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domingo, 19 de agosto de 2018

Uma decoração icónica de Sacavém


Parte de serviço formato «Porto», de faiança moldada. Sobre formas ainda oitocentistas foi aplicada uma decoração geométrica estampilhada e aerografada, a três cores com pintura em esfumado: verde, azul e castanho alaranjado. Asas, pegas, bicos e bocais pintados à mão, a castanho. No fundo das bases, carimbo a verde «Gilman & Cta-Sacavém» «Portugal» e, «386» (decor), acrescido no bule de «O», na leiteira e açucareiro de «E», etc..
Data: c. 1930-40
Dimensões: Várias

A padronagem art déco modernista deste serviço é a que qualquer leigo português nestas coisas da produção cerâmica nacional é capaz de imediatamente identificar como sendo “Sacavém”. Verdadeira referência icónica desta fábrica, a decoração nº 386 foi usada entre cerca de 1930 e 1960s. Só que, mais uma vez, não é uma criação original portuguesa.


No fundo documental da Fábrica de Loiça de Sacavém encontra-se o verbete que se ilustra, gentilmente cedido pelo Museu de Cerâmica de Sacavém / Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso (MCS-CDMJA), onde o motivo decorativo nº 386 aparece aplicado a uma tigela.

Os sensores em Portugal não percebiam a carga ideológica dos objectos modernos. Perseguia-se um pintor ou um escultor, mas as peças modernas de uso quotidiano entravam livremente nos lares portugueses. É disto um bom exemplo a faiança aerografada de boa parte da produção de Sacavém, só para citar uma fábrica. Hitler destruía-as na Alemanha, onde integravam o rol das artes degeneradas, produto de judeus e comunistas, como temos vindo a referir.



O provincianismo local abria-lhes as portas e mesmo em cenas como no filme «O Pai Tirano» (1941), o café com leite (?) do pequeno-almoço da pensão pequeno-burguesa, que na ficção fílmica se localiza na travessa da Portuguesa, no bairro da Bica, é servido em peças (chávenas e manteigueira) de um serviço com esta decoração, a uso como grito de modernidade popular num ambiente ainda muito século XIX. Curiosamente, a boleira de loiça com tampa metálica é alemã (ver fotogramas do filme).


Apresentamos aqui, igualmente, fotografia de um tête-à-tête que esteve há uns anos, e durante longos meses, à venda no Miau.pt como sendo «Sacavém». Era uma peça que gostaríamos de ter adquirido, mas o preço exorbitante pedido tal não permitiu. Mesmo sem termos visto a marca, arriscamos afirmar que se trata de produção da Europa Central, de origem alemã ou checa. Caso os nossos leitores tenham alguma informação que possa satisfazer a nossa curiosidade, deixamos desde já o nosso agradecimento.

A técnica do dégradé num dos lados do desenho da estampilha, tão ao gosto alemão teve, em Portugal, na produção da Fábrica de Loiça de Sacavém o seu expoente máximo, onde conheceu grande longevidade, como se pode constatar aplicada a este serviço, que por mais de 30 anos foi comercializado.


Dado só temos parte do serviço de chá e familiares nossos terem muitos mais peças, em parte por nós oferecidas, decidimos apresentar esta fotografia com algumas delas (embora a tigela apresente outra variante decorativa) como um conjunto ilustrativo da aplicação da decoração nº 386 e onde se pode ver, agora a cores, o modelo de chávena usado pela «Tatão» do filme, a actriz Leonor Maia.

domingo, 8 de outubro de 2017

Jarro (pequeno) art déco - GAL


Em 7 de Outubro de 2013, a propósito de uma caixa da efémera Fábrica de Faianças Gal (1935 a 1937), apresentámos um jarro idêntico (retirado de MAFLS) ao que hoje postamos. Trata-se do modelo nº 223, embora, infelizmente, o nosso exemplar nos tenha chegado sem tampa. Com a decoração nº 39, tal como a caixa, relativamente a esta apresenta uma ligeira diferença cromática no castanho.
  

