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domingo, 19 de julho de 2015

Manga cilíndrica art déco com pássaros – K et G Lunéville - França


Jarra cilíndrica (manga) art-déco de faiança moldada de cor branca com decoração estilizada policroma, em azul, mostarda e preto, estampilhada e aerografada, de pássaros empoleirados em ramagens com folhas e flores. Parte inferior bordejada por uma sequência de segmentos curvos e tracejados a azul como uma “renda”. No fundo da base carimbo preto K&G - Lunéville- France. Inscrito na pasta «3P» e um «♥» [coração].
Data: c. 1923-30
Dimensões: Alt. 18,5cm x Ø 8 cm


Já todos conhecem esta nossa apetência pelas criações de Géo Condé, artista recorrente neste blogue, ou do seu círculo em Lunéville. As suas decorações com estilizados desenhos art déco são, a nosso ver, simultaneamente populares e eruditas, singelas e sofisticadas. Esta manga é mais um exemplo do seu estilo peculiar.

Associa-se também ao nosso gosto pela técnica, aparentemente simples, da estampilhagem aerografada. De facto, as figuras recortadas em estampilhas e aplicadas a aerógrafo, geralmente, com duas ou três cores apenas, da produção de Lunéville, são de um invulgar efeito visual, dentro dos parâmetros da contemporaneidade de então na versão art déco popular francesa.


Para mais, costumamos cá por casa falar de Lunéville como a versão francesa da Fábrica de Loiça de Sacavém (a nossa paixão nacional), embora nesta os aerografados sejam mais de inspiração germânica. Mesmo assim encontramos algumas afinidades, sobretudo na lógica da produção para as massas de loiça corrente, geralmente de baixo custo. Falamos de faiança, porque em relação à produção em grés com os irmãos Mougin já estamos a um outro nível.

É certo que Lunéville teve sempre uma produção com criação própria muito diversificada e que em determinados períodos da sua história, caso dos finais do século XIX e inícios da centúria seguinte, produziu faiança de excepcional qualidade que dificilmente a sua congénere nacional igualará, apesar das excepções.

Nesta produção. e no trabalho deste artista em particular de cuja obra temos vindo a dar exemplos, estão reunidas um conjunto de características, conceitos e técnicas que muito nos agradam.

domingo, 5 de julho de 2015

Jarra art déco com guarnição de metal - Paul Milet - Sèvres


Jarra de faiança moldada de forma esférica abatida, de cor azul-turquesa exteriormente manchado com escorridos, simulando crisocola, a azul-ultramarino e a amarelo, como palhetas de ouro, dando cambiantes esverdeados. Uma guarnição de metal dourado (bronze?) art déco encaixa, circundando o bocal, com elementos geometrizados a duas alturas que pendem, intercalados, sobre o bojo. No fundo da base, carimbo a preto, MP-Sèvres dentro de um círculo pontilhado. Selo de época, a encarnado e castanho, da «Flinois & Roussel Joailliers - Amiens».
Data: c. 1925

Dimensões: Alt. 9 cm x Ø 14 cm


A peça, adquirida em Amiens, foi vendida na «Flinois & Roussel Joailliers» dessa cidade nos anos 20, como nos indicia o selo e a marca de Paul Milet utilizada antes de 1930. Muitas peças de cerâmica e vidro podiam ser vendidas em joalharias desde que associadas a guarnições de metal, sobretudo precioso, como o ouro ou a prata, mas também o bronze. O tom dourado da guarnição metálica associado à cor mineral do objecto cerâmico dá, de facto, um toque de refinamento muito especial a estas peças.


A simulação cromática da crisocola, ou de outros minerais associados ao cobre, foi muito recorrente na produção de Paul Milet, provavelmente pelos óxidos de minério utilizados nos vidrados. Já aqui mostrámos outras peças, e iremos continuar a ilustrar, que apresentam esta característica.


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Chávena de serviço de café art déco “marmoreada” – Formato Estoril - Sacavém


Em 10 de Outubro de 2014 debruçámo-nos sobre o modelo que a Fábrica de Loiça de Sacavém baptizou como «formato Estoril» decorado com o motivo nº 933, composição geométrica linear produzida em sete combinações cromáticas diferentes. Teremos oportunidade de mostrar mais algumas.

