Mostrar mensagens com a etiqueta Caixa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Caixa. Mostrar todas as mensagens

domingo, 9 de setembro de 2018

Quando a Bauhaus era o futuro – Caixa Kaestner - Alemanha


Caixa de porcelana moldada e relevada, de cor branca com decoração aerografada de faixas em três tons pastel (amarelo, azul-esverdeado e castanho). O corpo da taça, circular, apresenta anel na parte superior sobre forma troncocónica invertida e curva, assente sobre pé canelado. A tampa, em forma de cone encurvado de base larga cujo vértice, cortado por caneludas pronunciadas, inseridas num cilindro, que configuram a pega, é rematado em talhe de bala. No fundo da base, carimbo verde «Kaestner Saxonia» «O/Z» [Friedrich Kaestner, Oberhohndorf bei Zwickau, Saxónia], sobrepujando algo ilegível pintado a ouro; à mão (talvez «Spritzkunst»), e inscrito na pasta «441».
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. c. 13,5 cm x Ø c. 10cm 


A modelação torneada desta peça vanguardista, que certamente será da autoria do professor Artur Hennig (1880-1959) - activo na fábrica Kaestner de 1928 a 1933 -, remete, em nossa opinião, para os figurinos do bauhausiano Ballet Triádico (Triadische Ballet), criado por Oskar Schlemmer, e estreado em 1922, a que já aludimos no blogue, no post de 11 de Maio de 2013, a propósito de uma caixa de Eschenbach, e que se ilustra com mais algumas fotografias (montagem da nossa autoria) de época recolhidas na net.

 A linha produzida por Hennig vai constituir uma das tendências mais radicais no modernismo da cerâmica alemã de então, juntando o lúdico e o decorativismo da art déco ao despojamento bauhausiano, como continuaremos a ilustrar com outras peças Kaestner da nossa colecção. A produção de objectos aerografados na Kaestner (ou Kästner) vai de 1928 a 1935, coincidindo, com a diferença de um ano (1929), com o carimbo presente nesta caixa.


A família Kaestner, antiga proprietária de terras agrícolas, está documentada desde 1551 enquanto possuidora de uma mina de carvão na localidade de Oberhohndorf, desde 1935 integrada na cidade de Zwickau. Ao longo dos séculos, a família tornou-se numa das mais importantes no tecido industrial da Saxónia.

 Friedrich Kaestner (1855-1924), filho do último proprietário da mina de carvão, decidiu dedicar-se à produção de porcelana, no que foi totalmente apoiado pelo pai. Criada em 1882, a fábrica abriu no ano seguinte com o nome da família. Com carvão em abundância e bem servida de transporte ferroviário, a fábrica atingiu a sua maior expansão na década de 1930, chegando a fornecer a força aérea alemã, a Luftwaffe, criada em 1933 por Hitler. Assim obliterando a produção de vanguarda, resultante da colaboração com o designer da fábrica de Bunzlau, professor Artur Hennig, durante a República de Weimar concebida para a burguesia mais esclarecida.

Em 1949, após a II Guerra Mundial, foi nacionalizada passando a exportar, sobretudo, para a URSS. No entanto, entrou em decadência nos anos 60 tendo encerrado em 1971. Foi a última unidade produtora de porcelana a encerrar na região.


domingo, 26 de agosto de 2018

Boleira ziguezague - Villeroy & Boch – Mettlach - Alemanha


Caixa de faiança moldada e relevada, de forma oblonga e bojuda, com tampa em calote, e aplicação de metal cromado na tampa e pega, dobradiça e fecho. Sobre a superfície branca destaca-se a decoração geométrica de ziguezague vertical, relevado e esmaltado a dois tons de laranja, aclarando e diminuindo de tamanho na tampa. No fundo da base carimbo verde «Villeroy & Boch, Mettlach» sobrepujando «Made in Saar Basin» e carimbo preto rectangular com «6252». Inscrito na pasta «3719» e «HJ» sobre «21»
Data: c. 1930
Dimensões: Alt c. 12 cm (sem pega) x comp. c. 24,5 cm, larg. c. 17 cm


Mais uma peça da nossa colecção dedicada ao “spritzdekor” (aerografado) alemão: uma boleira de que gostamos particularmente, produzida na unidade fabril da Villeroy & Boch em Mettlach.