Jarro art déco modernista, de faiança moldada, com bojo tendencialmente esférico e colo cilíndrico com bico triangular saliente. Asa curva que, emergindo junto ao bocal, se interliga na zona central do bojo por um elemento recto, de cor branca com decoração geométrica aerografada, sobre o vidrado, a castanho e verde. O bojo, e prolongando-se na parte inferior da asa, é cintado por faixa verde enquadrada de castanho, e na sua parte superior, de cada um dos lados, recebeu uma composição linear, em que duas faixas paralelas, desencontradas, são interligadas por faixa vertical a eixo. Faixas, bicromas, contornam bocal e bico, prolongando-se pela parte superior da asa. No fundo da base, pintado à mão a castanho, «GAL» e «223/39».
Data: c. 1935-37
Dimensões: Alt. 12,5 cm


No referido post escrevemos sobre a influência que a produção alemã da República de Weimar, de finais dos anos 20 e inícios da década seguinte, teve na produção nacional, e em particular na GAL e concluímos mesmo que um modelo de jarro da Carstens-Georgenthal, de c. 1931, parece estar na génese desta peça. Nada mais temos a acrescentar, mas haveremos de postar outras versões cromáticas e tamanhos desta forma.


terça-feira, 15 de agosto de 2017

Caixa forma 3202- Decor 3094 - Theodor Paetsch - Alemanha


Caixa para biscoitos de faiança moldada, paralelepipédica com cantos arredondados, de cor branca. As faces principais são decoradas por composição geométrica e abstracta estampilhada e aerografada, com dois conjuntos, um na horizontal outro na vertical, de motivos lineares a amarelo e de ziguezague a azul, ambos em esfumado. As faces laterais ostentam apenas os motivos lineares a amarelo na horizontal. O contentor assenta sobre pé reentrante e é coberto por tampa igualmente reentrante com pega em meia-cana, aerografada a azul e topos num subtil esfumado da mesma cor. No fundo da base carimbos a castanho «3094» (decor) e «F». Inscrito na pasta «3203» (forma)
Data: c. 1930-33
Dimensões: Comp. 19x larg. 12cm x alt. 12cm


Sabendo da nossa paixão pelo aerógrafo e pela cerâmica da República de Weimar, duas queridas amigas alemãs, mãe e filha (H e L), surpreenderam-nos, no Natal passado, presenteando-nos com esta deliciosa caixa.

Cada decoração dá uma identidade muito particular a um mesmo formato, podendo valorizá-lo ou anulá-lo. Neste caso, a harmonia abstracta da geometria do desenho e o contraste das cores, potenciam as qualidades formais do objecto. Haveremos de postar esta forma com outras variantes decorativas.



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Prato de cozinha com motivo de “amores-perfeitos” azul - Sacavém


Prato de cozinha de faiança moldada, formato circular com aba larga e lisa. De cor branca, o covo apresenta decoração central estampilhada e aerografada com bouquet de flores formado por três amores-perfeitos, a castanho e amarelo, campainhas castanhas e folhagem verde. Aba com barra aerografada a azul que, partindo do bordo, se esfuma em direcção ao centro. No fundo da base carimbo verde «Gilman & Ctª – Sacavém» sobrepujando «Portugal» e carimbos da mesma cor com «Z», um «S» (?) e «1300» (?)
Data: c. 1930-40
Dimensões: Ø 30 cm x alt. 5 cm


Mais um prato de grandes dimensões da Fábrica de Loiça de Sacavém. O motivo central remete para a decoração nº 1300-A «para malgas e pratos de cosinha», conforme se pode ver na ilustração da década de 1930 do catálogo de desenhos da fábrica, disponível no Centro de Documentação do respectivo Museu (MCS-CDMJA), cuja disponibilidade e apoio uma vez mais agradecemos.

Esta versão, com a aba simplesmente aerografada a uma cor, menos pesada do ponto de vista da ornamentação que a do catálogo, foi produzida com outras variantes cromáticas, como teremos oportunidade de mostrar.


sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Caixa oitavada Villeroy & Boch – Bonn - Alemanha


Caixa art déco de faiança moldada, oitavada, com decoração regular abstracta, de pendor vegetalista, estampilhada e aerografada, a verde, azul e preto sobre branco. O mesmo desenho repete-se, com as cores verde e azul alternadas, em cada uma das faces, e os ângulos, em cima e em baixo, são marcados por elementos a preto. A tampa é quadripartida visualmente por ornamentos com as mesmas cores alternadas. No fundo da base carimbo castanho «Villeroy & Boch» «Bonn» e, a preto, «D.1134.» sobrepujando «23». Inscrito na pasta «3211», «14» e FA».
Data: 1920 - 1925
Dimensões: Alt. 7 cm x Ø 11 cm


O desenho encontra-se perfeitamente delineado pelo recorte de cada uma das estampilhas, com cada cor uniformemente aplicada a cada um dos elementos compositivos, que assim se recortam claramente sobre o branco de fundo. Como já aqui escrevemos, esta solução não parece ser muito frequente nas decorações alemãs, aproximando-se mais das congéneres francesas.

