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quinta-feira, 9 de julho de 2015

Jarro listrado para cacau da Carstens Gräfenroda - Alemanha


Jarro art déco para cacau de faiança moldada, de bojo esférico, assente sobre pé circular, e colo alto cilíndrico. O bico, embutido no colo, parte do bojo em direcção ao bocal que é coberto por tampa de metal cromado. Toda a superfície recebeu pintura aerografada em dois tons de castanho, formando uma sobreposição de faixas horizontais, de diferentes espessuras, parcialmente em esfumado, que intercalam com a cor beije da reserva. Asa e bico são uniformemente castanho-chocolate. No fundo da base, carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos, igualmente a preto, «Dec 667», «Foreign» «24» e «34»
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 20 cm (s/tampa) x diâm. c. 14 cm


Trata-se da forma «Leine» com a decoração nº 667, e tem uma capacidade para cerca de litro e meio.

O despojamento e a funcionalidade da Bauhaus, presente na forma e na decoração minimalista, incluem este tipo de peças funcionais numa art déco vanguardista, muito característica dos objectos de uso quotidiano na República de Weimar.

Podem ver uma chocolateira idêntica no V&A (Victoria and Albert Museum) cuja ficha de inventário informa que, provavelmente, terá sido desenhado por Rausch, um aluno de Artur Hennig, e fabricado pela Christian Carstens, Kommandit-Gesellschaft Feinsteingutfabrik, Gräfenroda, em c. de 1930. Esta forma, com esta decoração em particular, parece ter feito sucesso no Reino Unido. A nossa peça foi comprada em Edimburgo, na Escócia, por exemplo, e o carimbo «Foreign» indica que se tratou de uma produção para exportação.


Porém, o mais interessante foi o que tivemos possibilidade de constatar nesta passada terça-feira, de manhã, 7 de Julho, na Feira da Ladra. Há muito tempo que não fazíamos em dia de semana esta voltinha simpática no meio do caos à procura das tão nossas apreciadas velharias.

Não foi um dia particularmente encorajador dado pouco termos visto que nos entusiasmasse verdadeiramente. Mais, constatámos que os preços continuam especulativos em excesso face aos tempos de crise em que vivemos.

Todavia, uma surpresa aguardava-nos. Não que nos interessasse adquiri-la, mas antes pelas questões que levantava. No meio do “lixo” surgiu-nos um jarro igual a este à venda e, por curiosidade, quisemos confirmar a germanidade da marca. A curiosidade instalou-se, pois a peça tinha apenas um único carimbo que informava «Made in England». Ora este modelo e decoração são indubitavelmente alemães, por isso das duas uma, ou a Carstens produzia uma parte da sua produção, sem marca, para ser vendida «in England» ou alguma fábrica inglesa a copiava. Mas não será certamente esta última versão porque pasta, cores, decoração e vidrados são inequivocamente iguais às de origem.

Não é a primeira vez que apresentamos exemplos ingleses que são cópias de formas alemãs. Veja-se post de 7 de Junho de 2014. De uma maneira geral, os ingleses copiam intensamente modelos e decorações continentais, sobretudo alemães, checos e franceses, antes de evoluírem, tardiamente nos anos 30, por caminhos que lhes são mais próprios.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Jarra da HAEL, Marwitz - Alemanha


Jarra de cerâmica moldada, em forma de campânula ou sino invertido com base saliente, de cor branco-marfim com decoração abstracta e geométrica aerografada, a preto (?) sobre verde, composta por traços e três círculos esfumados sobre os quais foram traçados manualmente diferentes composições: duas quadriculadas, uma delas de traços arqueados, e uma pintalgada lembrando um H. No fundo da base, carimbo azul com letras HAEL sobrepostas - da Haël Werkstätten für künstlerische Keramik Marwitz - e 123b144 (forma 123b, decor 144).
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 15 cm x Ø. máx. 11 cm


