Monserrat Gritando» de Julio González, embora de datação posterior. E aproximámo-las por antonímia. Se nesta última é a angústia da camponesa pobre que se manifesta face à tragédia e ao horror da Guerra Civil de Espanha, nesta máscara de jovem burguesa a angústia será a expressão de um sentimento íntimo dominado pelas convenções sociais. E neste ponto, divagando, podemos pensar em «O Grito» de Munch todo ele exteriorização física de uma angústia existencial. Ao expressionismo da cabeça de González e da pintura de Munch opõe-se o sentimento bem comportado de uma peça destinada a adornar ambientes burgueses. No entanto, colocada na solidão de uma parede, incomoda e ganha uma força inusitada. Afinal, três expressões anónimas de um mesmo sentimento humano.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Par de dançarinos setecentistas art déco por Aymé - La Maîtrise



Escultura de porcelana moldada, policroma, em forma de par de nobres setecentista dançando, quiçá, o minuete. Personagens de carnaval ou não, as figuras são estilizadas ao gosto art déco. As carnações são rosadas. A figura masculina de calças e casaca azul forte sobre gibão ouro, da mesma cor dos botões, sapatos e laço. Realces a cor de tijolo nos sapatos, mangas e interior da casaca. Cabeleira, meias e folhos da camisa, a branco. A figura feminina de vestido branco com anquinhas a ouro debruadas a azul forte, com corpete igualmente azul e peitilho cor de tijolo e ouro. Cabeleira branca com flor dourada e folhas azuis. Junto à base, nas pregas do vestido, escrito à mão, a verde, La Maitrise e Ayme. A figura é vazada e no rebordo da base, carimbo verde Ayme La Maitrise.
Data: c.1925
Dimensões: Alt. c. 27.5 cm x comp. c. 27 cm x larg. 11,5 cm



A sofisticação francesa de temática neo-rococó é substancialmente distinta da alemã. As figuras tendem, no caso francês, geralmente para uma estilização de influência cubista, enquanto os alemães olham, sobretudo, para a tradição de Meissen reinterpretada. Veja-se os exemplos anteriormente mostrados de Karl Tutter.

O escultor M. Aymé, de quem pouco se sabe, trabalhou para La Maîtrise, o atelier de arte das Galerias Lafayette, criado em 1922 por Maurice Dufrêne. La Maîtrise foi importante não só por ter participado em todos os Salons e na Exposição de 1925, como também pela divulgação do trabalho de vários artistas, caso do referido Aymé, os irmãos Jacques e Jean Adnet, Fernand Nathan, entre outros.

Os estúdios ou ateliers de arte dos grandes armazéns parisienses, como La Maîtrise para as Galerias Lafayette, Primavera para Le Printemps e Pomone para Au Bon Marché, editavam os artigos mais refinados dos mesmos.

Aymé criou também para o atelier Primavera, e sabemos que esta mesma peça existe em versão velador e em várias versões cromáticas, e foi igualmente editada por Robj (ver: Alastair DUNCAN – Art Deco complete: the definitive guide to the decorative arts of the 1920s and 1930s. London: Thames & Hudson, 2009, p. 475).


sexta-feira, 11 de maio de 2012

Escultura Art Déco “Par carnavalesco”, Fraureuth - Alemanha


Escultura de porcelana moldada e relevada, representando um par carnavalesco, dado que a figura masculina está mascarada de Pierrot e a mulher não será propriamente Columbina. Predominantemente branca, a cor aparece pontuando a azul o traje do homem, enquanto no traje da mulher predomina o amarelo e o rosa. Nos rostos, apontamentos a preto, nos olhos e cabelo, e lábios encarnados. A atitude do par, abraçado, denota romance e sedução. Pierrot, sentado num plinto, tem aos pés um instrumento de corda. A mulher, de corpo flectido, assenta os pés num coxim. Na base, carimbo verde-cinza da fábrica Fraureuth com F inscrito numa oval coroada e, por extenso, Fraureuth Kunstabteilung. Pintado à mão, a azul, 191649 sobrepujando 2.
Data: c. 1919
Dimensões: alt. 27 cm



Comprado num leilão em Lisboa, esta escultura caracteriza-se pela artificialidade da pose e pelo maneirismo das figuras, de corpos e pescoços alongados, a desproporcionalidade dos membros, extremamente frágeis, sobretudo na mulher, e o ondulante corpo desta. Há toda intenção anti-naturalista, na estilização das formas e da postura que nos remetem para o expressionismo, tendência, aliás, muito característica da arte alemã. Tais características transmitem-nos uma certa sensação de estranheza difícil de definir, e que por vezes chega a incomodar. É como a coca-cola que, no dizer de Pessoa, “primeiro estranha-se, depois entranha-se”.