É inesperado o contraste entre o ziguezague, muito art déco, em dégradé e em relevo, da decoração sobre a forma arredondada, que nos parece mais convencional, da caixa. E, sobretudo, parece-nos curioso, do pouco que conhecemos, que o dégradé seja feito pela sequência de duas cores planas, onde cada cor aerografada preenche homogeneamente cada estampilha, muito à maneira francesa, não cumprindo, assim, o que nos parece ser mais comum na produção germânica, isto é, o esfumado. Será influência da ocupação gaulesa do Sarre, território que esteve sobre administração franco-inglesa entre 1920 e 1935, como indica o «Made in Saar Basin» do carimbo?

Claro que estas questões não são lineares e as influências são recíprocas, sobretudo na zona fronteiriça entre os dois países, como algumas decorações de Sarreguemines, por exemplo, o comprovam.

Estão lembrados do fotograma do filme O Pai Tirano, que postámos recentemente, a 19 de Agosto, onde se vê uma boleira deste tipo, embora mais conservadora na sua decoração floral? Eram peças vistas com alguma frequência nas casas portuguesas, como muitos dos menos jovens ainda se lembrarão. De importação alemã, claro!



terça-feira, 15 de agosto de 2017

Caixa forma 3202- Decor 3094 - Theodor Paetsch - Alemanha


Caixa para biscoitos de faiança moldada, paralelepipédica com cantos arredondados, de cor branca. As faces principais são decoradas por composição geométrica e abstracta estampilhada e aerografada, com dois conjuntos, um na horizontal outro na vertical, de motivos lineares a amarelo e de ziguezague a azul, ambos em esfumado. As faces laterais ostentam apenas os motivos lineares a amarelo na horizontal. O contentor assenta sobre pé reentrante e é coberto por tampa igualmente reentrante com pega em meia-cana, aerografada a azul e topos num subtil esfumado da mesma cor. No fundo da base carimbos a castanho «3094» (decor) e «F». Inscrito na pasta «3203» (forma)
Data: c. 1930-33
Dimensões: Comp. 19x larg. 12cm x alt. 12cm


Sabendo da nossa paixão pelo aerógrafo e pela cerâmica da República de Weimar, duas queridas amigas alemãs, mãe e filha (H e L), surpreenderam-nos, no Natal passado, presenteando-nos com esta deliciosa caixa.

Cada decoração dá uma identidade muito particular a um mesmo formato, podendo valorizá-lo ou anulá-lo. Neste caso, a harmonia abstracta da geometria do desenho e o contraste das cores, potenciam as qualidades formais do objecto. Haveremos de postar esta forma com outras variantes decorativas.



sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Caixa oitavada Villeroy & Boch – Bonn - Alemanha


Caixa art déco de faiança moldada, oitavada, com decoração regular abstracta, de pendor vegetalista, estampilhada e aerografada, a verde, azul e preto sobre branco. O mesmo desenho repete-se, com as cores verde e azul alternadas, em cada uma das faces, e os ângulos, em cima e em baixo, são marcados por elementos a preto. A tampa é quadripartida visualmente por ornamentos com as mesmas cores alternadas. No fundo da base carimbo castanho «Villeroy & Boch» «Bonn» e, a preto, «D.1134.» sobrepujando «23». Inscrito na pasta «3211», «14» e FA».
Data: 1920 - 1925
Dimensões: Alt. 7 cm x Ø 11 cm


O desenho encontra-se perfeitamente delineado pelo recorte de cada uma das estampilhas, com cada cor uniformemente aplicada a cada um dos elementos compositivos, que assim se recortam claramente sobre o branco de fundo. Como já aqui escrevemos, esta solução não parece ser muito frequente nas decorações alemãs, aproximando-se mais das congéneres francesas.