Mais uma peça dentro do espírito da Bauhaus concebida por Margarete Heymann-Loebenstein (mais tarde Heymann-Marks), sobre quem já tivemos oportunidade de escrever em 3 de Abril de 2013 a propósito do seu célebre serviço de café. Desta vez uma jarra com uma das mais emblemáticas decorações construtivistas a aerógrafo, da época, composta por círculos e segmentos de recta, também produzida no Atelier Artístico de Haël, em Marwitz, perto de Berlim.


sexta-feira, 3 de abril de 2015

Escultura art déco «Adagio» – Hutschenreuther - Alemanha


Escultura art déco de porcelana moldada, de cor branca com apontamentos a ouro na base. Representa um homem, sentado sobre um cepo de árvore, que toca violino e uma mulher igualmente sentada, a um nível inferior, no solo. O conjunto assenta sobre uma base oval escalonada em três níveis com realces a ouro. Atrás da figura masculina, inscrito na pasta, C. Werner. No fundo da base, carimbo verde com leão «Hutschenreuther, Selb Bavaria, Abteilung für Kunst»
Data: c. 1927 (carimbo 1920-1938)
Dimensões: Alt. 21 x comp. 23 x larg. 14,5 cm


Trata-se do modelo nº 0906/1 do catálogo de 1927, pág. 33, da fábrica alemã Hutschenreuther, da autoria de Carl Werner, intitulada «Adagio».

Versão art déco de uma cena galante setecentista, com ecos das porcelanas de Meissen de então, a peça escultórica é de uma fragilidade extrema. Elegantes e mundanas, as personagens parecem envergar trajes de cena. A teatralidade da representação é realçada pela depuração e pelo amaneiramento das formas, estilizadas e tendencialmente geometrizadas, a que as mãos, de enfática modelação, acrescem ainda maior intensidade ao movimento barroco de toda a composição. Diríamos estar perante uma peça que é um meio-termo entre duas expressões escultóricas e estéticas do Art Déco germânico dos anos 20: o neo-barroco extremado de Paul Scheurich (1883–1945), para Meissen e KPM, e a estilização moderna de Gerhard Schliepstein (1886-1963), para Rosenthal.

O ritmo lento da música, já que se trata de um adágio, acentua a delicadeza desta cena intimista, em que à concentração do músico correspondem os gestos graciosos da mulher que provavelmente canta.


Carl Werner (1895-?) nasceu em Rudolstadt, na Turíngia. Trabalhou sob a orientação de seu pai, entre 1910-1914, na fábrica de porcelana de Aeltesten Volkstedter. Depois da Primeira Guerra Mundial estudou na Kunst-Hochschule de Weimar. De 1922 a 1960 trabalhou como escultor e director técnico do departamento de arte da fábrica de porcelana Lorenz Hutschenreuther.

Especialista no movimento e na expressividade do corpo humano, o seu talento, enquanto escultor, muito contribuiu para o reconhecimento internacional da produção artística da fábrica.


Comprámo-la há alguns anos em Berlim, na Suarezstrasse, artéria onde se concentram antiquários de vários géneros. E não hesitámos entre uma versão monocroma branca, que encontrámos numa das lojas, e esta, com subtis apontamentos a ouro, que descobrimos noutro estabelecimento próximo.

Transportá-la para Portugal é que se revelou complicado dada a fragilidade da peça. Mas são estes pequenos episódios que tornam as férias ainda mais interessantes.


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Jarra art déco quadrilobada com escorridos – Lusitânia - Coimbra



Mais uma jarra quadrilobada e lotiforme da Lusitânia, mas da unidade fabril de Coimbra. É idêntica à anterior embora de menores dimensões. Também a paleta cromática apresenta algumas diferenças, tais como a cor laranja de uralite ser mais clara, o amarelo subjacente estar mais presente e a cor manganês, para além de integrar os escorrimentos, pontilha parte da peça. No fundo da base, carimbo estampado, azul, Lusitânia-Coimbra.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 15,5 cm



sábado, 7 de fevereiro de 2015

Jarra art déco quadrilobada com escorridos – Lusitânia - Lisboa


Jarra de faiança moldada, quadrilobada, lotiforme, cor creme finamente craquelé com escorridos, aplicados a aerógrafo, laranja sobre manganês e amarelo que escorrem numa irregularidade controlada em dois terços do bojo. Assenta sobre pé saliente em calote oval a preto. Interior branco. No fundo da base, carimbo estampado, verde, da unidade de Lisboa: escudo coroado Lusitânia, com Cruz de Cristo enquadrada pelas iniciais C F C L [Companhia das Fábricas de Cerâmica Lusitânia] sobrepujando Portugal.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 29 cm