Todavia, hoje trazemos uma decoração menos comum em que a peça – dispomos apenas de uma chávena com respectivo pires – é marmoreada.


Sobre a cor rosada pálida de base foi aplicada a estampilha e aerógrafo uma decoração marmoreada a castanho-avermelhado. Esta preenche o bojo ovoide da chávena e covo e aba do pires. A asa lateral ondulada e pé da chávena são uniformemente preenchidos a castanho-avermelhado e o bordo da aba do pires recebeu, em espelho, como pegas onduladas, apontamento trilobado a cheio na mesma cor. No fundo da base do pires, carimbo verde «Gilman & Ctª / Sacavém / Portugal».. Inscrito na pasta, «52 B» «4-40» e algo mais, ilegível. No fundo da base da chávena apenas carimbo verde com «L».
Data: c. 1935
Dimensões: Pires: Ø 10,8 cm x alt. 1,5 cm;
Chávena: alt. 6 cm x larg. c/ asa 7,5 cm


Lembramos que na génese deste formato está um modelo de serviço de chá editado por Robj, em França, c. 1930, fabricado pela Villeroy & Boch – Luxemburgo, e reproduzido em Portugal pela Vista Alegre. Porém, é a versão deste modelo, em serviço de café, forma 1246, da inglesa Carlton Ware que Sacavém vai produzir. 

domingo, 12 de abril de 2015

Jarra art déco gomada helicoidal - Rambervillers Cythère – França


Jarra de grés flammé, de forma tendencialmente esférica, relevada em 16 “gomos” dispostos helicoidalmente. Sobre a cor azul escorridos esverdeados e acastanhados, irisada e com lustre. No fundo da base, inscritos na pasta, carimbos «Cythère» e, em cartela lanceolada, «Unis France», assim como «5»(?) e «U»(?) (marcas do artista?).
Data: c. 1930 (marca 1920 a 1931)
Dimensões: Alt. 19 cm x Ø c. 21 cm


No inventário de 1931, posto em catálogo no mesmo ano, informa-nos que se trata do modelo 660, referenciado na página 3, com uma altura de 215 mm.

Esta jarra integra-se dentro da mesma linha da peça que postámos em 13 de novembro de 2013, igualmente de esmalte azul de reflexos metálicos à base de óxido de cobalto, dentro da linha renovada art déco da Société de Rambervillers.

São peças curiosas estas da Cythère. As suas superfícies têm o aspecto de desperdícios industriais derramados sobre água. Como quando entramos numa oficina de carros e à tona dos líquidos que alastram pelo chão só vemos os reflexos de brilhos oleosos e irisações várias do derrame de gasolina ou gasóleo. São a cristalização poética e bela da poluição industrial, de uma ideia de progresso que se veio a revelar catastrófica para o ambiente. Felizmente aqui inócua e reduzida a um mero objecto estético.


sábado, 28 de fevereiro de 2015

Jarra art déco modelo nº 557 - Denbac – França


Mais uma peça do período geométrico art déco da fábrica francesa Denbac, de René Denert e René Louis Balichon, em Vierzon.




Trata-se de uma jarra de grés moldado de forma ovoide decaédrica encaixada num suporte, lembrando uma lira, com pé rectangular. O recipiente é revestido de vidrado transparente azul alilazado sobre o acastanhado-base, brilhante, com escorrências a partir do bocal, a verde-seco azeitonado mate, que arrastam o azul, O pé é da mesma cor verde mate. No fundo da base, inscrito na pasta, «Denbac» e «557» (número da forma).
Data: c.1930
Dimensões: Alt. 15 cm x larg. 14,5 cm



domingo, 18 de janeiro de 2015

Jarra «Quatro Asas» com decoração de flores e frutos - Vista Alegre


Jarra de porcelana moldada, em forma de balaústre, com 4 pequenas asas a negro na parte superior do bojo. De cor branca, é decorada com flores e frutos policromos que pendem do bocal sobre fundo inicialmente a preto. No fundo da base, dado ter sido furada para adaptação a candeeiro, não tem marca, embora fosse a marca nº 31: carimbo V.A. (1924-1947). Inscrito na pasta «13» e pintado à mão «33» (?).
Data: 1929
Dimensões: Alt. 25 cm


