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quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Caixa de Martha Katzer - Karlsruhe


Caixa, provavelmente uma boleira, de faiança moldada de cor marfim com decoração geométrica aerografada. A taça, em forma de calote abatida, é decorada por faixas intercaladas a amarelo e verde, aerografadas em esfumado, e assenta sobre pequeno pé em anel aerografado a verde. Tampa circular quadripartida lateralmente pelas referidas cores ficando em reserva um quadrado central em cujo eixo sobressai a pega, em forma de anel, repousando numa pequena base rectangular saliente, aerografada a verde. No fundo da base, carimbo inscrito na pasta com o símbolo da Karlsruher Majolika Manufaktur, e carimbos a azul 2676/61 (modelo) e Germany. Visíveis os sinais da trempe.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt 8 cm x Ø 17,5 cm


Esta caixa é da autoria de Martha Katzer (1897 - 1946) que trabalhou para a fábrica de Karlsruhe de 1922 até os anos quarenta. Podem ver esta forma, em outra versão cromática na colecção Cooper-Hewitt, no NationalDesign Museum, em Nova Iorque. É outro dos nossos designers cerâmicos favoritos a laborar nesta fábrica.


Sobre a formação de Martha Katzer pouco se conhece. Todavia, a sua obra artística, quer na concepção de formas quer na decoração, é extremamente inovadora e prolífera, tendo criado uma estética funcionalista bauhausiana, uma das vanguardas que foram pondo em causa o Art Déco internacional.

Sabe-se que começou como pintora no estúdio de Ludwig König (1891 - 1974). Este reputado ceramista e designer industrial, membro da Deutscher Werkbund, foi aluno e discípulo do artista Richard Riemerschmid que o recomendou para dirigir o estúdio da escultura cerâmica de Karlsruhe, cargo que desempenhou de 1922 a 1929.


Em 1926 Katzer aparece pela primeira vez com peças criadas por si - jarras decoradas por um padrão linear que lhe é característico, de grandes faixas e linhas finas aplicadas sob vidrado. A partir deste momento a sua actividade e criação vão determinar uma grande parte da produção em série da fábrica que nos finais da década se caracteriza por objectos com decoração estampilhada e aerografada, aliando qualidade plástica, artística e industrial em produtos de baixo preço para atender às necessidades de consumo das massas. 


Paralelamente a esta produção, vai desenvolver, no início da década seguinte, outros objectos mais refinados e elitistas em colaboração com Gerda Conitz. Haveremos de voltar a este tema.

sábado, 11 de maio de 2013

Caixa art déco – Eschenbach (Alemanha)



Caixa art déco de porcelana moldada, possivelmente uma bomboneira, de cor branca com decoração de inspiração vegetalista estampada em dois tons de azul e ouro. O contentor, de forma troncocónica, como um vaso, assenta sobre três pés formados por quatro folhas a branco, azul e ouro, escalonadas em curva, presas por um botão facetado, igualmente a ouro. Em cada um dos três panos, a decoração estilizada sugere-nos um vaso Bauhaus com cactos a azul, complementados por estrela e círculo quadriculado, ambos a ouro. O ressalto onde assenta a tampa, na parte inferior, apresenta filete a ouro. A tampa é constituída por dois troncos de cone que se sobrepõem. A eixo do inferior, muito aberto e baixo, projecta-se o superior, mais fechado e alto, rematado por pega esférica a ouro. O primeiro apresenta decoração estilizada de cactos a azul e filete dourado no bordo, o segundo quatro filetes a ouro na base e três na parte superior junto à pega. No fundo da base, carimbo verde EschenbachBavaria (com dois pontos sob o «va») sobrepujado por coroa (marca que corresponde ao período de 1929 a 1935).
Data: c. 1929-35
Dimensões: Alt. 19,5 cm


Embora conservadora para os padrões alemães, e a decoração reflicta uma reinterpretação estilizada neo-rococó, esta caixa é mais um exemplo da tendência germânica para, a partir dos sólidos geométricos, neste caso cones e esferas, conceber objectos decorativos vanguardistas numa evidente filiação bauhausiana. Veja-se, a título de exemplo, os figurinos do «Ballet Triádico» de Oskar Schlemmer, estreado em 1922.


Haveremos de continuar a mostrar vários exemplos de caixas de formas geometrizadas que ilustram esta vertente do Art Déco alemão, onde a inventividade e mesmo a extravagância atingem os limites da imaginação como já tivemos oportunidade de referir.