O modelo que hoje apresentamos já foi aqui mostrado em 7 de Janeiro de 2013, numa jarra produzida pela unidade de Coimbra da fábrica Lusitânia. Embora de maiores dimensões que a referida peça, que identificámos como sendo uma forma alemã, a decoração de escorridos e a própria cor, remete também para uma clara influência germânica, muito presente em peças produzidas, por exemplo, pela Carstens-Uffrecht. 


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bilheteira art déco com figuras grotescas – Karlsruhe - Alemanha

Na sequência das peças de Karlsruhe que temos vindo a postar, hoje mostramos mais uma igualmente refinada bilheteira de Helmut Uhrig.


Bilheteira art déco, de faiança moldada, composta por taça circular, preto mate, com relevo espiralado no fundo, suportada por três pés antropomórficos. As figuras, grotescas, apresentam faces com olhos e bocas vazados, cor de laranja forte (uralite). No fundo da base de um dos pés, em relevo, carimbo da fábrica Karlsruhe, com coroa. Esgrafitado à mão, no fundo da taça, «3291/84» (número de modelo e decor). Selo da loja onde terá sido vendida: «J. F. Maercklin – Stuttgart» e, escrito à mão, «620/679».
Data: c. 1930
Dimensões: Ø c. 33,8 cm x alt. 9 cm
  


A taça, despojada e sóbria, apoia-se sobre três pés, representando figuras ajoujadas sob o seu peso. Se numa parece ser evidente a influência da Grécia Antiga, visto assemelhar-se a uma máscara de teatro da Antiguidade, já as outras tanto podem remeter para as criaturas disformes de capitéis e gárgulas medievais, como fazem lembrar a cerâmica pré-colombiana. Estas figuras são de grande qualidade escultórica.


domingo, 14 de dezembro de 2014

Caixa art déco aerografada modelo «Drossel» - Carstens Gräfenroda - Alemanha


Caixa de faiança moldada, de cor branca com decoração aerografada a castanho. Taça em forma de pirâmide invertida, de três lados ligeiramente convexos, cujo vértice assenta sobre pé circular saliente. Tampa triangular com pega de igual forma. No fundo da base, carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos igualmente a preto «Dec 24», «0» «6» e «34»
Data: 1931
Dimensões: Alt. 9 cm x larg 9,5 cm


Trata-se de uma caixa decorativa (zierdose), que tanto poderia ter a função de bomboneira como de açucareiro. Forma moderna bauhasiana em que a decoração estampilhada aerografada, muito linear, dá ritmo e profundidade às superfícies lisas.


No catálogo da firma Carstens Gräfenroda de Junho de 1931 aparece identificada como sendo o modelo «Drossel» e a decoração nº 24. Haveremos de postar mais algumas peças aí apresentadas.


domingo, 30 de novembro de 2014

Bilheteira com cães de fo – Karlsruhe - Alemanha


Taça art déco de faiança moldada (barro vermelho), com vidrado craquelé. A parte superior, em forma de calote esférica, de base branca com bordo preto de manganês, é circundada, no interior, por lista azul-claro seguida de amarelo-pálido, ambas aguadas, ficando o covo a branco. As mesmas cores encontram-se na base que repousa sobre três animais com olhos e bocas vazados, lembrando cães de fo (símios ou criaturas míticas ou grotescas) no mesmo tom de azul mais carregado com apontamentos a preto de manganês e reservas da matéria base, o barro vermelho, sob vidrado. No fundo do pé, inciso na pasta, carimbo da fábrica Karlsruhe, com coroa, e carimbo preto «3220» [modelo] «Germany». Também inciso na pasta «23».
Data: 1932 
Dimensões: Larg. 28,5 cm x alt. 12 cm


Trata-se de uma bilheteira do escultor e ceramista, Christian Heuser, nascido em 1897 em Aschaffenburg, produzida de 1932 a 1935.