Faz este mês 14 anos que adquirimos a presente jarra. Hesitámos comprá-la quando a vimos à venda num ajuntador (loja/armazém de velharias) ao Conde Barão. Tinha sido transformada em candeeiro com uma guarnição metálica de gosto duvidoso (temos consciência da subjectividade da afirmação, mas…) envolvendo base e bocal. Desmontada a estrutura metálica e lavada ficou com muito melhor aspecto, apesar do bárbaro buraco no fundo da base que mandámos restaurar. Valeu a pena. A peça recuperou a dignidade perdida.

Podemos ler em MAFLS que se trata do motivo decorativo P.799, aprovado em 22 de Janeiro de 1929 pelo director artístico da Vista Alegre, J. Cazaux, para este formato, o 1169 (jarra Quatro Asas), e que a pintura foi executada por Ângelo Chuva a partir de um modelo adquirido pela empresa.


De facto, o modelo foi desenhado por Joseph Chéret em 1893, para a Manufacture National de Sèvres, onde recebeu a designação «Vase de Bourges», que se ilustra com uma decoração Art Nouveau de1903 com penas de pavão.

No cômputo geral das importações de modelos estrangeiros, como já tivemos oportunidade de escrever e ilustrar, será a Manufacture National de Sèvres, sem dúvida, a grande fornecedora, tanto de formas como de decorações, para a fábrica Vista Alegre nas décadas de 20 e 30.


Sendo uma forma do período Arte Nova, em Portugal, pelo menos, foi mantida no período Art Déco com decorações várias reflexo do sucesso que terá tido. 


sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Taça art déco Primavera - Longwy - França


Taça de faiança moldada, esmaltada a azul-forte craquelé, em forma de calote, assente sobre pé cilíndrico, com decoração vegetalista estilizada art déco, segundo a técnica do “relevo contornado” ou corda-seca em tons de creme e castanho. O covo é preenchido por círculo creme com composição floral de cor creme-amarelado complementada por folhagem castanha. Quatro árvores, de ramagens pendentes, com frutos e flores, iguais duas a duas, ritmam a superfície exterior. Pé seccionado por linhas onduladas a castanho. Bordo e pé circundados por anel preto. No fundo da base, carimbo circular preto, com escudo e coroa, Primavera – Longwy – France.
Data: c. 1920-30
Dimensões: Ø 24 cm x alt. 11 cm



A taça, certamente uma fruteira, é de um azul-escuro mais carregado do que a fotografia nos mostra. O grafismo art déco, quase sempre vegetalista e/ou zoomórfico, da decoração das peças concebidas pelo atelier de arte Primavera e produzidas na Fábrica de Faiança de Longwy é facilmente reconhecível pelo tipo de estilização, por vezes geometrizada. Não sendo uma peça de um dos grandes decoradores, os únicos a assinarem peças, trata-se de uma estilização muito própria que encontramos em várias composições criadas por esse atelier dos grandes armazéns Printemps, em Paris.



domingo, 28 de dezembro de 2014

Jarra art déco com fetos – Thauraud - França


Jarra art déco de porcelana moldada, de forma bulbosa, esmaltada a azul-claro mosqueado com decoração de fetos em tons de azul mais escuro com a nervura central das folhas esverdeada. O esmalte é espesso formando relevo dando um efeito de camafeu. Bocal estreito subtilmente esverdeado. No fundo da base, carimbo azul «CTharaud» e carimbo verde «France-CT-Limoges». Inscritos na pasta, h (?) e j.
Data: 1930-45
Dimensões: Alt. 15,5cm x Ø diâm. máx. 19cm
  

Trata-se do modelo “Chardon" e os carimbos datam-na entre 1930 e 1945.

Na produção de Camille Tharaud (1878-1956), o motivo «fetos» é um dos que melhor ilustra a transparência e espessura dos seus esmaltes tão específicos. Conferem às peças uma ilusória profundidade visual e táctil. As folhas, ora plenamente abertas ou desenrolando-se em espiral, dispostas em camadas, são de um desenho solto e esquemático, mas simultaneamente realista. Recorda-nos uma feteira que alvorece envolta em neblina e nós, observadores, somos pequenos animais silvestres que despertam perante uma natureza esboçada.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Jarra com cristalizações verde – Alfred Renoleau - França

Hoje o blogue completa 3 anos de existência. Nem sempre temos sido constantes como gostaríamos, sobretudo neste último ano, mas vamos fazendo os possíveis para o manter sem descer excessivamente o nível.

