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terça-feira, 12 de junho de 2012

Jarra Arte Nova sem marca - França



Jarra de grés moldada, de gramática Arte Nova, não assinada, no gosto de Dalpayrat, com decoração vegetalista, relevada e parcialmente recortada, que se concentra numa das faces, mas que envolve o bocal num ondulado irregular. A composição vegetalista, com flores, ganha contornos abstractizantes graças ao tipo de esmaltes utilizados, muito espessos, que serão duas camadas, uma cinzento–esverdeada recoberta por cor sangue-de-boi aclarado que não ficou uniforme, deixando transparecer a cor base que, por vezes, a pontua com manchas esverdeadas. Os esmaltes, que escorreram irregularmente, deixaram em reserva parte da pasta junto à base. Não apresenta qualquer marca, mas será francesa.
Data: c. 1890-1900
Dimensões: alt.:29 cm



Japonizante, tanto na forma como na decoração, em que o recortado ajouré parcial dos elementos vegetais, ao permitir ver a cor do interior, lhe atribuiu uma atractividade suplementar, esta jarra é uma daquelas peças em que apetece tocar, sentir a forma e as texturas, dada a grande sensualidade que dela emana.

Não nos parece objecto de fabrico em série, tanto mais que no interior se concentra parte do material proveniente do recorte das flores que ficou envolvido pelo esmalte. Assim sendo, tratar-se-á de uma peça de autor feita num dos muitos ateliers artísticos que à altura produziam objects d’art.



sexta-feira, 8 de junho de 2012

Jarra com flores Arte Nova de Max Laeuger – Kandern - Alemanha



Jarra em forma de balaústre, de barro vidrado com esmaltes espessos que formam relevo, de cor de fundo verde pálido com decoração de flores castanho alaranjado que, desabrochando no topo de hastes esguias e curvas, ao gosto Arte Nova, verde carregado, como a folhagem densa na parte inferior da jarra que emerge de um fundo preto. Na base, inciso na pasta, carimbos KML [Max Laeuger Kandern] inscrito num quadrado e GESETZL e GESCHTZT (?), inscrito num rectângulo. À mão, também inciso, 106 H.
Data: c. 1900
Dimensões: Alt. 39,5cm


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Jarrão com rosas Arte Nova - Max Laeuger - Kandern



Jarrão bojudo de argila vidrada com esmaltes espessos que formam relevo, de base creme com decoração de espinhos a preto, formando uma quadrícula oblíqua que vai estreitando em direcção à base e ao gargalo, enquadrando rosas a preto e castanho alaranjado estilizadas ao gosto Arte Nova mackintoshiano. Na base, marcado na pasta, KTK inscritos num quadrado (de Kunsttöpferei Tonwerke Kandern) e 933 e 4.
Data: c. 1905-10
Dimensões: c. 25 cm x c. 25 cm

As peças produzidas em KTK, como é o caso do jarrão de hoje, embora não tenha a assinatura de Max Laeuger sobreposta à da própria manufactura, é, quanto a nós, sem dúvida da sua autoria. Veja-se o exemplar idêntico devidamente identificado exibido na Exposição de Bruxelas de 1910 (in catálogo: BREYER, Robert – German arts and crafts at the Brussels exhibition. Stuttgart: Julius Hoffmann, 1910, p. 118).
Neste modelo, tal como no nosso, regista-se a presença das características rosas estilizadas à maneira de Mackintosh revistas pela Secessão Vienense.