Este modelo foi criado cerca de 1919 por Erna Rosenberg [Nonnenmacher] (Berlim 1889 - ? Londres), para a fábrica Fraureuth.

Casada com o escultor Hermann Nonnenmacher, viveu e trabalhou na Potsdamer Straße 29, em Berlim, onde o pintor germano-americano Lionel Feininger (1871 – 1956) teve o seu estúdio entre 1911-1919.
Enquanto judia, a sua arte foi classificada como degenerada pelos nazis.
O casal acabou por fugir para Londres em 1938, onde passou a residir.


A fábrica de porcelana onde esta peça se produziu, foi criada, em1865, numa antiga fábrica de algodão em Fraureuth, por Arwed Gustav von Römer e Georg Bruno Foedisch, tendo começado por se chamar Römer & Foedisch. Em 1891 passa a nomear-se  Fábrica de Porcelana Fraureuth AG, tendo-se convertido numa das maiores fábricas alemãs, e em 1915 cria o departamento artístico, atingindo os maiores lucros de sempre no ano seguinte. Em 1917 estabelece estúdios de pintura de porcelana em Dresden e em Lichte. E dois anos depois, juntamente com as fábricas de porcelana F. Kaestner e Zwickau, e com o estúdio de pintura sobre porcelana K. Steubler, estabelece a academia de artes para treino de artistas pintores de porcelana, como departamento independente na escola profissional de Zwickau.

Fraureuth continua a expandir-se até 1923 embora, devido a problemas provocados pela introdução de tecnologias que falharam, entre numa derrapagem financeira que a levará à bancarrota em 1926, acabando, finalmente, por ser dissolvida em 1934.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Jarra art déco com dançarina egípcia – Fructuoso Coimbra




Jarra de faiança moldada, de forma ovoide de cor amarela, tripartida pela presença de asas e pés escalonados, a preto, que intercalam com 3 dançarinas ao gosto art déco neo-egípcio, em silhueta, estampilhadas a preto. Motivos curvos, a ouro craquelé debruados a preto, junto à curvatura da base. Assinado Fructuoso Coimbra, na base.
Data: c. 1930-40
Dimensões: alt. 18 cm

Em 1997, quando a comprámos na feira de velharias e antiguidades que então se realizava no Forum Picoas, não tínhamos muito a noção de como o neo-egípcio pouca expressão tinha tido em Portugal e ainda menos no período art déco. Da escassa produção cerâmica deste período cujos motivos neo-egípcios podem ser mais ou menos evidentes (já aqui apresentámos uma jarra da Vista Alegre onde referimos essa inspiração na decoração), são exemplos a «Bailarina» de Alberto Morais do Vale, que aqui ilustramos, mas que infelizmente não possuímos, e a presente jarra. Neste sentido, esta peça é referenciada no artigo de Celina Bastos e Rui Afonso Santos – Egiptomania em Portugal: Das artes de cena à decoração de interiores. In Margens e confluências: Um olhar contemporâneo sobre as artes, nº 7 - 8. Guimarães: ESAP, Dezembro 2004, p. 61 – 71, que, não pode à altura apresentar fotografia visto que a que cedemos tinha pouca qualidade.

Além da influência neo-egípcia, aqui revista pela óptica do cinema de Hollywood – as bailarinas, quais pin-ups glamorosas de um filme musical, elevam-se em sincronia contra um fundo amarelo de pôr-do-sol no deserto, pairando sobre dunas que espelham a ardência solar -, há também uma insinuação de outro exotismo. O exotismo das civilizações pré-colombianas reflectido nos degraus dos pés e asas.
Fructuoso mostra ainda ter conhecimento das tendências modernas do design e do grafismo da sua época. Compare-se a peça com a base da jarra tubular, editada cerca de 1930 por Lusca, com pés em degraus muito semelhantes.
Notável a complexidade semântica de uma peça que diríamos quase banal e de gosto popular.