Escolhemos para comemorar o aniversário uma jarra de que gostamos muito, não só visualmente, mas também pela matéria: o grés. Para além das texturas que tal cerâmica possibilita, agrada-nos o peso das peças, maciças e compactas. Um prazer para o tacto e para a visão.


Jarra de grés, modelada (?) em forma de balaústre, quase inteiramente coberta de cristalizações, predominantemente a verde-claro, parcialmente aureoladas a castanho-escuro na área onde sobressai, em reserva, a cor verde-olivina mosqueada de fundo. Bocal e interior beige acinzentado brilhante e liso. No fundo da base, inscrito na pasta, à mão, ARenoleau e A [Alfred Renoleau - Angoulême].
Data: c. 1910
Dimensões: Alt. 25,5cm


Alfred Renoleau (1854-1930) nasceu em Mansle na Charente, filho de um barbeiro-cabeleireiro e, tal como era tradição na época, estava destinado a suceder-lhe no negócio.

Contrariando a vontade dos pais foi sobretudo como autodidata que aprendeu, desde cedo, a arte de ceramista.

Tal como tantos outros da sua época, imbuídos de espírito romântico (pensemos em Rafael Bordalo Pinheiro, por exemplo), apaixonou-se pela arte de Bernard Palissy (c. 1510-c.1590), vindo a ser um dos mais conhecidos ceramistas do século XIX influenciados pelo artista francês do Renascimento. Em paralelo produzia também faiança tradicional decorativa e utilitária.

A sua mestria nas peças à maneira de Palissy foi plenamente reconhecida em Londres onde expõe em 1888. Este sucesso vai despertar o interesse de uma grande empresa - Grandes Tuileries de Roumazières - que o contrata como ceramista-modelador. O contrato vai durar dois anos, de 1888 a 1890.

A empresa, aliás como toda a França, queria celebrar condignamente o centenário da Revolução Francesa no prosseguimento da renovação nacional a fim de preparar a “vingança” contra o Império Alemão e recuperar a Alsácia-Lorena ocupada. Contrata assim o “artista-modelador” para participar na Exposição Universal de Paris de 1889 com tal sucesso que ganha uma medalha de ouro. Renoleau é também premiado com uma medalha de bronze a título individual pelas suas peças à maneira de Palissy que produziu até ao fim do século XIX quando os gostos mudaram.

Em 1891 muda-se para Angoulême para onde vai trabalhar como artista cerâmico, e no ano seguinte é contratado como professor de modelagem da École départementale d’Apprentissage.

Três anos depois, em1895, funda a Faïencerie d’Art d’Angoulême, que vai dirigir até à sua morte em 1930. A empresa continuará sob a direcção do seu sobrinho e, de algum modo, chegará até hoje, visto os seus descendentes continuarem a criar e a trabalhar a cerâmica.

Todavia, não é o tipo da produção descrita que nos motiva. A abertura do Japão ao mundo nos anos de 1860, vem renovar no Ocidente o gosto pelo grés. O fascínio pelas peças japonesas de formas depuradas em que a ornamentação se reduzia aos sumptuosos esmaltes que cobriam as superfícies levou os artistas, sobretudo europeus, a tentarem desvendar os seus segredos.

Fascinado pelo que viu na exposição de 1878, que já referimos em post anterior, Jean Carriès criou magníficas peças de grés e rodeou-se de discípulos que continuaram a sua obra. Sèvres irá aperfeiçoar a técnica dos esmaltes cerâmicos durante a administração de Alexandre Sandier (de 1897 a 1916) ao obter o desenvolvimento de cristalizações na superfície do esmalte.