Max Läuger ou Laeuger, (1864 – 1952) foi um dos mais importantes designers alemães. Criador multifacetado, trabalhou tanto arquitetura de interiores e jardins como o desenho industrial, a pintura, a cerâmica e o vidro, por exemplo. Tendo estudado na Academia de Artes e Ofícios, em Karlsruhe, de 1881 a 1884, onde vai dar início a uma bem sucedida carreira de ceramista, passa a ensinar desenho e modelagem na mesma escola até 1898, tendo passado a professor em 1894. Em paralelo, em 1885, estuda arquitectura de interiores e jardins, na Universidade Técnica de Karlsruhe.
As fábricas de cerâmica de Kandern estavam em crise nos finais do século XIX. A produção tradicional de aquecedores cerâmicos a que, sobretudo, se dedicavam foi arruinada pela nova produção industrial de aquecedores de ferro fundido que então invadiam o mercado. Para tentar minorar a gravidade da situação, o Ministério do Comércio do Grão-Duque de Baden escolheu Max Laeuger para modernizar a produção cerâmica desta cidade do Grão-Ducado de modo a ensinar os ceramistas tradicionais a inovar as suas produções de acordo com as novas tendências decorativas da altura. Assim, quando em 1893 Laeuger começa a trabalhar na Tonwerke Kandern, de onde provêem as primeiras cerâmicas datadas, a sua primeira fase criativa segue as tendências formais da Arte Nova (Jugendstil) com predomínio para os motivos vegetalistas, com padronagens repetitivas e regulares. Laeuguer manteve as técnicas da cerâmica tradicional criando novos padrões decorativos. Alia, assim, a perfeição do artesanato de alta qualidade à produção industrial. Um dos princípios fundamentais da Deutscher Werkbund  (da qual foi co-fundador em 1907), e, posteriormente, da Bauhaus, como já tivemos oportunidade de dizer quando falámos de Paul Speck.
Suceder-se-ão, depois, as influências da Secessão alemã e do Wiener Werkstätte. Em ambas as fases a tendência é para o preenchimento total das superfícies cerâmicas. Só depois de 1920 aparecem animais e figuração humana nas suas criações, que vão ganhando um estilo cada vez mais expressionista. É neste período, de 1921 a 1929, que é director do departamento de design da "Staatliche Majolika Manufaktur" em Karlsruhe, de que haveremos de mostrar outra jarra.
Durante os anos 30 e até 1944, Max Laeuger trabalhou como artista independente até ao bombardeamento do seu estúdio, em Pinneberg,após o que regressou a Lörrach, sua terra natal.




As peças cerâmicas, sobretudo jarras, potes e afins, com desenhos e cores aplicados com esmaltes de tal modo espessos que adquirem um relevo pronunciado, pela sua qualidade estética tornaram-se clássicas.
A produção da cerâmica tradicional com desenhos de Max Laeuger foi considerada a mais elevada forma de expressão cerâmica na Alemanha da época e influenciou muitos criadores cerâmicos do século XX.
Parte do sucesso destas peças também se deve ao pintor Hermann Hakenjos que, chegado a Kandern em 1895 com Max Laeuger, transpunha os desenhos do mestre para os diferentes modelos de forma exemplar. Haveria de ser director da fábrica de 1920 a 1929.
Graças à sua expressividade e inovação, recebe medalhas de ouro nas exposições universais de Paris, em 1900, de St. Louis, em 1904, e de Bruxelas, em 1910. Já no final da sua vida, foi-lhe atribuído o Grande Prémio da Trienal de Milão em 1951, um ano antes da sua morte.
Independentemente de todos estes predicados que acabámos de expor, Max Laeuger é uma das nossas paixões enquanto coleccionadores. Só lamentamos ter tão poucas peças da sua autoria.


segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Jarra Arte Nova “Orquídeas sapatinho” - Royal Copenhagen



Jarra de porcelana moldada, dentro da gramática Arte Nova, com decoração policroma japonizante, em tons pastel, apenas num dos lados, representando um conjunto de orquídeas sapatinho (Paphiopedilum), pintado por E. Benzon, sobre fundo cinzento azulado. Na base, carimbo verde, com coroa, da "Royal Copenhagen” (marca de c. 1889 a 1922), e, pintados à mão, também a verde, nºs 214 (decor) e 244 (forma/modelo). Pintado à mão, a azul, três ondas e 12 (nº do pintor).
Data: c. 1900
Dimensões: Alt. 32,5 cm

Esta forma criada em 1899 por Arnold Krog e, com diversas decorações, foi levada à Exposição Universal de Paris de 1900. É provável que esta versão, comprada em Paris na altura, com decoração pintada por E. Benzon, que trabalhou na fábrica de 1897 a 1933, seja um desses exemplares.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Jarrão “Moliceiros” Aleluia-Aveiro