Heuser estudou nas escolas de artes aplicadas de Partenkirchen e de Munique e na Academia de Artes Aplicadas desta cidade. Por volta de 1930 cooperou com a Manufactura de Cerâmica de Karlsruhe. Entre a sua diversificada produção destacam-se os trabalhos de cerâmica que fez para a principal estação de caminhos- de-ferro de Frankfurt am Main.


Tal como Matha Katzer ou Paul Speck, de quem já apresentámos peças, Heuser é bem um exemplo da tensão entre a teoria propugnada pela Bauhaus, em 1919, e os reajustamentos a que as necessidades da produção industrial obrigaram.
A produção em série de cerâmica utilitária da Bauhaus começou nesse mesmo ano com o ideal de um regresso ao artesanato. Tal como num atelier medieval, a arte era vista como extensão do engenho e resultado de uma união de esforços.
O atelier cerâmico da Bauhaus começou assim em Dornburg, com o objectivo declarado de um renascimento da antiga artesania. No entanto, em 1922, pôs-se em questão este desiderato e reconheceu-se que a indústria, com as novas técnicas poderia melhorar a produção e aumentar as vendas. A partir de então, e não esquecendo os seus princípios, vai reorientar-se no sentido de uma cooperação prática com a indústria.

Nicola Moufang, então director da Karlsruher (1921-1928) segue também neste sentido e, somente por questões económicas, vai promover a produção industrial de cerâmica utilitária. Tornava-se evidente que a criação artística teria que ser diferente da utilizada na olaria tradicional. Novos moldes adaptados a novas tecnologias tinham que ser concebidos indo ainda de encontro aos novos gostos estéticos tanto modernistas como art déco.


Os modelos criados vão receber uma publicidade adequada à época. Assim, nos folhetos promocionais da fábrica aparece um novo conceito: “Fröliche Sachlichkeit”, ou seja, “Objectividade feliz” sendo que objectividade era o novo design que se traduzia em formas práticas e sóbrias e na ulização de um número restrito de esmaltes. Feliz, pelo emprego de cores ténues.

O objectivo era, nas palavras dos publicitários, propor um “artesanato seminatural, sem naturalismos ultrapassados”. Como se vê, esta formulação mostra bem a tensão entre a tradição artesanal e a nova maneira simplificada de trabalhar.
A bilheteira que hoje apresentamos –“bilheteira com forma refinada”- na publicidade de então, é bem um exemplo do que anteriormente escrevemos.



sábado, 1 de novembro de 2014

Jarra craquelé de Martha Katzer e Gerda Conitz - Karlsruhe - Alemanha


Jarra de faiança (barro vermelho) modelada (?), de forma esférica achatada, esmaltada e craquelé. O esmalte de meio-brilho, de cor verde-turquesa, é manchado irregularmente a cinza, cor que igualmente faz sobressair o craquelé. No fundo da base, em relevo na pasta, a marca da Karlsruhe.
Data: c. 1930-32
Dimensões: Alt. c. 9 cm



Sobre Martha Katzer (1897- 1946) previamente discorremos, a propósito de uma caixa de faiança aerografada desta mesma fábrica, em 21 de Agosto de 2013.
O trabalho conjunto que vai desenvolver de 1929 a 1932 com Gerda Conitz (1901 - ?) leva-a num outro sentido igualmente experimentalista mas mais rarefeito e requintado dirigido a um grupo restrito de consumidores de elite. As faianças nobres (ditas «Edelmajolika») resultantes desta dupla, pouco abundantes, são de grande refinamento. Enquanto a Martha Katzer cabe a concepção das formas atemporais de inspiração extremo-oriental, a Gerda Conitz cumpre a decoração das superfícies, concebendo requintados esmaltes craquelé.