A tudo isto não ficou indiferente Renoleau. Em 1902 vendeu uma casa que possuía e com o dinheiro obtido construiu um forno apropriado para dar aplicação prática às suas experiências na cozedura de peças de grés. Podia, enfim, a par do negócio da sua empresa cerâmica, criar objectos de grande modernidade e qualidade artística. Os seus greses de formas depuradas vão cobrir-se de escorridos ou de cristalizações que rivalizam com os dos maiores artistas da época. A jarra de hoje mostra bem o talento do artista, como sempre se considerou, dado rejeitar ser tratado como artesão e considerar a cerâmica como arte maior à maneira do Oriente.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Serviço de café art déco – Formato Estoril - Sacavém

Na ausência de um design industrial nacional que satisfizesse as necessidades do mercado e que acompanhasse a evolução do gosto (e, de alguma maneira, das mentalidades) no clima de renovação formal do período Art Déco, a partir de finais dos anos 20, mas mais evidente na década seguinte, a importação de modelos estrangeiros foi a solução encontrada pelas fábricas portuguesas. Ao nível da loiça utilitária já apresentámos exemplos deste princípio utilizado em várias unidades fabris, caso da Porcelana de Coimbra, com modelos sobretudo alemães, e da Fábrica de Loiça de Sacavém com reprodução de modelos ingleses, caso que mais uma vez ilustramos. Todavia, neste formato concreto, a situação é um pouco mais complexa e curiosa.


Serviço de café art déco, da vertente modernista, de faiança moldada, composto por cafeteira, leiteira, açucareiro e chávenas com respectivos pires. A chávena de café apresenta bojo ovoide truncado com base e asa lateral ondulada, de perfil rectangular fechado. Corpo branco é decorado por três filetes horizontais a azul-escuro e laranja, desencontrados, e unidos por dois filetes oblíquos mais finos a azul-escuro. O bordo da asa e a base são destacados por filete duplo a azul-escuro e laranja. Pires circular, branco circundado por filete duplo azul-escuro e laranja. Cafeteira, leiteira e açucareiro apresentam forma e decoração idênticas, embora a primeira tenha tampa com pega tricolor, branco, laranja e remate a azul, e asa vazada, e o último apresente duas asas. Trata-se do modelo Estoril, com motivo decorativo nº 933. No fundo da base, excepto chávena, carimbo verde «Gilman & Ctª / Sacavém / Portugal». Pintado à mão, a azul, «Y ou T», excepto na leiteira, e que é a única marca presente nas chávenas. Na cafeteira, inscrito na pasta, «P». No pires, inscrito na pasta, «52LO» Sacavém e, a verde, «T». Açucareiro apresenta ainda «2» a verde.
Data: c. 1935
Dimensões: Várias



O conjunto não se encontra em condições perfeitas - algumas peças estão manchadas pelo uso por café, outras apresentam pequenas falhas na pintura aplicada sobre vidrado, etc. – mas colecionar tem também um pouco a ver com o acaso e compra-se o que se nos oferece no mercado numa dada ocasião, desde que a preços razoáveis e não especulativos.




Trata-se da decoração nº 933 «para serviços de café formato Estoril em barro marfim», de acordo com o catálogo de desenhos da Fábrica de Loiça de Sacavém, existente no Centro de Documentação do respectivo Museu (MCS-CDMJA), a quem mais uma vez agradecemos. A ficha respectiva informa-nos ainda que se aplica este motivo geométrico nas combinações de cores: azul e preto; verde e preto; amarelo e preto; ouro e preto; amarelo e castanho; ouro e azul e encarnado e preto.


O modelo que está na génese do formato Estoril foi editado por Robj, em França, c. 1930 (a produção Robj encerra em 1931), em versão serviço de chá, embora fabricado no Luxemburgo onde a Villeroy & Boch tinha uma fábrica que forneceu vários modelos a este editor. Não conseguimos apurar nome ou nacionalidade do designer que o concebeu, não tendo de ser forçosamente francês.