Na repetição simétrica e regular de cada uma das partes vagamente vegetalistas, que diríamos lotiformes para os elementos centrais de cada face, há uma sugestão de agitação, sobretudo na composição que preenche a tampa, com um movimento rotativo em torno de um eixo central, em gironado, como se diz em heráldica.

É no reconhecimento desta dinâmica que, a nossos olhos, se vê a herança do Futurismo, em particular nos trabalhos do pintor italiano Giacomo Balla (1871 – 1958), ou mesmo de Fortunato Depero (1892 – 1960). Mais um exemplo da adaptação das vanguardas artísticas à estética art déco alemã.


Quando vimos a caixa à venda veio-nos de imediato à memória a exposição «Futurismo & Futurismi» que, com grande pena nossa, falhámos no Palácio Grassi, em Veneza, em 1986. Como compensação vimos a exposição «Arte Italiana: Presenze 1900-1945» que tinha várias obras futuristas, entre os quais Balla, no mesmo Palácio Grassi, em 1989. Um portento. Comprámos ambos os catálogos.

A Villeroy & Boch compra a fábrica de faiança de Franz Anton Mehlem, em Bona (Bonn), quando a região do Sarre, onde se localizavam as suas unidades fabris de Mettlach e Wallerfangen, foi concedida à França, em 1918, na sequência da Grande Guerra. Esta fábrica funcionou de 1920 a 1931. No entanto, a partir de 1925 abandona a produção industrial de cerâmica utilitária e decorativa para passar a produzir peças sanitárias. A Grande Depressão levou ao seu enceramento.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Jarra cónica da Villeroy & Boch – Wallerfangen - Alemanha

Como há algum tempo não postamos nenhuma peça da nossa colecção de faianças aerografadas (spritzdekor na expressão alemã que tanto gostamos), hoje retomamos o tema com uma peça, em nossa opinião, de forte presença decorativa e estimulante modernidade avant-garde.


Jarra de faiança moldada, em forma de cone invertido, canelado junto ao bocal, assente sobre pé circular saliente e escalonado. Decoração estampilhada e aerografada, a mate, com motivos geométricos, de tons pastel (verde-claro, amarelo e castanho) em esfumado. No fundo da base, carimbo circular preto «VB-Villeroy & Boch» sobrepujando «Wallerfangen». Também carimbado a preto «2782YG» e, inscrito na pasta «588».
Data: c. 1929
Dimensões: Alt. 20 cm x Ø 19 cm (bocal)


O abstracionismo geométrico da decoração aposto à forma bauhausiana desta jarra é bem o exemplo de como a art déco alemã da República de Weimar, a partir de finais dos anos 20, adaptou o trabalho das vanguardas artísticas de modo a poder ser apropriado pelas classes populares.

Fascina-nos este ideal democratizador que, por um curto período, percorreu a Alemanha de então – no caso, a produção desta unidade fabril da V&B de Wallerfangen terminou em 1931, por encerramento da fábrica.


Já não é o luxo dos objectos que está em causa nesta art déco para produção em massa, mas sim a sua qualidade plástica, que vai ser apreciada transversalmente pelas diversas classes sociais germânicas. Antes, ainda, da crise económica de 1929, impunham-se formas e decorações modernas em materiais acessíveis, de que é exemplo a faiança, que concorria agora em pé de igualdade com a própria porcelana, como já tivemos oportunidade de escrever.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Prato de cozinha com motivo de mesquita - Sacavém


Prato de cozinha de faiança moldada, formato circular com aba larga e lisa. Decoração central estampilhada e aerografada, policroma. Sobre fundo branco, duas estampilhas a amarelo e castanho estilizam o motivo de mesquita, com espelho de água em frente e margem oposta em primeiro plano, onde se erguem duas palmeiras (tamareiras), à esquerda, definidas por duas outras estampilhas a castanho-mel e verde. Bordo com barra aerografada a cor-de-rosa que se esfuma em direcção ao centro. No fundo da base, carimbos verde «Gilman & Ctª – Sacavém – Portugal» e «946».
Data: c. 1930-40
Dimensões: Ø32 cm x alt. 5,5 cm


A arquitectura de uma mesquita otomana à borda de água, muito provavelmente um rio, com as duas tamareiras em primeiro plano, servindo de repoussoir, remete para o exotismo de um qualquer deserto do Próximo Oriente, o Egipto, por exemplo. Como se a mesquita turca do Cairo tivesse descido até ao Nilo.