A colaboração termina quando, em 1932, Gerda Conitz vai trabalhar como assistente técnica de Georg Schmider para a União das Fábricas de Cerâmica de Zell em Harmersbach. De 1936 a 1946 vai dirigir o atelier cerâmico das WMF.

Este tipo de formas espelha bem a apetência que os ceramistas ocidentais tinham pelas formas despojadas e desornamentadas da cerâmica da China e, sobretudo, do Japão, que vinha desde o último quartel do século XIX, sobretudo depois da Exposição Universal de Paris de 1878. O fascínio pelo Extremo Oriente perdurou e contaminou não só o Art Déco, como os demais movimentos modernos.

A jarra de hoje é bem exemplar das contaminações entre as várias tendências da época. Poderemos defini-la como art déco pelo refinamento sumptuoso das formas e matérias assim como pela união entre a criação artística e a artesania, características estas últimas também bauhausianas.

Peça idêntica, que se ilustra, figurou na exposição «Frölich, sachlich, edel: Martha Katzer - Keramik aus der Majolika-Manufaktur Karlsruhe 1922 – 1942», no Badisches Landesmuseum Karlsruhe, em 2001.



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Base bolos Colditz AG – Alemanha

Voltamos hoje às bases de bolos com decorações a aerógrafo alemãs, pois a nossa colecção é abundante neste tipo de objectos e poucos temos aqui partilhado.


Placa circular de faiança moldada de rebordo ligeiramente levantado. Sobre a cor branca de base recebeu decoração policroma abstracta de motivos geométricos estampilhados e aerografados em esfumado. A composição é tripartida por segmentos de recta, formando ângulos, a amarelo, que enquadram um conjunto de círculos e cruzes de diferentes tamanhos, a rosa-avermelhado e azul. Rebordo a amarelo igualmente a esfumado. Assenta sobre anel. No fundo da base, carimbo preto 4748 (Decor).
Data: c. 1933
Dimensões: Ø 30 cm


O nome «Colditz» aparece associado a três fábricas da Saxónia. Uma, fundada em 1828, começou por se denominar Keramik Werke Strehla, G.m.b.H., passando a designar-se, em 1927, Steingutfabrik Colditz AG, Abteilung Strehla, na cidade de Strehla an der Elbe, junto ao rio do mesmo nome. As outras duas localizam-se na cidade de Colditz: a Thomsberger & Hermann Steingutfabrik AG, fundada em 1804, e a Steingutfabrik Colditz AG.

De todas mostraremos futuramente peças, mas iniciamos hoje com uma base para bolos da última. A Fábrica de Faiança Colditz AG foi fundada em 1907, e dirigida até 1935 por Otto Zehe. A fábrica foi expropriada em 1948 e foi-lhe dado novo destino. A ela haveremos de voltar com maior notícia.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Escultura art déco jovem mulher nua cavalgando antílope –Hutschenreuther - Alemanha

 
Grupo escultórico art déco de porcelana moldada de cor branca com realces a ouro, representando uma jovem mulher nua cavalgando antílope. Inscrito no plinto a assinatura do autor M. Herm. Fritz [Max Hermann Fritz]. No fundo da base, estampado a verde:«Hutschenreuther», «Selb Bavaria»; «Abteilung für Kunst», e a ouro, pintado à mão, o nº 55.
Data: 1927 (marca 1920-1938)
Dimensões: Alt. 25 cm x comp. c. 30 cm


Interrompendo um longo período em que não postámos peças decorativas escultóricas, apresentamos hoje mais um exemplar da nossa pequena colecção da fábrica de porcelanas Hutschenreuther. Trata-se de dois motivos recorrentes do Art Déco: o antílope em movimento, e a mulher nua enquanto símbolo de modernidade e de libertação do corpo feminino. Neste caso, a jovem mulher, de cabelo curto à moda de então, controla com segurança a força bruta do animal captado em pleno salto.