Jarrão de faiança moldada, em forma de balaústre, com decoração policroma pintada à mão, com friso central naturalista representando 4 moliceiros, iguais dois a dois, intercalados, enquadrado por estreitos e coloridos frisos com ornatos de ondas, e por frisos largos que consistem na estilização de vagas espumosas e silhuetas de caranguejos, a preto, num japonismo revisto pela Arte Nova. Dois frisos coloridos com ornatos de meios-círculos enquadram pé e bocal. Na base carimbo redondo sobre rectângulo Aleluia – Aveiro. Made in Portugal Hand Painted. Inscrito no centro do carimbo, pintado à mão a preto, B. Por baixo, também pintado à mão a preto, 132 D
Data: c. 1935-45
Dimensões: alt. 48 cm


Esta peça, em termos estéticos, foge um pouco à gramática art déco e a outros cânones estéticos que procuramos nas peças Aleluia-Aveiro produzidas nas décadas de 30 e 40 do século XX. Foi-nos oferecida por familiares com muito carinho que a encontraram numa feira de velharias. Contudo, é exemplar no contexto cultural e mental em que foi criada, pelo que, a propósito dela, aproveitamos para divagar um pouco, em reflexões pessoais sem grandes preocupações, sobre as peças que hoje constituem a nossa colecção dedicada a esta fábrica, num período que vai de c. 1930 a c. 1960. Abrangemos, pois, 40 anos de produção Aleluia.

Com origens que remontam a 1905, quando depois de um período de crise em que vivia a Fábrica da Fonte Nova, João Aleluia, Feliciano Aleluia e outros constituíram uma nova sociedade para produção de produtos cerâmicos, com instalações no Largo dos Santos Mártires. João Aleluia torna-se no seu principal responsável e, em 1917, por falta de espaço, as instalações mudam-se para o Canal da Fonte Nova. Com seus filhos, Gervásio e Carlos, a fábrica ganha importância nos mercados interno e externo, e, a partir de 1922, passa a denominar-se Fábrica Aleluia.
A fábrica transformou-se numa autêntica escola de ceramistas e pintores a nível regional, cuja qualidade era reconhecida em exposições nacionais e estrangeiras. (ver: http://aveirana.doc.ua.pt/pereiracampos.htm)
Saliente-se, todavia, que a Aleluia-Aveiro apresenta, desde cedo, uma produção com uma identidade própria, mesmo quando baseada em modelos e/ou motivos estrangeiros, como já tivemos oportunidade de referir.
As suas peças são inconfundíveis a nível nacional e internacional, mesmo quando os motivos e as formas são tardias (caso das peças anos 30 cuja decoração, quer pela temática, quer pela forma, quer pelo grafismo curvilíneo dos desenhos ou o jogo da sua repetição, nos remetem para um universo mais Arte Nova, portanto, mais próximos de 1900, que Art Déco ou Modernista.
Partindo, por vezes, de referenciais cretenses e micénicos, como a utilização de certas figuras animais, caso do polvo, ou de elementos neo-gregos ou neo-renascentistas, ou elementos mais naturalistas, de temática folclorizante, ou mesmo apesar de certas afinidades com alguma da produção da fábrica francesa Ciboure, a Aleluia-Aveiro criou uma identidade própria, expressiva, através de uma paleta de cores específica e de um repertório temático rico de detalhe, apostando em motivos ligados à sua localização geográfica, ora marinha, ora ribeirinha e lacustre, e às actividades marítimas locais. Daí o nome da fábrica Aleluia ser indissociável do nome da terra onde se localiza: Aveiro.

É, em nossa opinião, a mais genuinamente portuguesa das produções cerâmicas nacionais da época, no sentido de dar uma leitura outra, nacionalizando estéticas e motivos que chegavam de fora.
Talvez a isso não seja alheia uma certa frescura ingénua dos seus artistas, sem formação de escola, mas decoradores por tradição familiar e transmissão de mestres para discípulos, sobretudo até aos anos de 1940. Haverá excepções, certamente, como em todos os casos.
Ao repertório tardio Arte Nova de umas quantas composições decorativas, a Aleluia-Aveiro, soube introduzir uma gramática identitária perfeitamente reconhecível e inconfundível, quer pela paleta de tons escuros, uma certa tendência para a bicromia (ou quase) em determinada produção dos anos de 1930-40 que, em paralelo com outras mais vivas, fazia a diferença.