Deste Fructuoso que assina a peça pouco sabemos. Já a propósito dos comentários (aqui está a jarra prometida, Hugo) relativos à Estatuária de Coimbra se levantaram muitas questões que, quanto a nós, continuam em aberto. Teria o dito Fructuoso um atelier próprio? Mais uma vez, agradecemos antecipadamente qualquer informação adicional. Quanto a nós é de duvidar que esta jarra tenha a ver com a "Coimbra Frutuoso", localizada nas Lajes. Mais uma vez, socorrendo-nos de uma análise meramente formal, decoração e forma, remetem-nos, para década de 1930.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Floreira art déco de Pierre Traverse para a Aladin - França



Peça de porcelana moldada e relevada, policroma, em que quatro personagens, estilizadas ao gosto do alto art déco de inspiração setecentista, duas damas e dois cupidos alados, de mãos dadas formam uma roda oblonga. Na saia rodada de uma das personagens femininas a marca do seu criador, P. Traverse inscrito num rectângulo. Na base, escrito à mão, Aladin e Made in France, também ambos inscritos em rectângulos.
Data: c. 1925
Dimensões: alt. 24.1 cm x comp. 25.4 cm x larg. 14.6 cm


Adquirida em Maio de1994 num antiquário de Lisboa, esta será uma peça que se pode dizer muito viajada. Criada em França pelo escultor Pierre Traverse, por volta de 1920-25, e produzida pela firma Aladin-France ou Aladin-Luxe, que fazia fabricar os seus artigos de porcelana em Limoges, destinar-se-ia à Argentina, num período em que este país era um dos mais ricos do mundo. Temos notícia de que era comercializada na elegante loja de presentes “Los Gobelinos”, em Buenos Aires, dado conhecemos exemplares que, para além das marcas que este exibe, também tinham escrito o nome da loja. Sabemos também que foi nesse país adquirida por um coleccionador brasileiro e, vendida no Brasil, por volta de 1980-90, ao antiquário a quem a adquirimos.

Parte do encanto de um objecto coleccionado está associado ao conhecimento da sua história. Dos proprietários que teve, aos lugares por onde passou até ao momento presente. Da circulação por diversas mãos e territórios até vir parar à nossa posse, questionamo-nos, fascinados, acerca da transitoriedade e da efemeridade dos seus sucessivos donos que, como elos de uma cadeia, o vão salvaguardando para o legar às gerações futuras. Na sua fragilidade, o objecto acaba por ser mais duradouro que os seus possuidores. Até um dia.




A casa Aladin editou uma vasta gama de refinados objectos decorativos de luxo tanto de porcelana como de faiança, incluindo craquelé, durante os anos 20 e 30 do século XX, com destaque para vários modelos de figuras femininas muito características criados pelo escultor francês, Pierre Traverse (1892-1979).
Discípulo do escultor Injalbert, este artista executou desde grandes e monumentais esculturas a pequenas figuras estilizadas em vários materiais. Em 1921 foi galardoado com uma medalha de prata no Salon des Artistes Français, que dois anos depois lhe haveria de atribuir uma bolsa de viagem. Em 1926 receberia a medalha de ouro e em 1942 a medalha de honra. Expôs também nos Salons d’Automne e nos Salons des Artistes Décorateurs. Membro dos grupos La Stèle e L’Evolution, expôs com estes no Pavilhão da Goldscheider na Exposição das Artes Decorativas e Industriais de 1925.
Na Exposição Internacionnal de Paris de 1937 recebeu o diploma de honra. Daí parte das monumentais esculturas que decoram o jardim do Trocadero, frente à Torre Eiffel serem da sua autoria. Expôs ainda em Londres, Nova Iorque, etc.


sábado, 25 de fevereiro de 2012

Velador art déco com cena galante setecentista - Limoges





Peça de porcelana moldada e vidrada a branco, representando uma cena galante à maneira setecentista com as figuras – uma dama e um gentil-homem - estilizadas ao gosto art déco. Toda a frente da peça é dominada pela figura feminina cuja grande saia se estende de lado a lado. A figura masculina aparece por detrás beijando a mão da dama que, tímida, esconde a cara com um leque que encima o eixo da composição. Lateralmente, dois arbustos geometrizados, onde se colocam as lâmpadas, enquadram a cena. É de notar a presença de pequenos orifícios que permitem a saída do ar quente. Na base, carimbo verde Limoges – France. Lateralmente no soco assinado G. Beauvais inscrito na pasta.
Data: c. 1925-30
Dimensões: 26,5 cm x 11,5 cm x 28,5 cm.