Decorações idênticas podem ser encontradas em bases para bolos alemãs (infelizmente perdemos uma das imagens que tínhamos para ilustrar) e noutras peças cerâmicas da mesma nacionalidade.

Embora com raízes ainda setecentistas e que o espírito do Romantismo desenvolveu, este tipo de representações de um misterioso e exótico Oriente Próximo alimentaram o imaginário do Ocidente século XX dentro. O fascínio que a espectacular descoberta do túmulo de Tutankhamon, em 1922, causou, ou antes a personagem Lawrence da Arábia (1888-1935) e a canção «The Sheik of Araby» (1921), depois o cinema, em filmes como «The Sheik» (1926), ou os cenários da intriga de algumas obras de Agatha Christie (o mais conhecido será «Morte no Nilo», de 1937), por exemplo, contribuíram para continuar a alimentar fantasias das “mil e uma noites” no imaginário e estética colectivos pelo menos até ao desencanto que eclodiu com a II Grande Guerra.


Exemplar idêntico já foi apresentado por MAFLS, que sobre o tema discorreu, e apenas rectificamos que se trata da decoração nº 946 «para malgas e pratos de cosinha», conforme desenho do fundo documental da antiga Fábrica de Loiça de Sacavém, disponível no Museu de Cerâmica de Sacavém - Centro de Documentação Manuel Joaquim Afonso, a quem dirigimos, uma vez mais os nossos agradecimentos, e conforme carimbo deste nosso exemplar.

Como os Reis Magos vieram do Oriente e o Menino também por lá nasceu, aproveitamos o motivo para desejar um


segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Jarra Bunzlau - talvez da Fábrica de Grés Julius Paul & Sohn - Alemanha


Jarra de grés moldado, em forma de balaústre, com decoração geométrica aerografada em tons de verde e castanho. Interior a castanho-mel. No fundo da base não apresenta qualquer marca. Todavia, será de uma fábrica de Bunzlau, provavelmente da Julius Paul & Sohn.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 22,5 cm


As potencialidades do aerógrafo aplicado com estampilha são, como sabem, uma das nossas preferências no que à cerâmica diz respeito. Temos outras, mas não há dúvida que a modernidade e aparente facilidade deste método de decorar superfícies dá origem a uma paixão muito especial.

Já muito temos escrito por aqui sobre a maneira como as fábricas alemãs utilizaram e potenciaram as possibilidades deste método, mas ainda não tínhamos apresentado nenhuma peça cuja pintura final remetesse para um objecto pseudo-usado, uma superfície gasta por um tempo que não houve.


A composição sugere uma paisagem vertical em três planos, três vezes repetida. Por detrás de duas cadeias de montanhas, formadas pelos recortes das estampilhas, angulosos uma e curvos outra, desponta um sol acastanhado que se ergue num céu do mesmo tom delimitado pela linha recta de outra estampilha. Esta separa as três composições.


Remetendo para o abstracionismo pictórico, enquanto arte maior, os tons verdes não respeitam com rigor a estampilha do desenho de base, nem cumprem simplesmente o esfumado que é característico de grande parte das produções germânicas. Aqui a pintura a aerógrafo surge enevoada, esborratada e aparentemente gasta. A peça é, assim, simultaneamente rude e refinada. O Art Déco neste tipo de produção assume uma dimensão de vanguarda artística nitidamente bauhausiana.

Apesar de não ter qualquer marca, o estilo, as cores empregues e o próprio material, remetem para uma produção de Bunzlau, muito provavelmente da Feinsteinzeugfabrik Julius Paul & Sohn (fábrica de grés) activa entre 1893 e 1945. Porém, todo o experimentalismo vanguardista da composição parece ter tido origem na Staatliche Keramische Fachschule Bunzlau (Escola Profissional de Cerâmica do Estado em Bunzlau) cujas criações vão revolucionar a produção cerâmica local a partir do fim dos anos 20. Várias foram as fábricas da zona que aderiram a esta revolução estilística então iniciada pelo designer Artur Hennig (1880-1959).


O seu trabalho pioneiro na referida escola, iniciado em 1925, vai contaminar, através dos seus alunos, a produção cerâmica industrial de Bunzlau no final da década, assim como de outras fábricas alemãs.

Estética de curta duração, por volta de 1933 as fábricas de Bunzlau regressam a um gosto mais tradicionalista onde vão predominar os castanhos característicos da produção local oitocentista.