Embora naturalistas, há uma subtil simplificação das formas que contrasta com a abstração dos elementos vegetalistas que suportam o conjunto criado, em 1927, por Max Hermann Fritz. As arestas da vegetação, realçadas a ouro, acentuam os elementos abstractizantes, maioritariamente de linhas quebradas, enfatizando o movimento da corrida, numa indirecta filiação futurista.

Produzido até 1946, o modelo aparece referenciado com o nº 0609/1 na página 9 do catálogo da fábrica do primeiro ano da sua criação.


Max Hermann Daniel Fritz (1873-1948) foi aluno de Lorenz Hutschenreuther e escultor de raiz autodidacta com algum mérito. Concebeu também peças escultóricas para as manufacturas de porcelana de Fraureuth, Hutschenreuther e Rosenthal. Foi seu tema de eleição a animalística, em especial os ursos, por vezes complementada por figuras femininas, como é o caso, ou por putti que também surgem isolados.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Caixa art déco aerografada – Carstens-Gräfenroda - Alemanha


 
Caixa (boleira) art déco de faiança moldada e relevada, quadrangular, de cor creme com decoração policroma estampilhada e aerografada simulando “costuras”. A taça, mais larga no bocal e estreitando na base, apresenta quatro faces rectangulares cortadas na diagonal que, na parte superior são lisas e areografadas a laranja, e na inferior são caneladas. O triângulo inferior, canelado e de linhas paralelas transversais à diagonal, recebeu parcialmente pintura a aerógrafo, num tom carmim, que extravasa para o triângulo superior num castanho-esverdeado, remetendo para uma ilusão óptica de grandes costuras. A tampa, quadrada e plana, é cortada nas diagonais por estampilha aerografada a laranja sobre as quais recebeu “costuras” idênticas às da taça. Ao centro, pega esférica a laranja. Assenta sobre pé saliente num tom carmim mais escuro. No fundo da base carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos igualmente a preto com «D. 1700», «22», «C» e «.U (?) 5»
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. c. 11 cm x larg. 13,3 cm
 

A grande diferença entre a presente caixa e a sua congénere portuguesa, que ontem postámos, é a forma da tampa que neste caso é plana e com pega esférica. Todavia, as diagonais da decoração da tampa deste exemplar germânico remetem para a forma piramidal da solução portuguesa.

Embora o efeito plástico final seja distinto em ambas as peças não deixa de ser interessante notar que, em nossa opinião, nas duas o efeito óptico obtido remete sempre para o têxtil. No caso da caixa alemã é como se a pintura a aerógrafo simulasse grandes costuras num tecido grosso como lona.
 

Dada a ausência de criativos na área do design nas indústrias cerâmicas em Portugal antes da década de 50 do século XX dificilmente seria a Alemanha a copiar um modelo português pelo que foi a forma desta caixa que levou à concepção da peça da Lusitânia-Coimbra que, por sua vez, também será mais tardia.

A cor laranja que tão frequentemente vemos em peças até à década de 1960, e que já referimos como sendo a cor art déco por excelência, provém de um esmalte cerâmico de urânico. Este minério e seus compostos “coloridos” foi muito utilizado em esmaltes cerâmicos para a mencionada cor laranja, mas também para certos tipos de amarelo e preto, por exemplo, e para obter vidros de cor verde-maçã.
 

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Caixa quadrangular Lusitânia - Coimbra

Depois de uma longa ausência, estamos de volta ao blogue. Esperamos voltar de forma mais assídua a estas andanças cerâmicas e manter o contacto com os nossos seguidores. Retomamos com uma peça portuguesa que, a princípio, parecendo estranha no panorama nacional, acabou por se revelar mais um elo no entretecer das influências da Europa Central na nossa cerâmica.
 