Na repetição simétrica e regular de cada uma das partes vagamente vegetalistas, que diríamos lotiformes para os elementos centrais de cada face, há uma sugestão de agitação, sobretudo na composição que preenche a tampa, com um movimento rotativo em torno de um eixo central, em gironado, como se diz em heráldica.

É no reconhecimento desta dinâmica que, a nossos olhos, se vê a herança do Futurismo, em particular nos trabalhos do pintor italiano Giacomo Balla (1871 – 1958), ou mesmo de Fortunato Depero (1892 – 1960). Mais um exemplo da adaptação das vanguardas artísticas à estética art déco alemã.


Quando vimos a caixa à venda veio-nos de imediato à memória a exposição «Futurismo & Futurismi» que, com grande pena nossa, falhámos no Palácio Grassi, em Veneza, em 1986. Como compensação vimos a exposição «Arte Italiana: Presenze 1900-1945» que tinha várias obras futuristas, entre os quais Balla, no mesmo Palácio Grassi, em 1989. Um portento. Comprámos ambos os catálogos.

A Villeroy & Boch compra a fábrica de faiança de Franz Anton Mehlem, em Bona (Bonn), quando a região do Sarre, onde se localizavam as suas unidades fabris de Mettlach e Wallerfangen, foi concedida à França, em 1918, na sequência da Grande Guerra. Esta fábrica funcionou de 1920 a 1931. No entanto, a partir de 1925 abandona a produção industrial de cerâmica utilitária e decorativa para passar a produzir peças sanitárias. A Grande Depressão levou ao seu enceramento.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Caixa art déco modelo 25-A – Aleluia-Aveiro


Postado este modelo em 30 de Agosto de 2014 com a decoração «E», finalmente mostramos o 25-A, ou seja um exemplar com a primeira decoração da série, a que consta ilustrada no Catálogo de loiças decorativas de inícios da década de 40.

Como a descrição formal nos ajuda a sistematizar as nossas próprias fichas de inventariação, pois que voltamos repetir parte do que anteriormente foi escrito sobre o modelo.


Caixa art déco de faiança moldada e relevada, oitavada, com as faces menores, côncavas, de cor creme, decoradas com motivos florais estilizados em tons de castanho e preto, com a última a delinear os motivos, estampilhados e pintados á mão, que pendem a partir da tampa. Nas faces mais largas, a preto, sobressaem “contrafortes” embutidos que elevam a caixa e formam os quatro pés, de cor creme com haste floral estilizada mas cores referidas. Na tampa, ao centro, eleva-se uma estrutura cruciforme escalonada em que assenta a pega tronco-piramidal. Espelhos a preto e topos acastanhados. No fundo da base, pintado à mão, a preto, «Aleluia – Aveiro». Pintado à mão «A» e, inscrito na pasta, «25» (embora a leitura do 2 seja ambígua).
Data: c. 1935-45
Dimensões: Larg. 10,6 cm x 10,6cm x alt. c. 9 cm


A composição floral que, partindo da tampa, pende nas quatro faces estreitas e côncavas apresenta um grafismo curvilíneo nos caules que remete ainda para uma estética Arte Nova, embora as cores planas e a geometrização das flores, tal como a forma arquitectónica do modelo, estejam inequivocamente associados à contemporaneidade do Art Déco. A reminiscência de uma tradição popular presente no desenho do ramo floral que se repete em cada um dos quatro pés salientes também aponta no mesmo sentido.

Em nossa opinião será uma das formas mais originais produzidas pela Aleluia-Aveiro, e mesmo de toda a produção nacional art déco, por enquanto, pelo menos, sem paralelismo que conheçamos no contexto internacional.


domingo, 13 de dezembro de 2015

Boleira “Vieiras” – modelo x-501-A – Aleluia-Aveiro


Caixa (boleira) de faiança moldada e relevada em forma de cinco vieiras sobrepostas, à cor natural das conchas, com apontamentos a ouro. Tampa com pega em forma de berbigão a ouro. No fundo da base, carimbo circular sobre rectângulo, a ouro, «Aleluia» «Aveiro», e pintado à mão, a ouro, no centro, «%», sobrepujando «Fabricado em Portugal» inscrito num rectângulo. Pintado à mão, também a ouro, «x - 501 – A» (número do modelo e decoração)
Data: c. 1945-60
Dimensões: Alt. c. 17 cm x Ø c. 18 cm


Podemos reconhecer nesta peça um eco longínquo das criações do francês Bernard Palissy (c. 1510 – c. 1590), cujo revivalismo haveria de fazer furor na Europa, a Palissy ware, a partir de meados de Oitocentos e que em Portugal deu origem a uma das mais interessantes reinterpretações que se conhece do estilo, a loiça das Caldas da Rainha e, em particular, as criações de Rafael Bordalo Pinheiro.