A fábrica que posteriormente haveria de se chamar Eschenbach, foi fundada por Eduard Haberländer, em Windischeschenbach, em 1913. A produção começou verdadeiramente em 1916 em pequena quantidade e com produtos de baixo valor.

Em 1929 foi adquirida pela Porzellanfabrik Oscar Schaller & Co. Nachfolger, tomando então o nome por que é hoje conhecida. Com uma nova filosofia de gestão, a linha de produtos foi renovada. Até 1935 a porcelana de Eschenbach gozava de uma sólida reputação e a empresa possuía uma boa situação económica. A Segunda Guerra Mundial vai ser violenta para a fábrica, que perdeu toda a documentação e catálogos, destruídos pelas tropas americanas que ocuparam o edifício, a que se somou a perda durante a guerra de muitas peças aí produzidas. Daí que sobreviva um número relativamente escasso de exemplares da produção deste período da Eschenbach e se conheça tão pouco sobre ela.

No pós-guerra a produção recomeçou com moldes da desaparecida Porzellan-Manufaktur Allach-München G.m.b.H, recuperando nos dez anos seguintes a situação económica perdida. Em 1950 foi comprada pela Companhia Winterling. Sucessivamente adquirida por outras empresas, a fábrica continua hoje em laboração produzindo porcelana de qualidade para hotelaria.



sábado, 6 de abril de 2013

Jarro art déco – Vista Alegre - Portugal





Jarro de porcelana moldada art déco de vertente modernista, de cor branca com parte saliente do bojo, interior da asa e bordo a cor-de-laranja forte aplicado a aerógrafo. No fundo da base, carimbo verde V.A. Portugal - Marca nº 31 (1924-1947) e, inscrito na pasta, à mão, 2215.
Data: c. 1935
Dimensões: Alt. 16,1 cm






Aproveitámos para postar esta peça portuguesa na sequência do post anterior, dado tratar-se de uma peça funcionalista claramente inspirada no modelo 3287, criado pela designer Eva Stricker-Zeisel, para a Fábrica Schramberg, c. 1929-30, que ilustramos. 


Judia, tal como Margarete Heymann-Marks, e perseguida pelos totalitarismos da época (leia-se um pouco da sua biografia no que escrevemos a 18 de Julho de 2012), foi igualmente importante no design alemão da República de Weimar e uma grande divulgadora, a nível mundial, dos ideais da Bauhaus.

O Portugal de então não ficou também imune à influência das suas criações. Já não é a primeira vez que referimos esta ceramista a propósito de peças de produção nacional, no caso, associada a Sacavém.Como se vai vendo, é a Alemanha uma das grandes fontes de inspiração da produção nacional, pelo menos ao nível das chamadas artes decorativas. Provavelmente mais importante até que as influências francesas e inglesas de que tanto se fala.

É interessante relembrar que, enquanto os nazis consideravam a sua obra como “degenerada”, por cá, num assomo de “modernidade”, em pleno regime salazarista, era um modelo a seguir. Contradições de uma sociedade que resume a modernidade a um tique sem lhe apreender o conteúdo. Não estamos a falar de hoje, estamos a escrever sobre os anos 30, claro!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Serviço de café bauhaus azul da HAEL, Marwitz - Alemanha




Serviço de café de faiança, formado por cafeteira, leiteira e chávenas com respectivos pires (falta o açucareiro), de linhas troncocónicas e pés salientes, de cor azul monocromática aplicada a aerógrafo. As asas são formadas por duas pastilhas circulares justapostas, de diferentes dimensões, côncavas, e pegas simples de igual configuração. No fundo da base, carimbos a azul-escuro com as letras HAEL sobrepostas, e os números 182 e 6.
Data: c. 1925-30  
Dimensões: Várias


Uma das criações icónicas do modernismo alemão são estes serviços de linhas cónicas concebidos em versões para chá e café que Margarete Heymann-Loebenstein (mais tarde Heymann-Marks) criou. 



Margarete Heymann (1899–1990) nasceu em Colónia no seio de uma família da burguesia judaica. Muito jovem estudou pintura nas Escolas de Arte de Dusseldorf. Após ter estudado cerâmica na Bauhaus nos anos de 1920-21, deixou os estudos e casou-se com Gustav Loebenstein.