Caixa (boleira) art déco de faiança moldada e relevada, quadrangular, com decoração estampilhada e aerografada, a castanho-mel, de motivos geométricos e florais. A taça, mais larga no bocal e estreitando na base, apresenta quatro faces rectangulares cortadas na diagonal que, na parte superior são lisas e na inferior são caneladas. O triângulo inferior, canelado e de linhas paralelas transversais à diagonal, recebeu pintura a aerógrafo que, em esfumado, realça o relevo. O triângulo superior, liso, foi decorado com motivo vegetalista, igualmente estampilhado e aerografado, num intrincado de hastes, pequenas flores e folhas estilizadas. A tampa, quadrada e suavemente piramidal, tem, nas quatro faces, decoração semelhante à da parte inferior da taça, embora o canelado esteja alinhado da esquerda para a direita formando um efeito óptico diferente. No seu centro uma pega cúbica, rematada por pirâmide baixa, reproduz, de forma simplificada, a decoração da caixa propriamente dita. Assenta sobre pé saliente a castanho-mel. No fundo da base carimbo verde Lusitânia - FLCL – Coimbra – Portugal.
Data: c.1930-35
Dimensões: Alt. 12,5 cm x larg.17cm

 
Mais um exemplo de como a partir de modelos estrangeiros, germânico como é o caso, a produção nacional concebeu uma peça utilitária e decorativa com alguma originalidade para consumo popular. A modernidade bauhausiana do padrão óptico linear, quase um tecido pregueado, é contrariada pela presença da padronagem floral miúda que remete para um tecido estampado, numa composição que lembra o patchwork. A peça alemã, da Carstens Gräfenroda, que serviu de modelo a esta versão nacional será apresentada no próximo post.
 
 

sábado, 7 de junho de 2014

Taça (fruteira) modernista em forma de folha lanceolada – Carstens Uffrecht - Alemanha


Taça (fruteira) de cerâmica moldada, em forma de folha lanceolada simétrica e dobrada a eixo, vidrada a creme-mate com decoração de escorridos, aplicados a aerógrafo, cor-de-laranja forte, cujas duas metades apresentam recortes laterais triangulares delimitados externamente pelas pegas salientes, de secção redonda, a castanho. A taça repousa sobre base saliente, mais pequena, com a forma invertida da taça. No fundo da base carimbo preto triangular da Carstens Uffrecht, sobrepujando «dek. 6» e, por cima, «form 414».
Data: c. 1930
Dimensões: Comp. 26 cm x larg. 18,5 cm x alt. c. 8 cm
 


A aplicação controlada do esmalte a aerógrafo, formando escorridos aparentemente aleatórios, foi particularmente corrente na unidade fabril da Carstens Uffrecht na produção art déco de vertente modernista bauhausiana. As peças produzidas com este tipo de técnica decorativa acabam por se individualizar subtilmente entre si, embora quando vistas em conjunto assumam uma leitura de grande homogeneidade e se entenda a matriz da decoração. Daí este ser o decor nº 6 que foi aplicado a diferentes formas.
 

Não foi só Portugal que copiou modelos estrangeiros, com destaque para a influência alemã. O Reino Unido fez a mesma coisa, como se pode constatar na presente peça cujo modelo, a partir de finais do anos 30, vai ser produzido pela Crown Devon (o exemplar ilustrado apresenta a marca utilizada a partir de 1939). E não temos a menor dúvida que se trata de cópia de modelo alemão, não só pela datação tardia como a Alemanha foi, até à ascensão do nazismo, o grande centro produtor e, sobretudo, criador da Europa. Verdadeiro laboratório, onde a inventiva e o experimentalismo, tanto nas formas como nas decorações, levaram à efervescência criativa que nesse país se viveu durante a República de Weimar. Queimaram-se etapas como em mais nenhum outro parece ter acontecido, sempre em permanente pesquisa, numa incessante busca, quase esquizofrénica, na criação artística a todos os níveis, dos objectos utilitários às chamadas artes maiores.
 


A introdução do gosto art déco e do design modernista, apesar do espalhafato editorial inglês sobre a produção nacional no período, é tardia. Em Paris, em 1925, o Reino Unido apresentou um dos pavilhões mais conservadores, para não dizer reacionários, de toda a Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas. De facto, só na década de 30 o novo gosto aí se implanta e adquire uma certa consistência.