Gabriel Beauvais nasceu em Paris. Desconhecemos datas de nascimento e morte. Sabemos que expôs em todos os Grands Salons parisienses, tendo-se estreado no de Outono onde começou a expor a partir de 1909. Na célebre Exposição de 1925 participa no pavilhão das fundições Goldscheider. Mais conhecido pelas suas obras de faiança editadas pelas Editions Kaza, fez também objectos editados em porcelana, como é o caso deste velador de Limoges que adquirimos em 2006.

No período de Entre Guerras, em algumas nações europeias, caso da França e da Alemanha, a título de exemplo, parece ter havido objectos que diríamos quase fetichistas, dada a abundância de modelos e decorações criados. Se para os alemães terão sido as caixas, para os franceses as veilleuses (veladores) foram os objectos de eleição. Haveremos de publicar uma amostragem de uns e de outros.

O velador, tal como o nome indica, é uma luz de presença que mantém a tradição da vela, lamparina ou candeeiro anteriores que iluminavam a casa durante a noite, cortando apaziguadoramente a escuridão reinante, ou dotando-a de uma atmosfera sensual. Alguns acumulavam a função de perfumadores. Este não se encontra, actualmente, electrificado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Escultura “dançarina com urso” - Katzhütte – Turíngia





Peça de porcelana moldada e relevada, branca com apontamento policromos e a ouro. Representa uma dançarina nua com lenço colorido que cai descobrindo parcialmente as coxas, sentada no dorso de um urso amestrado. O penteado é elaborado e coberto de adereços. Numa das mãos segura uma pandeireta. O urso desce de um plinto decorado com pormenores a ouro. Escultura de teor erótico, onde é evidente a brincadeira maliciosa da bailarina que, provocante, acaricia a orelha do animal com o dedo do pé. Na base, carimbo azul com Katzhütte sobrepujando o símbolo da fábrica e Thuringia, marca utilizada entre 1914 e 1945. Dois traços paralelos (ou 11?), pintados à mão, a encarnado. Inscrito na pasta 43.
Data: c. 1920
Dimensões: alt. c. 23 cm

As temáticas eróticas foram uma constante na arte. Contudo, será a sensibilidade burguesa do século XIX, um tanto mórbida, que vai desencadear um novo apetite por este tipo de representação. Longe dos olhares femininos da família, o bom burguês formava, muitas vezes, as suas colecções “secretas”, que as esposas e filhas, oficialmente desconheciam. Aliás, a propósito de coleccionismo, seja ele de que temática for, recebemos um comentário muito pertinente de uma bloguer nossa seguidora, que referia ser o coleccionismo mais frequente entre os elementos do sexo masculino e questionava se não seria um atavismo da nossa ancestralidade de caçadores. Aqui está uma boa questão para reflectir.

A temática erótica da mulher e do animal é recorrente nas duas primeiras décadas do século XX, sobretudo, na Europa Central, prolongando um gosto oitocentista que a sensibilidade alemã faz, muitas vezes, roçar o brejeiro, se não mesmo o kinky. Estes temas, amplamente coleccionados no Ocidente, chegaram, obviamente, a Portugal. Foi o caso de uma peça idêntica à que apresentamos, que em 1931, se não estamos em erro, aparece representada numa composição fotográfica, levada a concurso nacional, com um panejamento, em fundo, vincadamente art déco. Vimos a peça e a fotografia respectiva à venda num antiquário da nossa praça há alguns anos.

A Porzellanfabrik Hertwig & Cº, conhecida popularmente por Katzhütte, fundada por Christoph Hertwig e Benjamin Beyermann, em 1864, começa a produzir no ano seguinte. Em 1869, Benjamin Beyermann abandona a sociedade e Hertwig integra os filhos Karl e Friedrich na gerência. Produz cerâmica decorativa, sobretudo estatuetas, de faiança e só a partir de 1900 começa a fabricar figuras de porcelana. Tendo sobrevivido incólume à II Guerra Mundial, foi nacionalizada em 1958 pelas autoridades da República Democrática Alemã. Encerrou definitivamente em 1990.