O universo imagético de que se rodeou, ligado às actividades marítimas locais, revelou-se a sua maior qualidade, e se o Japonismo revisto pela Arte Nova é reconhecível nuns tantos motivos, caso das ondas e caranguejos, outros há em que indo buscar modelos à Idade Média, caso das jarras bojudas com 3 asas, quer à Antiguidade Clássica ou à sua revisão renascentista, como certas jarras em forma de ânfora ou outras, ou mesmo nas formas mais convencionais, como as de balaústre ou globulares. Teremos oportunidade de mostrar várias peças ilustrativas, onde são reconhecíveis os traços que as inspiraram mas cuja genuinidade local está bem patente.
O reino animal e vegetal ligado ao universo marinho costeiro ou lacustre: o búzio, ou outro tipo de conchas, o caranguejo e outros crustáceos, o polvo, as estrelas-do-mar, os cavalos-marinhos, as algas bodelhas, o sargaço, o pato-real, a cegonha, o nenúfar, o caracol …
Muitos adquirirão novas qualidades plásticas na produção de c. 1945-55, com as suas formas a moldarem o relevo das próprias peças e não apenas pintadas.

Mas, na década seguinte será outra loiça, parafraseando a célebre campanha publicitária da sua mais conhecida concorrente na faiança nacional.
As peças, sempre pintadas à mão, seguem a técnica tradicional da bicozedura, em que à pintura sobre vidro cru, aplicada sobre a chacota cozida, se segue uma cozedura fina.
Quer pelo design das formas, quer pelo rico colorido e composições decorativas, a produção, a partir de meados dos anos 50, da Aleluia-Aveiro é, a nosso ver, das mais consistentes a nível nacional, dando-lhe um cunho, mais uma vez, personalizado, ultrapassando mesmo, em certos aspectos, a SECLA, cuja concorrência obrigara à mudança de rumo das suas criações.


De facto, a SECLA - Sociedade de Exportação e Cerâmica, Lda, que havia sido registada em Dezembro de 1946, começando a laborar a 1 de Janeiro do ano seguinte, criou o Estúdio SECLA, que resultou de um projecto de renovação da cerâmica de autor e de reunião de artistas plásticos, desenvolvendo-se a partir de 1950 e até aos inícios da década de 70. Esta proposta veio concretizar o desafio lançado no Salão Nacional de Artes Decorativas, de 1949, para os industriais recorrerem a artistas plásticos no sentido de uma renovação das suas produções cerâmicas. A reacção de outras grandes fábricas portuguesas não tardou, renovando formas e decorações. A par da Aleluia-Aveiro será a Fábrica de Loiça de Sacavém outra das mais bem sucedidas neste esforço de modernização, acompanhando, assim, o design contemporâneo internacional

domingo, 20 de novembro de 2011

Jarras Arte Nova - Rörstrand (Suécia)


Hoje apresentamos dois objectos de paixão. Duas jarras de porcelana Arte Nova da fábrica sueca Rörstrand. A primeira que adquirimos foi esta de forma esférica abatida, branca, de bojo decorado com folhas de golfão amarelo, naturalistas, recortadas e aplicadas em relevo, policromas, em tons pastel, ligadas, formando vazios, à argola do bocal. Na base, carimbo verde Rörstrand e gravado na pasta o número da forma: 30273 e um G, atribuído a Johan Georg Asplund (1873-1920 ou c. 1930) autor do modelo e pintura?.
Data: c. 1900
Dimensões: alt 9 cm x diam 12cm.



A segunda jarra, em forma de balaústre, igualmente branca, com bojo decorado em tons pastel, com três pés de roseira brava, de cor cinza, que desabrocham em igual número de rosas cor-de-rosa abertas, naturalistas, em relevo, que orlam, deixando vazios (ajouré), o bocal. Na base, carimbo verde Rörstrand e AB, iniciais da autora Anna Boberg.
Data: c. 1900
Dimensões: alt 21,5 cm x diâm 9,5 cm

A notoriedade adquirida internacionalmente pela fábrica Rörstand durante o período da sua produção Art Nouveau, entre 1895 e 1915, só teve paralelo com as produções de vidro de Tiffany e Gallé.
No atelier artístico da fábrica, o nacionalismo sueco tomava contornos de Arte. Baseando-se na fauna e flora nativas do seu país, os artistas criam elegantes objectos tridimensionais, de inultrapassável beleza. Capturam as formas orgânicas que a natureza lhes proporcionava numa combinação de pintura, contorno e movimento.
Com uma técnica perfeita aliavam a pureza das pastas à mestria da aplicação da pâte-sur-pâte. Muitas jarras viram os seus rebordos esculpidos, em relevo e formas vazadas numa paleta de sombras subtis e tons pastel, caso dos dois exemplares aqui apresentados.