A vieira é recorrente neste tipo de loiça, até porque a forma do bivalve propicia a utilização da própria concha como recipiente. Fábricas em Inglaterra, como, por exemplo, Wedgwood, ou em Portugal, caso de fábricas caldenses, conceberam serviços completos a partir deste motivo.

Claro que o Barroco também já havia utilizado, para os seus jogos ilusionistas, os motivos da natureza para conceber conjuntos de mesa.

Os animais e plantas que então serviram de inspiração, presentes no ambiente costeiro e/ou lacustre de Aveiro, permitiram continuar de alguma maneira viva esta tradição que podemos observar em certas peças relevadas da Fábrica Aleluia-Aveiro. 

Para além disso, a vieira, enquanto símbolo associado ao apóstolo Tiago, é uma constante na arte ocidental desde a Idade Média.


domingo, 29 de novembro de 2015

Caixa art déco “Ouriço-cacheiro” da Electro-Cerâmica – Vila Nova de Gaia


Caixa art déco, de porcelana moldada e relevada, em forma de ouriço-cacheiro estilizado, sendo a tampa a cabeça do animal. Corpo ovoide, a preto, revestido de espinhos em triângulo, lembrando escamas, sob o qual sobressaem subtilmente as patas da mesma cor. Cabeça e cauda a branco, tendo a primeira apontamentos a preto realçando focinho e olhos. No fundo da base, inciso na pasta, as letras sobrepostas «EC» inscritas num quadrado na oblíqua. Selo colado da «Vidraria Monumental - Av. Almirante Reis, 162A – Lisboa».
Data: c. 1930
Dimensões: Comp. c. 15,5 cm x larg. c. 7,5 cm x alt. c. 6,5 cm


Esta peça art déco remete claramente para a influência estilística de algumas criações de Édouard-Marcel Sandoz, caso do ouriço-cacheiro deste autor, que se ilustra, que parece ter sido a matriz inspiradora da deliciosa e simpática criatura produzida pela Electro-Cerâmica de Vila Nova de Gaia que hoje apresentamos.


Surge, certamente, na sequência da influência que esse escultor suíço radicado em França teve na produção nacional na década de 1930, bem documentada na Fábrica da Vista Alegre, que produziu, pelo menos, duas peças de Sandoz. Foi o caso de um coelho e de um saleiro-rã, este último já postado aqui no blogue, na sua versão a amarelo, em 19 de Janeiro de 2012.


A surpresa do selo de uma vidraria aposto a uma pequena peça decorativa de porcelana, talvez uma drageoire, pode indiciar uma prática comum em Portugal até aos anos 60 do século XX, a de se oferecer brindes a certos clientes. Embora nada obste a que um estabelecimento dessa natureza não pudesse também vender objectos de decoração.


sábado, 11 de julho de 2015

Jarro com faixas cortadas para cacau da Carstens Gräfenroda - Alemanha


Mais uma chocolateira art déco, da mesma forma «Leine», da alemã Carstens Gräfenroda que anteriormente postámos. Apresenta a mesma paleta quase monocromática, em dois tons de castanho e partes em reserva, mas com outra decoração, a nº 757. Esta concentra-se apenas no bojo esférico onde três faixas paralelas horizontais, a castanho-mel, são seccionadas em quatro partes por faixas verticais a castanho-chocolate. Todas as faixas aerografadas têm um dos lados em esfumado, pelo que o corte da estampilha será apenas rigoroso num dos sentidos. A restante superfície externa é castanho-chocolate. No fundo da base, carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos, igualmente a preto, «D. 757», «41» (?) e algo mais ilegível. Inscrito na pasta: «2».
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 20 cm (s/tampa) x Ø c. 14 cm