Não resistimos a contar o sucedido com o seu arquivo histórico. Reencontrado intacto na própria fábrica em 1980, com todos os modelos produzidos, foi saqueado pelas autoridades para venda no estrangeiro (Berlim Ocidental e Londres) com o fim de adquirir divisas. Hoje encontra-se disperso anonimamente por colecções privadas. Não é só por cá que se cometem atrocidades lesa património.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Mulher com Espelho - Herend




Escultura de grandes dimensões de porcelana moldada e relevada em forma de mulher desnuda, com panejamento entre os braços que, caindo, tapam parte das costas. A figura está sentada sobre a perna esquerda tendo a perna direita flectida onde apoia o braço direito com cuja mão ajeita o cabelo, que observa no espelho que segura na mão oposta. Desconhecemos a sua data de criação. Contudo, estamos em crer tratar-se de uma peça da segunda metade dos anos 20 ou inícios de 30, dado o corte de cabelo e a figura, uma reinterpretação de Vénus clássica, ser ao gosto art déco. No soco, inscrito na pasta, a assinatura do seu escultor, Catany (?) Nagy. Este exemplar tem na base carimbo azul Herend – Hungary e Handpainted, e corresponderá a 1952. Inscrito na pasta carimbo Herend e, à mão, 5723. A peça continua ainda hoje a ser editada pela fábrica, embora em exemplares de menores dimensões, tanto em versão branca como policroma.
Dimensões: alt. c. 39 cm

Comprar peças art déco húngaras revelou-se-nos um problema sério. Sobretudo no que diz respeito às peças produzidas pelas suas duas principais e mais conhecidas fábricas: a Manufactura de Porcelanas Herend, fundada em 1826, e a fábrica Szolnay, fundada em 1853. Muitas peças, criadas em anos anteriores à II Guerra Mundial, continuaram a ser produzidas até hoje.
Esta figura de mulher, comprada na nossa primeira estadia em Budapeste, foi-o fora do circuito turístico da cidade, em cujo centro se encontram dezenas de exemplares idênticos em tudo quanto é montra, embora de menores dimensões, à venda nas suas diferentes versões cromáticas. A senhora que nos vendeu a peça bem nos avisou que esta “era ainda das boas, antiga”. Já em Lisboa, soubemos que a marca correspondia a 1952.

Anos antes, na nossa segunda estadia em Viena, havíamos comprado uma escultura animalística, que futuramente mostraremos, com a qual ficámos, inicialmente, muito entusiasmados. A desilusão, ou talvez não, viria depois, quando, anos mais tarde, viajámos até Budapeste. Objectivamente, ainda estamos para saber o que pensar. Haveremos, então, de relatar o sucedido.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Centro mesa com banhista – Pirkenhammer, Checoslováquia







Centro de mesa, para flores, composto por taça circular de porcelana moldada e relevada, branca com cintura de flores relevadas a ouro, circundada por orifícios para flores, em cujo centro se coloca uma figura feminina, amovível, sobre plinto também com orifícios para flores. A figura, atribuída a J. Meier, igualmente de porcelana moldada, branca com pequenos apontamentos a ouro, calça sapatilhas de bailarina, e está vestida com fato de banho com cinto dourado, segurando um manto que lhe cobre parcialmente o corpo. Na base de ambas, carimbo da fábrica Pirkenhammer, e Kunst-Abteilung (atelier de arte) que na taça aparece acrescido de Czechoslovakia.
Data: c. 1925
Dimensões: escultura: alt. 28,7 cm - taça: larg 27,5 cm x alt. 5,5 cm

A fábrica Pirkenhammer, em Brezová, na antiga Checoslováquia, foi das primeiras a adoptar no país a gramática art déco na sua produção no início dos anos 20, pelo que quando se dá a Exposição de 1925, em Paris, ela reunia condições para mostrar as suas criações de alta qualidade que expôs no pavilhão nacional. Entre estas destacavam-se as esculturas de pequena dimensão, muitas delas da autoria do escultor J. Meier.


Na peça parece-nos evidente a relação com o cinema ou com o mundo do espectáculo: uma elegante emerge de um mar de flores dando-se a contemplar e, ao mesmo tempo, fingindo esconder-se por detrás de um manto que lhe realça ainda mais o charme. Será um retrato de bailarina ou actriz, como era usual acontecer em produções deste género à época? Tanto mais que, quando a adquirimos num antiquário em Praga, informaram-nos que a peça tinha pertencido a uma modista da Ópera Nacional, a quem tinha sido oferecida. Ao tempo, a senhora, já muito velhinha, ainda vivia. Já lá vão 13 anos.