 
Em 1923, perto de Berlim, em Marwitz, fundou com o marido e o irmão deste, a Haël Werkstätten für Kunstlerische Keramik (Fábrica Haël para Cerâmica Artística) onde vai aplicar os conhecimentos adquiridos com Johannes Itten e Paul Klee.
Sob a sua direcção artística (o marido e cunhado ocupavam-se da gestão), a fábrica vai produzir objectos onde se unem design moderno, qualidade artesanal e manufactura industrial.
Durante os dez anos de produção (a fábrica encerrou em 1933) criou uma grande variedade de loiça utilitária e peças com decoração expressionista a pincel, para consumidores de toda a Europa e Estados Unidos. A designer em ascensão acreditava na utopia moderna de que uma arte empenhada poderia melhorar a sociedade.
Em 1928 o marido e o cunhado morrem num acidente de carro, deixando-a com dois filhos e, em 1933, um dos filhos com cinco anos morre também noutro acidente.
Com a chegada de Hitler ao poder, em 1933, a cerâmica de Margarete foi chamada de “degenerada” e colocada numa “câmara de horrores” ou schreckenskammer.  


No novo ambiente político, foi acusada de ser vanguardista no campo artístico, de esquerda no campo político e judia. Em 1934 é forçada a vender a fábrica a um agente nazi por um preço muito abaixo do seu valor real
A 20 de Maio do ano seguinte o pasquim de propaganda do regime “Der Angriff,” dirigido por Joseph Goebbels, lançou uma série de calúnias contra a ceramista classificando o seu design como “produto de um funcionalismo degenerado e mal compreendido” e publicou fotografia comparando a cerâmica de Grete com as produções da fábrica sob a nova administração ariana, com a legenda: «Duas raças têm diferentes formas para o mesmo objectivo. Qual a mais bela?»

 
A artista todavia não teve o mesmo destino que a sua fábrica às mãos dos nazis. Tendo embora perdido familiares e amigos – a mãe foi morta no campo de concentração nazi de Sobibor na Polónia ocupada – valendo-se da rede de contactos que tinha no estrangeiro, conseguiu fugir para Inglaterra com o filho e começou a trabalhar nas olarias de Stoke-on-Trent em 1937.
Nessas manufacturas tradicionais, criou diversos objectos de design, incluindo a sua própria linha para a Minton & Co, mas nunca mais alcançou a excelência das suas criações alemãs.
Voltou a casar-se em 1938 com Harold Marks e, em 1945, passou a residir em Londres onde se dedica sobretudo à pintura.
O legado de Grete Marks é o de uma designer consumada que dedicou a sua vida à criação de objectos utilitários visualmente poderosos e artísticos. O seu talento notável revelou-se plenamente nos objectos produzidos no Atelier Artístico de Haël onde concretizou a visão utópica da Bauhaus fundindo o design moderno com o artesanato de qualidade numa produção em grande escala. Hoje classificamos a cerâmica produzida por aquela fábrica como moderna, aerodinâmica, actual, enfim, cool.
Na verdade Margarete Heymann-Marks, apesar de todas as vicissitudes da sua vida, que daria um filme extraordinário, com as suas criações cerâmicas foi dos principais protagonistas do sucesso internacional da Bauhaus.

Durante longo tempo quase esquecido tem vindo a ser revalorizado cada vez mais o trabalho criativo desta designer, e redescobrem-se com encanto e admiração as suas peças, sobretudo do período alemão. São disputadas por particulares e museus, e as exposições sucedem-se. Veja-se a recente exposição no Milwaukee Art Museum, de cujo blogue retirámos parte da informação que vos apresentamos, aqui e aqui, e a exposição «Avantgarde für den Alltag: Jüdische Keramikerinnen in Deutschland 1919-1933» que agora decorre no museu Bröhan em Berlim  cuja capa do catálogo também aqui mostramos. Para mais informação, ver ainda o site da Bauhaus. 

segunda-feira, 18 de março de 2013

Cigarreira de Paul Speck - Karlsruhe




Mais uma caixa (cigarreira) de faiança de Paul Speck (1896-1966) cujo modelo já apresentámos em azul, agora em versão policroma. A cor branca de fundo recebeu decoração quadriculada formada por linhas a preto e listas verdes e amarelas. No fundo da base, inscrito na pasta, carimbo da manufactura de Karlsruhe e carimbo preto azulado: 2900/a [modelo] e Germany.
Data: 1925
Dimensões: 15 cm x 9,5 cm x 4 cm



Podemos observar peça idêntica no canto superior direito do folheto publicitário da manufactura de Karlsruhe, de c. 1930, conjuntamente com outras caixas, incluindo uma de chá que já postámos. Todos modelos criados entre 1924 e 1925.