A decoração proporciona um efeito óptico completamente distinto relativamente ao jarro anterior, quase desconstruindo visualmente a forma. São estas virtudes da pintura a aerógrafo, delineada pelo recurso a estampilhas, uma técnica aparentemente tão simples, que tanto nos fascina e agrada na produção cerâmica deste período e que, por exemplo, a Fábrica de Loiça de Sacavém, à semelhança de outras congéneres europeias, tão bem soube apropriar-se.


quinta-feira, 9 de julho de 2015

Jarro listrado para cacau da Carstens Gräfenroda - Alemanha


Jarro art déco para cacau de faiança moldada, de bojo esférico, assente sobre pé circular, e colo alto cilíndrico. O bico, embutido no colo, parte do bojo em direcção ao bocal que é coberto por tampa de metal cromado. Toda a superfície recebeu pintura aerografada em dois tons de castanho, formando uma sobreposição de faixas horizontais, de diferentes espessuras, parcialmente em esfumado, que intercalam com a cor beije da reserva. Asa e bico são uniformemente castanho-chocolate. No fundo da base, carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos, igualmente a preto, «Dec 667», «Foreign» «24» e «34»
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 20 cm (s/tampa) x diâm. c. 14 cm


Trata-se da forma «Leine» com a decoração nº 667, e tem uma capacidade para cerca de litro e meio.

O despojamento e a funcionalidade da Bauhaus, presente na forma e na decoração minimalista, incluem este tipo de peças funcionais numa art déco vanguardista, muito característica dos objectos de uso quotidiano na República de Weimar.

Podem ver uma chocolateira idêntica no V&A (Victoria and Albert Museum) cuja ficha de inventário informa que, provavelmente, terá sido desenhado por Rausch, um aluno de Artur Hennig, e fabricado pela Christian Carstens, Kommandit-Gesellschaft Feinsteingutfabrik, Gräfenroda, em c. de 1930. Esta forma, com esta decoração em particular, parece ter feito sucesso no Reino Unido. A nossa peça foi comprada em Edimburgo, na Escócia, por exemplo, e o carimbo «Foreign» indica que se tratou de uma produção para exportação.


Porém, o mais interessante foi o que tivemos possibilidade de constatar nesta passada terça-feira, de manhã, 7 de Julho, na Feira da Ladra. Há muito tempo que não fazíamos em dia de semana esta voltinha simpática no meio do caos à procura das tão nossas apreciadas velharias.

Não foi um dia particularmente encorajador dado pouco termos visto que nos entusiasmasse verdadeiramente. Mais, constatámos que os preços continuam especulativos em excesso face aos tempos de crise em que vivemos.

Todavia, uma surpresa aguardava-nos. Não que nos interessasse adquiri-la, mas antes pelas questões que levantava. No meio do “lixo” surgiu-nos um jarro igual a este à venda e, por curiosidade, quisemos confirmar a germanidade da marca. A curiosidade instalou-se, pois a peça tinha apenas um único carimbo que informava «Made in England». Ora este modelo e decoração são indubitavelmente alemães, por isso das duas uma, ou a Carstens produzia uma parte da sua produção, sem marca, para ser vendida «in England» ou alguma fábrica inglesa a copiava. Mas não será certamente esta última versão porque pasta, cores, decoração e vidrados são inequivocamente iguais às de origem.

Não é a primeira vez que apresentamos exemplos ingleses que são cópias de formas alemãs. Veja-se post de 7 de Junho de 2014. De uma maneira geral, os ingleses copiam intensamente modelos e decorações continentais, sobretudo alemães, checos e franceses, antes de evoluírem, tardiamente nos anos 30, por caminhos que lhes são mais próprios.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Boleira art déco com motivos vegetalistas monocromos - Lusitânia - Coimbra


Esta forma pela terceira vez marca presença aqui no blogue: a primeira, em 28 de Fevereiro de 2013, tinha outra decoração, e a segunda, em 27 Dezembro do ano seguinte, tinha a mesma decoração da que agora se mostra em versão monocromática a azul. O grafismo dos motivos vegetalistas estilizados apresenta, em nossa opinião, ressonâncias simplificadas do neo-rococó de Dagobert Peche, como então escrevemos.