Bunzlau (Bolesławiec em polaco) fica na Baixa Silésia, território que desde o fim da Segunda Guerra Mundial foi reintegrado na Polónia e que a Prússia havia anexado em 1740.

domingo, 27 de setembro de 2015

Jarra modelo 585 A – Aleluia-Aveiro


Jarra de faiança moldada cuja forma remete para um bivalve entreaberto, tipo mexilhão, apesar da simetria aparente das “conchas”, com parte exterior aerografada a verde-seco seccionada por uma malha reticulada de linhas incisas a preto. Interior a ocre alaranjado, aplicado também a aerógrafo, esbatendo-se para o interior. Rebordo a branco. No fundo da base, carimbo preto Aleluia-Aveiro, com «x» preto pintado à mão ao centro. Igualmente pintado à mão, também a preto, «585» e «A».
Data: c. 1955-65
Dimensões: Alt. 12,7 cm


Poderíamos defender a possibilidade deste biomorfismo de criatura marinha se integrar na representação da vida do litoral e da ria de Aveiro, tantas vezes motivo de inspiração para os artistas das fábricas Aleluia, como já justificámos em outras peças ilustradas neste blogue, produzidas nas várias épocas e estilos.

No entanto, cremos não ser o caso, pois inclinamo-nos mais a ver nele uma influência internacional das freeforms contemporâneas, que se constacta ser transversal neste tipo de produção da Aleluia-Aveiro balizada entre cerca de 1955-1965. O que nos parece ser distintivo nesta produção nacional é a paleta cromática e decorativa que reputamos de mais arrojada que muitas das suas congéneres estrangeiras.


Tratar-se-á, como em outros já postados, da primeira decoração, identificada pela letra «A», de uma série, aplicada ao modelo «585». Aliás, não deixa de ser curioso verificarmos que o acaso nos tem feito chegar à colecção exemplares maioritariamente da opção decorativa inicial de cada série.

sábado, 12 de setembro de 2015

Prato de cozinha art déco cor-de-rosa com flores estilizadas – Lusitânia-Coimbra


Hoje trazemos um prato de cozinha, idêntico ao anterior e igualmente da «Lusitânia ELCA – Coimbra – Portugal», como indica o carimbo a verde, diferindo apenas na dimensão, na cor rosa, igualmente a esfumado ou a cheio mais intenso, e no acréscimo do motivo aerografado em zig-zag que circunda o bordo.
Data: c. 1930 - 40
Dimensões: Ø 34,3 cm x alt. 4,5 cm



domingo, 6 de setembro de 2015

Prato de cozinha art déco verde com flores estilizadas – Lusitânia-Coimbra


Prato de cozinha de faiança moldada, circular com aba larga e lisa. De cor branca com decoração, estampilhada e aerografada, a verde esfumado, no centro do covo, com motivo de flores estilizadas de gramática art déco. Bordo aerografado a verde esfumado. No fundo da base, carimbo verde «Lusitânia ELCA – Coimbra – Portugal».
Data: c. 1930-40
Dimensões: Ø 37 cm x alt. 6 cm


Este é mais um caso, como veremos no próximo post e como temos vindo a mostrar, que permite aferir que uma mesma estampilha e técnica foram coetaneamente utilizadas em peças produzidas nas unidades da fábrica Lusitânia de Coimbra e de Lisboa.

Fábricas nacionais como Sacavém, Massarelos e Lusitânia, tanto na unidade de Lisboa como de Coimbra, e, mais tardiamente, a Lufapo, herdeira das últimas, e a Cesol produziram pratos de cozinha e saladeiras, entre outras peças, com decorações recorrendo a estampilhas e a aerógrafo, onde predominam composições de gosto art déco.


Apesar de acrescida de pequenos apontamentos vegetalistas e ligeiras modificações reconhece-se que a mesma composição floral do exemplar de hoje foi utilizada, em finais da década de 40 e/ou já na seguinte, em peças fabricadas pela Cesol (ver MAFLS). Permanências de um estilo que em Portugal conquistou uma popularidade longeva como temos mostrado na cerâmica, mas igualmente noutros campos como foi o caso da arquitectura popular. 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Ampara-livros art déco “Elefante” azul – Sacavém


Elemento de um par de ampara-livros art déco, em versão aerografada, a azul manchado a castanho, criado por Donald Gilbert, idêntico ao par cor-de-laranja postado postado em 7 de Dezembro de 2014. No fundo da base, carimbo verde «Gilman & Cta – Sacavém» e, inscrito na pasta, «Gilbert Sc» [Sculpcit] , e «EL» «52».
Data: c. 1930 - 35
Dimensões: Alt. 15,7 cm x comp. 10 cm x larg. 7,3 cm


A escultura corresponderá à designação «Ampara livros - Elefantes», com o nº 238, que aparece nas tabelas de preços de «Loiças decorativas em faiança» da Fábrica de Loiça de Sacavém, de 1945, a 50$00 o par.



