sexta-feira, 29 de março de 2013

Jarra art déco Denbac nº 411, com armação metálica – França





Jarra art déco de grés moldado de forma ovoide com relevos em cabochão, de duas dimensões distintas e dispostos alternadamente, na vertical, cingindo o bojo. Esmaltada com escorridos em tons de terra castanhos-claro que lhe conferem uma textura visual próxima do couro. Recebeu uma armação de metal forjado em «peau de serpent» que, cintando o bojo, envolve, realçando-lhes a forma e o volume, os cabochões de maiores dimensões. No fundo da base, impresso na pasta, 411.
Dimensões: Alt. 22 cm
Data: c.1925-30
 

Embora não identificada, trata-se de uma jarra da fábrica francesa Denbac, de que já tivemos oportunidade de escrever a propósito de peças dentro da gramática Art Nouveau, um pouco tardia, que caracterizou a primeira fase de produção desta empresa de René Denert e René Louis Balichon em Vierzon. O modelo nº 411 que hoje apresentamos nada tem da estética de inícios do século, inserindo-se no contexto da produção art déco que terá tido menor expressão nas realizações da fábrica mas mais consentânea com o gosto então vigente.


Estamos em crer que aplicações metálicas do género não sejam frequentes na produção Denbac, pelo que se tratará provavelmente de uma série limitada. Graças a um exemplar idêntico que encontrámos à venda, quiçá o par desta, ficámos a saber que a aplicação metálica foi executada por “Val” (empresa ou artesão?). Aliás, este tipo de armação metálica é mais frequente aparecer associado a peças de vidro soprado, de que os cabochões salientes nesta jarra serão uma lembrança.

A leitura da peça com o metal é radicalmente diferente da do mesmo modelo sem essa montagem, como haveremos de mostrar.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Jarra art déco azul com flores – Vista Alegre




Jarra art déco piriforme de cor azul forte com composição vegetalista estampilhada (?) e apontamentos à mão. O bojo é decorado, numa única face, por uma composição de flores estilizadas, circulares, delineadas a preto, com corolas a branco e esfumado cinza e centro a amarelo. Folhagem a preto. Uma das flores repetete-se, em curva, ad infinitum, gerando uma falsa perpectiva. Junto ao bocal anel preto. No fundo da base, carimbo verde V. A. Portugal - Marca nº 31 (1924-1947) e x igualmente carimbado a verde. Inscrito na pasta, à mão, 6-5.
Data: c. 1930
Dimensões: Alt. 14 cm


No contexto da produção nacional, esta composição floral parece-nos inusitada, tanto pela estranheza como pela surrealidade do motivo. No encadeado dos círculos florais ora imaginamos uma coluna vertebral ora um estranho animal marinho. 

Não sendo uma peça que, do ponto de vista plástico, nos agrade, achamo-la interessante pela singularidade. Como tantas outras que adquirimos apenas por ilustrarem diversas vertentes das estéticas art déco produzidas no nosso país e destinadas, evidentemente, a clientes com perfis distintos.
 

Nada sabemos sobre a sua autoria ou datação exacta, embora lhe encontremos um vago paralelismo com certas composições florais, de finais dos anos 20, concebidas por Eva Zeisel para Schramberg, caso do prato que apresentamos. [Ver «Jarra art déco P. Bastard», post de 20 Agosto 2013]


domingo, 24 de março de 2013

Prato art déco com pombos de Géo Condé - K et G Lunéville - França




Mais uma vez a presença de Géo Condé, desta feita com um prato decorativo de grandes dimensões. Trata-se de um prato de suspensão, de faiança moldada e policroma, com motivo decorativo estilizado ao gosto art déco, estampilhado e aerografado, representando dois pombos brancos afrontados sobre cesto com frutas e flores a preto, azul e mel. Remate exterior branco com filete a ouro contornando o bordo. No fundo da base, carimbo preto K et G Lunéville France. Inscrito na pasta, um ♥ sobre caracteres ilegíveis.
Data: c. 1930
Dimensões: Ø 41 cm


Trata-se de uma natureza-morta criada por Géo Condé - com afinidades claras à obra do Georges Braque dos anos 20-30 após a sua primeira fase cubista - aqui interpretada numa vertente muito decorativa. A composição não apresenta profundidade e todos os elementos são estilizados, mesmo geometrizados, caso dos pombos e flores. A sua estrutura em pirâmide ressalta sobre um fundo plano, mas de recorte ondeante, lembrando uma concha de vieira, aposta sobre preto. Neste prato vê-se bem a vertente de pintor de Géo Condé que nunca terá abandonado ao longo da sua carreira.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Mais um tête-à-tête art déco Sacavém - Formato Coimbra





Hoje propomos mais serviço tête-à-tête da Fábrica de Loiça de Sacavém, do já descrito modelo Coimbra. Formado por 7 peças de faiança moldada (bule, leiteira, açucareiro, duas chávenas e respectivos pires), com composição vegetalista policroma (folhagem castanha e flores a laranja e verde-alface) pintada à mão sobre fundo marfim, complementada por filetes castanhos. No fundo das bases, carimbos a verde Gilman & Cta – Sacavém, Made in Portugal e 915 carimbado a preto. Nas chávenas aparece apenas o carimbo 915. A leiteira apresenta ainda 26 (?) inscrito na pasta, à mão. Ambos os pires são também marcados na pasta: um com 52B, 7-41 Sacavém (?), outro com 3-42 Sacavém.
Data: c. 1935
Dimensões: Diversas

 

E se o modelo Coimbra tem por base o modelo Zenith da fábrica inglesa Burgess and Leigh, criado, em 1931, como já referimos em post anterior, a decoração terá, sem dúvida, a mesma origem.



segunda-feira, 18 de março de 2013

Cigarreira de Paul Speck - Karlsruhe




Mais uma caixa (cigarreira) de faiança de Paul Speck (1896-1966) cujo modelo já apresentámos em azul, agora em versão policroma. A cor branca de fundo recebeu decoração quadriculada formada por linhas a preto e listas verdes e amarelas. No fundo da base, inscrito na pasta, carimbo da manufactura de Karlsruhe e carimbo preto azulado: 2900/a [modelo] e Germany.
Data: 1925
Dimensões: 15 cm x 9,5 cm x 4 cm



Podemos observar peça idêntica no canto superior direito do folheto publicitário da manufactura de Karlsruhe, de c. 1930, conjuntamente com outras caixas, incluindo uma de chá que já postámos. Todos modelos criados entre 1924 e 1925.