Anna Boberg (1864-1935) foi uma das principais artistas da Rörstrand, sendo dela a famosa jarra “Pavão”, de 1,80 m de altura, que dominou o pavilhão da fábrica na Exposição de Estocolmo de 1897, e, em 1900, na Exposição Universal de Paris, peça que recebeu o Grand Prix. Aliás, o pavilhão sueco em Paris foi da autoria de Ferdinand Boberg, seu marido.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Pelicano da Lusitânia - Coimbra





Escultura animalista, de cerâmica moldada e relevada, policroma, pintada a aerógrafo e à mão, representando um pelicano. Trata-se de um exemplar decalcado de modelo desenhado por Paul Walther (1876 – 1933) para a fábrica de porcelana de Meissen (Alemanha), (registo do desenho Maio 1906, modelo número W 142), que o reproduziu durante anos. Ao refinamento do original, mais naturalista, pintado em tons pastel, a Lusitânia deu origem a um objecto mais “moderno”, quer pela textura do material, quer na liberdade quase expressionista das cores fortes com que a peça foi pintada, dotando-o de um espírito mais próximo da art déco que do Jugendstil (Arte Nova) do modelo original. Na base, pouco visível, carimbo Lusitânia – Coimbra, e inscrito na pasta 113.
Data: c. 1930 - 40
Dimensões: alt. 15,5 cm



Ler: Porzellan: Kunst und Design 1889 bis 1939: Vom Jugenstil Zum Funktionalismus. Zweiter Band. Berlim: Bröhan-Museum, 1996, pág. 70





quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Jarra esgrafitada Aleluia – Aveiro




Jarra de faiança moldada, de formato ovóide recortada de forma ondeante, formando como que uma pega, cuja base branca foi decorada, a três cores. No exterior, uma faixa amarela sinuosa, debruada a branco, destaca-se sobre um fundo preto onde foram livremente esgrafitadas estrelas de cinco pontas. O interior recebeu um laranja forte. Na zona de recorte, o branco marca a transição entre cores. Na base, carimbos dourados Aleluia-Aveiro e Fabricado Portugal e, pintado à mão, a preto, x, dentro do primeiro carimbo, e 668-B.
Data: c. 1955
Dimensões: alt. c. 19,5 cm x larg. c. 9 cm

A escolha de hoje incide sobre uma jarra que consideramos muito importante na produção da Fábrica Aleluia-Aveiro, de meados dos anos 50, não só pelo forte impacto plástico, como pelas leituras interpretativas que dela podemos fazer, sobretudo porque presentes noutras peças desta época.
Reinterpretação moderna do legado moderno que foi à época a Arte Nova, neste exemplar está implícita a organicidade abstracta desse estilo fluido e curvilíneo, tanto na forma como na decoração. O seu autor, na composição que interpretamos livremente como um caminho ou fumo sob um céu nocturno estrelado, demonstra conhecimento dos movimentos artísticos, de cerca de 1900, como o Simbolismo e suas desinências, caso dos Nabis, de que Maurice Denis (1870 - 1943), aqui ilustrado, é exemplo, e outros artistas próximos da Arte Nova, como o pintor húngaro Joseph Rippl-Ronai (1861-1927), que fez cerâmicas para a célebre fábrica Zsolnay, de que apresentamos também uma jarra.



Nota: Quando em 2000 comprámos esta peça, foi-nos dito que, nos anos 50, teriam trabalhado na Aleluia-Aveiro designers belgas. Todavia, nunca encontrámos nada que o confirmasse. Infelizmente, os contactos que fizemos com a fábrica revelaram-se infrutíferos, apesar da simpatia da interlocutora. Esperamos que através deste nosso blogue, ou de outro qualquer, alguém queira partilhar informações de que disponham e se faça alguma luz sobre o assunto.