Infelizmente temos apenas um de um par. Se por acaso tiverem um solto e queiram fazer uns colecionadores compulsivos felizes, já sabem: contactem-nos. 


domingo, 19 de julho de 2015

Manga cilíndrica art déco com pássaros – K et G Lunéville - França


Jarra cilíndrica (manga) art-déco de faiança moldada de cor branca com decoração estilizada policroma, em azul, mostarda e preto, estampilhada e aerografada, de pássaros empoleirados em ramagens com folhas e flores. Parte inferior bordejada por uma sequência de segmentos curvos e tracejados a azul como uma “renda”. No fundo da base carimbo preto K&G - Lunéville- France. Inscrito na pasta «3P» e um «♥» [coração].
Data: c. 1923-30
Dimensões: Alt. 18,5cm x Ø 8 cm


Já todos conhecem esta nossa apetência pelas criações de Géo Condé, artista recorrente neste blogue, ou do seu círculo em Lunéville. As suas decorações com estilizados desenhos art déco são, a nosso ver, simultaneamente populares e eruditas, singelas e sofisticadas. Esta manga é mais um exemplo do seu estilo peculiar.

Associa-se também ao nosso gosto pela técnica, aparentemente simples, da estampilhagem aerografada. De facto, as figuras recortadas em estampilhas e aplicadas a aerógrafo, geralmente, com duas ou três cores apenas, da produção de Lunéville, são de um invulgar efeito visual, dentro dos parâmetros da contemporaneidade de então na versão art déco popular francesa.


Para mais, costumamos cá por casa falar de Lunéville como a versão francesa da Fábrica de Loiça de Sacavém (a nossa paixão nacional), embora nesta os aerografados sejam mais de inspiração germânica. Mesmo assim encontramos algumas afinidades, sobretudo na lógica da produção para as massas de loiça corrente, geralmente de baixo custo. Falamos de faiança, porque em relação à produção em grés com os irmãos Mougin já estamos a um outro nível.

É certo que Lunéville teve sempre uma produção com criação própria muito diversificada e que em determinados períodos da sua história, caso dos finais do século XIX e inícios da centúria seguinte, produziu faiança de excepcional qualidade que dificilmente a sua congénere nacional igualará, apesar das excepções.

Nesta produção. e no trabalho deste artista em particular de cuja obra temos vindo a dar exemplos, estão reunidas um conjunto de características, conceitos e técnicas que muito nos agradam.

sábado, 11 de julho de 2015

Jarro com faixas cortadas para cacau da Carstens Gräfenroda - Alemanha


Mais uma chocolateira art déco, da mesma forma «Leine», da alemã Carstens Gräfenroda que anteriormente postámos. Apresenta a mesma paleta quase monocromática, em dois tons de castanho e partes em reserva, mas com outra decoração, a nº 757. Esta concentra-se apenas no bojo esférico onde três faixas paralelas horizontais, a castanho-mel, são seccionadas em quatro partes por faixas verticais a castanho-chocolate. Todas as faixas aerografadas têm um dos lados em esfumado, pelo que o corte da estampilha será apenas rigoroso num dos sentidos. A restante superfície externa é castanho-chocolate. No fundo da base, carimbo preto, em forma de escudo, com a inscrição «Carstens» e «C G» sobrepujado por «Gräfenroda». Carimbos, igualmente a preto, «D. 757», «41» (?) e algo mais ilegível. Inscrito na pasta: «2».
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 20 cm (s/tampa) x Ø c. 14 cm


A decoração proporciona um efeito óptico completamente distinto relativamente ao jarro anterior, quase desconstruindo visualmente a forma. São estas virtudes da pintura a aerógrafo, delineada pelo recurso a estampilhas, uma técnica aparentemente tão simples, que tanto nos fascina e agrada na produção cerâmica deste período e que, por exemplo, a Fábrica de Loiça de Sacavém, à semelhança de outras congéneres europeias, tão bem soube apropriar-se.