A caixa (boleira) art déco de faiança moldada de hoje tem uma cor uniforme azul-pálido, mate, sobre a qual recebeu decoração estampilhagem aplicada a aerógrafo no mesmo tom de azul mais carregado, cor que realça igualmente, em esfumado, os pés e a pega. No fundo da base, carimbo azul Lusitânia – Coimbra.
Data: c. 1930-35
Dimensões: Comp. c. 22,2 cm x larg. c. 11,5 cm x alt. c. 16 cm


sábado, 27 de dezembro de 2014

Boleira art déco com motivos vegetalistas bicromos - Lusitânia - Coimbra


Em 28 de Fevereiro de 2013 postámos uma caixa (boleira) art déco da unidade fabril de Coimbra da Fábrica Lusitânia do mesmo modelo que hoje apresentamos com outra decoração.
Sobre a cor uniforme esverdeado-pálido, mate, esta versão recebeu nas duas faces principais uma composição vegetalista estilizada, estampilhada e aerografada, a castanho e verde. Nas faces laterais e tampa outra composição de menor escala, igualmente vegetalista e com as mesmas cores. O bordo inferior da tampa é realçado frontalmente por ondeado a castanho. Tanto a pega como os pés são aerografados a verde. No fundo da base, carimbo verde Lusitânia FLCL – Coimbra – Portugal
Data: c. 1930-35
Dimensões: Comp. c. 22,2 cm x larg. c. 11,5 cm x alt. c. 16 cm



O grafismo dos motivos vegetalistas estilizados remete-nos para o eixo Áustria-Alemanha, com ressonâncias simplificadas do neo-rococó de Dagobert Peche (1887 – 1923) artista que muito vai influenciar a art déco germânica


domingo, 14 de dezembro de 2014

Caixa art déco aerografada modelo «Drossel» - Carstens Gräfenroda - Alemanha


Caixa de faiança moldada, de cor branca com decoração aerografada a castanho. Taça em forma de pirâmide invertida, de três lados ligeiramente convexos, cujo vértice assenta sobre pé circular saliente. Tampa triangular com pega de igual forma. No fundo da base, carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos igualmente a preto «Dec 24», «0» «6» e «34»
Data: 1931
Dimensões: Alt. 9 cm x larg 9,5 cm


Trata-se de uma caixa decorativa (zierdose), que tanto poderia ter a função de bomboneira como de açucareiro. Forma moderna bauhasiana em que a decoração estampilhada aerografada, muito linear, dá ritmo e profundidade às superfícies lisas.


No catálogo da firma Carstens Gräfenroda de Junho de 1931 aparece identificada como sendo o modelo «Drossel» e a decoração nº 24. Haveremos de postar mais algumas peças aí apresentadas.


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Caixa com caracol nº 27-G – Aleluia – Aveiro


Mais um exemplar da caixa art déco modelo nº 27 com tampa com pega em forma de caracol, desta vez com a decoração «G», tal como aparece identificado no Catálogo de loiças decorativas das Fábricas Aleluia. Aveiro.



Como no exemplar anteriormente postado, o caracol-pega pousa sobre círculo preto. Na decoração estampilhada a castanhos, aguada de cinzento e preto sobre o fundo creme com apontamento à mão, sobressai o friso que cinge a parte superior do bojo, seccionado por oito rectângulos separados por tracejado a preto. Quatro deles, de fundo aguado a cinzento, ostentam graficamente reproduzido o caracol tridimensional da pega, que intercalam com os restantes quatro, de fundo preto, decorados por quartos de flor com pétalas em tons de castanho e folhas, estilizados ao gosto art deco.
No fundo da base, pintado a preto, à mão, «Aleluia Aveiro» e «G».
Data: c. 1935 - 45
Dimensões: alt. 6 cm x larg.10 cm