Possivelmente chega a Portugal, à Vista Alegre, enquanto serviço de chá, por via francesa, e a Sacavém apenas na forma de serviço de café, por via do modelo Moderne, dos anos 30 (c. 1935), da firma inglesa Carlton Ware, forma 1246, que reproduz o modelo de Robj, em versões de açucareiro com e sem tampa. A decoração do serviço de Sacavém provém também da Carlton Ware onde recebeu o nome Rayure. Trata-se de um bom exemplo da circulação internacional do design moderno de formas que se tornaram mais populares no período de Entre-Guerras.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Prato de suspensão art déco com chinês vendedor de peixe - K et G Lunéville - França



Prato de suspensão circular e lenticular de faiança moldada. Sobre a cor branca recebeu decoração policroma estampilhada e areografada estilizada ao gosto art déco. Um vendedor de peixe ou pescador oriental, de chapéu largo e vestes longas, em movimento para a direita, mas com a face, onde se destacam os bigodes descaídos, voltada no sentido oposto, transporta, em equilíbrio sobre os ombros, uma vara de onde pendem peixes. Braços ao longo do corpo segurando um grande peixe em cada mão. A vara, à qual estão atados os peixes, opõe-se à curva superior do prato, enquanto que os pés, calçados com tamancos encurvados, e parte inferior do vestuário, curvam para formar uma linha paralela ao bordo inferior. A composição é contida por moldura circular formada por filete e fita segmentados a preto e castanho-mel. Este prato é um exemplo raro em que a assinatura do artista Géo Condé (1891-1980), no caso o seu monograma «GC», se integra na decoração, como se um dos padrões geométricos tivesse fugido da decoração do traje. No fundo da base, carimbos a verde, «K e G / Lunéville / FRANCE» e algo ilegível. Inscrito na pasta, o que parece ser umas lunetas e «B».
Data: c. 1930
Diâm: 32,2 cm


A personagem resultará de uma interpretação livre de uma estampa do Extremo-Oriente. A composição gráfica da figura, minuciosamente elaborada, implicou a utilização de quatro estampilhas distintas. Apesar de limitada a quatro cores (azul, amarelo, castanho-mel e preto) parece ostentar uma policromia mais diversificada. Tal impressão visual resulta do recorte pormenorizado e também da justaposição repetida das cores.

Parte da presente descrição baseia-se no conteúdo que acompanhava a peça exposta na exposição que o Musée de L’École de Nancy dedicou a Geo Condé (1891-1980), de 18 de Novembro de 1992 a 28 de Fevereiro de 1993.

domingo, 5 de outubro de 2014

Jarra art déco azul mosqueada com montagem de bronze – Paul Milet-Sèvres



Jarra art déco de faiança moldada em forma de balaústre, com decoração azul mosqueada, de tom mais profundo na base aclarando em direcção ao bocal. Guarnição de bronze cinzelado e martelado, de motivos geométricos, envolve a base, formando pé, e o bocal, de onde pende, com vazados, até à parte mais larga do bojo. No fundo da base, pintado à mão a preto-esverdeado, duplo L entrelaçado em espelho, enquadrando flor-de-lis, e sobrepujando «Sèvres».
Data: c. 1920-25
Dimensões: Alt. 37 cm


O tipo de vidrado e a montagem de bronze indicam-nos que se tratará de uma peça da Manufacture MILET (1866-1971) que nos finais dos anos 10 e inícios da década de 20 terá utilizado para marcar parte da sua produção um símbolo que remete para a marca que a Manufactura Nacional de Sèvres utilizava no século XVIII.
 
Já aqui postámos peças com o carimbo circular pontilhado envolvendo MP Sèvres utilizado pela empresa antes de 1930, com as iniciais de Paul Milet (1870-1950), na ordem inversa.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Tabuleiro art déco para aperitivos - Lunéville – França


Tabuleiro art déco para aperitivos (?) de faiança moldada, tri-compartimentado, com decoração estampilhada e aerografada, policroma. Motivo central de marinheiro ladeado por duas peixeiras. No fundo da base, carimbo estampado verde K & G – Lunéville - France.
Data: c. 1925
Dimensões: Comp. 29,5 cm x 16,5 cm


Mais uma peça de Géo Condé para a Fábrica Keller & Guérin, em Lunéville, na sua inconfundível linguagem estilizada que, de certa maneira, nos recorda alguns trabalhos de Almada Negreiros.
 
Exemplar idêntico integrou a exposição «Art Déco: la céramique de Lorraine, 1919-1939» realizada no Museu de la Faïence de Sarreguemines, de 21 Outubro 2011 a 29 Janeiro 2012.